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Cobradora de ônibus de 27 anos estudou leis na catraca durante o expediente, assistiu a videoaulas à noite, passou no concurso de escrevente do TJSP e esperava receber um salário quatro vezes maior para retomar Direito e ajudar a família

Cobradora de ônibus de 27 anos estudou leis na catraca durante o expediente, assistiu a videoaulas à noite, passou no concurso de escrevente do TJSP e esperava receber um salário quatro vezes maior para retomar Direito e ajudar a família

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Cobradora de ônibus de 27 anos estudou leis na catraca durante o expediente, assistiu a videoaulas à noite, passou no concurso de escrevente do TJSP e esperava receber um salário quatro vezes maior para retomar Direito e ajudar a família

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 13/08/2026 às 14:10

Atualizado em 13/08/2026 às 14:35

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Cobradora de ônibus estudou na catraca, passou no concurso do TJSP, tomou posse como escrevente e abriu caminho para retomar Direito e ajudar a família.

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Luana Farias Rocha conciliou cinco anos como cobradora de ônibus, jornadas que chegavam a 13 horas nos fins de semana e oito meses de preparação. Nomeada em 2022, tomou posse no TJSP em janeiro de 2023 e passou a atuar como escrevente técnico judiciário no Foro Regional de Santo Amaro.

A cobradora de ônibus Luana Farias Rocha tinha 27 anos quando recebeu a nomeação no concurso do TJSP, em novembro de 2022. Até aquele momento, dividia os dias entre a catraca de linhas da zona sul de São Paulo, a preparação para provas e a vontade de retomar a graduação em Direito, interrompida depois de cinco semestres.

A posse ocorreu em janeiro de 2023. No mês seguinte, o próprio tribunal registrou que ela já atuava como escrevente técnico judiciário no 6º Ofício da Família e Sucessões do Foro Regional de Santo Amaro, encerrando cinco anos no transporte coletivo e iniciando uma nova etapa profissional.

Trabalho no transporte começou por indicação do pai

Cobradora de ônibus estudou na catraca, passou no concurso do TJSP, tomou posse como escrevente e abriu caminho para retomar Direito e ajudar a família.

O pai de Luana Farias Rocha trabalhava como motorista de ônibus e a indicou para uma vaga quando a situação financeira da família apertou. A jovem começou na linha Terminal Grajaú-Metrô Brás e depois passou para o trajeto Grajaú-Jabaquara, sempre na zona sul da capital paulista.

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Como cobradora de ônibus, cumpria oito horas diárias durante a semana e chegava a trabalhar de 12 a 13 horas nos fins de semana. Ela também relatou hostilidade contra a profissão, embora destacasse que o cobrador auxilia passageiros com mobilidade reduzida, apoia o motorista, mantém a organização do coletivo e recebe pagamentos em dinheiro. O trabalho sustentava a casa, mas Luana buscava uma mudança que ampliasse as possibilidades da família.

Catraca virou mesa de estudo nos momentos de menor movimento

Quando o fluxo de passageiros diminuía, Luana Farias Rocha aproveitava a catraca para ler pelo celular as leis exigidas no concurso do TJSP. Ela grifava trechos, repetia conteúdos e resolvia questões por aplicativos, mesmo dentro de um ambiente barulhento e sujeito a interrupções constantes.

À noite, a cobradora de ônibus assistia a videoaulas de raciocínio lógico e matemática, disciplinas que considerava mais difíceis, enquanto estudava Direito diretamente nos textos legais. Na fase mais intensa, a preparação superava seis horas diárias e começou cerca de oito meses antes da prova. O método foi dividido entre teoria no ônibus, exercícios no celular e videoaulas em casa.

Reprovação em 2017 não encerrou o plano de entrar no TJSP

Cobradora de ônibus estudou na catraca, passou no concurso do TJSP, tomou posse como escrevente e abriu caminho para retomar Direito e ajudar a família.

Luana Farias Rocha já havia tentado uma seleção do tribunal no interior paulista em 2017, mas não conseguiu aprovação. Em vez de abandonar o objetivo, manteve o plano até a abertura do concurso do TJSP de 2021, quando voltou à disputa com uma preparação mais estruturada.

O processo não terminou na prova objetiva. Houve ainda avaliação prática de digitação e etapas médicas relacionadas à inscrição como candidata com deficiência, por visão monocular, antes da nomeação. A aprovação exigiu superar fases sucessivas depois de anos conciliando trabalho, estudo e faculdade de Direito.

Nomeação levou Luana ao Foro Regional de Santo Amaro

A nomeação foi anunciada em novembro de 2022, e a posse veio em janeiro de 2023. Aos 28 anos, Luana Farias Rocha passou a trabalhar como escrevente técnico judiciário no 6º Ofício da Família e Sucessões do Foro Regional de Santo Amaro.

No novo cargo, deixou a rotina da catraca para atuar na estrutura administrativa do Judiciário. O TJSP registrou que o início havia sido acolhedor e, ao mesmo tempo, desafiador para a nova escrevente. A transição confirmou que a nomeação não ficou apenas no papel e se transformou em exercício efetivo.

Salário esperado ampliava os planos de retomar Direito

Antes da posse, Luana estimou que o salário do novo cargo seria cerca de quatro vezes superior ao que recebia como cobradora de ônibus. A mudança representava uma diferença relevante para uma família que vinha enfrentando orçamento apertado.

Entre os planos estavam retomar a graduação em Direito, interrompida depois de cinco semestres, e usar a nova renda para proporcionar experiências aos pais. Ela mencionou o desejo de pagar um cruzeiro para a mãe e viajar com o pai. A remuneração aparecia como meio para continuar estudando e dividir a conquista com a família.

Leitura e escola pública prepararam uma parte silenciosa da prova

Cobradora de ônibus estudou na catraca, passou no concurso do TJSP, tomou posse como escrevente e abriu caminho para retomar Direito e ajudar a família.

Luana Farias Rocha estudou sempre em escola pública e manteve desde cedo uma relação intensa com os livros. Entre 2015 e 2016, escreveu o romance O colar de Lis, experiência que ampliou seu repertório antes mesmo de o concurso do TJSP se tornar o objetivo principal.

Ela atribuiu a esse hábito o desempenho máximo nas questões de português. A trajetória profissional também começou cedo, com passagens por lanchonete e recepção antes dos cinco anos como cobradora de ônibus. O resultado reuniu leitura acumulada, material gratuito, apoio familiar e uma seleção pública acessível a candidatos com ensino médio.

Concurso abriu uma nova carreira e manteve os estudos no horizonte

O edital do concurso do TJSP foi publicado em 2021 e o resultado foi homologado em 2022. Até dezembro daquele ano, o tribunal contabilizava 1.323 novos servidores efetivos ingressando pelo certame, entre vagas na capital e no interior, incluindo o cargo de escrevente técnico judiciário.

No caso de Luana Farias Rocha, a entrada no TJSP também permitiu recolocar a graduação em Direito entre os planos possíveis. A catraca deixou de ser o lugar onde ela tentava encaixar o estudo e passou a representar o ponto de partida de uma carreira diferente.

Para você, o que mais pesa para quem precisa trabalhar enquanto se prepara: falta de tempo, cansaço, acesso a material ou apoio da família? Conte nos comentários qual barreira deveria ser enfrentada primeiro.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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