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Cem ovelhas atravessam os Alpes da Itália à Áustria em uma tradição milenar que passa por gelo, rios turbulentos, trilhas estreitas e uma fronteira nacional, enquanto pastores enfrentam neve, avalanches e quedas para alcançar pastagens a 2.800 metros e preservar um costume transmitido entre gerações no Tirol do Sul

Cem ovelhas atravessam os Alpes da Itália à Áustria em uma tradição milenar que passa por gelo, rios turbulentos, trilhas estreitas e uma fronteira nacional, enquanto pastores enfrentam neve, avalanches e quedas para alcançar pastagens a 2.800 metros e preservar um costume transmitido entre gerações no Tirol do Sul

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Cem ovelhas atravessam os Alpes da Itália à Áustria em uma tradição milenar que passa por gelo, rios turbulentos, trilhas estreitas e uma fronteira nacional, enquanto pastores enfrentam neve, avalanches e quedas para alcançar pastagens a 2.800 metros e preservar um costume transmitido entre gerações no Tirol do Sul

Escrito por Carla Teles

Publicado em 07/08/2026 às 19:43

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Ovelhas cruzam os Alpes rumo à Áustria, chegam a 2.800 metros e mantêm uma tradição de pastoreio transmitida entre gerações.

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As ovelhas deixam o vale italiano e cruzam os Alpes rumo à Áustria em uma rota sazonal marcada por neve, gelo, riachos, pontes estreitas e risco de avalanche, enquanto jovens e veteranos conduzem o rebanho até pastagens de verão a 2.800 metros e mantêm viva uma tradição familiar centenária alpina.

As ovelhas do Tirol do Sul deixam o vale italiano durante o verão e seguem por uma rota alpina até pastagens localizadas na Áustria, atravessando montanhas, neve, gelo, cursos d’água e uma fronteira nacional. Em uma das jornadas acompanhadas, aproximadamente 100 animais precisaram ser conduzidos por pastores até áreas situadas a cerca de 2.800 metros de altitude.

A travessia acontece dentro de uma tradição praticada há gerações por famílias da região e envolve homens de diferentes idades, alguns acostumados ao trajeto desde a infância. As informações foram apresentadas pelo canal DW Brasil, em vídeo publicado em 26 de dezembro de 2025, que acompanhou a condução do rebanho, os riscos da rota e a rotina dos pastores durante a temporada.

Rebanho começa a jornada a 800 metros

Imagem: Reprodução/DW Brasil/YouTube.

As ovelhas iniciam a subida ainda no vale, aproximadamente 800 metros acima do nível do mar. Antes da partida, os criadores reúnem os animais na aldeia e organizam o grupo que participará da condução pelas montanhas, preparando-se para um percurso em que a altitude aumenta rapidamente.

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A diferença entre o ponto de partida e os trechos mais altos chega a cerca de 2 mil metros, exigindo esforço tanto dos animais quanto dos pastores. A rota não oferece apenas longas subidas, mas também pedras soltas, neve acumulada e passagens onde um movimento errado pode provocar uma queda.

Cem ovelhas precisam permanecer juntas

Imagem: Reprodução/DW Brasil/YouTube.

Durante a travessia, um dos principais desafios é impedir que as ovelhas se dispersem. O grupo precisa avançar de maneira relativamente compacta, especialmente quando chega a riachos, pontes e trilhas estreitas onde a movimentação desordenada aumenta o risco de acidentes.

Os pastores trabalham posicionados em diferentes pontos do rebanho, orientando os animais e reagindo rapidamente quando algum deles hesita. Em determinados obstáculos, a prioridade é fazer o grupo atravessar sem parar, reduzindo o risco de pânico ou congestionamento em passagens perigosas.

Neve obrigou pastores a adiar a saída

Imagem: Reprodução/DW Brasil/YouTube.

Embora a travessia aconteça no início do verão europeu, naquele ano ainda havia grande quantidade de neve nas montanhas. A condição levou os pastores a adiar a jornada, já que alguns trechos estavam mais perigosos do que o normal.

O clima continua sendo imprevisível mesmo depois da partida. Nas áreas mais altas, vento, neve e mudanças rápidas de temperatura podem transformar a rota em poucas horas, exigindo decisões imediatas sobre desvios e locais seguros para seguir.

Avalanches podem fechar parte do caminho

Durante uma das etapas, a neve acumulada obrigou o grupo a modificar o trajeto porque uma passagem estava fechada devido ao risco de avalanche. A alternativa levou as ovelhas por uma área ligada à estação de esqui, onde o avanço continuou em terreno inclinado.

A ameaça de avalanches representa apenas um dos perigos existentes na montanha. Quedas de pedras, raios, encostas íngremes e escorregões fazem parte dos riscos enfrentados por pessoas e animais, especialmente quando o tempo piora rapidamente.

Tragédia antiga ainda é lembrada pelos pastores

Imagem: Reprodução/DW Brasil/YouTube.

O perigo da travessia não é apenas teórico. No fim da década de 1970, uma nevasca provocou a queda e a morte de 70 ovelhas durante uma dessas jornadas alpinas, episódio que permanece como referência sobre o que pode acontecer quando o clima muda de forma severa.

A memória ajuda a explicar por que os participantes observam continuamente as condições da montanha. O objetivo não é simplesmente chegar mais rápido, mas manter o maior número possível de animais em segurança durante uma rota que atravessa terrenos capazes de mudar drasticamente em poucas horas.

Primeiro grande ponto fica a 2.800 metros

Depois de aproximadamente três horas de caminhada em uma das etapas, o rebanho alcançou um dos pontos mais altos do trajeto, a cerca de 2.800 metros acima do nível do mar. A chegada ao cume, porém, não representa o fim do esforço.

A descida também exige atenção porque os animais estão cansados e o terreno permanece escorregadio. Em montanhas desse tipo, descer pode ser tão exigente quanto subir, especialmente quando o grupo precisa permanecer unido e atravessar áreas cobertas de neve.

Riacho turbulento exige travessia rápida

Outro obstáculo surge quando o rebanho precisa atravessar um riacho de montanha. Nesse trecho, os pastores tentam impedir que os animais parem no meio da água ou se espalhem pelas margens.

A estratégia consiste em conduzir as ovelhas para o outro lado com rapidez e em grupo. Quanto maior a hesitação, maior a possibilidade de um animal entrar em pânico, criando dificuldades para aqueles que vêm logo atrás.

Ponte suspensa vira ponto crítico

Imagem: Reprodução/DW Brasil/YouTube.

Já próximo de outro trecho da rota, surge uma ponte suspensa estreita. Os pastores precisam controlar o número de animais que entram na passarela ao mesmo tempo, evitando excesso de peso e interrupções no movimento.

A travessia exige ritmo constante. Se muitas ovelhas pararem juntas sobre a ponte, a passagem se torna mais difícil para todo o grupo, razão pela qual os condutores permanecem posicionados nas extremidades e ao longo da aproximação.

Cordeiros menores não fazem toda a rota

Nem todos os animais conseguem acompanhar a jornada completa. Cordeiros muito pequenos podem ser transportados antecipadamente para áreas mais altas porque o percurso seria exigente demais para eles.

Em outro momento, um cordeiro recém-nascido precisou ser carregado durante parte da subida, acompanhado da mãe. A decisão de transportar os animais mais frágeis reduz o risco de exaustão, principalmente nos trechos em que neve e altitude tornam a caminhada mais pesada.

Jovens aprendem ao lado de veteranos

A tradição reúne diferentes gerações. Um dos participantes mais velhos tinha 72 anos, enquanto crianças e adolescentes também acompanhavam partes da condução, aprendendo procedimentos que suas famílias realizam há décadas.

Thomas, um dos pastores, contou com a participação do filho Elias, de 12 anos. A presença dos jovens é considerada essencial para que o conhecimento da rota continue sendo transmitido, já que grande parte das técnicas é aprendida diretamente na montanha.

Alguns participam desde a infância

Vários integrantes afirmam acompanhar animais pelos Alpes desde pequenos. A prática não é tratada apenas como trabalho sazonal, mas como parte da rotina familiar e da identidade ligada à criação de animais no Tirol do Sul.

Marcos, um dos jovens responsáveis pelo rebanho, também cresceu nesse ambiente. Mesmo conhecendo a travessia desde criança, ele considera cada temporada especial, principalmente porque a rota combina pastoreio, montanha e responsabilidade por dezenas de animais.

Marcos assume o cuidado durante o verão

Depois que as ovelhas chegam às pastagens austríacas, Marcos permanece durante meses na montanha, acompanhado principalmente pelo cão. Ele é responsável por aproximadamente 100 ovelhas e algumas cabras enquanto os animais aproveitam os pastos de verão.

A cabana onde vive possui apenas estrutura básica, com cama, água, fogão a gás e eletricidade. A rotina começa cedo e inclui percorrer grandes distâncias para verificar se o rebanho está saudável e se nenhum animal se perdeu.

Área monitorada chega a cerca de mil hectares

Imagem: Reprodução/DW Brasil/YouTube.

O território sob responsabilidade do jovem pastor cobre aproximadamente mil hectares. Como seria impossível verificar todo o espaço diariamente, Marcos percorre trajetos diferentes ao longo da temporada.

Além de observar os animais, ele verifica pontos onde há sal disponível. O rebanho se espalha pelas pastagens naturais, o que exige caminhadas contínuas e conhecimento do terreno para identificar rapidamente qualquer problema.

Sal é levado de helicóptero

No início da temporada, cerca de 15 quilos de sal são transportados de helicóptero até a área montanhosa. O material depois é distribuído em diferentes pontos utilizados pelos animais.

O sal complementa a dieta das ovelhas durante o período nas pastagens. Como o território é extenso e de difícil acesso, transportar materiais pelo solo seria mais trabalhoso, o que torna o apoio aéreo útil no começo da estação.

Pastoreio não garante renda suficiente

Imagem: Reprodução/DW Brasil/YouTube.

Apesar do esforço necessário, os criadores relatam que a atividade oferece retorno financeiro limitado. A lã perdeu valor comercial e a venda de carne, em muitos casos, serve principalmente para cobrir parte dos custos.

Por isso, diversos pastores mantêm outros empregos. Thomas trabalha como encanador, enquanto Johan combina atividades na fazenda com trabalho sazonal. A continuidade da tradição depende mais do vínculo familiar e cultural do que da perspectiva de enriquecimento.

Trabalho muda conforme as estações

Marcos também precisa encontrar outra ocupação durante o inverno. Seu trabalho como pastor está concentrado nos meses em que o rebanho permanece nas montanhas, acompanhando o ciclo das pastagens alpinas.

Johan, irmão de Marcos, ajuda no cuidado da propriedade familiar e também trabalha em uma estação de esqui durante o inverno. A combinação de várias fontes de renda permite que essas famílias continuem mantendo animais apesar do baixo retorno isolado da criação.

Pastagens ajudam a manter a montanha aberta

Os criadores também atribuem às ovelhas uma função na manutenção das áreas alpinas. Ao consumir vegetação durante os meses de verão, o rebanho impede que determinadas pastagens sejam completamente tomadas pelo crescimento das plantas.

Esse manejo ajuda a conservar espaços tradicionalmente utilizados para criação. Sem o pastoreio, parte dessas áreas mudaria de aparência e de composição vegetal, segundo os próprios participantes da atividade.

Travessia cruza uma fronteira nacional

Um dos aspectos mais incomuns da rota é que os animais deixam a Itália e chegam à Áustria. A jornada atravessa, portanto, não apenas montanhas e geleiras, mas também uma fronteira internacional.

Os pastores consideram essa característica um elemento distintivo da tradição. A condução une dois lados dos Alpes por uma rota usada há gerações, mantendo uma ligação histórica entre comunidades e áreas de pastagem separadas pelas fronteiras atuais.

Gelo torna trecho final ainda mais difícil

Nos pontos próximos a 2.800 metros, os homens e as ovelhas precisam avançar sobre áreas cobertas por gelo. Manter o rebanho unido nesse tipo de terreno se torna particularmente difícil porque qualquer escorregão pode provocar acidentes.

Marcos costuma seguir à frente em determinados trechos, observando a progressão dos demais. A experiência permite avaliar onde o grupo pode passar e onde é necessário reduzir o ritmo, especialmente quando a superfície está instável.

Predadores também preocupam criadores

Além dos riscos naturais da montanha, os criadores mencionam a presença crescente de predadores como uma preocupação para o futuro da atividade. Estimativas citadas no relato indicavam aproximadamente 80 lobos vivendo no Tirol do Sul.

Em 2023, compensações por danos provocados por ataques chegaram a quase 100 mil euros. Os pastores afirmam temer que o aumento da pressão de predadores torne a criação mais difícil, embora o grupo acompanhado não tivesse perdido animais por essa causa naquele momento.

Retorno começa quando o verão termina

Com a chegada de setembro, as ovelhas precisam deixar as pastagens altas e retornar ao Tirol do Sul. Antes da descida, Marcos e outros ajudantes passam dias reunindo os animais que ficaram espalhados pelas montanhas durante o verão.

O processo exige novamente organização e controle. A volta não é considerada mais simples apenas porque o rebanho conhece parte do caminho, já que clima, rios, pontes e encostas continuam apresentando riscos.

Mudança do tempo acelera a descida

Assista o vídeo

Na viagem de retorno, o grupo enfrenta neblina, chuva e vento frio. Em determinado trecho, os animais começam a se mover mais rapidamente pela montanha, enquanto os homens tentam manter a organização.

Uma das travessias de rio levou aproximadamente uma hora e meia. Os pastores acreditaram que os animais poderiam estar reagindo à mudança do tempo, acelerando o passo enquanto as condições meteorológicas pioravam.

Jornada termina depois de mais de oito horas

Na parte final da descida, pastores e rebanho passaram mais de oito horas atravessando as montanhas antes de chegar novamente ao vale. Apesar das condições difíceis, não houve fraturas ou ferimentos registrados durante aquela etapa de retorno.

Ao final da temporada, apenas dois animais haviam morrido enquanto estavam nas montanhas, e todos os demais completaram a descida. Para Marcos e os outros responsáveis, chegar ao vale com o rebanho praticamente inteiro representa o principal indicador de que o trabalho foi bem executado.

Tradição continua apesar dos riscos

A travessia das ovelhas pelos Alpes reúne riscos físicos, retorno financeiro limitado e meses de trabalho isolado nas montanhas, mas os participantes demonstram pouca disposição para abandonar o costume. Para eles, a prática faz parte da história familiar e da própria maneira de viver na região.

Jovens continuam acompanhando pais, irmãos e parentes mais velhos, enquanto veteranos ensinam como conduzir os animais pelos pontos mais perigosos. Na sua opinião, tradições como essa devem continuar sendo preservadas mesmo quando exigem tanto esforço e enfrentam riscos naturais cada vez maiores? Deixe seu comentário.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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