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China afundou 18 gigantes de concreto de 60 mil toneladas no fundo do mar, instalou uma peça de 180 metros quase todos os meses e montou em apenas 20 meses um túnel submarino de seis faixas sob a Baía de Dalian

China afundou 18 gigantes de concreto de 60 mil toneladas no fundo do mar, instalou uma peça de 180 metros quase todos os meses e montou em apenas 20 meses um túnel submarino de seis faixas sob a Baía de Dalian

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China afundou 18 gigantes de concreto de 60 mil toneladas no fundo do mar, instalou uma peça de 180 metros quase todos os meses e montou em apenas 20 meses um túnel submarino de seis faixas sob a Baía de Dalian

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 24/08/2026 às 19:42

Atualizado em 24/08/2026 às 19:43

Construção

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China afundou 18 estruturas de 60 mil toneladas e montou em 20 meses um túnel submarino de seis faixas sob a Baía de Dalian.

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China afundou 18 estruturas de 60 mil toneladas e montou em 20 meses um túnel submarino de seis faixas sob a Baía de Dalian.

Dezoito estruturas de concreto com até 180 metros de comprimento e cerca de 60 mil toneladas cada foram fabricadas em terra, colocadas para flutuar, rebocadas pela Baía de Dalian e afundadas uma a uma até formarem mais de 3 quilômetros de túnel no leito marinho. Segundo a Xinhua, a instalação das peças do Dalian Bay Undersea Tunnel foi concluída em 2022, criando a primeira grande passagem submarina do tipo tubo imerso no norte da China.

O dado mais impressionante está no ritmo da operação. A China concluiu a instalação dos 18 elementos em apenas 20 meses, cada peça comparada pela construtora China Communications Construction Company, a CCCC, ao deslocamento de um porta-aviões de médio porte. O túnel foi aberto ao tráfego em 2023 com 5,1 quilômetros de extensão total, seis faixas e velocidade projetada de 60 km/h, criando uma nova ligação entre os lados norte e sul de Dalian.

Cada peça do túnel pesava cerca de 60 mil toneladas

O Dalian Bay Undersea Tunnel não foi escavado integralmente sob o fundo da baía como ocorre em túneis construídos com grandes tuneladoras. A solução adotada para o trecho submarino foi o chamado túnel de tubos imersos.

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Nesse método, enormes segmentos são construídos previamente em ambiente controlado. Depois de prontos e temporariamente vedados, eles são colocados para flutuar, transportados até a posição planejada e cuidadosamente afundados em uma vala preparada no fundo do mar.

Dalian Bay Undersea Tunnel – Reprodução

No caso de Dalian, o trecho imerso alcança 3.035 metros e é formado por 18 grandes elementos, além da estrutura de fechamento final. Uma seção padrão mede 180 metros de comprimento, aproximadamente 33,4 metros de largura e 9,7 metros de altura, com massa ao redor de 60 mil toneladas.

Uma única estrutura era comparável ao deslocamento de um porta-aviões

A escala cria um problema evidente: não existe um guindaste convencional simplesmente levantando uma peça de 60 mil toneladas e colocando-a no fundo da baía.

A solução está na flutuabilidade. Os tubos são estruturas ocas e podem funcionar, durante a instalação, de maneira semelhante a enormes cascos. Uma publicação ligada à CCCC descreve que a água foi usada para elevar os elementos dentro da área de fabricação antes de sua saída para o mar.

Quando a seção chega à posição correta, sistemas de lastro permitem controlar sua descida. A estrutura é levada gradualmente em direção ao fundo, enquanto embarcações, cabos, sistemas de posicionamento e equipes de engenharia controlam sua orientação. Só então ocorre o encaixe com a peça instalada anteriormente.

Os 18 gigantes foram instalados em apenas 20 meses

A primeira grande sequência de elementos começou a ser movimentada no fim de 2020. Em 5 de agosto de 2022, a CCCC concluiu a instalação da seção E18, a última das 18 estruturas principais.

Segundo a construtora, foram necessários 20 meses para instalar precisamente todos os elementos, resultado apresentado pela companhia como um recorde de velocidade na execução de túneis submarinos de tubos imersos.

A média simples aproxima-se de uma peça instalada a cada pouco mais de um mês. Mas a operação não era repetitiva como montar blocos idênticos em terra. Vento, correntes marítimas, profundidade, espaço disponível para embarcações e posição das estruturas já instaladas alteravam as condições de cada descida.

A última peça tinha apenas cerca de 1 metro de espaço para entrar

A seção E18 tornou-se especialmente complicada porque precisava ocupar o espaço deixado entre o elemento E17 e a região da junta final.

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Segundo descrição técnica publicada durante a conclusão da instalação, a folga disponível entre as extremidades era de apenas cerca de 1 metro. A peça deveria descer dentro desse intervalo sem comprometer as estruturas que já estavam posicionadas.

A equipe precisou reorganizar repetidamente o sistema de ancoragem e adaptar as operações à área restrita. Não bastava levar 60 mil toneladas até o ponto aproximado. O tubo deveria chegar à orientação prevista para que a continuidade estrutural e a vedação do túnel fossem garantidas.

O túnel ainda precisava fazer uma curva sob o mar

Outro fator tornou a obra mais complexa. O trecho imerso não foi projetado como uma sequência perfeitamente reta.

A CCCC informa que a região curva do túnel possui raio de 1.050 metros, configuração descrita pela empresa como o trecho curvo de maior curvatura e menor raio entre os túneis imersos construídos na China naquele momento.

Isso significa que o posicionamento das peças precisava respeitar progressivamente a geometria da curva. Pequenos erros acumulados ao longo de muitos elementos poderiam criar problemas enormes quando a obra chegasse ao ponto de fechamento.

A dimensão das estruturas torna essa precisão ainda mais notável. Cada elemento tinha comprimento equivalente a quase dois campos de futebol alinhados.

A junta final exigiu precisão de apenas 3 milímetros

Depois da instalação dos 18 tubos, ainda restava fechar a passagem entre o trecho submarino e a estrutura seguinte.

A CCCC afirma que a obra utilizou uma técnica de segmentação com pipe jacking na junta final, aplicação considerada inédita no país naquele contexto. Mais impressionante foi a tolerância declarada: a precisão de instalação da junta final foi controlada em até 3 milímetros.

Dalian Bay Undersea Tunnel – Reprodução

Três milímetros representam menos que a espessura de muitos objetos cotidianos. A diferença de escala é extrema: uma infraestrutura composta por peças de dezenas de milhares de toneladas terminou dependendo de ajustes medidos em milímetros.

A empresa afirma que o projeto gerou 197 pedidos de patentes, entre eles 77 relacionados a invenções.

O concreto precisava sobreviver décadas em água fria e salgada

Colocar um tubo no fundo do mar é apenas parte do problema. A estrutura precisa permanecer operacional durante décadas em um ambiente agressivo para concreto e aço.

O Dalian Bay Undersea Tunnel foi projetado para vida útil estrutural de 100 anos, segundo informações da CCCC. Dalian está em uma região de latitude elevada, com invernos rigorosos e condições marítimas diferentes de projetos construídos em regiões mais quentes da China.

Após a abertura, engenheiros envolvidos na obra destacaram que um dos desafios centrais foi aumentar a durabilidade das estruturas de concreto submetidas à água fria do mar. Um estudo técnico posteriormente publicado analisou especificamente o concreto de alto desempenho usado nos tubos imersos de Dalian.

O projeto levou experiências da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau para o norte

A China já havia acumulado experiência com estruturas imersas gigantes no complexo da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, inaugurado em 2018.

Mas simplesmente repetir a técnica não resolveria Dalian. Segundo engenheiros citados após a abertura, as condições geológicas do fundo marinho e o clima eram diferentes, exigindo novas soluções para construção e durabilidade.

A própria CCCC classifica Dalian como outro megaprojeto de elevada complexidade técnica depois da ligação Hong Kong-Zhuhai-Macau. O aprendizado acumulado em grandes travessias marítimas foi adaptado para um ambiente frio no nordeste chinês.

Sob o mar passam seis faixas de uma via expressa

Depois de toda a operação de fabricação, transporte, afundamento, encaixe e vedação, os gigantescos elementos deixaram de parecer peças independentes.

Internamente, formam uma via expressa urbana de seis faixas, com três sentidos de circulação para cada direção e velocidade de projeto de 60 km/h. O túnel completo possui aproximadamente 5,1 quilômetros.

O empreendimento conecta a área de Renmin Road, no lado sul, à região de Suoyu Bay, ao norte. A passagem foi concebida para criar uma rota norte-sul adicional dentro de Dalian e reduzir a dependência dos trajetos existentes ao redor da baía.

Uma travessia que podia exigir uma hora caiu para poucos minutos

O Dalian Bay Undersea Tunnel foi aberto ao tráfego em maio de 2023, juntamente com uma conexão rodoviária de cerca de 7 quilômetros.

Reportagem publicada na época pela China Daily informou que a nova ligação poderia reduzir de aproximadamente uma hora para cinco minutos o tempo necessário em determinado percurso entre as regiões conectadas pelo projeto.

A infraestrutura também foi planejada para aliviar congestionamentos no centro de Dalian e aproximar áreas urbanas separadas pela própria geografia da baía.

Essa é a razão econômica por trás da enorme complexidade de afundar estruturas comparáveis a edifícios no fundo do mar: em vez de obrigar veículos a contornar a água, a cidade abriu um caminho praticamente direto por baixo dela.

O túnel desapareceu depois que a obra terminou

Uma das características mais curiosas da engenharia de tubos imersos é que a parte mais espetacular do projeto deixa de ser visível depois da conclusão.

Durante a construção, elementos de 60 mil toneladas e 180 metros aparecem flutuando como navios gigantescos. Depois de afundados, alinhados, conectados e cobertos, passam a fazer parte do fundo marinho.

Motoristas que percorrem hoje as seis faixas não enxergam os 18 módulos independentes que deram origem à estrutura. Para quem está dentro do túnel, eles se transformaram em uma passagem contínua.

Foi justamente essa sequência de operações que tornou Dalian uma referência de engenharia pesada. Em 20 meses, 18 peças de aproximadamente 60 mil toneladas foram levadas ao mar e encaixadas uma após outra, criando um trecho imerso de mais de 3 quilômetros. Na conclusão, a junta mais delicada exigiu controle medido em apenas 3 milímetros.

A obra mostra como um túnel submarino pode ser construído sem escavar toda a passagem profundamente através da rocha.

A China preferiu fabricar partes gigantes em terra, fazê-las flutuar como embarcações e depois fazê-las desaparecer no leito da baía, até que mais de 1 milhão de toneladas em elementos estruturais formassem uma única estrada sob o mar.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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