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CEO da Ford avisa funcionários em reunião fechada que as chinesas podem entrar no mercado americano em até dez anos, mesmo com tarifa de 100% sobre os elétricos vindos da China

Arqueólogos encontram na Inglaterra um limpador de unhas romano de 1.600 anos em formato fálico, feito de liga de cobre e usado em uma época em que higiene pessoal, sorte e proteção podiam caber no mesmo pequeno objeto

6 min de leitura

CEO da Ford avisa funcionários em reunião fechada que as chinesas podem entrar no mercado americano em até dez anos, mesmo com tarifa de 100% sobre os elétricos vindos da China

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 01/08/2026 às 22:45

Atualizado em 01/08/2026 às 22:54

Economia

Artefatos de liga de cobre semelhantes ao limpador de unhas romano descoberto em Gloucestershire, peça associada à higiene pessoal e ao simbolismo de proteção no Império Romano.

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Jim Farley falou em uma reunião interna com funcionários em 30 de julho de 2026. Disse que a companhia se prepara para a possibilidade de fabricantes chineses chegarem aos Estados Unidos entre cinco e dez anos, e que o cenário mais provável está na ponta mais distante desse intervalo.

A conversa não era para o público. Em uma reunião interna com funcionários realizada na quinta-feira, 30 de julho de 2026, o CEO da Ford, Jim Farley, afirmou que a montadora se prepara para a possibilidade de fabricantes chineses entrarem no mercado automotivo dos Estados Unidos nos próximos cinco a dez anos, segundo apuração exclusiva da agência Reuters junto a três pessoas que acompanharam o encontro, com repercussão do ND Mais em 1º de agosto de 2026, em texto de Filipe Melo.

O detalhe que dá peso à declaração é o contexto. Os Estados Unidos aplicam hoje tarifas de aproximadamente 100% sobre veículos elétricos chineses, além de restrições regulatórias a software e componentes de origem chinesa. Ainda assim, na sessão de perguntas e respostas do encontro, Farley e outros executivos seniores indicaram que a entrada seria mais provável no limite superior do intervalo, ou seja, mais perto de dez anos do que de cinco.

O que exatamente foi dito

CEO da Ford diz a funcionários que montadoras chinesas podem entrar no mercado dos EUA em até dez anos, apesar da tarifa de 100% sobre elétricos

Vale delimitar o teor da fala. O que os executivos descreveram foi preparação para uma possibilidade, não previsão de substituição das montadoras americanas. A empresa trabalha com o cenário de que as barreiras atuais não se sustentem indefinidamente e de que a janela de preparação seja medida em anos.

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A novidade não está no diagnóstico, e sim na precisão do prazo. A direção da companhia, sediada em Dearborn, no estado de Michigan, já havia alertado antes que a China estava à porta dos Estados Unidos, mas nunca havia sido tão específica sobre o calendário quanto na reunião de julho. Procurada, a Ford não comentou publicamente o conteúdo do encontro.

Quem é o executivo que fez o alerta

Farley é uma das vozes mais insistentes do setor automotivo americano sobre a competitividade das fabricantes chinesas, e cita nominalmente a BYD como referência de escala e eficiência. A posição dele não é isolada dentro da empresa.

Bill Ford, presidente executivo do conselho da companhia, tratou do mesmo assunto em julho de 2026, durante evento promovido pelo veículo Axios. Ele defendeu enfrentamento direto, afirmando que é preciso encarar a China de igual para igual, que não dá para esperar mantê los fora para sempre e que a indústria americana precisa ser capaz de vencê los no próprio jogo. É a mesma leitura em dois níveis diferentes do comando da empresa.

As barreiras que existem hoje

O muro regulatório é alto e tem duas camadas. A primeira é tarifária, com alíquota próxima de 100% sobre veículos elétricos vindos da China, que torna esses modelos praticamente inviáveis comercialmente no mercado americano.

A segunda é técnica. Regras do Departamento de Comércio dos Estados Unidos restringem o uso de determinados softwares e componentes de origem chinesa em veículos conectados. As normas de software valem até o ano modelo de 2027, e as de hardware, até o ano modelo de 2030. Essas medidas foram implementadas em janeiro de 2025, no governo de Joe Biden, com base em preocupações de segurança nacional ligadas à privacidade de dados, e foram mantidas na gestão de Donald Trump. Montadoras, incluindo a própria Ford, buscaram autorizações para continuar comercializando nos Estados Unidos alguns veículos produzidos na China sob essas regras.

O Senado quer ampliar as restrições

As declarações internas chegam a público em um momento específico da discussão política americana. O Senado dos Estados Unidos avalia medidas para ampliar as restrições à venda de veículos chineses no país, que é o segundo maior mercado automotivo do mundo e um dos mais lucrativos.

O paradoxo é justamente esse. Enquanto o Legislativo trabalha para reforçar o bloqueio, o executivo de uma das três grandes montadoras de Detroit orienta a própria equipe a se preparar para o cenário em que o bloqueio não segura. As duas coisas não são contraditórias do ponto de vista empresarial: quem planeja produto com ciclo de desenvolvimento de anos precisa considerar o pior cenário, e não o mais confortável.

O que já acontece nos vizinhos

CEO da Ford diz a funcionários que montadoras chinesas podem entrar no mercado dos EUA em até dez anos, apesar da tarifa de 100% sobre elétricos

A avaliação de Farley não parte do vazio, e a geografia ajuda a explicar. Fabricantes chinesas conquistaram participação relevante no mercado mexicano nos últimos anos. Reportagem do Detroit Free Press aponta que, no início de 2026, veículos chineses já representavam cerca de 20% das vendas de veículos novos no país vizinho.

O Canadá é o outro ponto de observação. Sob um acordo comercial, o país autoriza a venda de um número limitado de elétricos chineses, e analistas do setor tratam o mercado canadense como teste natural para essas marcas, pela semelhança de perfil de consumo e de exigências técnicas com o mercado americano. A China não precisa entrar pela porta da frente para aprender a operar em um mercado como o dos Estados Unidos.

A resposta da Ford em produto

Diagnóstico sem produto não muda nada, e a companhia anunciou a contrapartida. Em comunicado oficial divulgado em fevereiro de 2026, informou que desenvolve uma nova geração de veículos elétricos de preço mais acessível.

O ponto central desse projeto é que os modelos foram concebidos do zero para competir em custo e eficiência com os produzidos pelas fabricantes chinesas, e não adaptados a partir de plataformas existentes. É a diferença entre reduzir o preço de um carro caro e projetar um carro barato desde a primeira linha, e ela costuma definir quem consegue sustentar margem em segmento de entrada.

A parceria com a Geely e a reação política

Fora dos Estados Unidos, o embate já é presente. Na Europa, onde as fabricantes chinesas vêm ampliando participação, a montadora anunciou recentemente uma joint venture com a chinesa Geely.

O movimento gerou críticas de parlamentares americanos, que veem contradição entre alertar sobre a concorrência chinesa e firmar sociedade com uma empresa do país. A companhia sustenta que a presença crescente dessas marcas no mercado europeu vem pressionando o setor a operar de forma mais eficiente, tornando a indústria mais enxuta e inteligente, objetivo que a empresa relaciona à própria parceria.

O que está em jogo para o consumidor

Por trás da disputa entre governos e montadoras há uma questão prática. Veículos elétricos chineses chegam ao mercado com preço substancialmente menor que o dos concorrentes ocidentais, e é essa diferença que sustenta tanto o argumento das barreiras quanto o incômodo de quem paga pelo carro.

A discussão americana envolve segurança de dados em veículos conectados, proteção da indústria nacional e empregos no setor, de um lado, e acesso a produto mais barato, de outro. A previsão feita na reunião não resolve esse debate, apenas coloca um prazo nele, e é isso que a torna incômoda o suficiente para vazar.

E você, compraria um carro elétrico chinês se o preço fosse bem menor que o de uma marca tradicional? Conta aqui nos comentários o que pesa mais na sua decisão, preço ou marca, e se você acha que o Brasil deveria adotar barreiras parecidas com as americanas.

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Ford


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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