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Cidade brasileira entra para a história, deixa para trás concorrentes de Inglaterra, Portugal, Turquia, Colômbia e Filipinas e conquista o maior prêmio mundial de cidades inteligentes

Cidade brasileira entra para a história, deixa para trás concorrentes de Inglaterra, Portugal, Turquia, Colômbia e Filipinas e conquista o maior prêmio mundial de cidades inteligentes

9 min de leitura

Cidade brasileira entra para a história, deixa para trás concorrentes de Inglaterra, Portugal, Turquia, Colômbia e Filipinas e conquista o maior prêmio mundial de cidades inteligentes

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 19/08/2026 às 21:12

Atualizado em 19/08/2026 às 21:27

Ciência e Tecnologia

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Cidade brasileira entra para a história, deixa para trás concorrentes de Inglaterra, Portugal, Turquia, Colômbia e Filipinas e conquista o maior prêmio mundial de cidades inteligentes

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Curitiba superou cidades de cinco países e conquistou o World Smart City Awards 2023 com projetos de inovação, sustentabilidade e planejamento urbano.

Curitiba colocou o Brasil no topo de uma das principais disputas internacionais sobre inovação urbana ao superar cinco concorrentes estrangeiras e conquistar o City Award do World Smart City Awards 2023. A capital paranaense venceu projetos apresentados por Barranquilla, na Colômbia, Cascais, em Portugal, Izmir, na Turquia, Makati, nas Filipinas, e Sunderland, na Inglaterra, depois de ser avaliada por um júri internacional formado por representantes de instituições como ONU-Habitat, Banco Mundial e Fórum Econômico Mundial.

Segundo o Smart City Expo World Congress, organizador do evento realizado em Barcelona, na Espanha, Curitiba recebeu o prêmio em 8 de novembro de 2023 pela combinação de planejamento urbano inteligente, crescimento socioeconômico e sustentabilidade ambiental, com foco na qualidade de vida da população.

O reconhecimento colocou a cidade brasileira à frente de projetos que envolviam internet das coisas, redes avançadas de conectividade, sistemas inteligentes contra incêndios e políticas de infraestrutura verde.

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Curitiba superou cinco cidades estrangeiras na disputa pelo prêmio mundial

A vitória não aconteceu em uma seleção restrita ao Brasil ou à América Latina. Na fase final da categoria Cidades, Curitiba enfrentou propostas desenvolvidas em diferentes continentes e com características bastante distintas.

Barranquilla apresentou uma estratégia que incorporava ações climáticas ao planejamento urbano e buscava transformar a cidade colombiana em uma referência latino-americana de biodiversidade urbana. Cascais, em Portugal, levou à disputa o Viver Cascais, programa estruturado para reunir serviços e benefícios ligados a áreas como mobilidade, saúde e cultura.

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Izmir, na Turquia, concorreu com um sistema inteligente de alarme de incêndios capaz de transmitir informações em tempo real para facilitar a detecção e a resposta das equipes. Makati apresentou iniciativas baseadas em dispositivos conectados e internet das coisas para auxiliar políticas públicas orientadas por dados.

Sunderland, no Reino Unido, apareceu entre as finalistas com uma estratégia de transformação digital apoiada em tecnologias avançadas de comunicação sem fio e em uma plataforma capaz de reunir dados para gestão urbana em tempo real.

Curitiba venceu apresentando uma abordagem mais ampla, construída a partir da integração de diferentes políticas urbanas.

Júri internacional colocou planejamento e sustentabilidade no centro da decisão

O World Smart City Awards não avaliou apenas a quantidade de tecnologia instalada em cada cidade.

Segundo a organização do Smart City Expo World Congress, o júri reconheceu Curitiba pela maneira como a cidade utiliza planejamento urbano inteligente, desenvolvimento socioeconômico e sustentabilidade ambiental para enfrentar desafios presentes e futuros. A melhoria da qualidade de vida dos moradores apareceu como elemento central da justificativa divulgada pelo evento.

O júri de honra reunia representantes do Conselho Municipal de Barcelona, ONU-Habitat, Banco Mundial, missão da Comissão Europeia dedicada a cidades inteligentes e climaticamente neutras, Fórum Econômico Mundial, SEGITTUR e do próprio Smart City Expo World Congress.

Pirâmide Solar transformou antigo aterro em geração de energia

Um dos projetos destacados na estratégia curitibana foi a Pirâmide Solar do Caximba, instalada sobre uma área de aterro sanitário desativado.

Pirâmide Solar do Caximba.
Curitiba, 27/03/2023.
Foto: José Fernando Ogura/SMCS.

Segundo a Prefeitura de Curitiba, a instalação tornou-se a primeira usina fotovoltaica construída sobre um aterro desativado na América Latina. Nos primeiros seis meses de operação, o complexo havia gerado 2.048,985 MWh de energia, com economia informada de R$ 1,17 milhão para os cofres municipais naquele período.

O projeto é especialmente representativo da proposta apresentada pela cidade porque reúne duas questões normalmente tratadas separadamente: recuperação e reaproveitamento de uma área anteriormente destinada a resíduos e produção de energia renovável.

A Pirâmide Solar fazia parte de uma estratégia mais ampla denominada Curitiba Mais Energia, que previa a utilização de sistemas fotovoltaicos em diferentes estruturas municipais. A cidade também apontou a pequena central hidrelétrica Nicolau Kluppel, no Parque Barigui, entre as iniciativas relacionadas à geração energética.

400 mil árvores e 48 parques reforçaram estratégia ambiental da capital

A candidatura também apresentou políticas relacionadas à cobertura vegetal, recuperação ambiental e redução das emissões de carbono.

Em 2023, quando recebeu o prêmio, a prefeitura informava que Curitiba havia ultrapassado a marca de 400 mil árvores plantadas dentro de suas ações ambientais e possuía 48 parques. Programas como 100 Mil Árvores e Amigo dos Rios integravam o esforço declarado pela administração municipal para avançar em direção à neutralidade de emissões até 2050.

Outras ações estavam relacionadas diretamente ao gerenciamento de resíduos. A Família Folhas foi utilizada para educação ambiental, enquanto programas já conhecidos na cidade, como Lixo que Não é Lixo, Ecocidadão e Câmbio Verde, compunham a estrutura de políticas municipais apresentadas. À época, o município informava possuir 103 pontos do Câmbio Verde.

A estratégia mostra uma característica importante da candidatura vencedora: em vez de depender de um único grande projeto, Curitiba apresentou uma rede de programas que atuavam em diferentes áreas da vida urbana.

Segurança alimentar colocou hortas e restaurantes populares na cidade inteligente

Outro elemento que chama atenção é que parte da estratégia vencedora não parece, à primeira vista, associada ao conceito tradicional de uma smart city.

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Curitiba incluiu segurança alimentar e agricultura urbana entre as políticas utilizadas para demonstrar sua capacidade de inovar.

Quando conquistou o prêmio, a cidade informava manter 35 Armazéns da Família, 11 Sacolões da Família, cinco Restaurantes Populares, 150 hortas urbanas e cinco unidades do Mesa Solidária, além do Banco de Alimentos. A Fazenda Urbana do Cajuru também fazia parte desse conjunto.

A presença dessas iniciativas entre os projetos ligados à candidatura ajuda a ampliar a definição de cidade inteligente adotada na premiação. Tecnologia e conectividade continuam relevantes, mas a capacidade de oferecer soluções para alimentação, inclusão e qualidade de vida também entra na equação.

Curitiba já havia utilizado justamente agricultura urbana e desenvolvimento social em uma candidatura anterior ao mesmo prêmio.

Curitiba já perseguia o topo da premiação havia cinco anos

A conquista de 2023 não foi a primeira vez que Curitiba chegou perto do principal reconhecimento do World Smart City Awards.

Segundo a prefeitura, aquela foi a quinta vez que a capital paranaense ficou entre as seis cidades finalistas da categoria. A trajetória de participações importantes havia começado anos antes.

Em 2018, Curitiba foi finalista na categoria Ambiente Urbano com o projeto Horta do Chef, destinado a aproximar agricultores urbanos de restaurantes.

No ano seguinte, voltou à disputa com o Vale do Pinhão, movimento voltado ao ecossistema de inovação e desenvolvimento sustentável.

Em 2021, durante os efeitos da pandemia de Covid-19, o Plano de Retomada Econômica de Curitiba apareceu entre seis projetos destacados na premiação por iniciativas relacionadas à resposta, adaptação e transformação das cidades durante a crise sanitária.

Em 2022, a capital voltou à final da categoria City Award, dessa vez com uma proposta de segurança alimentar, agricultura urbana e desenvolvimento social.

A vitória chegou em 2023.

Vale do Pinhão colocou startups e empreendedorismo dentro do projeto urbano

Uma das estruturas que ajudaram a formar a candidatura vencedora foi o Vale do Pinhão, criado para integrar empresas, universidades, poder público e demais participantes do ecossistema de inovação da cidade.

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Dados divulgados pela prefeitura na época da premiação indicavam a presença de 604 startups ligadas ao ecossistema local. Entre elas estavam Ebanx, Olist e MadeiraMadeira, empresas que haviam alcançado a condição de unicórnios, termo utilizado para companhias avaliadas em mais de US$ 1 bilhão.

A estrutura também incluía programas de capacitação e apoio ao empreendedorismo.

Os nove Espaços Empreendedor realizavam, segundo os dados apresentados em 2023, 991 atendimentos por dia, em uma cidade que possuía aproximadamente 210 mil microempreendedores individuais formalizados naquele momento.

Programas de qualificação voltados ao setor tecnológico, como 1º Empregotech e Empregotech 40+, apareciam no mesmo ecossistema.

Nesse modelo, portanto, a ideia de smart city não ficava limitada aos serviços oferecidos diretamente pela prefeitura. Ela também alcançava a capacidade de estimular novas empresas, capacitação profissional e desenvolvimento econômico.

Internet gratuita em 310 pontos levou digitalização para além dos prédios públicos

A infraestrutura digital foi outro componente da estratégia. Em 2023, o programa Wi-Fi Curitiba disponibilizava internet pública gratuita em 310 pontos da capital, de acordo com os dados municipais apresentados durante o período da premiação.

A digitalização também avançava pelos serviços oferecidos diretamente ao cidadão. A base e-Cidadão permitia acesso a 36 aplicações municipais, enquanto ferramentas como Saúde Já, Curitiba App, 156 e Nota Curitibana aproximavam determinados serviços públicos dos smartphones da população.

É justamente esse tipo de integração que diferencia a digitalização isolada do conceito mais amplo de cidade inteligente: tecnologia aplicada a problemas concretos da administração e do cotidiano urbano.

Mas Curitiba também apresentou projetos em uma área pela qual se tornou internacionalmente conhecida décadas antes.

Cidade que virou referência em BRT passou a apostar em ônibus elétricos

Mobilidade urbana faz parte da identidade internacional de Curitiba há décadas. A cidade ganhou projeção por seu sistema de transporte coletivo e pelo modelo de BRT, baseado em corredores estruturados para ônibus e estações específicas. Na candidatura vencedora de 2023, porém, o foco já apontava para uma nova etapa: eletromobilidade.

Naquele momento, Curitiba realizava testes de ônibus elétricos que deveriam começar a operar a partir de 2024. A frota pública já possuía veículos elétricos na Guarda Municipal, e a cidade também registrava presença dessa tecnologia nos táxis.

O sistema de bicicletas compartilhadas incluía modelos convencionais e elétricos. Assim, uma área que ajudou a construir a reputação de Curitiba no planejamento urbano voltou a aparecer na candidatura, agora associada à transição energética e à redução das emissões.

World Smart City Awards ocorre dentro do maior evento global do setor

Realizado em Barcelona desde 2011, o Smart City Expo World Congress se define atualmente como o maior e mais influente evento mundial dedicado às cidades e à inovação urbana. A programação reúne governos, empresas, pesquisadores e organizações que trabalham com soluções para os principais desafios enfrentados pelas áreas urbanas.

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O World Smart City Awards é a premiação vinculada ao congresso e busca reconhecer iniciativas de destaque em inovação e transformação urbana.

Em 2023, além da categoria conquistada por Curitiba, foram premiados projetos ligados a mobilidade, segurança e resiliência, tecnologias habilitadoras, energia e meio ambiente, governança, infraestrutura e inclusão.

A premiação daquele ano também reconheceu iniciativas de cidades e organizações da Finlândia, França, Coreia do Sul, Países Baixos, Estados Unidos, Turquia e Arábia Saudita, mostrando a dimensão internacional da disputa.

Curitiba transformou cinco finais em uma vitória histórica para o Brasil

Quando Rafael Greca recebeu o troféu em Barcelona em 8 de novembro de 2023, Curitiba finalmente converteu anos de presença entre os destaques da competição no título principal da categoria Cidades.

A vitória não significou que a capital brasileira fosse superior às concorrentes em todos os indicadores urbanos possíveis. O prêmio reconheceu especificamente a estratégia submetida e avaliada pelo júri do World Smart City Awards naquele ano.

Ainda assim, o resultado colocou uma cidade brasileira à frente de candidaturas de Colômbia, Portugal, Turquia, Filipinas e Reino Unido dentro de uma competição internacional focada justamente em soluções para o futuro das áreas urbanas.

Curitiba venceu não apresentando uma única tecnologia espetacular, mas reunindo energia solar, agricultura urbana, conectividade, empreendedorismo, transporte, digitalização dos serviços públicos, segurança alimentar e sustentabilidade dentro da mesma visão de planejamento.

Foi essa combinação que levou o júri internacional a escolher a capital paranaense como Smart City of 2023 e colocou o nome de uma cidade brasileira no topo do World Smart City Awards.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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