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Cisco se une à Supermicro e Nvidia para ampliar fábrica de IA com servidores refrigerados a líquido capazes de operar modelos com trilhões de parâmetros

Cisco se une à Supermicro e Nvidia para ampliar fábrica de IA com servidores refrigerados a líquido capazes de operar modelos com trilhões de parâmetros

7 min de leitura

Cisco se une à Supermicro e Nvidia para ampliar fábrica de IA com servidores refrigerados a líquido capazes de operar modelos com trilhões de parâmetros

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 27/08/2026 às 13:39

Atualizado em 27/08/2026 às 13:51

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Nova arquitetura combina servidores de alta densidade, GPUs Nvidia, redes da Cisco e refrigeração líquida para enfrentar uma das maiores expansões de data centers da história

A Cisco fechou uma parceria com a Supermicro para ampliar sua infraestrutura de inteligência artificial baseada em tecnologias da Nvidia, incorporando servidores de alta densidade e sistemas refrigerados a líquido. A novidade permitirá atender cargas de IA ainda maiores e começará a chegar ao mercado em outubro de 2026, conforme informações publicadas pelo UOL, a partir de conteúdo do Estadão.

O movimento vai além da simples adição de novos servidores. A Cisco pretende integrar computação, redes, segurança, monitoramento e refrigeração em uma mesma arquitetura. Dessa forma, empresas poderão implantar estruturas capazes de executar desde inferência de IA até o treinamento de modelos com trilhões de parâmetros.

A expansão acontece justamente quando o avanço da inteligência artificial aumenta a demanda por GPUs, eletricidade, refrigeração e redes de altíssimo desempenho. Segundo Jeetu Patel, presidente e diretor de Produtos da Cisco, o setor está no início de uma das maiores expansões de data centers da história.

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Cisco coloca servidores da Supermicro dentro de sua fábrica de IA

A estratégia gira em torno da chamada Cisco Secure AI Factory with NVIDIA, arquitetura criada para reunir os diferentes componentes necessários para operar inteligência artificial em escala empresarial.

Agora, a Supermicro acrescentará uma peça importante a essa estrutura: servidores de alta densidade com refrigeração a ar e a líquido.

Com isso, a Cisco poderá oferecer sistemas completos em escala de rack. Na prática, vários servidores, GPUs e equipamentos de rede passam a funcionar como uma grande infraestrutura integrada, em vez de componentes adquiridos e configurados separadamente.

Essa abordagem pretende simplificar a implantação de grandes clusters de inteligência artificial. Além disso, a empresa afirma que a infraestrutura será validada antes de chegar aos clientes, reduzindo riscos técnicos durante a instalação.

A estratégia acompanha uma corrida muito maior por infraestrutura tecnológica. Grandes companhias estão investindo em fábricas, data centers, energia e equipamentos físicos para sustentar a próxima fase da inteligência artificial.

Refrigeração líquida entra no centro da corrida pela inteligência artificial

Um dos pontos mais importantes da parceria é a refrigeração líquida.

Quanto maior a concentração de GPUs dentro de um rack, maior tende a ser o desafio para remover o calor produzido pelos equipamentos. Por isso, a refrigeração tornou-se uma parte estratégica da infraestrutura necessária para executar modelos avançados.

A nova arquitetura permitirá implantações refrigeradas a líquido do rack até a rede. Nesse cenário, equipamentos de networking da Cisco trabalharão junto aos servidores refrigerados da Supermicro.

Além disso, a solução terá acesso a sistemas densos de GPUs baseados em plataformas da Nvidia.

A própria Cisco destaca que energia e refrigeração já ajudam a determinar onde novas infraestruturas de IA podem ser instaladas. Portanto, aumentar poder computacional não significa apenas adicionar mais chips: também exige resolver os gargalos físicos criados por essa concentração de processamento.

Sistemas poderão trabalhar com modelos de trilhões de parâmetros

A escala prevista chama atenção.

Segundo a Cisco, a arquitetura poderá atender aplicações que vão desde processamento na borda até modelos de treinamento com trilhões de parâmetros.

Entre as plataformas mencionadas pela companhia estão NVIDIA Vera Rubin NVL72 e NVIDIA HGX Rubin NVL8. A infraestrutura também combina switches Cisco Silicon One e equipamentos baseados em Nvidia Spectrum-X.

Assim, a empresa não pretende vender apenas poder bruto de processamento.

A proposta é conectar GPUs, servidores, armazenamento, redes, software, segurança e ferramentas de observabilidade em uma arquitetura única.

Esse tipo de integração se torna especialmente importante à medida que cresce a escala dos projetos de inteligência artificial. Quanto maior o cluster, mais complexa se torna a tarefa de identificar falhas, controlar desempenho e coordenar milhares de componentes.

Nvidia fornece a base de computação para a nova arquitetura

A Nvidia ocupa uma posição central na expansão.

A Cisco já trabalhava com a fabricante de chips em sua Secure AI Factory. Agora, a entrada dos sistemas da Supermicro amplia as opções de computação dentro da plataforma.

Além do hardware, a arquitetura utiliza o NVIDIA AI Enterprise, conjunto de softwares voltado à implantação e operação de aplicações de inteligência artificial.

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Por outro lado, a Cisco fornece uma parte relevante da infraestrutura de rede.

A companhia afirma ser a única parceira tecnológica da Nvidia a utilizar seus próprios switches de rede e seu sistema operacional de rede dentro de uma solução compatível com a arquitetura NVIDIA Cloud Partner.

Consequentemente, a disputa pela infraestrutura de IA envolve muito mais que as GPUs que normalmente concentram as atenções do mercado.

Redes, armazenamento, energia, refrigeração, software e segurança também precisam acompanhar o crescimento do poder computacional.

Cisco quer reduzir o risco de instalar enormes clusters de IA

Outro objetivo da parceria é diminuir a complexidade enfrentada pelas empresas.

Montar uma infraestrutura de inteligência artificial de grande escala exige que servidores, chips, redes e softwares funcionem juntos. Entretanto, uma configuração inadequada pode limitar o desempenho mesmo quando há GPUs extremamente poderosas disponíveis.

Por isso, Cisco e seus parceiros pretendem fornecer sistemas previamente validados.

A companhia também anunciou novos serviços de validação de infraestrutura. Eles verificarão se os equipamentos foram instalados conforme o projeto original e se seguem as arquiteturas de referência previstas.

Além disso, a Cisco está investindo em um laboratório dedicado a IA em grande escala para desenvolver ferramentas e testar softwares associados a esses serviços.

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Nesse cenário, o objetivo é acelerar o período entre a chegada do equipamento e sua utilização efetiva.

A empresa também pretende integrar métricas de processamento, placas de rede, componentes ópticos e desempenho da rede. Dessa forma, operadores poderão observar diferentes partes da infraestrutura dentro do mesmo ambiente.

Parceria mira empresas, neoclouds e nuvens soberanas

A nova arquitetura não foi desenvolvida apenas para data centers corporativos tradicionais.

A Cisco também mira as chamadas neoclouds, empresas especializadas em oferecer infraestrutura de computação intensiva para inteligência artificial.

Outro mercado estratégico são as nuvens soberanas, estruturas projetadas para manter dados e processamento sob determinadas regras nacionais ou regionais.

A preocupação com controle dos dados aparece repetidamente no anúncio da Cisco. Afinal, organizações que treinam ou executam modelos próprios podem não querer transferir informações estratégicas para infraestruturas externas sem controle sobre onde elas são processadas.

Por isso, a companhia combina desempenho com segurança e observabilidade.

Ao mesmo tempo, o mercado começa a tratar capacidade computacional como infraestrutura estratégica. A própria Nvidia afirma que as chamadas fábricas de IA transformam computação em inteligência e, posteriormente, em valor econômico.

A expansão ocorre enquanto empresas de diferentes setores também destinam cifras enormes a novas operações de tecnologia e inteligência artificial.

Novos sistemas começam a ser oferecidos em outubro de 2026

Existe uma data concreta para a próxima etapa.

A Cisco informou que começará a oferecer as soluções computacionais da Supermicro dentro da Secure AI Factory with NVIDIA em outubro de 2026.

Isso significa que o anúncio feito em agosto ainda representa uma expansão da oferta, e não a confirmação de sistemas já implantados em clientes por meio dessa nova parceria.

Além disso, a companhia não divulgou no anúncio um valor financeiro para o acordo. Portanto, não há base para atribuir uma cifra bilionária específica à parceria.

Na manhã do anúncio, porém, houve reação positiva no mercado financeiro. Às 9h57, no horário de Brasília, as ações da Cisco avançavam 1,63% no pré-mercado de Nova York, enquanto os papéis da Supermicro subiam 2,56%, segundo a reportagem publicada pelo UOL.

A corrida da IA começa a transformar também os data centers

Durante boa parte da atual corrida da inteligência artificial, as GPUs ocuparam o centro das atenções. Porém, quanto mais poderosos ficam os modelos, mais evidente se torna outro desafio: é preciso construir uma enorme infraestrutura ao redor desses chips.

Energia, refrigeração, redes, segurança e armazenamento passam a determinar quanto poder computacional pode realmente ser colocado em funcionamento.

É justamente nesse ponto que Cisco, Supermicro e Nvidia pretendem atuar juntas.

A partir de outubro, a Cisco começará a oferecer uma arquitetura que combina servidores densos, refrigeração líquida e redes especializadas para suportar cargas gigantescas de IA.

Assim, a próxima disputa tecnológica pode não acontecer apenas dentro dos chips. Ela também estará nos racks, cabos, sistemas de refrigeração e data centers necessários para manter milhares de GPUs trabalhando ao mesmo tempo.

Fonte

UOL


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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