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Cearense mantinha o filho em escola particular em Fortaleza, deixou o Brasil com visto de procura de trabalho, foi para Portugal e recomeçou em vendas de telecomunicações; ao chegar com o adolescente, trocou a mensalidade pela rede pública e ainda evitou pagar cursos de inglês e francês

Cearense mantinha o filho em escola particular em Fortaleza, deixou o Brasil com visto de procura de trabalho, foi para Portugal e recomeçou em vendas de telecomunicações; ao chegar com o adolescente, trocou a mensalidade pela rede pública e ainda evitou pagar cursos de inglês e francês

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Cearense mantinha o filho em escola particular em Fortaleza, deixou o Brasil com visto de procura de trabalho, foi para Portugal e recomeçou em vendas de telecomunicações; ao chegar com o adolescente, trocou a mensalidade pela rede pública e ainda evitou pagar cursos de inglês e francês

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 27/08/2026 às 17:46

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André chegou a Portugal com o ano letivo em andamento, avançou nos estudos e encontrou inglês e francês na escola pública; enquanto isso, Rakel conseguiu emprego na área de telecomunicações e passou a conciliar trabalho, documentação e adaptação do filho.

A mudança de Fortaleza para Portugal fez Rakel Elany reorganizar a vida profissional enquanto o filho, André, trocava um colégio particular no Ceará pela rede pública portuguesa. A mudança também retirou do orçamento a mensalidade escolar e incorporou inglês e francês à rotina do adolescente.

A trajetória foi relatada pelo PÚBLICO Brasil em reportagem sobre a presença crescente de estudantes brasileiros nas escolas de Portugal. Rakel chegou ao país com visto de procura de trabalho, conseguiu emprego na área de vendas de produtos de telecomunicações e passou a conciliar trabalho, documentação e adaptação do filho.

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Para André, a transição escolar ocorreu com o calendário já em andamento. Ele havia estudado até o 6.º ano no Brasil e, após chegar a Portugal em janeiro de 2024, foi matriculado no 7.º ano mesmo com apenas cinco meses restantes naquele período letivo.

Ainda assim, o adolescente conseguiu ser aprovado. Depois avançou para o 8.º ano e, quando a mãe deu o relato ao jornal, preparava-se para iniciar o 9.º, sequência que reforçou a avaliação positiva de Rakel sobre a adaptação do filho à nova escola.

Mudança de escola alterou também os gastos da família

A passagem da rede privada brasileira para a pública portuguesa teve efeito direto nas despesas educacionais da família. Além de deixar de pagar a mensalidade de um colégio particular, Rakel destacou que inglês e francês passaram a fazer parte da formação escolar de André.

Ao PÚBLICO Brasil, ela explicou que, se continuassem em Fortaleza, teria de contratar cursos de línguas para garantir ao filho esse aprendizado. Em Portugal, as duas disciplinas passaram a estar presentes na escola frequentada pelo adolescente, sem a necessidade apontada pela mãe de buscar cursos separados.

Rakel também comparou sua experiência com os dois modelos de ensino. André sempre havia estudado em escola particular no Brasil, mas, depois da mudança, a mãe optou pela rede pública portuguesa e afirmou não perceber a mesma diferença de qualidade que identificava entre as redes na realidade que conhecia em Fortaleza.

A avaliação corresponde à experiência pessoal de Rakel com a educação do filho, e não a uma comparação geral entre os sistemas educacionais brasileiro e português. Para ela, porém, a continuidade dos estudos e a presença dos idiomas contribuíram para uma avaliação positiva da nova escola.

Encontrar uma vaga não foi imediato. Rakel contou que recebeu uma lista com cinco escolas e conseguiu lugar para André na terceira unidade procurada. O adolescente não gostou da primeira instituição em que estudou e posteriormente mudou de colégio, passando a demonstrar satisfação com a nova escola.

A instituição fica em Sobreda, localidade do município de Almada, na região metropolitana de Lisboa. A mudança colocou André em outro ambiente escolar e social, além de exigir adaptação a um calendário diferente daquele que seguia no Ceará.

Brasileiros são quase metade dos estrangeiros na rede pública

O caso de Rakel e André aparece dentro de uma presença brasileira ampla nas escolas de Portugal. Dados do Ministério da Educação, Ciência e Inovação obtidos pelo PÚBLICO Brasil apontaram 88.159 estudantes brasileiros matriculados na rede pública no ano letivo de 2024/2025.

Eles representavam 49,5% dos 178.133 alunos estrangeiros matriculados no sistema público português naquele período. Na prática, quase um em cada dois estudantes estrangeiros era brasileiro, e o número de alunos do Brasil havia aumentado 5% em comparação com o ano letivo anterior.

A presença brasileira se estendia por todas as etapas. No pré-escolar, brasileiros representavam 51,2% dos estrangeiros, e no primeiro ciclo, 50,9%; nos demais níveis, a participação permanecia próxima da metade, variando entre 48,2% e 48,5%.

Na rede privada portuguesa, o peso proporcional era menor nos dados disponíveis para 2023/2024. Havia 8.618 estudantes brasileiros nessas instituições, equivalentes a 24,8% dos 34.798 alunos estrangeiros matriculados naquele segmento, números referentes a período diferente do usado para a rede pública.

A experiência escolar de André avançou paralelamente à reorganização profissional da mãe. Depois de entrar em Portugal com o visto de procura de trabalho, Rakel conseguiu emprego na venda de produtos de telecomunicações, atividade que passou a fazer parte do recomeço da família fora do Brasil.

O processo de regularização ainda não estava concluído quando ela concedeu o relato. Rakel buscava realizar o reagrupamento familiar para obter a documentação do filho, enquanto André seguia os estudos na escola pública de Sobreda depois de já ter passado pela mudança de instituição.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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