O cofre de Plácido de Castro, guardado por 20 anos no Museu da Força Expedicionária Brasileira de São Gabriel, no Rio Grande do Sul, permaneceu lacrado até que sete horas de trabalho técnico fizeram essa história voltar à luz.
A operação teve início a partir de uma demanda da Secretaria de Estado de Administração (SEAD), responsável pelo Arquivo Público do Acre, e foi conduzida pela chefe do arquivo, Cleilda Dias. O trabalho técnico ficou a cargo da gestão de museus da URCAMP, com o apoio da Reitoria da Universidade.
O secretário Paulo Roberto destacou a importância da descoberta para a memória acreana. “A abertura desse cofre é muito importante para a história do Acre e para a história do Brasil, porque são documentos ligados a Plácido de Castro e à própria Revolução. E a partir desses documentos nós podemos entender novas informações do que aconteceu naquele período”, afirmou.
Segundo a chefe do Arquivo Público do Acre, Cleilda Dias, o acervo reúne registros produzidos no mesmo período em que o Acre se consolidava como território brasileiro. “Entre os documentos encontrados estão também documentos ligados a Plácido de Castro e à Revolução Acreana. São registros que foram produzidos no próprio período em que o Acre se consolidava no território do Brasil”, explicou.
Ela contou ainda que o material inclui correspondências trocadas entre Plácido de Castro e o coronel boliviano Rosendo Rojas, além de cópias do inquérito sobre a emboscada que resultou na morte do líder revolucionário. “Também foram encontradas cartas trocadas por Plácido de Castro e pelo coronel boliviano Rosendo Rojas. Ele mandou várias cartas para Plácido de Castro e essas cartas estão nesse acervo documental também. Tem também a rota de retirada das forças bolivianas e cópias do inquérito sobre a emboscada que resultou na morte de Plácido de Castro”, detalhou.
Entre as raridades reencontradas está o Hino do Acre, escrito à mão em 1903 pelo médico e poeta Francisco Cavalcanti Mangabeira, no Seringal do Capatará, justamente no período em que se consolidava a incorporação do território ao Brasil.
Para o historiador Alexandre Damasceno, do Arquivo Público, a abertura do cofre abre novas possibilidades de pesquisa sobre a formação do estado. “É um cofre que estava há 20 anos fechado. E a abertura desse cofre representa para a gente uma forma de também trazer a história do Acre, uma parte da história do Acre que saiu daqui para perto dos acreanos novamente, que vai poder ser estudada pelos pesquisadores daqui da Universidade Federal do Acre, por outros historiadores. E não são só documentos antigos, é uma parte da nossa história que está voltando para a gente”, ressaltou.
Os documentos originais permanecerão sob a guarda de São Gabriel, mas o Acre poderá reproduzir o acervo e incorporá-lo ao seu Arquivo Público.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

