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China troca aço e plástico por compósito de bambu, conclui primeira plataforma solar offshore de 100 kW do mundo e já prepara versão de megawatts para levar a tecnologia a uma escala muito maior

China troca aço e plástico por compósito de bambu, conclui primeira plataforma solar offshore de 100 kW do mundo e já prepara versão de megawatts para levar a tecnologia a uma escala muito maior

8 min de leitura

China troca aço e plástico por compósito de bambu, conclui primeira plataforma solar offshore de 100 kW do mundo e já prepara versão de megawatts para levar a tecnologia a uma escala muito maior

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 29/08/2026 às 09:09

Atualizado em 29/08/2026 às 09:29

Imagem Ilustrativa

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Estrutura “Jilin No. 2” troca aço e plástico por tubos feitos de compósito de madeira e bambu, resiste à corrosão marinha e será instalada em Yantai para fornecer eletricidade verde a projeto de hidrogênio, amônia e metanol

A China concluiu a “Jilin No. 2”, apresentada como a primeira plataforma fotovoltaica offshore flutuante de 100 kW construída com estrutura à base de bambu do mundo. Desenvolvida pela CIMC Ocean Engineering Institute, China Forestry Group Corporation e Beijing Forestry University, a instalação representa um salto de 10 vezes em relação ao protótipo de 10 kW criado em 2023 e agora será levada ao mar em Yantai, na província de Shandong, conforme informações divulgadas pela CIMC Raffles.

O projeto chama atenção porque não tenta inovar apenas nos painéis solares. A principal mudança está justamente na estrutura que sustenta o sistema sobre a água. Em vez de depender somente de aço ou HDPE, um plástico de alta densidade, os pesquisadores desenvolveram tubos de compósito reforçado com fibras de madeira e bambu. Segundo os responsáveis, o material combina baixo peso, elevada resistência e resistência à corrosão.

Além disso, a plataforma de 100 kW não deverá permanecer como experimento isolado. Os parceiros já planejam avançar para um projeto-piloto na escala de megawatts, levando o bambu a uma estrutura offshore muito maior.

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Plataforma de 100 kW coloca bambu onde normalmente entrariam aço e plástico

A cena é pouco convencional.

Painéis solares ficam sobre o mar, como em outras plataformas fotovoltaicas flutuantes.

Porém, abaixo deles aparece uma mudança importante.

Parte da estrutura utiliza tubos de terceira geração produzidos com tecnologia de enrolamento de bambu, além do chamado “Sea Bamboo Pipe”.

Esse último consiste em um compósito pré-tensionado de madeira e bambu reforçado com fibras.

Imagem Ilustrativa

Assim, a proposta tenta transformar um material tradicional em componente de engenharia para um ambiente extremamente agressivo.

A água salgada representa um desafio constante para estruturas marítimas. Afinal, corrosão e exposição contínua às condições oceânicas aumentam as exigências sobre materiais e manutenção.

Por isso, segundo a CIMC Raffles, o compósito oferece justamente características consideradas importantes nesse cenário: resistência, leveza e resistência à corrosão.

Ao mesmo tempo, a empresa afirma que a solução reduz significativamente o impacto ambiental marinho em comparação com estruturas convencionais feitas de aço ou HDPE.

Tudo começou com um protótipo de apenas 10 kW em 2023

A “Jilin No. 2” não surgiu diretamente na escala de 100 kW.

Antes dela, os pesquisadores desenvolveram a “Jilin No. 1”.

O primeiro protótipo tinha capacidade de 10 kW e foi criado em 2023.

A partir daí, o grupo avançou para uma estrutura dez vezes maior.

Portanto, em aproximadamente três anos, a capacidade nominal passou de 10 kW para 100 kW.

Essa evolução também marca uma mudança na maturidade do material.

Segundo a CIMC Raffles, o novo projeto leva a utilização do bambu do laboratório em direção à escala industrial.

Esse caminho lembra o desafio enfrentado por diferentes tecnologias baseadas em materiais naturais: funcionar em laboratório é apenas o primeiro passo; produzir, instalar e operar em ambientes reais exige outra escala de engenharia.

No caso chinês, o próximo teste será justamente no mar.

Estrutura seguirá para uma base solar offshore em Yantai

A plataforma foi concluída em 24 de julho de 2026, em Yantai.

Agora, a “Jilin No. 2” será implantada na base de demonstração de energia solar offshore da CIMC, também em Yantai, na província de Shandong.

Isso significa que o projeto deixa a etapa de construção e avança para aplicação em ambiente marítimo.

Porém, a eletricidade produzida terá um destino particularmente interessante.

A plataforma fornecerá energia verde para um projeto demonstrativo envolvendo hidrogênio, amônia e metanol.

Portanto, a instalação conecta diferentes tecnologias de transição energética.

Primeiro, os painéis captam energia solar.

Depois, a eletricidade produzida passa a alimentar um projeto relacionado a três vetores energéticos que vêm recebendo investimentos para aplicações industriais e marítimas.

Bambu tenta resolver um problema escondido da energia solar offshore

Quando se fala em energia solar, quase toda a atenção costuma ficar sobre os módulos fotovoltaicos.

No mar, entretanto, existe outro problema.

Os painéis precisam de uma estrutura capaz de flutuar, resistir às condições marítimas e permanecer operacional durante longos períodos.

Normalmente, isso exige materiais industriais tradicionais.

A proposta chinesa tenta alterar justamente essa parte menos visível.

Em vez de substituir a tecnologia fotovoltaica, os pesquisadores modificaram aquilo que sustenta os painéis.

Segundo a CIMC Raffles, os tubos à base de bambu apresentam baixo peso e resistência à corrosão, além de elevada resistência mecânica.

Consequentemente, o material pode ter características interessantes para aplicações marítimas.

Ainda assim, a divulgação da empresa não fornece dados detalhados sobre vida útil, custo por unidade, resistência a tempestades ou manutenção ao longo de vários anos.

Por isso, seria precipitado afirmar que o bambu já supera economicamente o aço ou o HDPE em todas essas métricas.

Tubos não são feitos simplesmente com pedaços de bambu

O termo “plataforma de bambu” pode gerar uma impressão errada.

Não se trata de amarrar caules naturais e colocar painéis solares sobre eles.

O sistema emprega materiais de engenharia produzidos a partir de bambu e madeira.

Entre eles estão os tubos “bamboo-wound” de terceira geração e o “Sea Bamboo Pipe”.

Nesse processo, fibras entram em uma estrutura composta projetada para obter propriedades mecânicas adequadas à aplicação.

Portanto, o bambu funciona como matéria-prima de um compósito avançado.

A lógica se aproxima de outras pesquisas que tentam transformar recursos naturais ou resíduos em materiais industriais capazes de substituir opções convencionais.

Isso já acontece, por exemplo, quando resíduos deixam de ser tratados apenas como descarte e passam a integrar novos sistemas de geração ou fabricação.

Aqui, entretanto, o objetivo está diretamente ligado ao mar.

Energia solar flutuante ganha um desafio extra quando sai dos reservatórios e vai para o oceano

Instalar painéis solares sobre água não é uma ideia nova.

Sistemas fotovoltaicos flutuantes já aparecem em lagos e reservatórios.

Entretanto, o ambiente offshore acrescenta outras dificuldades.

Ondas, vento, salinidade e corrosão tornam as condições mais agressivas.

Por isso, a escolha do material estrutural ganha importância.

É nesse cenário que os desenvolvedores posicionam o compósito de bambu.

A CIMC afirma que a plataforma combina alta resistência, baixo peso e resistência à corrosão, além de reduzir o impacto ambiental marinho quando comparada às alternativas convencionais citadas pela companhia.

Porém, a empresa não divulgou na página dados quantitativos que permitam medir exatamente quanto menor seria esse impacto.

Assim, a alegação deve permanecer atribuída aos desenvolvedores.

Três organizações se unem para tirar material do laboratório

O projeto reúne conhecimentos de áreas diferentes.

A CIMC Ocean Engineering Institute traz experiência ligada à engenharia oceânica.

A China Forestry Group Corporation participa pelo lado florestal e industrial.

Enquanto isso, a Beijing Forestry University acrescenta conhecimento acadêmico relacionado aos materiais e recursos florestais.

Essa combinação ajuda a explicar a natureza da plataforma.

Ela não é apenas um projeto solar.

Também funciona como demonstração de materiais verdes para engenharia marítima.

Por isso, o avanço de 10 kW para 100 kW possui importância além da quantidade de eletricidade produzida.

O objetivo é descobrir se uma solução baseada em bambu pode crescer sem perder as características necessárias para operar no mar.

Próxima plataforma deverá saltar de quilowatts para megawatts

Os desenvolvedores já definiram a próxima etapa.

Depois dos 10 kW em 2023 e dos 100 kW em 2026, os parceiros pretendem construir um projeto-piloto na escala de megawatts.

Aqui, a mudança de escala volta a ser relevante.

Um megawatt equivale a 1.000 kW.

Portanto, mesmo que o futuro piloto tenha exatamente 1 MW, ele já terá capacidade nominal dez vezes maior do que a atual “Jilin No. 2”.

Entretanto, a CIMC não informou na publicação qual será a potência exata desse futuro projeto.

Também não divulgou uma data para sua conclusão.

O plano, portanto, está anunciado, mas ainda não permite afirmar quando uma plataforma de bambu em escala de megawatts estará operando.

China quer transformar a experiência em padrão para outros projetos

O objetivo seguinte também envolve padronização.

Segundo a CIMC Raffles, os parceiros pretendem utilizar o piloto de megawatts para impulsionar a padronização e adoção global de materiais marítimos verdes.

Isso mostra que a ambição não termina em uma única plataforma em Yantai.

Caso os testes entreguem os resultados esperados, a tecnologia poderá servir como referência para estruturas maiores.

Ainda assim, existe uma diferença entre intenção e adoção comercial.

Para chegar ao mercado global, a solução precisará demonstrar desempenho técnico, custo competitivo, durabilidade e capacidade de fabricação em escala.

Esse tipo de transição também aparece em outros setores, nos quais máquinas e materiais novos primeiro precisam provar seu desempenho em condições reais antes de ganhar utilização mais ampla.

No caso da “Jilin No. 2”, essa prova acontecerá em um dos ambientes mais exigentes possíveis: o oceano.

De 10 kW para 100 kW e agora rumo à escala de megawatts

A sequência ajuda a visualizar a estratégia chinesa.

Em 2023, surgiu a “Jilin No. 1”, com 10 kW.

Já em julho de 2026, os parceiros concluíram a “Jilin No. 2”, agora com 100 kW e tubos de terceira geração baseados em bambu.

Em seguida, a estrutura será implantada na base offshore de Yantai.

Ali, produzirá eletricidade para um projeto demonstrativo de hidrogênio, amônia e metanol.

Depois disso, os desenvolvedores querem chegar à escala de megawatts.

Portanto, o ponto mais importante da plataforma talvez não esteja apenas nos 100 kW que ela consegue gerar.

Está no material que sustenta os painéis.

Se a estrutura conseguir demonstrar durabilidade, desempenho e viabilidade econômica no mar, um recurso associado há séculos a construções e objetos cotidianos poderá ganhar uma função bem diferente: servir de base para grandes usinas solares flutuantes offshore.

Você confiaria em uma plataforma de energia solar feita com compósitos de bambu no oceano ou ainda preferiria estruturas tradicionais de aço?

Fonte

CMC Raffles


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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