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Cientistas espanhóis criam nanomaterial que fica até 12,9 °C mais frio sob o Sol, dispensa eletricidade e usa redes 3D de PVDF para mandar calor diretamente para o espaço

Cientistas espanhóis criam nanomaterial que fica até 12,9 °C mais frio sob o Sol, dispensa eletricidade e usa redes 3D de PVDF para mandar calor diretamente para o espaço

5 min de leitura

Cientistas espanhóis criam nanomaterial que fica até 12,9 °C mais frio sob o Sol, dispensa eletricidade e usa redes 3D de PVDF para mandar calor diretamente para o espaço

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 19/08/2026 às 20:18

Atualizado em 19/08/2026 às 20:19

Ciência e Tecnologia

Canal

Ilustração mostra uma estrutura de PVDF refletindo parte da radiação solar e liberando calor, princípio usado no nanomaterial estudado pelo CSIC.

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Tecnologia do CSIC usa refrigeração radiativa passiva, redes tridimensionais de PVDF e emissão infravermelha para reduzir a temperatura de superfícies expostas ao Sol sem gastar eletricidade.

Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores espanhóis conseguiu reduzir a temperatura de uma superfície exposta diretamente ao Sol sem utilizar eletricidade.

O material criado por cientistas ligados ao CSIC utiliza redes tridimensionais de poli(fluoreto de vinilideno, o PVDF) para controlar a entrada da radiação solar e facilitar a liberação de calor.

Durante testes realizados em Tres Cantos, na região de Madri, a estrutura apresentou uma temperatura até 12,9 °C inferior à referência usada pelos pesquisadores.

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Veja também

A irradiância solar chegou a 962 W/m² durante os experimentos, demonstrando o funcionamento da técnica mesmo em condições de forte exposição ao Sol.

O estudo foi publicado em 29 de junho de 2026, na revista científica Nanophotonics, com participação de pesquisadores do Instituto de Micro y Nanotecnología do CSIC.

Estrutura microscópica transforma o comportamento térmico do material

A tecnologia utiliza uma estratégia conhecida como refrigeração radiativa passiva, capaz de dissipar energia térmica sem depender de aparelhos elétricos.

Os pesquisadores produziram redes tridimensionais de PVDF utilizando moldes nanoporosos capazes de criar uma arquitetura microscópica específica.

Essa estrutura reduz a absorção da radiação solar e aumenta a dispersão da luz que atinge diretamente o material.

Parte da energia térmica acumulada também pode ser liberada na forma de radiação infravermelha.

Esse mecanismo favorece a passagem do calor pela chamada janela atmosférica, permitindo que a energia seja dissipada para fora da superfície.

O funcionamento dispensa compressores, peças móveis e fornecimento externo de eletricidade.

Redes tridimensionais de PVDF ajudam a refletir o Sol

A arquitetura interna do material desempenha um papel essencial no desempenho térmico observado pelos pesquisadores.

As cavidades criadas durante a fabricação alteram a maneira como o PVDF interage com diferentes comprimentos de onda da radiação.

A configuração microscópica favorece simultaneamente a reflexão da energia solar e a emissão de calor em comprimentos de onda infravermelhos.

Dois processos atuam dessa forma ao mesmo tempo: menos energia solar fica retida, enquanto parte do calor acumulado consegue escapar.

Entre as principais características observadas estão reflexão da radiação solar, emissão infravermelha, estrutura nanoporosa tridimensional e funcionamento totalmente passivo.

A combinação dessas propriedades explica por que o material conseguiu permanecer mais frio que a superfície usada como referência.

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Testes em Madri registraram diferença de até 12,9 °C

Os experimentos externos foram realizados na cobertura do Instituto de Micro y Nanotecnología, em Tres Cantos, na região de Madri.

A irradiância solar máxima registrada durante os ensaios chegou a 962 W/m².

A estrutura otimizada atingiu uma temperatura até 12,9 °C inferior à referência utilizada no experimento.

Esse resultado demonstrou que a refrigeração radiativa passiva pode continuar funcionando mesmo durante períodos de exposição intensa à radiação solar.

Os números registrados correspondem, entretanto, às condições específicas dos testes conduzidos pelos pesquisadores.

A diferença de 12,9 °C não significa que qualquer edifício, telhado ou superfície apresentará automaticamente o mesmo desempenho.

Tecnologia ainda enfrenta desafios para chegar ao mercado

O desempenho observado nos experimentos representa uma etapa importante, mas o material permanece em fase de desenvolvimento.

A fabricação das redes tridimensionais de PVDF ainda precisa ser adaptada para permitir uma eventual produção em maior escala.

A resistência prolongada diante de chuva, vento, variações de temperatura e radiação ultravioleta também representa um ponto importante para futuras aplicações.

Telhados e fachadas aparecem entre as possibilidades consideradas para esse tipo de tecnologia.

A utilização prática dependerá, porém, da capacidade de preservar o desempenho térmico durante longos períodos de exposição ao ambiente externo.

Refrigeração sem eletricidade pode ajudar na eficiência energética

A pesquisa mostra como a nanotecnologia pode ampliar as alternativas disponíveis para o controle passivo da temperatura de superfícies.

O sistema não utiliza eletricidade durante o processo de refrigeração, característica que diferencia a tecnologia dos equipamentos convencionais de climatização.

Uma eventual aplicação em construções poderia complementar soluções voltadas à eficiência energética e à redução do aquecimento provocado pela exposição solar.

O uso de materiais com esse comportamento também pode reduzir a quantidade de calor acumulada em telhados e fachadas durante períodos de forte radiação.

A pesquisa publicada na Nanophotonics reforça, portanto, o potencial da engenharia de materiais na criação de sistemas térmicos que funcionam sem consumo elétrico.

A chegada dessa tecnologia ao mercado dependerá da evolução dos métodos de fabricação, da durabilidade e da adaptação das redes tridimensionais de PVDF para aplicações maiores.

O que o futuro reserva para esse nanomaterial?

Os resultados obtidos pelo CSIC mostram que materiais estruturados em escala microscópica podem mudar significativamente a forma como uma superfície recebe e libera energia.

A diferença de até 12,9 °C registrada nos testes em Madri coloca a refrigeração radiativa passiva entre as tecnologias que podem ganhar espaço em pesquisas sobre eficiência térmica.

O avanço para aplicações comerciais dependerá da capacidade de produzir o material em escala e manter seu desempenho diante das condições climáticas.

A tecnologia poderá, caso supere essas etapas, ampliar as opções disponíveis para reduzir o aquecimento de superfícies sem recorrer diretamente à eletricidade.

Você acredita que materiais capazes de resfriar superfícies sem gastar eletricidade podem ganhar espaço em telhados e fachadas no futuro? Deixe sua opinião!


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

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