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Cientistas analisam metrôs, hospitais, bancos e esgoto de 102 cidades e encontram mais de 42 mil vírus de RNA que nunca haviam sido descritos pela ciência

Cientistas analisam metrôs, hospitais, bancos e esgoto de 102 cidades e encontram mais de 42 mil vírus de RNA que nunca haviam sido descritos pela ciência

4 min de leitura

Cientistas analisam metrôs, hospitais, bancos e esgoto de 102 cidades e encontram mais de 42 mil vírus de RNA que nunca haviam sido descritos pela ciência

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 24/08/2026 às 16:44

Atualizado em 24/08/2026 às 16:45

Ciência e Tecnologia

Canal

Representação ilustrativa de partículas virais semelhantes às analisadas no estudo internacional que catalogou 54.945 vírus de RNA em metrôs, hospitais, bancos e redes de esgoto.

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Levantamento internacional analisou 2.922 amostras em 31 países, catalogou 54.945 vírus de RNA e revelou uma diversidade microscópica ainda pouco conhecida nas cidades.

Uma pesquisa internacional revelou uma quantidade surpreendente de vírus de RNA presentes em ambientes urbanos e periurbanos de diferentes regiões do planeta.

Pesquisadores analisaram 2.922 amostras coletadas em 102 cidades de 31 países, incluindo São Paulo.

O trabalho permitiu catalogar 54.945 espécies de vírus de RNA encontradas em diferentes ambientes.

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Cerca de 77% desse total nunca havia sido descrito anteriormente pela ciência.

O percentual representa mais de 42 mil vírus até então desconhecidos pelos pesquisadores.

O estudo foi publicado em 16 de julho de 2026, na revista científica Nature Communications.

Investigação percorreu metrôs, hospitais, bancos e redes de esgoto

Parte das amostras utilizadas na pesquisa foi coletada entre março e julho de 2020, durante a pandemia de COVID-19.

As equipes utilizaram swabs estéreis para recolher material presente em superfícies de contato frequente.

Corrimãos, bancos e máquinas utilizadas para compra de bilhetes estavam entre os locais analisados.

Hospitais, bancos, estações de transporte e redes de esgoto também fizeram parte do mapeamento.

O material coletado passou por uma técnica conhecida como metatranscriptômica.

Esse método permite analisar simultaneamente o RNA presente em uma amostra.

Cada organismo, dessa forma, não precisa ser isolado individualmente antes da análise.

Mais de 42 mil vírus eram desconhecidos pela ciência

O levantamento resultou na identificação de 54.945 espécies de vírus de RNA.

Cerca de 77% delas não apareciam em registros científicos anteriores.

Esse resultado revelou uma diversidade viral muito maior do que aquela já catalogada em ambientes urbanos.

O grupo dos vírus de RNA inclui agentes associados a doenças conhecidas.

Dengue, zika, febre amarela, gripe e COVID-19 estão entre os exemplos mencionados no contexto desse grupo viral.

A presença de milhares de espécies inéditas, entretanto, não significa a descoberta de milhares de novos vírus perigosos para seres humanos.

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Viviane Alves

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Maioria dos vírus encontrados não representa perigo para humanos

Apesar do número expressivo, os pesquisadores não identificaram uma ameaça sanitária direta ou imediata para a população.

Somente 60 espécies mapeadas apresentaram alta probabilidade de infectar seres humanos.

Desse grupo reduzido, apenas 19 foram identificadas em ambientes urbanos de uso público.

Grande parte dos vírus encontrados pertence ao grupo dos bacteriófagos.

Esses vírus infectam bactérias e não atacam células humanas ou de outros animais.

A quantidade de espécies descobertas, portanto, precisa ser interpretada dentro desse contexto científico.

Hospitais de São Paulo apresentaram resultado diferente

A pesquisa também encontrou diferenças entre os vírus identificados em hospitais de diferentes regiões.

Hospitais localizados em São Paulo apresentaram maior abundância de vírus pertencentes a famílias patogênicas para vertebrados.

A comparação foi feita com unidades de saúde analisadas nos Estados Unidos.

O resultado, porém, não permite estabelecer automaticamente uma explicação biológica.

Antonio Pedro Camargo, pesquisador ligado à Universidade de São Paulo e coautor do estudo, recomendou cautela na interpretação.

Segundo o pesquisador, diferenças desse tipo podem decorrer simplesmente da própria amostragem utilizada no levantamento.

Técnica permitiu analisar milhares de microrganismos ao mesmo tempo

A técnica de metatranscriptômica desempenhou papel central na pesquisa.

O método permite decodificar simultaneamente o RNA encontrado dentro de uma mesma amostra.

Pesquisadores conseguem, dessa maneira, observar diferentes organismos sem precisar separá-los individualmente.

A abordagem tornou possível comparar milhares de sequências encontradas nas amostras coletadas em diferentes países.

O levantamento também reuniu essas informações em um grande catálogo de vírus encontrados em ambientes urbanos e periurbanos.

Atlas mostra que diversidade viral das cidades ainda é pouco conhecida

Os pesquisadores organizaram os resultados no Atlas de Vírus de RNA Urbanos e Periurbanos, conhecido como UPVAtlas.

O catálogo reúne dados dos vírus identificados nas diferentes cidades e ambientes analisados.

A descoberta de 54.945 espécies, com aproximadamente 77% ainda desconhecidas anteriormente, evidencia a dimensão dessa diversidade.

O estudo também indica que os vírus já catalogados representam apenas uma parcela do universo existente nesses ecossistemas.

Novos levantamentos poderão ampliar ainda mais o conhecimento científico sobre os vírus presentes em cidades, hospitais, transportes públicos e redes de esgoto.

O que essa descoberta representa para a ciência?

A pesquisa mostra que espaços utilizados diariamente por milhões de pessoas abrigam uma diversidade viral muito maior do que aquela já conhecida.

O número de vírus desconhecidos chama atenção, mas os próprios resultados ajudam a colocar a descoberta em perspectiva.

A maioria dos organismos identificados não apresenta capacidade conhecida de infectar seres humanos.

O levantamento, portanto, amplia principalmente o conhecimento científico sobre os microrganismos presentes nos ambientes urbanos.

A existência de mais de 42 mil vírus ainda não descritos anteriormente também demonstra o tamanho do território que permanece inexplorado pela ciência.

Fontes: Nature Communications, Agência FAPESP, CNN Brasil e Universidade de São Paulo.

Você imaginava que metrôs, hospitais, bancos e redes de esgoto poderiam esconder uma diversidade tão grande de vírus ainda desconhecidos pela ciência? Deixe sua opinião!


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

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