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Casal deixa Manaus, percorre mais de 4 mil km, muda de cidade duas vezes em poucos dias, enfrenta aluguel caro, saudade da família e os desafios da adaptação ao Sul; Bárbara e Cleverson escolheram Joinville para reconstruir a vida
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 22/08/2026 às 18:36
Atualizado em 22/08/2026 às 18:37
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Casal deixa Manaus, percorre mais de 4 mil km e recomeça em Joinville após conseguir trabalho, enfrentar aluguel caro e adaptar-se à nova rotina.
Conseguir dois empregos poucos dias depois de chegar a uma cidade desconhecida não eliminou as dificuldades enfrentadas por um casal que decidiu atravessar mais de 4 mil quilômetros para reconstruir a vida longe de Manaus.
Bárbara Nunes Castilho, fisioterapeuta de 29 anos, e o marido, Cleverson, encontraram em Joinville, no Norte de Santa Catarina, o destino que buscavam depois de uma tentativa frustrada de se estabelecer em outra região do estado, um mês vivendo provisoriamente em imóvel por temporada e uma longa procura por apartamento.
A mudança representou mais do que trocar de endereço. O casal deixou para trás uma rotina financeiramente organizada, parentes, amigos e referências construídas no Amazonas.
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Em Santa Catarina, precisou começar novamente em aspectos básicos, da contratação profissional à compra de itens para a nova casa. A experiência passou a ser registrada nas redes sociais por Bárbara, que transformou o processo em conteúdo para outras pessoas interessadas em mudanças semelhantes.
Primeiro sinal de estabilidade veio pelo trabalho
A adaptação profissional aconteceu antes da residencial. Já em Joinville, Bárbara conseguiu uma vaga em uma clínica de fisioterapia voltada ao atendimento de crianças neurodivergentes, enquanto Cleverson começou a trabalhar como fiscal na Havan. Segundo relato da fisioterapeuta ao NSC Total, as duas contratações ocorreram ainda na primeira semana na cidade.
A rapidez trouxe uma sensação de que aquele endereço poderia oferecer possibilidades que os dois procuravam. A percepção de acolhimento e de espaço para crescimento profissional pesou para que permanecessem no município.
Mas ter salário novamente não significava que a vida já estivesse organizada. O próximo desafio era encontrar onde morar de forma permanente.
Um mês em Airbnb mostrou que conseguir aluguel seria mais difícil
Durante aproximadamente um mês, o casal permaneceu em uma acomodação por temporada enquanto visitava imóveis e fazia contatos em busca de uma residência definitiva. Havia dois critérios principais: o apartamento precisava ter parte da mobília e, ao mesmo tempo, caber no orçamento disponível naquele momento de reconstrução.
A busca revelou uma diferença que chamou a atenção dos dois. Os valores de aluguel encontrados em Joinville pareciam significativamente mais altos do que aqueles com os quais estavam acostumados em Manaus, conforme a avaliação feita por Bárbara.
Encontrar o imóvel adequado levou semanas. Quando a locação finalmente foi definida, a mudança ganhou outra etapa: completar aos poucos aquilo que faltava dentro da casa. Foi nesse momento que objetos simples começaram a adquirir um peso diferente. Cada nova aquisição ajudava a transformar uma moradia ainda incompleta em um lar.
Destino original do casal não era Joinville
A cidade que acabou recebendo Bárbara e Cleverson nem sequer ocupava inicialmente o centro dos planos. Quando saíram de Manaus, em junho, os dois desembarcaram em Chapecó e seguiram em direção a Concórdia, no Oeste catarinense. Havia uma referência familiar no local: um primo de Cleverson morava na cidade.
A expectativa era começar ali. A tentativa, porém, durou pouco. Durante a primeira semana, ambos perceberam que não haviam se adaptado e decidiram novamente colocar as malas na estrada.
Essa mudança de rota alterou completamente o projeto inicial. Antes de chegar ao destino definitivo, os dois ainda passaram por São José e Balneário Camboriú.
Joinville apareceu depois. Em vez de insistir em uma cidade apenas porque ela havia sido planejada anteriormente, o casal decidiu testar outro caminho e acabou encontrando ali tanto oportunidade de trabalho quanto uma sensação maior de identificação.
Demissão transformou um plano antigo em decisão imediata
A mudança de estado já era discutida antes de acontecer. Bárbara trabalhava como fisioterapeuta e descrevia a vida financeira da família em Manaus como estável. Ainda assim, ela e Cleverson avaliavam há algum tempo a possibilidade de procurar outra região para viver.
Entre as motivações estavam expectativas profissionais e a preocupação de Bárbara com a violência que percebia na capital amazonense. O projeto de construir uma família no futuro também entrava nessa avaliação.
Mesmo com o desejo de mudar, faltava um acontecimento que transformasse conversa em ação. Esse momento veio quando Cleverson perdeu o emprego.
A ruptura da estabilidade profissional acabou acelerando uma decisão que já vinha sendo amadurecida. O casal entendeu que aquele poderia ser o momento de tentar o recomeço que vinha sendo adiado.
Mudança passou a ser acompanhada por milhares de pessoas
Enquanto a nova rotina tomava forma, Bárbara começou a registrar os acontecimentos pela internet. O perfil nasceu sem uma estratégia profissional definida. A ideia inicial era documentar o processo: saída de Manaus, deslocamentos, dificuldades e pequenas conquistas.
A repercussão cresceu. A fisioterapeuta passou a reunir mais de 4 mil seguidores e milhares de visualizações, transformando uma experiência familiar em uma espécie de diário público sobre migração entre regiões do Brasil.
Os conteúdos também passaram a cumprir outra função. Ao mostrar gastos, busca por moradia e adaptação, Bárbara encontrou uma forma de conversar com pessoas que pensavam em fazer trajetórias semelhantes.
O que para o casal era uma sucessão de decisões cotidianas tornou-se informação prática para quem tentava entender como funciona começar do zero em outro estado.
Trânsito exigiu aprendizado mais rápido do que o esperado
Nem todas as diferenças estavam relacionadas a dinheiro ou emprego. A própria maneira de circular pelas ruas de Joinville causou estranhamento. Bárbara contou que precisou prestar mais atenção às faixas de circulação e às indicações próximas aos semáforos.
Determinadas pistas direcionavam exclusivamente para conversões específicas, algo que não fazia parte do padrão ao qual estava acostumada em Manaus. Nos primeiros deslocamentos, essa lógica provocou confusão.
O exemplo mostra como uma mudança de milhares de quilômetros pode exigir adaptação até em tarefas automáticas. Dirigir, escolher uma rua ou interpretar o posicionamento correto antes de um cruzamento passou a exigir mais atenção durante as primeiras semanas.
Clima de Joinville trouxe surpresa, mas também sensação de familiaridade
A diferença de temperatura era mais previsível. Saindo de Manaus para Santa Catarina durante o período de inverno, Bárbara e Cleverson encontraram um cenário climático muito diferente daquele do Norte brasileiro.
Curiosamente, porém, a experiência em Concórdia havia sido ainda mais fria. Quando chegaram a Joinville, as temperaturas um pouco mais altas durante determinadas horas da tarde ajudaram Bárbara a encontrar alguma familiaridade.
O aquecimento ao longo do dia lembrava, ainda que de forma limitada, o clima deixado no Amazonas. Essa pequena semelhança ganhou importância justamente porque quase tudo ao redor era novo.
Mais de 4 mil quilômetros também significaram viver longe da família
Se trabalho e moradia podiam ser reconstruídos, a distância dos parentes não tinha uma solução imediata. Cerca de 4,1 mil quilômetros de estrada passaram a separar o casal de familiares e amigos em Manaus.
Para Bárbara, essa foi uma das partes mais difíceis. A fisioterapeuta tinha relação próxima com os pais e precisou se adaptar à ausência da convivência cotidiana. A distância também afetou a mãe, que nos primeiros dias ligava frequentemente para a filha e pedia seu retorno.
Mesmo assim, Bárbara decidiu permanecer. O sentimento de saudade começou então a conviver com a expectativa de que os resultados da mudança só poderiam ser avaliados depois de algum tempo.
Recomeço não apagou as dúvidas do casal
A experiência em Joinville reúne conquistas rápidas e dificuldades que continuam em andamento. Houve emprego na primeira semana, mas também semanas procurando apartamento. A nova cidade apresentou perspectivas profissionais, mas trouxe aluguel mais caro.
A mudança ofereceu a possibilidade de construir outra rotina, ao mesmo tempo em que ampliou a distância dos pais e dos amigos. Bárbara reconheceu ao NSC Total que o processo exige preparo emocional. Para ela, uma mudança desse tamanho pode provocar desespero quando as dificuldades começam a se acumular.
Essa avaliação ajuda a mostrar uma dimensão que as redes sociais nem sempre conseguem transmitir: recomeçar não significa apenas chegar a uma cidade considerada melhor. É preciso procurar trabalho, entender o custo de vida, aprender outra dinâmica urbana, criar novas relações e suportar a ausência das pessoas que ficaram para trás.
Casal ainda está construindo a resposta para a própria mudança
A decisão de sair de Manaus não entregou imediatamente a vida imaginada por Bárbara e Cleverson. O casal precisou alterar o destino depois de chegar a Santa Catarina, escolher uma cidade que não era a primeira opção, morar temporariamente em Airbnb e reorganizar o orçamento diante dos preços encontrados no mercado imobiliário.
Ao mesmo tempo, conseguiu se inserir profissionalmente em poucos dias e começou a montar uma nova casa. É justamente essa mistura que passou a alimentar os vídeos publicados por Bárbara: o recomeço não aparece apenas nos grandes anúncios, mas na procura pelo primeiro apartamento, na adaptação às ruas e na compra gradual do que faltava dentro de casa.
A mais de 4 mil quilômetros de Manaus, os dois ainda não tratam a mudança como uma história encerrada. Joinville se tornou o endereço escolhido para testar aquilo que durante anos existiu apenas como plano — e o resultado desse projeto continua sendo construído em cada nova etapa da vida longe do Amazonas.
Fonte
NSC Total
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

