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Cobrador de ônibus acordou com R$ 15,5 bilhões depositados por erro da Caixa, avisou o banco, devolveu tudo e, depois de ter o cartão bloqueado, conseguiu indenização fixada em apenas R$ 1 mil

Cobrador de ônibus acordou com R$ 15,5 bilhões depositados por erro da Caixa, avisou o banco, devolveu tudo e, depois de ter o cartão bloqueado, conseguiu indenização fixada em apenas R$ 1 mil

8 min de leitura

Cobrador de ônibus acordou com R$ 15,5 bilhões depositados por erro da Caixa, avisou o banco, devolveu tudo e, depois de ter o cartão bloqueado, conseguiu indenização fixada em apenas R$ 1 mil

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 24/08/2026 às 13:54

Atualizado em 24/08/2026 às 13:55

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Jairo Xavier Evangelista recebeu R$ 15,5 bilhões por erro da Caixa, avisou imediatamente o banco, devolveu toda a fortuna e ainda enfrentou bloqueio do cartão antes de recorrer à Justiça.

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Jairo Xavier Evangelista recebeu R$ 15,5 bilhões por erro da Caixa, avisou imediatamente o banco, devolveu toda a fortuna e ainda enfrentou bloqueio do cartão antes de recorrer à Justiça.

Em abril de 2019, o cobrador de ônibus Jairo Xavier Evangelista, morador de Valparaíso de Goiás e trabalhador no Distrito Federal, abriu a conta bancária e encontrou um saldo praticamente inacreditável: R$ 15,5 bilhões haviam sido creditados por engano pela Caixa Econômica Federal.

Segundo o UOL, o próprio cliente procurou o banco para comunicar que aquela fortuna não lhe pertencia e permitir a correção da operação.

O dinheiro foi devolvido, mas o episódio não terminou com o estorno. Enquanto a Caixa solucionava o erro, o cartão de Jairo foi bloqueado e ele ficou dois dias sem conseguir movimentar normalmente o próprio dinheiro. Anos depois, o caso chegou à Justiça Federal.

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Jairo pediu R$ 10 mil por danos morais, mas uma sentença de 2022 fixou a reparação em apenas R$ 1 mil. Posteriormente, ele recorreu e, em reportagem de 2023, ainda não havia recebido o valor.

R$ 15,5 bilhões transformaram um cobrador de ônibus em bilionário por engano

A dimensão do erro é o primeiro elemento que torna o caso excepcional. Não se tratava de alguns milhares de reais transferidos à conta errada, mas de R$ 15,5 bilhões, quantia suficiente para colocar temporariamente Jairo entre pessoas com patrimônios bilionários.

O depósito apareceu em sua conta em um sábado de abril de 2019. De acordo com as reportagens do UOL e do R7, Jairo percebeu rapidamente que o saldo não poderia ser seu e entrou em contato com a instituição financeira para comunicar o problema.

A reação imediata é fundamental para entender o restante da história. Ele não tentou esconder a quantia, transferi-la para outra conta ou gastar parte do dinheiro. Pelo contrário, procurou o banco responsável pelo crédito e informou que havia ocorrido um erro.

O próprio cliente avisou a Caixa sobre o depósito bilionário

Segundo o UOL, a atendente confirmou que a operação havia sido equivocada e informou que o estorno ocorreria no próximo dia útil, já que o caso aconteceu durante o fim de semana.

A princípio, a situação parecia encaminhada. O dinheiro continuaria parado e a instituição simplesmente corrigiria o lançamento quando o expediente bancário fosse retomado.

O problema apareceu porque, durante o processo, Jairo ficou impossibilitado de utilizar normalmente serviços vinculados à conta.

A instituição adotou medidas de segurança enquanto o valor bilionário permanecia registrado, e o cobrador afirmou que não foi informado de maneira adequada sobre as consequências para seu cartão.

Ele descobriu o bloqueio quando tentou abastecer o carro

Um dos momentos centrais do processo ocorreu fora da agência bancária. Jairo relatou que tentou abastecer o veículo e teve o pagamento recusado porque o cartão estava bloqueado.

A situação tornou-se ainda mais incomum: embora tivesse R$ 15,5 bilhões aparecendo em sua conta, não conseguia utilizar nem mesmo os recursos que realmente pertenciam a ele.

A defesa do cobrador afirmou no processo que o bloqueio provocou transtornos durante o fim de semana. Entre as alegações estavam a impossibilidade de abastecer o veículo, sacar dinheiro e realizar compras normalmente.

A fortuna errada ficou na conta durante um fim de semana

Como o depósito apareceu em um sábado, a regularização não ocorreu imediatamente. Segundo a documentação reproduzida pelas reportagens, a instituição informou que o valor seria retirado no próximo dia útil.

O processo judicial posteriormente indicou que Jairo ficou cerca de dois dias sem conseguir utilizar normalmente o cartão. A duração acabou sendo decisiva na avaliação do tamanho do dano moral sofrido pelo cliente.

Embora dois dias pareçam pouco diante dos anos que a disputa judicial consumiria, foram suficientes para gerar o episódio que levou o cobrador a buscar reparação.

O problema, segundo ele, não era apenas o depósito incorreto, mas ter sido prejudicado pelas medidas adotadas para corrigir uma falha que não havia causado.

Jairo percorreu cerca de 40 quilômetros para resolver o problema

O R7 informou que Jairo morava em Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, e precisou se deslocar até uma agência em Taguatinga, região administrativa de Brasília.

A distância citada pela reportagem era de aproximadamente 40 quilômetros. O cobrador relatou que enfrentou fila e passou a manhã na agência até a situação ser solucionada e os R$ 15,5 bilhões serem definitivamente devolvidos.

Ele também afirmou que precisou lidar com dificuldades relacionadas ao trabalho e aos custos do deslocamento. Essas alegações, porém, posteriormente se tornariam um ponto central da decisão judicial, porque o juiz considerou insuficientes as provas apresentadas sobre parte dos prejuízos descritos.

Depois de devolver R$ 15,5 bilhões, ele decidiu processar o banco

O depósito aconteceu em 2019. Em 2020, Jairo entrou na Justiça pedindo reparação pelos transtornos causados pelo episódio.

O valor solicitado era extremamente pequeno quando colocado ao lado da fortuna que havia transitado por sua conta: R$ 10 mil por danos morais. Ele sustentava que havia passado por constrangimentos e dificuldades por causa do erro operacional e do bloqueio.

A ação acabou analisada pela Justiça Federal. O processo foi julgado pelo juiz Leonardo Tocchetto Pauperio, da Subseção Judiciária de Luziânia, em Goiás, vinculada ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Justiça reconheceu que houve falha do banco

A decisão não afastou a responsabilidade da instituição financeira pelo episódio. Segundo o conteúdo da sentença reproduzido pelo UOL e pelo R7, o magistrado reconheceu como evidente a falha na prestação do serviço relacionada ao crédito de uma quantia que não pertencia ao cliente.

O ponto de divergência estava na extensão do dano. Jairo afirmou que perdeu compromissos, enfrentou problemas para abastecer o carro e teve dificuldades ligadas ao trabalho enquanto permaneceu sem conseguir utilizar o cartão.

O juiz observou, entretanto, que o extrato indicava um período de cerca de dois dias sem uso e considerou que não foram apresentados elementos suficientes para comprovar todas as consequências alegadas pelo cobrador.

Ele pediu R$ 10 mil, mas a sentença fixou apenas R$ 1 mil

A consequência foi uma indenização muito abaixo da solicitada. Em 17 de agosto de 2022, a sentença fixou a reparação por danos morais em R$ 1 mil.

Segundo a decisão citada pelas reportagens, o magistrado avaliou que o valor era proporcional à extensão do dano efetivamente demonstrado no processo.

A diferença impressiona quando colocada ao lado dos outros números do caso. Jairo recebeu R$ 15,5 bilhões sem pedir, devolveu o dinheiro integralmente e buscou R$ 10 mil de indenização pelos transtornos. Em primeira instância, conseguiu o equivalente a apenas 0,01% do valor que havia solicitado como reparação.

A Caixa apresentou outra versão para o bloqueio da conta

O processo também registrou a defesa da Caixa Econômica Federal. Segundo o UOL, a instituição sustentou que o bloqueio não teria ocorrido indevidamente e relacionou a restrição a uma situação de inadimplência do cliente.

Essa versão divergia da narrativa apresentada pela defesa de Jairo, que vinculava os problemas enfrentados à operação bilionária creditada de maneira incorreta.

Ao ser procurada pelo UOL na época da publicação da sentença, a Caixa informou que não comentava ações judiciais em curso.

Apesar da divergência sobre os detalhes do bloqueio, a decisão judicial reconheceu que o crédito de R$ 15,5 bilhões que não pertenciam ao cliente representou falha da instituição.

O caso não terminou simplesmente com o pagamento dos R$ 1 mil

Reportagens publicadas inicialmente em 2022 trataram a indenização de R$ 1 mil como o resultado da ação. Uma atualização posterior, porém, acrescentou um detalhe importante.

Em agosto de 2023, o R7 voltou a entrevistar Jairo e informou que ele ainda não havia recebido os R$ 1 mil porque decidiu recorrer da decisão. Segundo o veículo, naquele momento o processo seguia em análise na Justiça Federal.

Por isso, a formulação mais precisa é dizer que a sentença fixou a indenização nesse valor, e não que o cobrador definitivamente embolsou R$ 1 mil e encerrou a disputa.

Quatro anos depois, ele continuava vivendo com cerca de dois salários mínimos

O reencontro do R7 com Jairo em 2023 produziu outra imagem marcante da história. O homem que havia visto R$ 15,5 bilhões em sua conta continuava levando uma vida financeira comum.

Na reportagem, ele afirmou viver com renda equivalente a aproximadamente dois salários mínimos e reconheceu enfrentar apertos financeiros. Ainda assim, disse não se arrepender de ter devolvido a fortuna depositada por engano.

Jairo afirmou que, caso a mesma situação se repetisse, tomaria novamente a decisão de devolver o dinheiro. Para ele, a honestidade adotada diante do erro bancário continuava sendo motivo de satisfação, apesar de toda a confusão posterior.

O valor era tão alto que ultrapassava fortunas construídas durante uma vida inteira

Os R$ 15,5 bilhões são importantes não apenas pela quantidade de zeros. O episódio colocou durante um curto período na conta de um trabalhador assalariado uma soma equivalente ao patrimônio acumulado por grandes empresários.

A dimensão também explica por que a instituição financeira precisou reagir rapidamente. Um lançamento incorreto dessa magnitude exige correção e controles internos capazes de impedir que recursos sejam movimentados enquanto a inconsistência é analisada.

Para Jairo, contudo, a experiência produziu um paradoxo: ele passou alguns dias formalmente associado a um saldo bilionário, mas ficou temporariamente sem conseguir usar o cartão para despesas comuns.

Uma fortuna de R$ 15,5 bilhões terminou em uma disputa por R$ 1 mil

O episódio começou com um número capaz de transformar qualquer pessoa em bilionária no extrato e terminou em uma discussão judicial sobre uma indenização milhares de vezes menor.

Jairo Xavier Evangelista recebeu R$ 15,5 bilhões por erro da Caixa, comunicou espontaneamente o problema, devolveu toda a quantia e depois processou a instituição pelos transtornos que afirmou ter enfrentado enquanto o cartão estava bloqueado.

A Justiça reconheceu falha na prestação do serviço, mas considerou limitada a extensão do dano comprovado e fixou R$ 1 mil de reparação.

A história ganhou uma última reviravolta quando o próprio cobrador decidiu não aceitar aquele valor como encerramento do caso e apresentou recurso. Assim, o homem que por alguns dias teve bilhões disponíveis em seu nome não tentou ficar com a fortuna.

O dinheiro voltou para o banco, enquanto a discussão que restou girou em torno de uma quantia que representava uma fração quase invisível daquele depósito gigantesco.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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