9 min de leitura
Chevrolet anuncia retorno triunfal do Corvette mais brutal de sua história: ZR1X 2027 combina V8 5.5 biturbo e motor para entregar 1.250 cv, tração integral, faz o 0 a 96 km/h em menos de 2 segundos e completa o quarto de milha em absurdos 8,675 segundos
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 18/08/2026 às 00:09
Atualizado em 18/08/2026 às 00:40
Automotivo
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Chevrolet Corvette ZR1X 2027 leva o esportivo americano ao nível dos hipercarros com 1.250 cv, motor V8 5.5 biturbo de virabrequim plano, motor elétrico dianteiro, tração integral eletrificada, câmbio de dupla embreagem, 0 a 96 km/h abaixo de 2 segundos e muito mais.
A Chevrolet levou o Corvette a um território que durante décadas parecia reservado a hipercarros europeus de vários milhões de dólares. O Corvette ZR1X 2027 combina um V8 5.5 biturbo de 1.064 cv com um motor elétrico de 186 cv no eixo dianteiro, chegando a 1.250 cv combinados, tração integral eletrificada e velocidade máxima declarada de 233 mph, aproximadamente 375 km/h. Segundo a Chevrolet, trata-se do Corvette mais potente e tecnologicamente avançado já produzido pela marca.
Os números de aceleração tornam o conjunto ainda mais extremo. Em teste oficial realizado pela própria fabricante, o ZR1X percorreu o quarto de milha em 8,675 segundos, cruzando a linha a 159 mph, cerca de 256 km/h, e chegou às 60 mph, aproximadamente 96 km/h, em apenas 1,68 segundo na mesma passagem.
O carro utilizava gasolina comum de bomba, pneus Michelin PS4S de equipamento original, configuração aerodinâmica padrão e rodas opcionais de fibra de carbono.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Corvette ZR1X 2027 combina 1.064 cv do V8 com mais 186 cv elétricos
A base do conjunto é o motor LT7 5.5 V8 biturbo, derivado da arquitetura de virabrequim plano utilizada pela família de motores de alto desempenho do Corvette.
Sozinho, ele produz 1.064 hp a 7.000 rpm e 828 lb-ft de torque, entregando toda essa força para as rodas traseiras por meio de uma transmissão automática de dupla embreagem com oito marchas.
Na dianteira aparece a segunda metade da fórmula. Um motor elétrico acrescenta 186 hp e 145 lb-ft, permitindo que o eixo dianteiro também participe da aceleração.
A especificação de 2027 divulgada pela Chevrolet registra 1.250 hp combinados e 973 lb-ft de torque, aproximadamente 1.319 Nm.
A eletrificação, portanto, não foi criada principalmente para transformar o ZR1X em um carro econômico. O motor elétrico fornece torque imediato às rodas dianteiras, amplia a tração na saída das curvas e ajuda o carro a colocar no chão uma potência que seria extremamente difícil de administrar apenas pelo eixo traseiro.
Dois turbos de 76 mm alimentam o V8 mais extremo do Corvette
O LT7 utiliza dois turbocompressores de 76 mm, instalados em uma solução que aproxima os turbos das válvulas de escape para diminuir o tempo necessário até a geração de pressão.
A Chevrolet chama essa configuração de “maniturbo”, combinando elementos do coletor e da carcaça do turbocompressor.
O conjunto utiliza ainda sistema dinâmico de anti-lag, responsável por manter os turbocompressores girando em determinadas situações mesmo quando o motorista tira o pé do acelerador. Quando o acelerador volta a ser pressionado, a pressão fica disponível mais rapidamente.
Somam-se a isso virabrequim plano forjado, lubrificação por cárter seco e cabeçote com duplo comando. A arquitetura compartilha conhecimentos desenvolvidos nos motores utilizados pelo Corvette Z06 e pelo carro de competição Z06 GT3.R.
0 a 96 km/h em 1,68 segundo mostra o que a tração integral consegue fazer
Quando o ZR1X foi originalmente apresentado, a Chevrolet prometia uma aceleração de 0 a 60 mph em menos de dois segundos. Os testes posteriores mostraram que o carro era capaz de superar com folga essa meta em condições preparadas.
No US 131 Motorsports Park, em outubro de 2025, o ZR1X saiu da imobilidade e chegou às 60 mph em 1,68 segundo. A Chevrolet afirma que foram necessários menos de 100 pés, pouco mais de 30 metros, para atingir essa velocidade, com pico de 1,75 G de aceleração.
A fabricante também realizou várias passagens consecutivas abaixo dos 8,8 segundos no quarto de milha. Isso mostra que os 8,675 segundos não surgiram de uma única tentativa isolada realizada sob uma condição impossível de repetir.
Quarto de milha em 8,675 segundos coloca o Chevrolet entre hipercarros
O quarto de milha é uma distância de 402 metros tradicionalmente usada para medir aceleração em linha reta. O ZR1X completou o percurso em 8,675 segundos a 159,57 mph, aproximadamente 257 km/h.
A própria Chevrolet comparou o resultado com máquinas como Rimac Nevera R, Pininfarina Battista, Koenigsegg Jesko Absolut e Bugatti Tourbillon. O objetivo da comparação foi demonstrar que o Corvette passou a disputar métricas antes associadas aos hipercarros mais caros e tecnologicamente sofisticados do mundo.
Assista o vídeo
O dado fica ainda mais significativo porque o ZR1X utilizado no teste estava com calibração de motor legalizada para circulação nos 50 estados americanos, combustível vendido normalmente em postos e pneus Michelin PS4S de especificação de fábrica.
Sistema híbrido do ZR1X não precisa ser ligado à tomada
Apesar de combinar gasolina e eletricidade, o Corvette ZR1X não é um híbrido plug-in. Sua bateria possui 1,9 kWh e recupera energia por meio do sistema regenerativo ligado à unidade elétrica dianteira. Não existe necessidade de conectar o veículo a um carregador externo.
A bateria fica instalada em posição baixa e central na estrutura do carro. Em vez de buscar dezenas ou centenas de quilômetros de autonomia elétrica, ela foi projetada para receber e entregar grandes quantidades de energia rapidamente durante situações de alto desempenho.
O motor dianteiro permanece capaz de fornecer força até aproximadamente 160 mph, cerca de 257 km/h, antes de se desconectar. Isso permite que a tração integral elétrica continue trabalhando durante praticamente toda uma arrancada de quarto de milha.
Corvette pode sair silenciosamente antes de liberar mais de 1.200 cv
O sistema elétrico também cria uma situação incomum para um carro com V8 biturbo. O ZR1X possui Stealth Mode, capaz de movimentá-lo apenas com eletricidade por aproximadamente 4 a 5 milhas, entre 6 e 8 km, em velocidades de até 45 mph, cerca de 72 km/h.
O recurso permite sair de uma garagem ou atravessar uma área residencial sem ligar imediatamente o V8. A Chevrolet desenvolveu ainda o chamado Flying Start, que permite começar o deslocamento em modo elétrico e depois liberar a propulsão completa ao pressionar fortemente o acelerador.
Nesse momento, o comportamento muda completamente. O motor dianteiro e o V8 biturbo passam a trabalhar juntos e o carro entrega mais de 1.200 cv às quatro rodas, unindo a resposta imediata da eletricidade ao crescimento brutal de potência do LT7.
Aerodinâmica pode gerar mais de 544 kgf de pressão contra o solo
A potência de 1.250 cv exigiu um pacote aerodinâmico igualmente extremo. Com o Carbon Fiber Aero Package, o ZR1X recebe asa traseira elevada, aletas dianteiras, elementos sob a carroceria e um pequeno defletor junto à saída de ar do capô.
A combinação produz mais de 1.200 libras de downforce na velocidade máxima, equivalentes a aproximadamente 544 kgf de pressão aerodinâmica. Segundo a Chevrolet, é o maior nível de downforce já produzido por um Corvette de série.
A carroceria utiliza ainda grandes entradas laterais de ar, fibra de carbono e um capô com fluxo de ar através da própria estrutura. A missão é simultaneamente refrigerar motor, turbos e freios e manter o carro estável em velocidades que se aproximam dos 375 km/h.
Freios de carbono-cerâmica usam pinças dianteiras com 10 pistões
Parar um automóvel capaz de ultrapassar 250 km/h antes de completar 402 metros exigiu um sistema específico.
O ZR1X traz de série discos carbono-cerâmicos de 16,5 polegadas, aproximadamente 419 mm, tanto na dianteira quanto na traseira.
Assista o vídeo
As pinças fornecidas pela Alcon possuem 10 pistões na dianteira e seis na traseira. A Chevrolet afirma que esse é o maior conjunto de discos de freio já instalado em um Corvette de produção.
Durante os testes, veículos equipados com o sistema J59 chegaram a registrar 1,9 G de desaceleração ao reduzir de 180 para 120 mph. O dado ajuda a dimensionar o nível de esforço necessário para controlar um carro que se aproxima de velocidades de competição.
ZTK Performance Package prepara o ZR1X para atacar circuitos
O ZR1X pode ser equipado com o pacote ZTK Performance, destinado ao uso mais extremo em circuito. Ele adiciona molas mais rígidas, calibrações específicas do chassi, pneus Michelin Pilot Cup 2R e o pacote aerodinâmico de fibra de carbono.
Mesmo sem o ZTK, o carro utiliza suspensão Magnetic Ride Control, capaz de ajustar continuamente o amortecimento de acordo com superfície, modo de condução e comandos do motorista. A versão padrão usa pneus Michelin Pilot Sport 4S.
A eletrônica também oferece estratégias específicas de energia para pista. Existem modos voltados para provas longas, voltas rápidas de classificação e uma função Push-to-Pass que disponibiliza a potência máxima quando solicitada.
Nürburgring mostrou que o ZR1X não foi criado apenas para arrancadas
A Chevrolet levou o ZR1X ao circuito de Nürburgring Nordschleife, na Alemanha, uma das referências mundiais para desenvolvimento de carros esportivos. O engenheiro de dinâmica Drew Cattell completou a volta em 6 minutos e 49,275 segundos.
O carro utilizado tinha especificação de produção dos Estados Unidos e pacote ZTK, com rodas de fibra de carbono, pneus Michelin Cup 2R e freios carbono-cerâmicos. As modificações se limitaram aos equipamentos de segurança exigidos pelo circuito.
A Chevrolet afirmou posteriormente que o resultado representou a volta oficial mais rápida de um fabricante americano no circuito naquele contexto. O desempenho reforçou que o ZR1X foi projetado para fazer mais do que simplesmente acelerar violentamente em linha reta.
Velocidade máxima chega a aproximadamente 375 km/h
A página oficial do modelo 2027 informa velocidade máxima de 233 mph em pista, o equivalente a aproximadamente 375 km/h. É o tipo de velocidade que transforma refrigeração, aerodinâmica, pneus e estabilidade em fatores tão importantes quanto potência.
Mesmo com o sistema híbrido e a tração integral elétrica, o ZR1X mantém a arquitetura de motor central inaugurada na geração C8. A mudança do motor para trás dos ocupantes criou a base necessária para a evolução que culminou neste modelo.
A Chevrolet oferece o ZR1X nas configurações cupê e conversível de teto rígido. O cupê 2027 tem peso seco informado de aproximadamente 4.013 libras, cerca de 1.820 kg.
Corvette ZR1X 2027 parte de cerca de R$ 1,18 milhão nos Estados Unidos
Para o ano-modelo 2027, a Chevrolet informa preço inicial de US$ 227.500 nos Estados Unidos. Pela cotação consultada em 17 de agosto de 2026, o valor corresponde a aproximadamente R$ 1,18 milhão em conversão direta, sem considerar impostos brasileiros, transporte, homologação ou custos de uma eventual importação.
Mesmo sendo uma cifra milionária quando convertida para reais, o posicionamento é incomum diante do desempenho entregue.
O ZR1X entra em uma faixa de aceleração e potência onde aparecem modelos internacionais vendidos por vários milhões de dólares no mercado americano.
Cada motor LT7 é montado manualmente no Performance Build Center da fábrica da GM em Bowling Green, Kentucky, onde o próprio Corvette também é produzido. A instalação é responsável pela fabricação do esportivo americano em sua configuração mais extrema.
ZR1X muda definitivamente a posição do Corvette entre os superesportivos
Durante décadas, o Corvette construiu sua reputação oferecendo grande desempenho com uma fórmula relativamente tradicional de motor V8 e tração traseira. A geração C8 rompeu parte dessa tradição ao mover o motor para o centro do carro, e o ZR1X leva essa transformação ao limite ao adicionar biturbo, eletrificação e tração nas quatro rodas.
O resultado é um Chevrolet de 1.250 cv, capaz de chegar às 60 mph em menos de dois segundos, completar 402 metros em 8,675 segundos, ultrapassar 370 km/h e gerar mais de meia tonelada de força aerodinâmica contra o solo. São números que colocam a tradicional marca americana diretamente no território dos hipercarros.
Mais do que simplesmente o Corvette mais potente já produzido, o ZR1X mostra até onde a arquitetura C8 poderia chegar.
O carro que começou sua história em 1953 como um esportivo americano agora combina um V8 artesanal de 1.064 cv com eletrificação, aerodinâmica ativa sobre o desempenho e uma arrancada capaz de transformar 1,68 segundo em um dos números mais impressionantes já associados ao emblema Corvette.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

