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Colosso espacial da NASA com 47 metros cruza quase 8 mil quilômetros sobre uma barcaça, atravessa o Canal do Panamá e avança por 26 quilômetros de ruas fechadas em Los Angeles até chegar ao California Science Center em uma operação gigantesca

Colosso espacial da NASA com 47 metros cruza quase 8 mil quilômetros sobre uma barcaça, atravessa o Canal do Panamá e avança por 26 quilômetros de ruas fechadas em Los Angeles até chegar ao California Science Center em uma operação gigantesca

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Colosso espacial da NASA com 47 metros cruza quase 8 mil quilômetros sobre uma barcaça, atravessa o Canal do Panamá e avança por 26 quilômetros de ruas fechadas em Los Angeles até chegar ao California Science Center em uma operação gigantesca

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 05/08/2026 às 13:48

Ciência e Tecnologia

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Endeavour STS-134 da NASA na plataforma de lançamento no Kennedy Space Flight Center, na Flórida. A estrutura laranja atrás do ônibus espacial é um tanque de combustível externo. Crédito: NASA

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O tanque espacial ET-94, da NASA, deixou a Louisiana sobre uma barcaça, percorreu cerca de 8 mil quilômetros pelo mar, atravessou o Canal do Panamá e enfrentou 26 quilômetros de ruas fechadas até chegar ao California Science Center.

Uma estrutura laranja de quase 47 metros de comprimento deixou as instalações da NASA em Nova Orleans, atravessou o Golfo do México e passou pelo Canal do Panamá antes de alcançar a costa da Califórnia. Era o ET-94, último tanque externo remanescente do programa dos ônibus espaciais norte-americanos.

Depois da viagem marítima de aproximadamente 8 mil quilômetros, o tanque ainda precisou percorrer 26,5 quilômetros pelas ruas de Los Angeles e Inglewood. O transporte ocorreu em 21 de maio de 2016 e terminou no California Science Center, onde a peça seria reunida ao ônibus espacial Endeavour e a dois propulsores reais.

ET-94 possui quase 47 metros de comprimento

O ET-94 mede aproximadamente 154 pés, equivalentes a 46,9 metros de comprimento. Seu diâmetro chega a 27,5 pés, pouco mais de 8,3 metros, dimensão comparável à largura de uma construção de vários andares.

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A NASA informou um peso aproximado de 69 mil libras, cerca de 31 toneladas, para o tanque. Outra publicação do Laboratório de Propulsão a Jato descreveu a estrutura com mais de 65 mil libras, diferença ligada às configurações usadas em cada referência.

Crédito: NASA/JPL-Caltech/David Seidel

Deitado sobre a plataforma de transporte, o tanque ocupava aproximadamente metade do comprimento de um campo de futebol americano. Embora fosse mais estreito e mais leve que o Endeavour, o ET-94 era mais comprido que o próprio ônibus espacial.

Tanque externo alimentava os motores do ônibus espacial

Durante os lançamentos, o tanque externo armazenava hidrogênio líquido e oxigênio líquido em temperaturas extremamente baixas. Esses dois produtos alimentavam os três motores principais instalados na parte traseira do ônibus espacial.

Além de guardar os combustíveis, a estrutura funcionava como a espinha dorsal do conjunto. O ônibus espacial era preso de um lado, enquanto os dois grandes propulsores de combustível sólido eram instalados nas laterais.

O tanque também precisava suportar e distribuir mais de 7 milhões de libras de empuxo produzidas durante a decolagem. Sem essa peça central, o ônibus espacial não teria combustível suficiente para alcançar o espaço.

Tanques eram descartados depois de cada lançamento

O tanque externo era a única parte principal do sistema que não retornava para ser reutilizada. Aproximadamente oito minutos e meio depois da decolagem, ele já estava vazio e era separado do ônibus espacial.

Após a separação, a estrutura voltava para a atmosfera e era destruída. Por esse motivo, os tanques usados em missões espaciais não foram recuperados para exposição em museus.

A NASA afirma que 135 tanques externos participaram de voos durante o programa. O ET-94 sobreviveu porque nunca foi lançado, tornando-se uma das poucas peças capazes de representar essa parte gigantesca do sistema.

ET-94 foi construído, mas nunca chegou ao espaço

O ET-94 pertence à geração conhecida como Lightweight Tank, ou tanque leve. Ele foi fabricado na Michoud Assembly Facility, unidade da NASA localizada nos arredores de Nova Orleans, no estado da Louisiana.

Antes de chegar sua vez de ser usado, o programa adotou um tanque superleve produzido com materiais e métodos mais avançados. A nova versão reduzia o peso em mais de 7 mil libras e permitia transportar cargas maiores.

O ET-94 também precisaria receber modificações para atender às novas exigências de segurança. Por isso, deixou de ser uma opção prática para lançamento e passou a ser utilizado em testes e estudos técnicos.

Endeavour STS-134 da NASA na plataforma de lançamento no Kennedy Space Flight Center, na Flórida. A estrutura laranja atrás do ônibus espacial é um tanque de combustível externo. Crédito: NASA

Estrutura ajudou na investigação do acidente da Columbia

O tanque ET-94 foi construído ao lado do ET-93, utilizado na última missão do ônibus espacial Columbia. Durante o lançamento de 2003, um pedaço do revestimento isolante do ET-93 se soltou e atingiu a asa esquerda da nave.

O dano provocou a perda do Columbia durante a reentrada na atmosfera e causou a morte dos sete tripulantes. Depois do acidente, engenheiros analisaram o ET-94 porque sua construção era semelhante à do tanque envolvido.

Partes da espuma isolante foram removidas para exames. O tanque também serviu para validar mudanças nos processos e ajudar a NASA a preparar o retorno dos ônibus espaciais aos voos em 2005.

Último tanque deixou a fábrica da NASA em abril de 2016

Depois do encerramento do programa dos ônibus espaciais, a NASA decidiu transferir o ET-94 para o California Science Center. A despedida oficial ocorreu em 12 de abril de 2016 na Michoud Assembly Facility.

O tanque foi retirado do local onde havia permanecido durante anos e colocado sobre uma barcaça de transporte comercial. O destino final ficava no outro lado dos Estados Unidos, mas não existia uma rota terrestre simples para uma carga com quase 47 metros.

A solução foi realizar quase toda a viagem pela água. Em vez de cruzar o território norte-americano por estradas e pontes, a barcaça seguiu para o sul e iniciou uma longa navegação ao redor do continente.

Barcaça atravessou o Golfo do México e o Canal do Panamá

A primeira etapa levou o ET-94 da Louisiana até o Golfo do México. A estrutura permaneceu deitada e presa ao convés para suportar o movimento causado pelas ondas durante a viagem.

Barcaça atravessou o Golfo do México e o Canal do Panamá

A barcaça seguiu em direção ao Canal do Panamá, passagem artificial que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico. Sem o canal, o comboio teria de contornar toda a América do Sul para alcançar a costa oeste.

Depois de atravessar as eclusas panamenhas, o tanque entrou no Oceano Pacífico e continuou para o norte. A rota passou pela costa mexicana antes de alcançar o sul da Califórnia.

Viagem marítima superou 5 mil milhas

A NASA informou que o ET-94 percorreu mais de 5 mil milhas entre Nova Orleans e Los Angeles. A distância corresponde a pouco mais de 8 mil quilômetros, considerando toda a rota marítima realizada pela barcaça.

A viagem começou em 12 de abril e alcançou Marina del Rey em 18 de maio de 2016. O percurso completo levou mais de um mês e incluiu a travessia do canal e uma parada na região de San Diego.

Os tanques externos normalmente eram transportados de barcaça entre a fábrica de Nova Orleans e o Centro Espacial Kennedy, na Flórida. A operação até Los Angeles foi muito mais longa porque exigiu alcançar a costa do Pacífico.

Chegada a Marina del Rey iniciou a etapa mais delicada

O ET-94 chegou a Marina del Rey na manhã de 18 de maio. A entrada da enorme estrutura no porto atraiu moradores e visitantes interessados em observar uma peça do programa espacial avançando entre embarcações comuns.

A retirada do tanque exigiu aproximar a barcaça da área preparada para o transporte terrestre. Equipamentos especiais transferiram a estrutura para uma plataforma com vários eixos e rodas.

O comboio permaneceu no porto enquanto as equipes realizavam verificações e preparavam a rota. Três dias depois, o tanque iniciou a última viagem até o California Science Center.

Ruas de Los Angeles foram fechadas para o tanque espacial

O deslocamento urbano começou em 21 de maio de 2016. A rota entre Marina del Rey e o museu possuía 16,5 milhas, equivalentes a aproximadamente 26,5 quilômetros.

As ruas não haviam sido projetadas para uma estrutura com quase 47 metros de comprimento e mais de oito metros de diâmetro. O tanque precisava passar por cruzamentos, semáforos, cabos e áreas residenciais.

Trechos foram fechados para impedir a aproximação de veículos. Equipes de segurança e logística acompanharam o comboio, enquanto milhares de pessoas observaram a passagem pelas calçadas.

Transportador avançou lentamente por 26 quilômetros

A velocidade precisava ser baixa para permitir correções durante curvas e cruzamentos. Cada mudança de direção exigia espaço suficiente para que a parte traseira do tanque não atingisse postes, construções ou equipamentos urbanos.

O tamanho criava um desafio diferente daquele enfrentado pelo Endeavour em 2012. O ônibus espacial possuía asas muito largas, enquanto o ET-94 apresentava um corpo mais estreito, porém consideravelmente mais comprido.

Deitado sobre a plataforma, o conjunto alcançava uma altura próxima à de um prédio de três andares. A equipe precisava observar tanto o espaço lateral quanto os objetos instalados acima da rua.

Multidão acompanhou a passagem do colosso espacial

A operação transformou as ruas de Los Angeles e Inglewood em uma longa área de observação. Pessoas ocuparam calçadas, esquinas e pontos elevados para fotografar o tanque laranja.

A viagem foi registrada pelo fotógrafo Gil Garcetti, que acompanhou o transporte desde a Louisiana. Parte desse trabalho foi posteriormente reunida em uma exposição com 30 fotografias no California Science Center.

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A chegada chamou atenção porque o público estava vendo uma peça normalmente associada a imagens de lançamentos espaciais. Fora da base da NASA, o tanque parecia ainda maior diante das casas, carros e estabelecimentos comerciais.

ET-94 chegou ao California Science Center

Depois de atravessar os 26,5 quilômetros, o tanque entrou no complexo do California Science Center, em Exposition Park. A chegada encerrou a operação iniciada mais de um mês antes em Nova Orleans.

plataforma da NASA/Divulgação

A estrutura passou a integrar a coleção que já possuía o Endeavour. O objetivo era reconstruir um conjunto completo do ônibus espacial na mesma posição vertical usada nos lançamentos.

Além do orbitador e do tanque, a instalação recebeu dois propulsores sólidos verdadeiros. Nenhum outro museu havia reunido todas essas peças reais em uma configuração completa de lançamento.

Tanque foi restaurado depois dos testes da NASA

O ET-94 chegou com várias áreas da espuma removidas durante os estudos realizados após o acidente da Columbia. As marcas mais claras na superfície mostravam os locais onde amostras haviam sido retiradas.

Para preparar a exposição, equipes restauraram o aspecto externo da peça. O trabalho precisava reconstruir as áreas alteradas sem esconder completamente a importância histórica dos testes realizados pela NASA.

A cor laranja não vinha de uma pintura decorativa. Ela era produzida pelo próprio revestimento isolante, que protegia os tanques internos e mudava de tonalidade quando exposto à luz.

Endeavour foi levantado e conectado ao ET-94

Em janeiro de 2024, o ET-94 foi erguido para iniciar a montagem vertical. Poucos dias depois, o ônibus espacial Endeavour também foi levantado e conectado ao tanque dentro da futura área de exposição.

A operação colocou o conjunto em uma posição semelhante à encontrada nas plataformas de lançamento. Os dois propulsores sólidos foram instalados ao lado do tanque para sustentar a configuração completa.

A montagem alcança aproximadamente 20 andares de altura. Pela primeira vez desde o encerramento do programa, um ônibus espacial verdadeiro voltou a aparecer conectado a um tanque externo e a propulsores reais.

Operação termina com abertura prevista para novembro de 2026

O conjunto fará parte do Samuel Oschin Air and Space Center, nova área do California Science Center dedicada à aviação e à exploração espacial. O espaço terá mais de 100 artefatos importantes e cerca de 100 exposições interativas.

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A abertura ao público está marcada para 13 de novembro de 2026. Os visitantes poderão observar o Endeavour, o ET-94 e os propulsores na posição vertical, como se o conjunto estivesse preparado para deixar a Terra.

A viagem do tanque terminou em 2016, mas sua montagem definitiva exigiu vários anos de planejamento e construção. O colosso que atravessou o Canal do Panamá e fechou ruas de Los Angeles tornou-se a peça central de uma exposição espacial única no mundo


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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