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Cidade brasileira muda de lugar para dar espaço a uma hidrelétrica e deixa duas torres no meio do lago

Cidade brasileira muda de lugar para dar espaço a uma hidrelétrica e deixa duas torres no meio do lago

5 min de leitura

Cidade brasileira muda de lugar para dar espaço a uma hidrelétrica e deixa duas torres no meio do lago

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 28/08/2026 às 13:39

Atualizado em 28/08/2026 às 13:40

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A antiga sede de Itá, no Oeste de Santa Catarina, foi esvaziada e substituída por uma cidade planejada antes da formação do reservatório da usina hidrelétrica. As torres da antiga Igreja Matriz São Pedro permaneceram no local e se tornaram a principal referência visível da área submersa.

Itá, no Oeste de Santa Catarina, passou por uma mudança urbana rara no país: sua sede municipal foi transferida para outro ponto antes que a área original fosse coberta pelo reservatório da Usina Hidrelétrica Itá.

A nova cidade foi construída a cerca de quatro quilômetros da antiga sede. O processo começou anos antes do enchimento do lago e envolveu planejamento urbano, mudança de moradores, transferência de serviços públicos e construção de equipamentos comunitários.

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O livro histórico do Consórcio Itá registra que a população foi informada em 1979 de que a área urbana seria atingida pelo empreendimento. A prefeitura criou uma comissão de relocação, e moradores participaram da escolha do novo local, conhecido como Altos de Itá.

Técnicos apresentaram alternativas para a nova sede, enquanto avançavam os projetos de ruas, moradias e estruturas públicas. A mudança, portanto, não consistiu apenas em retirar famílias da área que seria inundada, mas em reconstruir o núcleo urbano antes da formação do reservatório.

As primeiras famílias começaram a se transferir em 1987. Durante parte do processo, serviços públicos já funcionavam na nova cidade enquanto moradores e comerciantes ainda permaneciam na antiga, o que fez com que as duas áreas urbanas coexistissem por alguns anos.

Entre 1988 e 1991, o deslocamento entre as duas sedes fazia parte da rotina local. O registro histórico aponta que chegou a ser mantido transporte coletivo gratuito entre os dois pontos para reduzir os transtornos durante a transição.

No início da década de 1990, as obras da nova sede avançaram e permitiram concluir a transferência da população. Por volta de 1995, todos os moradores já haviam deixado a cidade antiga, e a nova Itá foi inaugurada oficialmente no ano seguinte.

Torres ficaram como marca da antiga cidade

A antiga Igreja Matriz São Pedro teve destino diferente do restante da área urbana. A última missa no templo ocorreu em janeiro de 1994, quando a transferência da população já estava em fase final, mas as duas torres foram preservadas no mesmo lugar.

O Consórcio Itá informa que a permanência das estruturas atendeu ao desejo da comunidade. Quando o reservatório se formou, as torres continuaram acima da lâmina d’água e passaram a marcar visualmente o ponto onde funcionava parte da antiga sede municipal.

O enchimento do reservatório começou em dezembro de 1999. A usina entrou em operação em 2000 e possui 1.450 megawatts de capacidade instalada, com estruturas no rio Uruguai, na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A água cobriu ruas, casas e outros edifícios da antiga Itá, mas não eliminou todas as referências físicas daquele espaço. As torres permaneceram de pé e acabaram incorporadas à paisagem do lago, criando um vínculo direto entre a cidade atual e a sede que ficou submersa.

Hoje, o Parque das Torres Submersas integra os pontos de visitação associados ao reservatório. Passeios de barco aproximam visitantes da área onde ficava a velha cidade e permitem observar as estruturas preservadas a partir da água.

A presença das torres também ajuda a explicar por que o local se tornou uma das imagens mais conhecidas do município. Elas não foram erguidas como réplica turística depois da mudança, mas são parte da antiga igreja que permaneceu no terreno original.

Nova sede foi planejada antes da inundação

O planejamento da nova Itá envolveu mais do que a construção de casas. A transferência incluiu vias, prédios públicos, escola, espaços comunitários e outros equipamentos necessários para que a população pudesse continuar vivendo e trabalhando em uma sede já estruturada.

Parte dessas instalações começou a funcionar antes que a antiga cidade fosse completamente desocupada. Essa sobreposição ajuda a entender por que a mudança levou vários anos e exigiu uma transição gradual, em vez de uma retirada concentrada em um único momento.

A relocação urbana também fazia parte de um conjunto maior de medidas ligadas à implantação da hidrelétrica. O projeto envolveu remanejamento de moradores de áreas rurais, recomposição de infraestrutura, preservação de referências históricas e ações relacionadas ao meio ambiente.

Com a formação do reservatório, o território passou a receber novos usos. A área do lago passou a ser aproveitada para atividades náuticas, visitação e lazer, enquanto a nova sede consolidou uma estrutura urbana construída para substituir o núcleo que deixaria de existir.

O próprio Consórcio mantém roteiros de visitação que incluem o Parque das Torres Submersas, a Prainha de Itá, o Porto de Itá, mirantes, trilhas e estruturas voltadas à divulgação ambiental. O Centro de Divulgação Ambiental também apresenta informações sobre a mudança da cidade e a construção da usina.

A história local ficou, assim, dividida fisicamente entre dois espaços: a sede planejada, onde a população passou a viver, e a área coberta pelo reservatório, onde as torres continuam indicando o ponto da antiga Igreja Matriz São Pedro.

Cercadas pela água, elas permanecem no mesmo local em que foram construídas e funcionam como um vestígio material da cidade desaparecida sob o lago. A paisagem turística atual preserva, dessa forma, uma referência concreta do processo que levou Itá a ser reconstruída alguns quilômetros adiante.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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