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Cinco vacas foram deixadas em uma ilha remota em 1871, sobreviveram sem humanos por mais de um século, deram origem a quase 2 mil animais e o DNA revelou a mistura genética que ajudou o rebanho a resistir
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 15/08/2026 às 09:45
Ciência e Tecnologia
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Abandonadas na Ilha de Amsterdã em 1871, cinco vacas deram origem a quase 2 mil animais; análises genéticas mostraram ancestralidade europeia e zebuína, além de explicar como o rebanho resistiu ao isolamento durante gerações
Cinco bovinos abandonados em 1871 na remota Ilha de Amsterdã, no sul do Oceano Índico, conseguiram sobreviver sem manejo humano e deram origem a quase 2 mil animais. Mais de um século depois, análises do DNA das vacas da Ilha de Amsterdã indicaram que a diversidade genética existente no pequeno grupo fundador teve papel importante nessa história.
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DNA das vacas da Ilha de Amsterdã revelou duas origens genéticas
A história começou quando um fazendeiro francês deixou cinco bovinos na pequena ilha vulcânica. O projeto agrícola fracassou, mas os animais permaneceram no local e passaram a viver sem assistência veterinária, suplementação alimentar ou manejo humano.
Mesmo partindo de apenas cinco indivíduos, a população conseguiu crescer durante mais de um século até alcançar aproximadamente 2 mil cabeças.
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O tamanho reduzido do grupo inicial tornava o caso especialmente interessante para a genética.
Populações formadas por poucos animais podem apresentar consanguinidade elevada, perda de diversidade e maior risco de problemas associados ao isolamento.
Análises genéticas publicadas na revista científica Molecular Biology and Evolution mostraram, porém, que os cinco fundadores não pertenciam a uma única linhagem genética.
O sequenciamento apontou aproximadamente 73% de ancestralidade de bovinos taurinos europeus, semelhantes à raça Jersey.
Outros cerca de 27% estavam relacionados a zebus do Oceano Índico, próximos de populações de Madagascar e Mayotte.
Essa combinação fez com que os cinco animais carregassem uma variabilidade genética maior do que o número reduzido de fundadores poderia sugerir.
Rebanho chegou a apresentar consanguinidade próxima de 30%
A diversidade inicial não impediu o desenvolvimento da consanguinidade. Os pesquisadores encontraram níveis próximos de 30% no rebanho, um índice elevado para uma população originada de apenas cinco animais isolados.
Mesmo assim, os bovinos conseguiram manter uma população numerosa.
Segundo os pesquisadores citados no material, o rápido crescimento nas primeiras gerações ajudou a conservar parte da diversidade existente nos animais fundadores antes que o isolamento provocasse perdas maiores.
O caso mostra, portanto, que a quantidade inicial de animais não explica sozinha a trajetória da população.
A composição genética dos fundadores também foi determinante para a diversidade disponível nas gerações seguintes.
Mudanças apareceram em genes ligados ao comportamento e à cognição
As análises também permitiram avaliar uma hipótese antiga sobre possíveis mudanças no tamanho dos animais depois de várias gerações vivendo isolados em uma ilha.
Os dados genéticos não forneceram evidências suficientes para confirmar o chamado “nanismo insular”. A interpretação apresentada pelos pesquisadores é que os próprios animais fundadores provavelmente já tinham porte relativamente reduzido.
As alterações mais relevantes foram identificadas em genes relacionados ao sistema nervoso, comportamento e cognição.
Ao longo das gerações, os animais passaram por um processo de feralização. Bovinos originalmente domésticos desenvolveram características comportamentais associadas à sobrevivência sem intervenção humana, tornando-se mais independentes e adaptados à vida naquele ambiente.
Os resultados ampliam o entendimento sobre como características herdadas e mudanças relacionadas ao comportamento podem participar da adaptação de uma população mantida em isolamento por muitas gerações.
Crescimento do rebanho terminou em conflito com a conservação da ilha
A expansão das vacas da Ilha de Amsterdã, entretanto, também trouxe consequências ambientais.
Ao longo do século XX, o crescimento da população bovina passou a representar uma ameaça para a vegetação nativa e espécies endêmicas existentes na ilha.
As autoridades francesas decidiram eliminar gradualmente o rebanho. O processo foi concluído em 2010, encerrando a presença dos bovinos que havia começado com os cinco animais deixados no local em 1871.
As amostras de DNA preservadas permitiram posteriormente estudar a origem genética, a consanguinidade e as transformações ocorridas na população.
Assim, mesmo depois da retirada dos animais, o rebanho continuou fornecendo informações sobre como um grupo fundador extremamente pequeno conseguiu atingir quase 2 mil indivíduos e permanecer isolado durante mais de um século.
Esta matéria foi elaborada com base nas informações do material-base e no estudo publicado na revista Molecular Biology and Evolution, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
Fonte
https://www.comprerural.c
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

