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China produz mais de 66 milhões de toneladas de pescado por ano, domina mais da metade de toda a aquicultura mundial e opera megafazendas tão gigantescas que superam a produção anual de qualquer outro país do planeta
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 03/08/2026 às 11:42
Atualizado em 03/08/2026 às 11:44
Indústria
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A China lidera a aquicultura mundial com 57,6 milhões de toneladas de animais aquáticos cultivados, impulsiona a produção de peixes, crustáceos e moluscos na Ásia e mostra como fazendas aquícolas, tecnologia, logística e cadeias industriais estão mudando o futuro da proteína no planeta.
A produção mundial de pescado entrou em uma nova fase. Segundo a FAO, a aquicultura deixou de ser atividade complementar e passou a ocupar o centro da oferta global de proteína aquática, com produção recorde em 2024 e avanço decisivo sobre a pesca de captura tradicional.
Nesse cenário, a China segue como o principal motor da aquicultura mundial. De acordo com o escritório regional da FAO para a Ásia e o Pacífico, o país respondeu por 57,6 milhões de toneladas de animais aquáticos cultivados em 2024, uma escala que coloca a indústria aquícola chinesa muito à frente dos demais produtores globais.
A China também passou a investir em estruturas industriais de aquicultura em alto-mar, como o Guoxin 1, navio-fazenda inteligente de 100 mil toneladas desenvolvido em Qingdao. Segundo a Xinhua, a embarcação tem 15 cabines de cultivo, cerca de 80 mil metros cúbicos de água e capacidade projetada de 3.700 toneladas de peixes por ano. A mesma fonte informou que o plano era construir 50 navios desse tipo, formando uma cadeia de aquicultura em alto-mar com produção anual superior a 200 mil toneladas de peixes de alto valor comercial.
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China lidera a aquicultura mundial com 57,6 milhões de toneladas cultivadas
Durante muito tempo, a pesca em rios, lagos e oceanos foi vista como o principal caminho para abastecer o consumo mundial de pescado. Essa lógica mudou com o crescimento acelerado da aquicultura, especialmente na Ásia.
O relatório The State of World Fisheries and Aquaculture 2026, da FAO, estima que a produção global de pesca e aquicultura chegou a 235 milhões de toneladas em 2024, considerando animais aquáticos e algas. Desse total, 195 milhões de toneladas foram de animais aquáticos.
A FAO informa ainda que a produção aquícola de animais aquáticos superou 100 milhões de toneladas pela primeira vez em 2024, chegando a 103 milhões de toneladas. A aquicultura passou a fornecer 53% da produção total de animais aquáticos e mais de 59% da produção de alimentos aquáticos de origem animal.
Fazendas de peixes na China viraram complexos industriais de proteína
A liderança chinesa não se explica apenas por volume populacional ou tradição alimentar. Ela é resultado de décadas de expansão produtiva, infraestrutura, integração logística e desenvolvimento de cadeias específicas para peixes, crustáceos, moluscos e outros organismos aquáticos.
Em diferentes regiões do país, a aquicultura combina viveiros escavados, tanques, sistemas de recirculação, parques marinhos, áreas costeiras, centros de processamento, fábricas de ração e estruturas refrigeradas para distribuição.
Essa integração permite que a produção saia de zonas rurais ou costeiras e chegue rapidamente a mercados urbanos, indústrias de processamento e canais de exportação. Na prática, a China transformou o cultivo de organismos aquáticos em uma cadeia alimentar de escala industrial.
Ásia concentra a força produtiva da aquicultura global
A escala chinesa faz parte de uma liderança regional ainda maior. Segundo a FAO, a Ásia produziu 179 milhões de toneladas de animais aquáticos e algas em 2024, o equivalente a 76% da produção global desse grupo.
Dentro desse total asiático, quase três quartos vieram da aquicultura. A região produziu 130 milhões de toneladas em sistemas aquícolas, considerando animais aquáticos e algas, consolidando-se como o eixo central da expansão mundial do setor.
A produção de animais aquáticos cultivados na Ásia chegou a 91,5 milhões de toneladas em 2024. A FAO aponta que esse crescimento foi liderado pela China, seguida por outros grandes produtores como Índia, Indonésia, Vietnã e Bangladesh.
Aquicultura superou a pesca de captura e mudou o mercado global
A mudança mais importante não está apenas no tamanho da China, mas na virada estrutural do setor. A FAO afirma que, enquanto a pesca de captura se estabilizou dentro de limites ecológicos, a aquicultura continuou crescendo e passou a responder pela maior parte da oferta de animais aquáticos.
Em 2024, a pesca de captura produziu cerca de 92 milhões de toneladas de animais aquáticos, incluindo 80 milhões de toneladas da pesca marinha. Já a aquicultura alcançou 103 milhões de toneladas apenas em animais aquáticos cultivados.
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Esse dado mostra por que fazendas de peixes, camarões, moluscos e outros organismos passaram a ser estratégicas para segurança alimentar. A produção selvagem tem limite biológico. A produção cultivada, por outro lado, pode crescer com tecnologia, manejo, genética, ração, controle sanitário e planejamento territorial.
Por que nenhum país se aproxima da escala chinesa na aquicultura
A vantagem chinesa está na combinação entre território, tradição produtiva, mercado interno gigantesco, cadeias industriais integradas e capacidade de planejamento. A FAO destaca que a Ásia acumulou décadas de investimento em aquicultura, inovação e cadeias de valor.
A China também concentra conhecimento acumulado em espécies de água doce e sistemas produtivos de grande escala. O cultivo de carpas, tilápias, crustáceos e moluscos faz parte de uma estrutura muito mais ampla que envolve genética, nutrição, sanidade, processamento e distribuição.
Esse modelo cria uma barreira difícil de ser replicada rapidamente por outros países. A aquicultura moderna não depende apenas de tanques com peixes. Ela exige ração, assistência técnica, licenciamento, frigoríficos, transporte refrigerado, exportação, controle de doenças e padronização de qualidade.
O Brasil ainda está distante da produção chinesa de peixes cultivados
A comparação com o Brasil mostra a diferença de escala. Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, a produção aquícola brasileira em águas da União totalizou 123.998,53 toneladas de pescado em 2023, considerando peixes, moluscos bivalves e macroalgas.
Já os dados da Peixe BR, divulgados por entidades do setor, apontaram 887.029 toneladas de peixes de cultivo no Brasil em 2023. O número mostra avanço da piscicultura nacional, mas ainda coloca o país em uma dimensão muito distante da produção chinesa.
Quando se compara a produção brasileira de peixes cultivados com os 57,6 milhões de toneladas de animais aquáticos cultivados pela China, a diferença revela o tamanho do abismo industrial. A China produz em um ano dezenas de vezes mais do que toda a piscicultura brasileira.
China também lidera empregos, exportações e logística do pescado
A força chinesa não aparece apenas nos tanques. A FAO informa que a Ásia concentra 85% dos trabalhadores diretamente empregados no setor primário de pesca e aquicultura. Em 2024, a China ocupava a segunda posição mundial em empregos diretos, com 11 milhões de pessoas, atrás da Índia.
No comércio internacional, a China também aparece como potência. Segundo a FAO, o país liderou as exportações asiáticas de produtos aquáticos de origem animal em 2024, com US$ 20 bilhões em vendas externas.
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Essa combinação de produção, mão de obra, processamento e exportação dá ao país influência direta sobre preços, disponibilidade e fluxos internacionais de pescado. Quando a produção chinesa cresce, o mercado global sente. Quando há restrições, custos sanitários ou mudanças logísticas, cadeias inteiras precisam se ajustar.
Tecnologia e sustentabilidade passam a definir o futuro da aquicultura
O crescimento da aquicultura também traz desafios ambientais. A FAO destaca que a expansão do setor precisa priorizar sustentabilidade, governança baseada em ciência, planejamento espacial e inovação.
Entre as frentes citadas pela organização estão sistemas integrados, modelos climáticos inteligentes, produção combinada com energia renovável e formas de cultivo capazes de reduzir pressão sobre ecossistemas marinhos e de água doce.
Esse ponto é decisivo porque a aquicultura não pode crescer apenas em volume. Para sustentar a demanda mundial por proteína, o setor precisa avançar em eficiência alimentar, controle de doenças, uso responsável da água, rastreabilidade e redução de impactos ambientais.
A liderança chinesa revela para onde caminha a proteína aquática
A China se tornou o maior símbolo de uma mudança global: o pescado do futuro virá cada vez menos da captura em ambientes naturais e cada vez mais de sistemas cultivados, monitorados e industrializados.
A FAO projeta que a produção total de animais aquáticos deve chegar a 214 milhões de toneladas em 2034, mantendo a aquicultura como eixo de crescimento da oferta mundial.
A tendência reforça a importância de países capazes de produzir em escala, com tecnologia e cadeias produtivas completas.
Nesse novo mapa da proteína, a China não é apenas uma grande produtora. Ela funciona como centro estrutural da aquicultura mundial, com 57,6 milhões de toneladas de animais aquáticos cultivados, liderança regional na Ásia e influência direta sobre o abastecimento global de pescado.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.
