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Chef José Andrés embarca no primeiro voo comercial para Porto Rico após furacão, começa preparando comida em uma única cozinha e mobiliza 20 mil voluntários para servir 3,7 milhões de refeições nos 78 municípios da ilha

Chef José Andrés embarca no primeiro voo comercial para Porto Rico após furacão, começa preparando comida em uma única cozinha e mobiliza 20 mil voluntários para servir 3,7 milhões de refeições nos 78 municípios da ilha

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Chef José Andrés embarca no primeiro voo comercial para Porto Rico após furacão, começa preparando comida em uma única cozinha e mobiliza 20 mil voluntários para servir 3,7 milhões de refeições nos 78 municípios da ilha

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 27/08/2026 às 21:04

Atualizado em 27/08/2026 às 21:05

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Imagem ilustrativa mostra chef e voluntários entregando refeições à população de Porto Rico durante a mobilização humanitária realizada após o furacão Maria.

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José Andrés chegou a Porto Rico após a devastação provocada pelo furacão Maria e começou a cozinhar em um restaurante de Santurce. A iniciativa cresceu até reunir 20 cozinhas, quase uma dúzia de food trucks e mais de 20 mil chefs e voluntários, responsáveis por servir 3,7 milhões de refeições.

O chef José Andrés embarcou no primeiro voo comercial disponível para San Juan após a passagem do furacão Maria por Porto Rico, em setembro de 2017. Ele queria descobrir como seus conhecimentos na cozinha poderiam ajudar uma população que enfrentava falta de energia, estradas danificadas e dificuldades para receber alimentos.

A iniciativa começou dentro do restaurante do amigo e chef José Enrique, no bairro de Santurce. Ali, José Andrés e uma pequena equipe prepararam as primeiras porções de sancocho, prato tradicional semelhante a um ensopado.

O que nasceu em uma única cozinha transformou-se rapidamente em uma das maiores operações de distribuição de refeições realizadas depois do furacão. Segundo a World Central Kitchen, mais de 3,7 milhões de refeições foram servidas em todos os 78 municípios de Porto Rico.

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Veja também

Furacão Maria deixou destruição e apagões em Porto Rico

O furacão Maria atingiu Porto Rico em 20 de setembro de 2017 e provocou danos catastróficos em residências, estradas, sistemas de comunicação e serviços essenciais.

A rede elétrica da ilha foi praticamente destruída. Três meses depois da passagem do furacão, 45% dos moradores ainda permaneciam sem fornecimento de energia, conforme informações reunidas pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos.

As dificuldades também atingiram a distribuição de alimentos. Estradas alagadas ou bloqueadas, falhas de comunicação e comunidades isoladas impediram que mantimentos chegassem rapidamente a diferentes regiões.

Relatório do Government Accountability Office, órgão de fiscalização do Congresso dos Estados Unidos, registrou que municípios porto-riquenhos reclamaram que alimentos não estavam alcançando bairros necessitados.

José Andrés embarcou no primeiro voo comercial para San Juan

Diante das notícias sobre a destruição, José Andrés decidiu viajar para Porto Rico. O chef não chegou à ilha com uma estrutura completa, uma grande equipe ou uma rede de cozinhas previamente montada.

Segundo a história oficial da World Central Kitchen, ele embarcou no primeiro voo comercial para San Juan e começou avaliando o que poderia fazer com os recursos disponíveis.

A ideia era simples: encontrar uma cozinha, reunir cozinheiros e preparar comida fresca para quem havia perdido o acesso às necessidades mais básicas.

A experiência acumulada pelo chef em ações anteriores ajudou na decisão. José Andrés havia fundado a World Central Kitchen depois de viajar ao Haiti, em 2010, para cozinhar ao lado de famílias deslocadas pelo terremoto.

Primeiras refeições foram preparadas em restaurante de Santurce

A primeira base da operação em Porto Rico funcionou no restaurante do chef José Enrique, localizado em Santurce, bairro de San Juan.

José Andrés e a equipe começaram preparando sancocho. Inicialmente, saíram dali alguns milhares de pratos destinados às pessoas afetadas pelo furacão.

No entanto, os pedidos começaram a chegar de diferentes pontos da ilha. Comunidades distantes também precisavam de comida, enquanto cozinhas permaneciam sem condições de funcionar e famílias não conseguiam preparar as próprias refeições.

A pequena estrutura de Santurce já não era suficiente. José Andrés começou, então, a convocar chefs porto-riquenhos, cozinheiros vindos do território continental dos Estados Unidos, restaurantes, organizações parceiras e voluntários.

Imagem ilustrativa mostra chef e voluntários preparando refeições em uma cozinha comunitária de Porto Rico após a passagem do furacão Maria.

Falta de energia e estradas bloqueadas dificultaram as entregas

Preparar milhões de refeições era apenas uma parte do desafio. Também era necessário transportar os alimentos por uma ilha com estradas danificadas, comunicações interrompidas e um apagão de grandes proporções.

Algumas comunidades estavam em áreas remotas e não conseguiam receber suprimentos regularmente. Em vários locais, a falta de eletricidade também dificultava a conservação dos ingredientes e o funcionamento dos equipamentos.

Para superar as barreiras, a operação precisou ser descentralizada. Em vez de depender apenas da cozinha inicial de Santurce, a World Central Kitchen abriu bases de preparação em diferentes pontos de Porto Rico.

Veículos de alimentação também passaram a percorrer a ilha diariamente. A organização chamou os responsáveis pelos food trucks de “anjos das entregas”, porque conseguiam transportar refeições quentes até comunidades mais afastadas.

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Cozinheiros, restaurantes e voluntários formaram uma rede pela ilha

A mobilização recebeu o nome de #ChefsForPuertoRico e cresceu à medida que moradores e profissionais locais aderiram ao trabalho.

A operação chegou a reunir mais de 20 mil chefs e voluntários, de acordo com o balanço divulgado pela World Central Kitchen. Restaurantes locais colocaram suas estruturas à disposição, enquanto cozinheiros organizaram turnos para manter a produção.

A rede alcançou 20 cozinhas em funcionamento e contou com aproximadamente dez food trucks. Organizações parceiras também ajudaram a identificar as comunidades que ainda não haviam recebido alimentos.

O envolvimento dos porto-riquenhos foi essencial. Além de conhecerem os sabores e costumes locais, os voluntários sabiam onde estavam as regiões mais vulneráveis e quais caminhos poderiam ser usados para chegar até elas.

Operação chegou a produzir 150 mil refeições em um único dia

Com a expansão das cozinhas e a chegada de novos voluntários, a quantidade de pratos preparados aumentou rapidamente.

Em seu momento de maior capacidade, a equipe conseguiu servir mais de 150 mil refeições em um único dia. A distribuição chegou aos 78 municípios de Porto Rico, incluindo comunidades distantes da região metropolitana de San Juan.

A operação tornou-se a maior iniciativa de fornecimento de refeições realizada após o furacão Maria, segundo a World Central Kitchen.

Em vez de limitar a ajuda à entrega de produtos industrializados, o grupo priorizou comida preparada, quente e adequada aos hábitos da população. O objetivo era oferecer alimento, mas também transmitir cuidado e dignidade em meio à destruição.

Mais de 3,7 milhões de refeições foram servidas

Ao final da principal fase da resposta emergencial, a mobilização havia distribuído mais de 3,7 milhões de refeições em Porto Rico.

O número representa a soma do trabalho realizado nas cozinhas, nos restaurantes parceiros, nos food trucks e nos pontos de distribuição espalhados pela ilha.

O projeto, que havia começado com algumas panelas em um único restaurante, transformou-se em uma rede capaz de alimentar centenas de milhares de pessoas durante a recuperação.

José Andrés relatou posteriormente essa experiência no livro We Fed an Island, no qual descreveu os desafios enfrentados pela equipe e a mobilização criada em torno da comida.

Resposta ao furacão mudou o modelo da World Central Kitchen

A World Central Kitchen já existia desde 2010, mas a operação realizada depois do furacão Maria representou uma mudança decisiva na atuação da organização.

Até aquele momento, o grupo concentrava boa parte de seus esforços em projetos de longo prazo ligados à alimentação e à recuperação de comunidades. Em Porto Rico, passou a consolidar um modelo de resposta rápida a grandes emergências.

A estratégia reúne cozinheiros locais, restaurantes, fornecedores, voluntários e veículos de distribuição. Dessa maneira, as primeiras refeições podem ser preparadas sem esperar pela montagem de uma estrutura humanitária tradicional.

Após Porto Rico, equipes da organização passaram a responder diariamente a diferentes tipos de crise, incluindo furacões, incêndios florestais, terremotos, erupções vulcânicas, conflitos e emergências sanitárias.

Rede permaneceu preparada para novas emergências em Porto Rico

Quando a fase mais urgente da operação chegou ao fim, a World Central Kitchen reduziu a estrutura temporária e direcionou parte dos esforços para programas de recuperação de longo prazo.

Uma equipe central do #ChefsForPuertoRico, contudo, permaneceu preparada para agir em novas emergências.

Essa estrutura permitiu que cozinheiros começassem a preparar refeições poucas horas depois dos terremotos que atingiram Porto Rico no início de 2020. A rede voltou a ser mobilizada em 2022, após a passagem do furacão Fiona.

A experiência também contribuiu para a criação da Food Producer Network, iniciativa voltada ao apoio de pequenos produtores de alimentos em Porto Rico e, posteriormente, em outras regiões do Caribe e da América Central.

Uma cozinha deu origem a uma mobilização em todos os municípios

José Andrés chegou a Porto Rico sem saber qual seria o tamanho da operação. O chef encontrou espaço no restaurante de um amigo, reuniu os primeiros ingredientes e começou a preparar sancocho.

A cada novo pedido de ajuda, mais cozinheiros, voluntários, restaurantes e veículos passaram a integrar a mobilização. A única cozinha de Santurce tornou-se uma rede com 20 bases, quase uma dúzia de food trucks e mais de 20 mil participantes.

Quando a principal etapa da resposta terminou, 3,7 milhões de refeições haviam chegado aos 78 municípios da ilha.

Para você, o que mais chama atenção nessa mobilização: a decisão de José Andrés de embarcar imediatamente, o envolvimento de 20 mil chefs e voluntários ou a transformação de uma única cozinha em uma rede capaz de servir milhões de refeições? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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