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China afunda uma esfera oca a 65 metros de profundidade e transforma o próprio lago em parte de uma bateria submersa, completando mais de 100 ciclos em 10 dias ao usar a pressão da água para armazenar e devolver eletricidade

China afunda uma esfera oca a 65 metros de profundidade e transforma o próprio lago em parte de uma bateria submersa, completando mais de 100 ciclos em 10 dias ao usar a pressão da água para armazenar e devolver eletricidade

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China afunda uma esfera oca a 65 metros de profundidade e transforma o próprio lago em parte de uma bateria submersa, completando mais de 100 ciclos em 10 dias ao usar a pressão da água para armazenar e devolver eletricidade

Escrito por Ana Alice

Publicado em 27/08/2026 às 00:00

Atualizado em 27/08/2026 às 00:47

Ciência e Tecnologia

Canal

China testa esfera submersa a 65 metros e completa mais de 100 ciclos usando a pressão da água para armazenar e devolver eletricidade. – Imagem: Ilustrativa

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Um protótipo chinês testado no fundo de um reservatório usa a própria pressão da água para armazenar energia, completou mais de 100 ciclos e abre caminho para novas formas de armazenamento submerso.

A China concluiu em janeiro de 2026 um teste de armazenamento hidrelétrico submerso a 65 metros de profundidade no lago Minhu, na província de Fujian.

Batizado de Dongchu-1, o sistema usa uma estrutura oca instalada debaixo d’água e o próprio reservatório ao redor para armazenar energia, tendo completado mais de 100 ciclos de carga e descarga durante dez dias de operação.

Desenvolvido pelo Dongfang Research Institute, ligado à estatal Dongfang Electric Corporation (DEC), o protótipo trabalha na escala de quilowatts e representa a primeira demonstração chinesa desse tipo em ambiente real.

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O princípio lembra uma usina hidrelétrica reversível, mas elimina a necessidade de construir dois grandes reservatórios em diferentes altitudes.

No lugar deles, uma esfera oca funciona como reservatório inferior, enquanto toda a massa de água ao redor funciona como reservatório superior.

Lago e esfera formam um sistema de armazenamento de energia

A ideia central do Dongchu-1 depende da pressão exercida naturalmente pela água em profundidade.

Quando existe eletricidade excedente na rede, uma bomba utiliza essa energia para retirar a água que está dentro da esfera.

O bombeamento cria no interior da estrutura um espaço selado com pressão reduzida.

Nesse momento, a energia elétrica não fica armazenada em células químicas, como acontece em uma bateria de íons de lítio.

Ela fica armazenada na forma de potencial hidráulico associado à diferença de pressão entre o interior da esfera e a água que a cerca.

Quando a rede precisa novamente de eletricidade, uma válvula é aberta.

A pressão externa empurra a água rapidamente para dentro da esfera, e esse fluxo movimenta uma turbina conectada a um gerador.

A eletricidade produzida pode então retornar ao sistema elétrico.

É por isso que o lago participa diretamente do funcionamento: a água que envolve a estrutura fornece a pressão responsável por movimentar o fluido de volta ao reservatório interno.

Dongchu-1 ficou dez dias operando a 65 metros

O teste ocorreu no reservatório Minhu, em Sanming, Fujian.

Segundo informações divulgadas pela Dongfang Electric, a campanha começou em 2 de janeiro e terminou em 11 de janeiro de 2026.

Durante esse período, o equipamento permaneceu submerso a aproximadamente 65 metros de profundidade.

Foram realizados mais de 100 ciclos completos de carga e descarga, permitindo aos engenheiros observar como o protótipo respondia à pressão, às repetidas entradas e saídas de água e à operação contínua no ambiente submerso.

A DEC informou que os testes avaliaram fatores como vedação, estabilidade operacional e conversão de energia.

Segundo a empresa, os principais indicadores atingiram os objetivos previstos para essa etapa experimental.

A companhia não divulgou, porém, valores detalhados de eficiência de ciclo completo, custos do armazenamento ou potência exata além da classificação do sistema na escala de quilowatts.

Pressão da água aumenta com a profundidade

A profundidade é parte essencial do conceito.

Quanto maior a coluna de água acima da estrutura, maior é a pressão exercida sobre ela.

Isso significa que sistemas desse tipo podem, em princípio, aproveitar grandes profundidades para armazenar energia sem a necessidade de construir montanhas artificiais, barragens superiores ou extensas áreas de reservatórios adicionais.

A estrutura, entretanto, precisa suportar continuamente essa pressão e permanecer vedada durante sucessivos ciclos.

Por isso, o teste de 100 operações completas também serviu para avaliar a durabilidade mecânica e o controle de pressão em condições reais.

No Dongchu-1, a profundidade de 65 metros ainda pertence à escala de demonstração.

O objetivo agora é usar as informações coletadas para desenvolver equipamentos maiores e avaliar a viabilidade de aplicações comerciais.

Tecnologia tenta contornar limites da hidrelétrica reversível tradicional

Usinas reversíveis convencionais armazenam energia bombeando água de um reservatório inferior para outro localizado em altitude maior.

Quando é necessário gerar eletricidade, a água retorna pela gravidade e movimenta turbinas.

É uma tecnologia amplamente utilizada, mas depende de condições geográficas adequadas, grandes obras civis e disponibilidade de terreno.

O conceito submerso busca substituir essa diferença de altitude pela pressão encontrada naturalmente debaixo d’água.

A Dongfang Electric afirma que a solução poderia ser instalada em reservatórios convencionais de diferentes profundidades, acrescentando capacidade de armazenamento a locais nos quais uma usina reversível tradicional seria difícil de construir.

Isso não significa que qualquer lago possa receber imediatamente um sistema desse tipo.

Questões como profundidade, fundo do reservatório, conexão elétrica, manutenção, custo das estruturas e impacto ambiental precisariam ser avaliadas em projetos de maior escala.

Energia eólica offshore aparece entre as possíveis aplicações

Outra área considerada pela equipe é a geração eólica em alto-mar.

À medida que parques eólicos são instalados mais longe da costa, a produção continua sujeita às variações do vento.

Sistemas de armazenamento podem absorver parte da eletricidade gerada em períodos de alta produção e devolvê-la posteriormente.

A Dongfang Electric cita parques eólicos offshore distantes da costa, microrredes em ilhas e plataformas marítimas entre os possíveis ambientes para desenvolvimento futuro da tecnologia.

A aplicação marítima, entretanto, ainda está além do que o Dongchu-1 demonstrou.

O teste de janeiro ocorreu em um reservatório de água doce, não no oceano.

Dongchu-1 ainda é protótipo, não usina comercial

O resultado representa uma validação de engenharia, mas a diferença entre uma unidade de quilowatts e um sistema capaz de armazenar energia para uma rede elétrica é enorme.

Para avançar, os pesquisadores precisarão aumentar potência e capacidade, desenvolver métodos de instalação, garantir manutenção de estruturas submersas e reduzir custos.

A própria Dongfang Electric afirma que pretende trabalhar com instituições de pesquisa e empresas para desenvolver unidades de maior potência, otimizar o desempenho e criar padrões técnicos para essa modalidade de armazenamento.

Antes do Dongchu-1, segundo fontes chinesas ligadas ao projeto, a pesquisa nacional nessa área permanecia principalmente em estudos teóricos.

Experimentos semelhantes já haviam sido investigados internacionalmente, incluindo um teste realizado na Alemanha em 2016, o que significa que o princípio de armazenamento por esferas submersas não nasceu na China.

O feito chinês está ligado ao desenvolvimento e teste de seu primeiro sistema nacional desse tipo em escala de quilowatts.

O experimento transforma uma ideia incomum em uma máquina relativamente simples de visualizar: quando há energia sobrando, a água é retirada da esfera; quando a eletricidade volta a ser necessária, a pressão do próprio lago força a água de volta e movimenta uma turbina.

Depois de mais de 100 repetições a 65 metros de profundidade, o próximo desafio é descobrir se o mesmo mecanismo pode crescer de um protótipo experimental para equipamentos capazes de armazenar energia em grande escala.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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