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Casal que dormia em papelão dentro de uma sorveteria de madeirite transforma negócio de 1993 em fábrica que produz 500 litros de sorvete e 5 mil picolés por semana no DF
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 03/08/2026 às 08:45
Atualizado em 03/08/2026 às 08:46
Economia
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Da sorveteria de madeirite onde dormiam sobre papelão à fábrica no Itapoã, Sandra e Joselito construíram em 33 anos um negócio que produz 500 litros de sorvete e 5 mil picolés por semana no Distrito Federal.
Sandra Regina Alves e Joselito de Sousa da Silva transformaram uma pequena sorveteria de madeirite, aberta em 1993, em um negócio familiar com fábrica própria no Itapoã e loja no Paranoá, no Distrito Federal.
A produção atual chega, em média, a 500 litros de sorvete e 5 mil picolés por semana. Os produtos também são revendidos em estabelecimentos do Itapoã, de Sobradinho e de Planaltina.
O resultado resume uma trajetória construída em jornadas longas, reinícios e decisões tomadas com poucos recursos. No começo, o casal trabalhava durante o dia, produzia até a madrugada e dormia no chão da própria loja, primeiro sobre papelão e depois sobre sacos de açúcar.
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O negócio começou em 1993, com jornadas até as 3h
A história começou quando Joselito recebeu o convite para deixar Planaltina e se tornar sócio de uma sorveteria no Paranoá. Ele e Sandra estavam juntos desde a adolescência e aceitaram a mudança. Ela tinha 19 anos e passou a ajudar na operação, ainda sem salário.
O atendimento ocupava o dia. Quando as portas se fechavam, começava a fabricação dos sorvetes, que avançava até por volta das 3h. Depois de poucas horas de descanso dentro do estabelecimento, a rotina recomeçava.
Em 1994, nasceu a primeira filha. O casal passou a morar em um barraco de madeirite nos fundos da sorveteria. A família perdeu o segundo filho, ainda bebê, em 1995, após uma infecção hospitalar decorrente de uma cirurgia. Em 1996, nasceu a terceira filha, enquanto Sandra e Joselito continuavam a conciliar trabalho e cuidados familiares.
Uma máquina de picolés marcou o primeiro salto em 1999
O primeiro avanço importante veio em 1999. Depois de economizar durante anos, Joselito comprou uma máquina de fabricar picolés. O casal também conseguiu adquirir freezers com fornecedores que já conheciam e alugou uma segunda loja no Paranoá.
Esse endereço permanece como sede da Sorveteria Freeway. A nova estrutura não eliminou os riscos do negócio, mas permitiu ampliar o cardápio e criar uma base própria para a operação.
A ruptura com o antigo sócio levou o casal a recomeçar
Durante algumas semanas, as duas lojas funcionaram ao mesmo tempo. Cerca de 20 dias após a abertura do novo ponto, um conflito com o antigo sócio interrompeu a parceria. Segundo o relato de Sandra ao Sebrae, Joselito foi acusado injustamente e decidiu sair sem levar bens da operação anterior.
O casal preservou apenas a loja que já estava registrada em seu nome. Foi a partir desse ponto que a Sorveteria Freeway ganhou forma como empresa independente.
Os meses frios continuaram impondo uma dificuldade típica do setor. Em alguns períodos, a família acumulou dívidas, mas manteve o abastecimento com o apoio de fornecedores que conheciam seu histórico e confiavam nos pagamentos.
Trinta carrinhos espalharam os picolés pelo Distrito Federal
Com o aumento das vendas, a empresa chegou a manter cerca de 30 carrinhos de picolé nas ruas do Distrito Federal. Parte dos vendedores era formada por aposentados que encontravam nessa atividade uma maneira de complementar a renda familiar.
A distribuição por carrinhos ampliou o alcance da marca para além do balcão. Também criou uma rede de relações pessoais que, de acordo com Sandra, permaneceu mesmo depois que esse formato perdeu espaço e a operação mudou.
A fábrica no Itapoã mudou a escala da produção
A fabricação deixou os fundos da sorveteria quando a família comprou um lote no Itapoã e construiu uma unidade própria. É nessa fábrica que Joselito trabalha atualmente em tempo integral.
A média semanal informada pela empresa ao Sebrae é de 500 litros de sorvete e 5 mil picolés. Além de abastecer a loja do Paranoá, a produção chega a pontos de revenda no Itapoã, em Sobradinho e em Planaltina.
A mudança para um espaço dedicado representa mais do que aumento de volume. Ela separou a produção do atendimento, organizou funções e consolidou uma estrutura que começou em um imóvel simples, sem cama e com equipamentos limitados.
Cursos e consultorias profissionalizaram a gestão
Ao longo dos anos, Sandra participou de capacitações em atendimento ao cliente, fluxo de caixa, marketing e gestão oferecidas pelo Sebrae no Distrito Federal. Ela também passou a estimular os colaboradores a buscar treinamento para melhorar o serviço.
No início dos anos 2000, uma consultoria da instituição desenvolveu a identidade visual e o mascote que identificam a Sorveteria Freeway. A marca deu unidade ao negócio quando a empresa já avançava para uma fase mais estruturada.
A experiência de Sandra com o comércio, porém, começou antes da sorveteria. Na infância, ela ajudava o pai no pequeno bar da família e observava o atendimento aos clientes. Essa vivência se tornou parte de sua função no balcão e na administração.
Produção e atendimento continuam divididos entre o casal
Hoje, Joselito, de 52 anos, concentra sua rotina na fábrica do Itapoã. Sandra, de 51, acompanha diariamente a loja no Paranoá, onde participa do atendimento e da gestão.
A divisão de responsabilidades mantém o casal ligado às duas pontas da empresa: ele acompanha a fabricação; ela permanece próxima dos consumidores e da equipe. A estrutura é maior, mas a condução continua familiar.
A loja funciona na Quadra 12, Conjunto 6, Lote 3, no Paranoá. O endereço é o mesmo ponto que se tornou a sede do negócio após o recomeço no fim dos anos 1990.
Do papelão a um negócio de 33 anos
Em 2026, a Sorveteria Freeway completa 33 anos. A distância entre a loja de madeirite e a fábrica própria foi percorrida sem um salto único: houve noites de produção, compra gradual de máquinas, sazonalidade, venda nas ruas, capacitação e uma nova divisão do trabalho.
A trajetória de Sandra e Joselito mostra como uma pequena operação pode ganhar escala quando reinveste no próprio negócio, preserva relações de confiança e profissionaliza a gestão. Você conhece outra empresa familiar que nasceu com poucos recursos e transformou a economia de sua comunidade? Compartilhe essa história nos comentários.
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Casalsorveteria
Fontes
Agência Sebrae de Notícias do Distrito Federal — De uma pequena sorveteria de madeirite a uma fábrica própria no Itapoã
Sorveteria Freeway — perfil oficial
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

