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China vira terra dos robôs com 200 empresas, máquinas de R$ 3,2 milhões e fábricas funcionando 24 horas sem trabalhadores, enquanto uma nova meta para 2026 mostra que isso é apenas o começo

China vira terra dos robôs com 200 empresas, máquinas de R$ 3,2 milhões e fábricas funcionando 24 horas sem trabalhadores, enquanto uma nova meta para 2026 mostra que isso é apenas o começo

6 min de leitura

China vira terra dos robôs com 200 empresas, máquinas de R$ 3,2 milhões e fábricas funcionando 24 horas sem trabalhadores, enquanto uma nova meta para 2026 mostra que isso é apenas o começo

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 11/08/2026 às 18:19

Atualizado em 11/08/2026 às 18:42

Ciência e Tecnologia, Curiosidades

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Investimentos bilionários, humanoides em expansão e linhas industriais altamente automatizadas mostram como a China acelera uma transformação que já alcança fábricas, comércio e centros de pesquisa, enquanto fabricantes disputam espaço para levar máquinas cada vez mais avançadas a aplicações comerciais.

A China avança na transformação da robótica em uma indústria de escala, com cerca de 200 empresas envolvidas no desenvolvimento de humanoides, além de máquinas direcionadas ao comércio, à indústria e a linhas de produção altamente automatizadas, com pouca ou nenhuma intervenção humana.

Esse movimento ganhou visibilidade durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial, a WAIC, realizada em julho de 2026, em Xangai, onde fabricantes exibiram equipamentos capazes de atender clientes, buscar produtos, empacotar mercadorias e executar atividades antes dependentes principalmente de trabalhadores.

Ao mesmo tempo, o avanço ocorre em um mercado ainda distante da plena substituição da mão de obra, embora já receba investimentos públicos e privados expressivos e ocupe espaço relevante entre as prioridades econômicas e tecnológicas definidas por Pequim.

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Segundo a Reuters, autoridades chinesas destinaram ao menos US$ 20 bilhões ao desenvolvimento da área desde 2024, reforçando uma estratégia que combina financiamento, expansão industrial e estímulo à criação de tecnologias capazes de ampliar a presença dos robôs em diferentes setores.

Robôs humanoides avançam no mercado chinês

Por enquanto, a utilização comercial dos humanoides ainda enfrenta limitações relacionadas à confiabilidade, à destreza e à autonomia, sobretudo fora de ambientes controlados, embora essas máquinas já apareçam em fábricas, armazéns, estabelecimentos comerciais e projetos ligados à pesquisa.

Em várias dessas aplicações, entretanto, a supervisão humana continua necessária, o que mostra que a adoção comercial avança de maneira gradual enquanto os fabricantes trabalham para ampliar a autonomia, reduzir falhas e permitir a execução contínua de tarefas repetitivas.

Nesse cenário, a disputa entre empresas se concentra justamente em superar essas limitações e desenvolver equipamentos capazes de permanecer em operação por períodos maiores, com desempenho estável e capacidade para atuar em espaços que originalmente foram projetados para trabalhadores humanos.

Do ponto de vista comercial, a proposta é reduzir custos de determinadas atividades e permitir que robôs ocupem ambientes concebidos para pessoas, evitando a necessidade de reconstruções completas e facilitando a incorporação gradual dessas máquinas a estruturas que já estão em funcionamento.

Embora a corrida tecnológica tenha acelerado, a escala atual permanece pequena diante das projeções para os próximos anos, especialmente porque grande parte dos equipamentos comercializados ainda é destinada à pesquisa, à educação, aos testes e às demonstrações públicas.

Dados citados pela Reuters mostram que a China vendeu cerca de 12 mil humanoides em 2025, mas boa parte dessas unidades ainda não foi direcionada à substituição direta de trabalhadores em operações comerciais ou industriais realizadas de forma contínua.

Ainda assim, as expectativas financeiras ajudam a explicar o volume crescente de investimentos direcionados ao setor, principalmente porque fabricantes procuram ampliar a capacidade produtiva enquanto tentam transformar demonstrações tecnológicas em aplicações capazes de gerar receita de forma recorrente.

O Morgan Stanley estima que as vendas de humanoides na China podem superar US$ 15 bilhões até 2030, perspectiva que aumenta a competição entre fabricantes interessados em conquistar espaço antes que esses equipamentos alcancem uma presença mais ampla no mercado.

Automação industrial mantém fábricas em operação contínua

Mais consolidada do que os humanoides, a automação industrial tradicional já mostra de maneira concreta o alcance da robotização chinesa, especialmente nos setores eletrônico e automotivo, nos quais equipamentos especializados executam tarefas específicas com velocidade, precisão e regularidade elevadas.

Atualmente, a China possui mais de 2 milhões de robôs industriais, máquinas utilizadas em funções como soldagem e movimentação de cargas e que, por serem desenvolvidas para tarefas determinadas, apresentam níveis de confiabilidade superiores aos encontrados nos humanoides disponíveis hoje.

Em uma fábrica visitada pelo Poder360 em 2025, por exemplo, a automação permitia produzir aproximadamente 1,7 milhão de células para painéis fotovoltaicos por dia, mantendo a linha em funcionamento durante 24 horas e sem trabalhadores atuando diretamente no processo produtivo descrito.

Esse tipo de instalação ajuda a mostrar a diferença entre duas etapas da robotização chinesa, pois braços industriais e equipamentos especializados já realizam operações contínuas, enquanto os humanoides ainda precisam desenvolver autonomia suficiente para enfrentar ambientes variados e tarefas menos previsíveis.

Durante essa transição, trabalhadores e máquinas devem continuar dividindo espaços industriais, sobretudo porque diferentes tecnologias estão sendo incorporadas simultaneamente, desde equipamentos autônomos voltados a funções específicas até robôs controlados por pessoas e humanoides capazes de aprender novas atividades.

A modernização produtiva, portanto, não depende de uma única categoria de equipamento, mas da combinação de sistemas especializados, automação convencional e novas plataformas robóticas que possam assumir funções diferentes conforme o nível de complexidade exigido em cada ambiente.

GD01 coloca robôs chineses na faixa dos milhões

Entre as máquinas apresentadas em Xangai estava o GD01, da chinesa Unitree, um equipamento pilotável desenvolvido dentro da categoria conhecida como mecha e que se diferencia dos humanoides convencionais principalmente pelo porte elevado e pela necessidade de controle humano.

Apresentado em maio de 2026, o modelo chamou atenção justamente por combinar dimensões muito superiores às observadas em robôs menores com uma proposta voltada à ampliação da capacidade humana para movimentar cargas e controlar estruturas mecânicas maiores.

O preço divulgado para uma unidade é de US$ 650 mil, valor convertido pelo Poder360 para aproximadamente R$ 3,2 milhões em publicação de agosto de 2026, colocando o GD01 em uma faixa distante dos pequenos humanoides direcionados a tarefas repetitivas.

Em vez de retirar imediatamente o trabalhador da operação, equipamentos desse porte mostram outra possibilidade para a relação entre pessoas e máquinas, na qual o robô funciona como uma extensão mecânica controlada por um operador durante atividades que exigem maior capacidade física.

Essa abordagem também ajuda a explicar por que a expansão da robótica não ocorre de maneira uniforme, já que cada aplicação exige níveis distintos de autonomia, controle, segurança e precisão antes de poder ser integrada de forma permanente a uma operação comercial ou industrial.

Concorrência cresce entre fabricantes de robôs na China

Enquanto novas aplicações são testadas, a expansão do setor acontece em um ambiente cada vez mais congestionado, marcado por dezenas de fabricantes que disputam investimentos, contratos e espaço em um mercado cuja capacidade de crescimento atrai tanto empresas privadas quanto apoio estatal.

Autoridades chinesas citadas pela Reuters alertaram em 2025 para o risco de excesso de investimentos e apontaram aproximadamente 150 fabricantes de humanoides, enquanto levantamentos mais amplos utilizados pelo Poder360 colocam em cerca de 200 o número de empresas dedicadas a modelos desse segmento.

Ao longo de 2026, fabricantes chineses seguem ampliando a produção enquanto aplicações comerciais continuam em fase de teste, movimento sustentado por uma combinação de apoio estatal, cadeia local de componentes, experiência acumulada em automação e competição intensa entre diferentes empresas.

Com fábricas capazes de operar praticamente sem pessoas diretamente na linha de produção e humanoides tentando avançar do laboratório para lojas, armazéns e indústrias, a China passa a testar em escala crescente os limites entre automação especializada, trabalho humano e robótica autônoma.

Até onde a presença humana continuará indispensável quando essas máquinas conseguirem trabalhar com níveis maiores de autonomia, confiabilidade e capacidade de adaptação em ambientes que hoje ainda exigem supervisão constante?

Fonte

https://www.poder360.com.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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