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Centenas de criaturas azuis de 5 centímetros aparecem em praia

Centenas de criaturas azuis de 5 centímetros aparecem em praia

4 min de leitura

Centenas de criaturas azuis de 5 centímetros aparecem em praia

Escrito por Fabio Lucas Carvalho

Publicado em 04/08/2026 às 19:27

Atualizado em 04/08/2026 às 19:32

Ciência e Tecnologia

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Organismos conhecidos como marinheiros-do-vento foram encontrados em St Bees, no noroeste da Inglaterra, após ventos em direção à costa; cada estrutura azul reúne pequenos pólipos especializados que funcionam como uma unidade.

Centenas de pequenas criaturas azuis apareceram na praia de St Bees, na Cumbria, chamando a atenção dos visitantes. Apesar da aparência gelatinosa e dos tentáculos, os organismos não são medusas verdadeiras, mas colônias da espécie Velella velella.

Centenas de criaturas apareceram em St Bees

O episódio ocorreu na costa noroeste da Inglaterra, voltada para o Mar da Irlanda. A moradora Louise Nicholson encontrou os organismos espalhados pela areia e, inicialmente, imaginou que fossem pedaços de algas.

Segundo Nicholson, havia centenas deles na praia, enquanto diferentes visitantes paravam para fotografar o fenômeno. Os exemplares observados tinham aproximadamente duas polegadas, equivalentes a cerca de cinco centímetros.

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As imagens foram encaminhadas à Cumbria Wildlife Trust, organização britânica dedicada à conservação da natureza, que confirmou a identificação da espécie.

Georgia de Jong Cleyndert, chefe da área marinha da instituição, explicou à BBC que os animais podem chegar à costa em grandes concentrações quando as condições são favoráveis.

A especialista afirmou que períodos de ventos persistentes em direção ao litoral podem empurrar milhares dessas pequenas estruturas flutuantes para as praias.

Cada “animal” é uma colônia de pólipos

A Velella velella parece ser um único animal, mas sua estrutura é mais complexa. Cada unidade encontrada na areia é formada por vários pólipos especializados que vivem conectados e funcionam juntos.

Alguns desses pólipos participam da alimentação, enquanto outros desempenham funções relacionadas à reprodução e à defesa. O conjunto trabalha como uma única entidade, formando a estrutura oval azulada visível na superfície da água.

De acordo com o World Register of Marine Species, a espécie pertence ao filo Cnidaria, à classe Hydrozoa, à ordem Anthoathecata e à família Porpitidae.

Essa classificação ajuda a explicar sua semelhança com medusas e outros cnidários. No entanto, a espécie não é uma medusa verdadeira nem pertence à ordem dos sifonóforos, na qual está classificada a caravela-portuguesa.

A estrutura flutuante possui um esqueleto interno e uma parte inferior formada por pólipos com diferentes funções. Os tentáculos curtos permanecem em contato com a água e carregam células urticantes utilizadas para capturar alimento.

Uma pequena vela controla o deslocamento

A característica mais evidente da Velella velella é a estrutura transparente e semicircular posicionada sobre o disco azul. Ela funciona como uma pequena vela e permite que o vento determine o deslocamento da colônia.

A espécie não escolhe livremente o caminho. Como vive na superfície do oceano, fica submetida à direção dos ventos e ao movimento das correntes marítimas.

Esse comportamento originou o nome britânico “by-the-wind sailor”, que pode ser traduzido como marinheiro-do-vento. Na Itália, a espécie também é chamada de barquinha de São Pedro.

A Cumbria Wildlife Trust informa que a direção da vela influencia o ângulo pelo qual cada colônia se desloca em relação ao vento.

Quando os ventos sopram persistentemente em direção à terra, centenas ou até milhares podem terminar concentradas no mesmo trecho do litoral.

Espécie pode chegar a dez centímetros

Os exemplares encontrados por Louise Nicholson mediam aproximadamente cinco centímetros. A espécie, entretanto, pode apresentar um disco oval de até dez centímetros, embora normalmente seja menor.

Sua coloração varia entre azul intenso e roxo. Na parte superior fica a vela translúcida, enquanto pequenos tentáculos permanecem suspensos na água.

Esses tentáculos são utilizados para capturar peixes jovens e outros animais pequenos. Embora a aparência seja delicada, a Velella velella é um organismo predador adaptado à vida na superfície do oceano.

A espécie ocorre nas águas mais quentes dos oceanos e também é registrada nas costas da Grã-Bretanha e da Irlanda. Nessa região, as observações são mais comuns entre setembro e março, principalmente depois de tempestades de outono e inverno.

O aparecimento divulgado no fim de julho, portanto, ocorreu fora do período em que a organização britânica considera os registros mais frequentes.

Contato deve ser evitado

Os marinheiros-do-vento possuem células urticantes, mas seu efeito sobre seres humanos é considerado muito mais fraco que o da caravela-portuguesa.

Mesmo assim, a orientação apresentada pela BBC é observar sem tocar. Pessoas mais sensíveis podem sofrer irritação, especialmente se levarem as mãos aos olhos, aos lábios ou a outras regiões delicadas depois do contato.

A concentração encontrada em St Bees não representa o aparecimento de uma espécie desconhecida. Trata-se de um organismo marinho conhecido, levado à praia por uma combinação de ventos e correntes que transformou um fenômeno natural em uma paisagem incomum na costa britânica.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Fabio Lucas Carvalho.

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