3 min de leitura
Cientistas documentam a maior teia de aranha colonial conhecida: estrutura de 106 m² formada por milhares de teias abriga cerca de 111 mil indivíduos de duas espécies normalmente solitárias em uma caverna sem luz solar, onde bactérias sulfurosas sustentam todo o ecossistema subterrâneo entre Albânia e Grécia, no sul da Europa
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 03/08/2026 às 21:55
Uncategorized
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Formação subterrânea conecta milhares de teias e reúne duas espécies normalmente solitárias em um ecossistema sustentado pela quimiossíntese
Uma teia de aranha com aproximadamente 106 metros quadrados abriga cerca de 111 mil indivíduos na Caverna de Enxofre.
Localizada abaixo da fronteira entre Albânia e Grécia, a formação ocupa uma área equivalente a quase metade de uma quadra de tênis.
Além do tamanho, a estrutura surpreendeu os pesquisadores pela convivência entre duas espécies normalmente solitárias.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Segundo as estimativas, aproximadamente 69 mil Tegenaria domestica e mais de 42 mil Prinerigone vagans compartilham o mesmo ambiente subterrâneo.
Espeleólogos localizaram a estrutura em 2022. Posteriormente, em 17 de outubro de 2025, a revista científica Subterranean Biology publicou a análise detalhada.
Estrutura conecta milhares de pequenas teias
A maior teia de aranha conhecida não pertence a um único animal. Na verdade, milhares de estruturas menores formam uma extensa rede colonial.
Essa composição ocupa cerca de 106 metros quadrados e permanece em uma região da caverna onde a luz solar não chega.
Assista o vídeo
Normalmente, as duas espécies vivem de maneira solitária. Por isso, a presença de populações tão numerosas no mesmo espaço representa um registro incomum.
O estudo liderado pelo pesquisador István Urák documentou, pela primeira vez, uma teia colonial formada por Tegenaria domestica e Prinerigone vagans.
A BBC News Brasil também publicou imagens feitas pelos pesquisadores dentro da caverna, mostrando a dimensão da formação subterrânea.
Alimento abundante favorece a colônia
A presença de tantas aranhas está diretamente relacionada à oferta constante de alimento no interior da Caverna de Enxofre.
Nesse ambiente, a abundância de pequenas moscas reduz a competição por presas. Dessa forma, milhares de aranhas conseguem permanecer no mesmo local.
O isolamento também pode influenciar esse comportamento. Agora, os pesquisadores buscam compreender como essas condições permitiram a convivência entre espécies geralmente encontradas separadamente.
Quimiossíntese sustenta o ecossistema subterrâneo
O ciclo alimentar começa com bactérias que utilizam compostos de enxofre para produzir energia.
Durante esse processo, os microrganismos formam um biofilme rico em nutrientes. Em seguida, larvas de moscas alimentam-se desse material.
Posteriormente, as moscas quironomídeas adultas tornam-se a principal fonte de alimento das aranhas.
Portanto, o ecossistema funciona por meio da quimiossíntese, sem depender da energia fornecida pela luz solar.
A cadeia começa nas bactérias sulfurosas, passa pelo biofilme e pelas moscas, até chegar às duas espécies de aranhas.
Recomendado para você
Curiosidades
Poeira do Saara pega carona nos ventos, atravessa continentes e encontra tempestades para criar a curiosa “chuva de sangue”, que não tem sangue, mas deixa carros e janelas cobertos por marcas avermelhadas
Partículas minerais suspensas na atmosfera misturam-se às gotas e formam resíduos coloridos, que ficam mais evidentes depois que a água evapora
Uma massa de poeira transportada do norte da África voltou…
Caio Aviz
0
Descoberta pode revelar novas adaptações
A convivência entre espécies normalmente solitárias tornou o registro especialmente relevante para a ciência.
A oferta contínua de alimento pode ter reduzido a disputa entre os indivíduos. Ao mesmo tempo, o isolamento pode ter favorecido mudanças comportamentais.
Os pesquisadores pretendem investigar como essas condições influenciaram a formação da colônia e a permanência das duas espécies no mesmo espaço.
Assim, a teia colonial com 111 mil aranhas revela como ambientes extremos podem favorecer comportamentos diferentes daqueles observados na superfície.
O que mais chama sua atenção nessa descoberta: o tamanho da teia, a quantidade de aranhas ou o ecossistema que funciona sem luz solar?
Tags
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

