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Cientistas chineses descobriram que um líquen laranja pode denunciar terras raras escondidas em rochas, após ligar sua presença a carbonatos ricos nesses minerais; agora, drones e sensores hiperespectrais podem transformar uma crosta vista em muros, trilhas e jardins em pista para novas jazidas

Cientistas chineses descobriram que um líquen laranja pode denunciar terras raras escondidas em rochas, após ligar sua presença a carbonatos ricos nesses minerais; agora, drones e sensores hiperespectrais podem transformar uma crosta vista em muros, trilhas e jardins em pista para novas jazidas

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Cientistas chineses descobriram que um líquen laranja pode denunciar terras raras escondidas em rochas, após ligar sua presença a carbonatos ricos nesses minerais; agora, drones e sensores hiperespectrais podem transformar uma crosta vista em muros, trilhas e jardins em pista para novas jazidas

Escrito por Carla Teles

Publicado em 25/08/2026 às 11:30

Atualizado em 25/08/2026 às 11:37

Ciência e Tecnologia

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Terras raras: líquen Xanthoria elegans pode orientar exploração mineral com drones e indicar rochas para investigação geológica. Imagem: Criada com IA

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Estudo publicado na Economic Geology em 27 de julho de 2026 mostrou que Xanthoria elegans cresce preferencialmente sobre carbonatitos enriquecidos em terras raras. Pesquisadores chineses afirmam que a cor alaranjada facilita a identificação e pode apoiar amostragem direcionada, drones e sensoriamento hiperespectral em áreas ainda pouco conhecidas geologicamente pelo mundo.

Uma crosta laranja-amarelada encontrada sobre determinadas rochas pode carregar uma informação geológica muito maior do que sua aparência sugere. Cientistas chineses descobriram uma forte associação entre o líquen Xanthoria elegans e carbonatitos enriquecidos em terras raras, levantando a possibilidade de usar o organismo como indicador visível para direcionar a procura por mineralizações ainda desconhecidas.

O estudo foi publicado em 27 de julho de 2026 no periódico científico Economic Geology e repercutido pelo South China Morning Post em 23 de agosto. A equipe, liderada pelo professor Li Yang, ligado à Universidade de Pequim e à Academia Chinesa de Ciências, analisou ocorrências do líquen em áreas mineralizadas e encontrou resultados especialmente fortes em Bayan Obo, na Mongólia Interior.

Líquen apareceu em 57 de 67 carbonatitos analisados em Bayan Obo

Bayan Obo abriga o maior depósito conhecido de terras raras do mundo e forneceu um ambiente importante para testar a associação. Os pesquisadores mapearam 67 rochas carbonatíticas e encontraram o Xanthoria elegans em 57 delas, uma frequência que chamou atenção da equipe.

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O contraste apareceu quando outras litologias foram examinadas. Em granito, arenito, quartzito e outras rochas não carbonatíticas, a presença do líquen foi muito menos frequente. Segundo o estudo, em algumas dessas rochas a ocorrência ficava abaixo de 1%, reforçando a ideia de uma preferência que pode ter utilidade na exploração mineral.

Cor laranja permite enxergar possível indicador antes mesmo da coleta

Imagem: Economic Geology

Uma das vantagens práticas está na aparência do organismo. O Xanthoria elegans forma manchas intensas em tons alaranjados ou amarelados sobre superfícies expostas, podendo ser percebido visualmente a certa distância.

Li Yang destacou que essa coloração vem do próprio líquen, e não das terras raras ou do ferro presente nas rochas. Isso é relevante porque transforma um organismo facilmente reconhecível em possível sinal de campo: ao encontrá-lo em um contexto geológico adequado, pesquisadores podem decidir onde concentrar a coleta de amostras.

Análises encontraram até 17 mil partes por milhão de terras raras no líquen

A ligação não ficou restrita à distribuição visual. As análises químicas identificaram no organismo concentrações totais de elementos de terras raras entre 3.500 e 17.000 partes por milhão, segundo os resultados citados pela pesquisa.

Também surgiu uma relação com a composição do substrato. Líquens sobre carbonatitos mais mineralizados apresentaram concentrações superiores às observadas em exemplares sobre carbonatos pobres ou rochas alteradas ao redor, sugerindo que a assinatura química do terreno pode chegar ao organismo.

Pequenas partículas minerais foram encontradas dentro do material orgânico

Ao examinar o líquen em escala microscópica, os pesquisadores identificaram pequenas fases enriquecidas em elementos de terras raras e bário incorporadas ao material orgânico.

Uma das hipóteses é que partículas provenientes da rocha sejam incorporadas durante o intemperismo e a interação prolongada entre o líquen e sua superfície. O mecanismo biológico exato, entretanto, ainda não foi esclarecido, e os próprios autores evitam afirmar que o organismo esteja deliberadamente “procurando” esses elementos.

Descoberta não significa que todo líquen laranja indique uma jazida

O Xanthoria elegans está distribuído por diversas regiões do planeta, inclusive em ambientes onde não existem depósitos economicamente exploráveis de terras raras. Por isso, encontrar uma crosta dessa espécie em um muro, trilha, jardim ou afloramento não significa automaticamente estar diante de uma jazida.

A descoberta é mais específica: em determinados ambientes geológicos, especialmente associados a carbonatitos, a presença do líquen pode ajudar a escolher quais rochas merecem investigação prioritária. Confirmação mineral depende de amostragem, análises geoquímicas e estudos geológicos posteriores.

Drones podem ampliar busca por manchas alaranjadas sobre grandes áreas

É justamente a visibilidade do organismo que abre uma possibilidade tecnológica. Os pesquisadores afirmam que a associação poderia futuramente ser combinada com veículos aéreos não tripulados e sensoriamento remoto hiperespectral.

Em vez de depender exclusivamente de geólogos percorrendo grandes áreas em solo, drones poderiam ajudar a identificar padrões espectrais compatíveis com o líquen sobre rochas expostas. As regiões selecionadas poderiam então receber prioridade na amostragem, reduzindo a necessidade de investigar aleatoriamente cada afloramento.

Sensoriamento hiperespectral pode distinguir informações invisíveis ao olho humano

Sensores hiperespectrais registram a energia refletida por uma superfície em numerosas faixas do espectro eletromagnético. Materiais diferentes podem produzir assinaturas distintas, permitindo separar alvos que parecem semelhantes numa fotografia comum.

A proposta mencionada pelos pesquisadores é combinar essa capacidade com a relação observada entre Xanthoria elegans e rochas potencialmente enriquecidas em terras raras. O método ainda precisa ser desenvolvido e validado, mas poderia transformar um bioindicador visível em ferramenta para triagens geológicas de maior escala.

Observações nos montes Kunlun sugerem que fenômeno pode existir fora de Bayan Obo

Depois da publicação do trabalho, colegas que atuavam nos montes Kunlun Ocidentais, no sudoeste de Xinjiang, relataram associação semelhante em áreas situadas a mais de 5 mil metros de altitude.

O relato reforça a possibilidade de que o padrão não esteja limitado a Bayan Obo. Ao mesmo tempo, os próprios pesquisadores ressaltam que são necessários estudos de campo mais amplos antes de afirmar que o líquen funciona como indicador confiável em diferentes ambientes geológicos do mundo.

China já havia usado plantas como pistas para encontrar depósitos minerais

A busca por indicadores biológicos de mineralização não começou agora. Segundo Li Yang, cientistas chineses estudam há décadas organismos capazes de revelar condições químicas específicas do solo ou das rochas.

O pesquisador comparou o novo resultado à identificação da chamada “grama do cobre” na China durante a década de 1950. O princípio é semelhante: organismos respondem ao ambiente geológico e podem fornecer pistas sobre elementos presentes abaixo ou dentro das rochas, orientando etapas posteriores de exploração.

Uma crosta comum pode se tornar nova ferramenta de prospecção de terras raras

O avanço não transforma jardins, muros ou trilhas em minas em potencial apenas porque apresentam líquens alaranjados. O que o estudo oferece é uma hipótese tecnicamente mais interessante: um organismo amplamente distribuído pode ajudar geólogos a reconhecer, em contextos específicos, rochas que merecem ser examinadas primeiro em busca de terras raras.

Se estudos futuros confirmarem a associação em outras regiões, drones, sensores hiperespectrais e observação de campo poderão formar uma nova combinação para exploração mineral. Você imaginava que um líquen visível sobre uma rocha pudesse ajudar cientistas a decidir onde procurar uma possível jazida? Conte nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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