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Casal empilha 11 contêineres marítimos de 13,7 metros sobre uma fundação abandonada, abre as paredes de aço e transforma antigas caixas de carga em uma casa de três andares e 669 m²

Casal empilha 11 contêineres marítimos de 13,7 metros sobre uma fundação abandonada, abre as paredes de aço e transforma antigas caixas de carga em uma casa de três andares e 669 m²

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Casal empilha 11 contêineres marítimos de 13,7 metros sobre uma fundação abandonada, abre as paredes de aço e transforma antigas caixas de carga em uma casa de três andares e 669 m²

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 27/08/2026 às 13:45

Atualizado em 27/08/2026 às 13:46

Construção

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Foto: Reprodução/YT

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Casal transformou 11 contêineres de 13,7 metros em uma casa de três andares e 669 m², aproveitando a fundação abandonada de outro projeto.

Em 2015, Martha Moseley e Bill Mathesius chamaram atenção da revista Dwell ao revelar uma residência completamente fora do padrão em Yardley, na Pensilvânia, Estados Unidos. Em vez de construir toda a estrutura da maneira convencional, o casal aproveitou 11 contêineres marítimos de 45 pés, aproximadamente 13,7 metros cada, e uma gigantesca fundação de concreto deixada para trás por um projeto residencial que nunca havia sido concluído. O resultado foi uma casa de 7.200 pés quadrados, cerca de 669 m², distribuída por três níveis, em frente ao rio Delaware.

A escala torna o projeto muito diferente das pequenas casas de contêiner normalmente apresentadas como alternativas compactas e econômicas. Martha e Bill fizeram praticamente o oposto. Eles conectaram, cortaram e reorganizaram as grandes caixas metálicas para criar ambientes abertos, aproveitaram o concreto já existente como primeiro nível e empilharam oito contêineres no segundo pavimento e outros três no terceiro.

Em determinadas áreas, as paredes laterais foram removidas para que vários módulos passassem a funcionar como um único salão, apagando parcialmente a sensação de estar dentro de corredores metálicos estreitos.

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A história começou com uma casa que nunca chegou a existir

O detalhe que desencadeou todo o projeto já estava no terreno antes de Martha e Bill aparecerem. Segundo o relato de Martha à Dwell, a região possuía antigas casas de veraneio construídas principalmente nas décadas de 1930 e 1940.

Uma delas havia sido destruída por um incêndio e seu proprietário decidiu substituí-la por uma residência muito maior.

Ele chegou a construir uma enorme fundação elevada de concreto, mas abandonou o empreendimento antes de concluir a casa.

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Quando Martha e Bill compraram o terreno, herdaram aquela estrutura incompleta.

Em vez de demolir toneladas de concreto e começar novamente do zero, decidiram transformá-la na base de um projeto completamente diferente.

Uma coincidência de centímetros praticamente definiu a casa

Foi então que surgiu uma coincidência quase perfeita. A fundação existente possuía largura próxima de 45 pés, aproximadamente 13,7 metros.

Um contêiner marítimo do modelo escolhido pelo casal também media 45 pés de comprimento. A correspondência chamou a atenção imediatamente.

Se posicionados longitudinalmente sobre a fundação, os módulos metálicos poderiam aproveitar a estrutura que já estava pronta.

Martha explicou que essa coincidência foi um dos principais elementos que levou o casal à ideia de construir com contêineres.

Casal foi pessoalmente escolher os contêineres no terminal marítimo

Os módulos não foram simplesmente encomendados em uma loja de materiais de construção. Martha e Bill foram até o Port Newark-Elizabeth Marine Terminal, importante complexo portuário da região de Nova York e Nova Jersey, para selecionar as unidades que seriam utilizadas.

Foto: Reprodução/YT

Segundo Martha, foi necessário trabalhar por meio de um intermediário para adquirir os contêineres.

Cada uma das 11 estruturas tinha sido concebida para suportar transporte marítimo, empilhamento, chuva, vento e o esforço de movimentação entre navios, portos, trens e caminhões. Agora, porém, o aço ganharia uma função completamente diferente.

Oito contêineres foram colocados no segundo pavimento

A configuração final não consiste simplesmente em 11 caixas empilhadas umas sobre as outras. O primeiro nível é formado principalmente pela estrutura de concreto já existente.

Acima dele, oito contêineres compõem o segundo pavimento. Outros três módulos ficam no terceiro, criando a parte superior da residência.

Isso significa que praticamente toda a grande massa metálica da casa está apoiada sobre uma construção que originalmente havia sido destinada a outro projeto.

A estrutura antiga deixou de ser um problema do lote e passou a determinar a arquitetura da nova residência.

Três contêineres chegaram a ser cortados ao meio

A fundação não possuía exatamente a mesma largura em todos os pontos. Para adaptar os módulos a essas variações, o casal tomou uma decisão muito mais radical do que simplesmente deslocá-los alguns centímetros.

Três contêineres foram divididos e suas partes afastadas na região frontal da residência.

Essa separação criou novos vazios entre as estruturas. Um deles permitiu instalar uma claraboia personalizada sobre o principal espaço de convivência.

Assim, aquilo que inicialmente parecia ser uma incompatibilidade dimensional acabou produzindo uma das características arquitetônicas mais marcantes da casa.

Paredes inteiras de aço foram removidas para eliminar a sensação de corredor

Um contêiner marítimo padrão é longo e relativamente estreito. Se o casal simplesmente instalasse paredes internas, cada módulo poderia produzir ambientes parecidos com corredores.

Bill Mathesius não queria isso.

Segundo a Dwell, ele sempre apreciou apartamentos do tipo loft, com ambientes amplos e poucas divisões. Para aproximar a casa dessa estética, várias paredes laterais dos contêineres foram recortadas e abertas, permitindo que módulos adjacentes funcionassem conjuntamente.

O resultado muda completamente a percepção do interior. Em vez de 11 caixas independentes, surgem grandes espaços formados pela combinação estrutural de várias delas.

Casa ficou com impressionantes 669 m²

O resultado final possui aproximadamente 7.200 pés quadrados. Convertendo para o sistema métrico, são cerca de 669 m² de área.

Isso coloca a residência numa categoria completamente diferente daquela normalmente associada às chamadas tiny houses de contêiner.

Foto: Reprodução/YT

Uma casa brasileira convencional pode ter 60, 80 ou 120 m². A residência de Martha e Bill é várias vezes maior.

Ela possui três níveis, três quartos e dois banheiros, conforme a ficha do projeto publicada pelo site especializado Prefab Container Homes.

Um dos quartos tem exatamente a largura de um contêiner

O quarto utilizado para hóspedes, chamado pelo casal de sleeping nook, é um bom exemplo. Segundo Martha, o espaço possui exatamente a largura de um único módulo.

Nesse ambiente fica evidente como seria a residência caso todas as caixas tivessem permanecido fechadas.

A própria proprietária reconheceu que os aproximadamente oito pés de largura seriam bastante estreitos se essa mesma solução tivesse sido repetida pelo restante da casa.

O quarto de hóspedes funciona, portanto, quase como uma demonstração da geometria original dos contêineres.

Cozinha foi posicionada para quebrar visualmente as longas linhas metálicas

Outro recurso arquitetônico aparece na cozinha. Em vez de acompanhar longitudinalmente as vigas e os contêineres, a ilha central foi posicionada de maneira perpendicular.

Martha explicou que a intenção era fazer a ilha funcionar como uma conexão visual entre diferentes unidades e reduzir a predominância das longas linhas dos módulos.

O casal queria que a residência fosse percebida como um loft, não como uma sequência de caixas encaixadas.

Uma escada de aço soldada à mão atravessa os três andares

A circulação vertical também virou uma das peças mais industriais da casa. O empreiteiro local Mike Carman construiu manualmente uma escada de aço soldado que atravessa os três níveis.

Foto: Reprodução/YT

A estrutura foi dimensionada especificamente para trabalhar com as proporções dos contêineres e mede aproximadamente 9 pés e 6 polegadas de altura por 8 pés de largura em sua configuração descrita pela Dwell.

O casal decidiu até preservar determinadas marcações originais feitas no aço durante o processo de fabricação.

Em vez de esconder completamente as imperfeições industriais, parte delas virou acabamento.

Aço corrugado continuou visível dentro da residência

A casa não tenta fingir que foi construída por métodos convencionais. Embora grande parte das superfícies interiores tenha recebido drywall, diferentes trechos do aço corrugado original permanecem aparentes.

O casal reutilizou inclusive pedaços retirados durante os cortes dos módulos como elementos decorativos.

Adesivos e inscrições existentes nos contêineres também foram preservados em determinados espaços. O objetivo não era apagar completamente a antiga função das caixas, mas incorporar essa história à estética da casa.

Bambu do terreno vizinho virou uma enorme cortina natural

No lado norte da casa, uma solução inesperada não foi projetada pelo casal.

Uma grande área de bambu pertencente ao terreno vizinho cresce junto à propriedade e funciona como uma espécie de cortina natural.

Martha afirmou que a vegetação produz cobertura suficiente para reduzir a necessidade de tratamentos ou cortinas em muitas das grandes janelas daquele lado.

Isso permite manter a relação visual com o exterior sem deixar a casa completamente exposta. De determinados pontos também é possível observar o rio Delaware, localizado do outro lado da rua.

Os contêineres permitiram transformar um problema imobiliário em ponto de partida

O elemento mais interessante do projeto talvez não seja sequer o reaproveitamento das caixas marítimas. É a maneira como uma estrutura aparentemente problemática foi reinterpretada.

O casal comprou um terreno que carregava a enorme fundação de uma casa que outra pessoa pretendia construir e nunca terminou.

Demolir aquele concreto significaria acrescentar tempo, trabalho, resíduos e custos antes mesmo da nova construção começar.

Martha e Bill optaram por perguntar o contrário: como construir a nova casa aproveitando exatamente aquilo que já existia?

A resposta apareceu quando perceberam que a fundação tinha praticamente a mesma dimensão dos contêineres de 45 pés.

Onze caixas de carga viraram três andares de arquitetura industrial

A transformação fica mais clara quando todos os números são colocados lado a lado. Foram 11 contêineres marítimos de 45 pés, aproximadamente 13,7 metros cada.

Oito foram posicionados no segundo pavimento e três no terceiro. Algumas unidades foram cortadas, outras abertas lateralmente e três chegaram a ser divididas para se ajustar à geometria da fundação.

Por baixo de tudo permaneceu o enorme concreto abandonado pelo antigo proprietário.

O conjunto terminou com três níveis e 7.200 pés², aproximadamente 669 m². É uma escala que praticamente elimina a associação entre contêiner e moradia minúscula.

O que originalmente havia sido projetado para atravessar oceanos carregando mercadorias virou quarto, escritório, cozinha, sala, terraço e grandes áreas abertas.

E aquilo que começou como uma fundação abandonada de uma residência que nunca existiu terminou sustentando 11 caixas de aço empilhadas em uma casa de três andares em frente ao rio Delaware, transformando dois elementos industriais reaproveitados em uma das residências de contêiner mais incomuns já publicadas pela arquitetura americana.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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