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Cientistas espalham cerca de 100 toneladas de polpa de café em área tomada pelo capim e, passados 2 anos, árvores cobriam mais de 80% do terreno

Cientistas espalham cerca de 100 toneladas de polpa de café em área tomada pelo capim e, passados 2 anos, árvores cobriam mais de 80% do terreno

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Cientistas espalham cerca de 100 toneladas de polpa de café em área tomada pelo capim e, passados 2 anos, árvores cobriam mais de 80% do terreno

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 28/08/2026 às 13:40

Atualizado em 28/08/2026 às 13:41

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Experimento no sul da Costa Rica mostrou que uma camada espessa do resíduo do processamento do café sufocou gramíneas, alterou as condições do solo e favoreceu a regeneração natural de árvores, embora os pesquisadores ressaltem que o resultado ainda precisa ser testado em outros ambientes.

Uma antiga área agrícola dominada por capim no sul da Costa Rica passou a apresentar vegetação semelhante à de uma floresta jovem depois que pesquisadores cobriram parte do terreno com uma grande quantidade de polpa descartada durante o processamento do café.

O resultado foi descrito por Rebecca J. Cole e Rakan A. Zahawi em estudo publicado na revista Ecological Solutions and Evidence, que acompanhou por dois anos uma parcela tratada e outra área próxima mantida sem o resíduo.

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Ao final do período, 82,55% do terreno que recebeu a polpa apresentava cobertura vegetal acima de dois metros, contra 21,84% na parcela de controle. A altura média da copa também chegou a 4,26 metros na área tratada, quase quatro vezes o valor registrado no trecho vizinho.

Os pesquisadores aplicaram aproximadamente 360 metros cúbicos de polpa de café. Esse volume pode corresponder a cerca de 100 toneladas, dependendo da densidade e da quantidade de água presente no material, embora o artigo científico registre diretamente o volume utilizado, e não seu peso.

Uma camada de quase meio metro cobriu o capim

O experimento foi realizado na Reserva Biológica Sabalito, no cantão de Coto Brus, perto da fronteira da Costa Rica com o Panamá. A área havia sido usada para agricultura e apresentava mais de 90% de sua cobertura inicial formada por gramíneas introduzidas para pastagem.

Em 2018, a polpa fornecida por uma cooperativa de processamento de café próxima foi levada até uma parcela de 35 por 40 metros. Uma retroescavadeira distribuiu o resíduo sobre o solo, formando uma camada de aproximadamente 40 a 50 centímetros de espessura.

O artigo científico contabiliza 30 cargas de caminhão para transportar os cerca de 360 metros cúbicos. Em uma divulgação da Universidade do Havaí em Mānoa, instituição à qual os pesquisadores estavam vinculados, a operação foi descrita como aproximadamente 35 cargas.

Outra parcela de tamanho semelhante, separada da primeira por cerca de dez metros, permaneceu sem aplicação e serviu como controle. A comparação permitiu acompanhar mudanças na vegetação, no solo e no estabelecimento de árvores durante os dois anos seguintes.

As alterações começaram antes do crescimento das copas. Após três meses, a camada de polpa havia perdido aproximadamente metade da espessura, pequenas plantas herbáceas começavam a aparecer na superfície e o capim coberto pelo material estava sufocado e em processo de decomposição.

No fim do acompanhamento, restavam apenas cerca de cinco a dez centímetros do resíduo originalmente aplicado, já com aparência semelhante à camada de solo mineral existente abaixo.

Menos gramíneas e mais árvores pioneiras

A redução do capim foi uma das diferenças mais marcantes entre os dois terrenos. Na parcela tratada, as gramíneas foram praticamente eliminadas, enquanto mais de 80% do solo do controle continuava coberto pela vegetação introduzida que predominava antes do experimento.

A composição química da camada superficial também mudou. As análises encontraram concentrações maiores de carbono e nitrogênio, além de fósforo, enxofre, ferro e manganês, no terreno que recebeu a polpa em comparação com a área mantida sem tratamento.

A camada em decomposição atuou justamente sobre uma das principais barreiras à regeneração daquela antiga pastagem: a competição exercida pelo capim. Ao mesmo tempo, a incorporação de matéria orgânica modificou as condições encontradas pelas novas plantas que chegavam ao local.

As árvores não estavam presentes na polpa. O avanço ocorreu principalmente pela dispersão natural de sementes, que passaram a encontrar um ambiente menos dominado pelas gramíneas. Entre as plantas lenhosas mais frequentes estavam espécies pioneiras dos gêneros Heliocarpus e Cecropia.

No segundo ano, a densidade de caules lenhosos com mais de um centímetro de diâmetro era mais de 20 vezes maior na parcela tratada. A área basal média das árvores também chegava a quase 30 vezes a observada no terreno de controle.

Imagens feitas por drone reforçaram a diferença na estrutura da vegetação. Cerca de 39% da parcela com polpa já apresentava cobertura de copa acima de cinco metros, enquanto essa faixa de altura ocupava pouco mais de 2% da área que não recebeu o resíduo.

Resultado não equivale a uma floresta madura

A cobertura superior a 80% não significa que uma floresta tropical madura tenha surgido em dois anos. O que os pesquisadores observaram foi uma fase inicial acelerada de sucessão ecológica, com árvores e arbustos pioneiros ocupando rapidamente um espaço antes dominado por pastagem.

Os autores tratam o trabalho como um estudo de caso feito em um único local. Condições de solo, clima, relevo, vegetação já existente e proximidade de fontes naturais de sementes podem alterar a resposta, impedindo que o mesmo resultado seja automaticamente projetado para outras áreas degradadas.

Há ainda limitações ambientais e logísticas. Resíduos orgânicos concentrados podem conter compostos indesejáveis ou resíduos de pesticidas, e sua aplicação exige cuidados para evitar que o material seja carregado para cursos d’água.

O transporte também pesa na viabilidade da técnica porque a polpa é volumosa e precisa ser levada até o terreno. No experimento costarriquenho, o resíduo veio de uma cooperativa próxima, condição que reduziu essa dificuldade.

Os pesquisadores defendem que a técnica seja testada em outros locais e acompanhada por períodos mais longos antes de se definir em quais tipos de área ela pode ser adotada com segurança em projetos de restauração florestal.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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