Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Com 284 metros, 66 mil toneladas e espaço para até 1.600 militares a bordo, o HMS Queen Elizabeth está entre os maiores porta-aviões da Marinha Britânica, projetado para operar caças F-35B e levar poder a quilômetros de distância

Com 284 metros, 66 mil toneladas e espaço para até 1.600 militares a bordo, o HMS Queen Elizabeth está entre os maiores porta-aviões da Marinha Britânica, projetado para operar caças F-35B e levar poder a quilômetros de distância

10 min de leitura

Com 284 metros, 66 mil toneladas e espaço para até 1.600 militares a bordo, o HMS Queen Elizabeth está entre os maiores porta-aviões da Marinha Britânica, projetado para operar caças F-35B e levar poder a quilômetros de distância

Escrito por Ruth Rodrigues

Publicado em 24/08/2026 às 09:09

Atualizado em 24/08/2026 às 09:10

Curiosidades

Canal

Assista o vídeo
O HMS Queen Elizabeth é um porta-aviões britânico de 284 metros projetado para operar F-35B, helicópteros e missões de projeção de poder. (Imagem meramente ilustrativa gerada por IA)

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

O HMS Queen Elizabeth é um porta-aviões britânico de 284 metros projetado para operar F-35B, helicópteros e missões de projeção de poder.

Com 284 metros de comprimento, nove conveses abaixo do convés de voo e estrutura capaz de operar caças, helicópteros e veículos aéreos autônomos, o HMS Queen Elizabeth representa uma das maiores plataformas militares já construídas para a Marinha Real Britânica.

O navio foi concebido para atuar como núcleo de um grupo de ataque de porta-aviões, levando poder aéreo, tropas e sistemas de apoio a operações realizadas longe do território britânico. A embarcação não funciona apenas como pista flutuante.

Dentro do casco estão alojamentos, centro médico, capela, cinco academias e áreas destinadas a equipes responsáveis por aviação, comunicações, manutenção, segurança e apoio humanitário.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Quando as aeronaves estão embarcadas, o efetivo pode chegar a cerca de 1.600 pessoas, enquanto a tripulação básica gira em torno de 700 militares.

HMS Queen Elizabeth foi criado para levar caças F-35B ao mar

O coração operacional do navio está no convés de voo, cuja área é descrita como equivalente a aproximadamente quatro acres. É dali que operam os F-35B Lightning II, caças desenvolvidos para decolagens curtas e pousos verticais, característica fundamental para um navio que não utiliza o mesmo sistema de catapultas encontrado em determinadas classes de porta-aviões.

A configuração aérea também inclui helicópteros Merlin, empregados em funções como guerra antissubmarino e alerta aéreo antecipado. A estrutura foi pensada para receber ainda aeronaves de asas rotativas de maior porte e veículos autônomos, permitindo adaptar a composição embarcada de acordo com a natureza da missão realizada pela Marinha Real.

Essa flexibilidade aparece também na capacidade de apoiar tropas. O HMS Queen Elizabeth possui acomodações para cerca de 250 fuzileiros navais e pode operar helicópteros destinados ao transporte de pessoal ou a missões de ataque, incluindo aeronaves de grande porte como os Chinook.

O objetivo é permitir que o navio desempenhe mais de uma função durante um destacamento. Além da aviação de combate, sua estrutura pode ser utilizada em operações anfíbias, missões de presença naval, apoio a aliados e ações humanitárias em regiões onde o acesso por terra seja limitado.

O HMS Queen Elizabeth é um porta-aviões britânico de 284 metros projetado para operar F-35B, helicópteros e missões de projeção de poder. Fonte: Bae Systems.

Duas ilhas dividem navegação e operações aéreas

Uma das características visuais mais incomuns do porta-aviões é a presença de duas superestruturas separadas sobre o convés. Diferentemente de projetos tradicionais, que concentram diferentes comandos em uma única “ilha”, a classe Queen Elizabeth distribui funções entre dois blocos independentes.

A estrutura dianteira é dedicada principalmente à navegação e às operações do navio, enquanto a ilha traseira concentra o controle de voo e das atividades aéreas. O arranjo também acrescenta redundância, já que uma estrutura pode assumir parte das funções da outra caso algum problema impeça o funcionamento normal de um dos centros.

A movimentação das aeronaves também foi planejada para ocorrer rapidamente entre o hangar e a superfície de operações. Segundo as informações apresentadas, quatro caças podem ser transferidos para o convés em aproximadamente um minuto, utilizando elevadores projetados para suportar aeronaves e equipamentos pesados.

Esse ritmo é importante porque a eficiência de um porta-aviões depende não apenas da quantidade de aviões transportados, mas da velocidade com que eles podem ser preparados, posicionados, lançados e recolhidos ao longo de uma operação.

Navio tem hélices de 33 toneladas e propulsão elétrica integrada

Mover uma estrutura desse porte exige um sistema de propulsão muito diferente daquele encontrado em embarcações menores. O HMS Queen Elizabeth utiliza propulsão elétrica integrada alimentada por dois alternadores ligados a turbinas a gás Rolls-Royce Marine MT30 de 36 MW e quatro motores diesel de 10 MW.

As duas hélices instaladas no navio pesam aproximadamente 33 toneladas cada. O sistema foi dimensionado para deslocar dezenas de milhares de toneladas pelo oceano e permitir que a embarcação mantenha velocidade compatível com operações de um grupo naval.

A velocidade indicada é de cerca de 25 nós, equivalentes a 46 km/h, enquanto os dados apresentados também mencionam testes em velocidade superior. O alcance informado chega a aproximadamente 10 mil milhas náuticas, ou cerca de 19 mil quilômetros.

Esses números ajudam a explicar por que o navio funciona como uma base móvel. Em vez de depender de aeroportos terrestres próximos ao local da operação, o Reino Unido consegue deslocar aeronaves, pessoal e infraestrutura de apoio pelo próprio oceano.

Construção mobilizou seis estaleiros britânicos

A dimensão do projeto tornou inviável construir todo o porta-aviões como uma única peça em um único local. A montagem foi dividida entre diferentes instalações industriais do Reino Unido, com grandes blocos produzidos separadamente e posteriormente transportados para Rosyth, na Escócia.

A construção começou em 2009 e envolveu nove blocos produzidos em seis estaleiros. Algumas seções pesavam milhares de toneladas e precisaram percorrer longas distâncias por mar antes de serem integradas ao casco principal no Firth of Forth.

Em 2011, por exemplo, um bloco inferior de aproximadamente 8 mil toneladas foi transportado de Glasgow até Rosyth. No ano seguinte, outra seção ainda maior, com cerca de 11 mil toneladas, realizou viagem semelhante ao redor da costa britânica.

O HMS Queen Elizabeth é um porta-aviões britânico de 284 metros projetado para operar F-35B, helicópteros e missões de projeção de poder. Fonte: Bae Systems.

O método permitiu distribuir a produção entre empresas e regiões diferentes, mas também exigiu uma complexa operação logística. Quando os blocos chegavam a Rosyth, eram posicionados e unidos até formar progressivamente o casco definitivo do HMS Queen Elizabeth.

Programa sofreu atrasos e aumento de custos

O projeto dos novos porta-aviões britânicos foi formalmente anunciado em 2007. Naquele momento, a previsão era que a primeira unidade entrasse em serviço em meados da década seguinte, com um orçamento inicial estimado em pouco mais de 4 bilhões de libras para dois navios.

A crise financeira internacional alterou esse planejamento. Em 2008, decisões políticas reduziram o ritmo de produção, provocando atrasos e adicionando custos ao programa. Nos anos seguintes, as estimativas subiram até alcançar cerca de 6,2 bilhões de libras para o conjunto das duas embarcações.

A entrada efetiva em serviço também foi adiada. O planejamento original sofreu sucessivas revisões até que o HMS Queen Elizabeth passou a ser considerado operacional apenas em 2020.

Essas mudanças mostram como grandes programas militares podem atravessar mais de uma década entre aprovação, construção, testes e entrada completa em serviço, especialmente quando envolvem tecnologias inéditas e integração de dezenas de sistemas diferentes.

Rainha Elizabeth II batizou o navio com uísque em vez de champanhe

Um dos momentos mais simbólicos ocorreu em 4 de julho de 2014, quando a rainha Elizabeth II participou da cerimônia de batismo do navio em Rosyth. Em lugar da tradicional garrafa de champanhe, foi utilizada uma garrafa de uísque produzido pela destilaria Bowmore, localizada na ilha escocesa de Islay.

Durante a cerimônia, a monarca afirmou que o navio representava uma nova fase da história naval britânica. O evento reuniu integrantes da família real, autoridades políticas, oficiais de alta patente e representantes de outras forças navais.

Também houve apresentações aéreas dos Red Arrows e de helicópteros das forças armadas britânicas. O HMS Illustrious, representante de uma geração anterior de porta-aviões, estava atracado próximo ao novo navio durante a cerimônia.

O HMS Queen Elizabeth é um porta-aviões britânico de 284 metros projetado para operar F-35B, helicópteros e missões de projeção de poder. Fonte: CAVOK.

O contraste simbolizava a substituição gradual de uma classe muito menor por uma estrutura aproximadamente três vezes maior, criada para operar uma quantidade significativamente superior de aeronaves e sistemas.

Testes no mar começaram em 2017 após levantamento das pontes

Antes de deixar Rosyth, engenheiros precisaram verificar cuidadosamente o caminho até o mar aberto. O tamanho do HMS Queen Elizabeth exigia que a profundidade do rio, as marés e a altura das pontes sobre o Forth fossem novamente analisadas.

Parte dos dados existentes tinha cerca de 60 anos. Por isso, equipes realizaram um novo levantamento antes de autorizar a saída da embarcação, garantindo que o navio pudesse passar com segurança pelas travessias situadas entre o estaleiro e o oceano.

O primeiro período de testes começou em 26 de junho de 2017. Depois de deixar a bacia de acabamento, o porta-aviões seguiu para águas abertas na costa leste da Escócia, onde foram avaliados sistemas de velocidade, controle e manobrabilidade.

Durante parte dessa fase, as fragatas Sutherland e Iron Duke acompanharam o navio. Em 3 de julho, um helicóptero Merlin HM.2 tornou-se a primeira aeronave a pousar no convés do novo porta-aviões.

HMS Queen Elizabeth encontrou grupo de ataque norte-americano durante testes

Ainda durante a fase de avaliações, o navio participou de um encontro com unidades envolvidas no exercício Saxon Warrior. A ocasião colocou o HMS Queen Elizabeth ao lado do porta-aviões norte-americano USS George H.W. Bush e de diferentes escoltas britânicas e estrangeiras.

Esse contato permitiu registrar uma das primeiras comparações visuais entre o novo navio britânico e um grande porta-aviões da Marinha dos Estados Unidos, além de oferecer experiência de integração com forças que poderiam operar conjuntamente em exercícios e missões futuras.

Depois dos primeiros testes, o planejamento previa inicialmente um retorno a Rosyth para correções. A estratégia acabou sendo modificada, e o navio seguiu para Portsmouth, que se tornaria sua base permanente.

A chegada à HMNB Portsmouth ocorreu em 16 de agosto de 2017. Meses depois, o porta-aviões retornou ao mar para outra sequência de testes de sistemas e preparação para a incorporação formal à frota.

O HMS Queen Elizabeth é um porta-aviões britânico de 284 metros projetado para operar F-35B, helicópteros e missões de projeção de poder. Fonte: CAVOK.

Comissionamento ocorreu em dezembro de 2017

O HMS Queen Elizabeth foi oficialmente comissionado em 7 de dezembro de 2017, encerrando uma etapa importante do programa, mas não significando que o navio estivesse imediatamente pronto para executar todas as funções previstas.

Depois da cerimônia, ainda houve correções técnicas e integração progressiva dos sistemas. Um dos problemas identificados envolveu vazamento em uma vedação de um dos eixos das hélices, considerado pela Marinha Real insuficiente para interromper o cronograma geral de atividades.

A entrada completa em serviço veio posteriormente, em 2020. A partir daí, o navio passou a ocupar posição central no conceito britânico de Carrier Strike Group, no qual o porta-aviões navega acompanhado por destróieres, fragatas, submarinos e embarcações logísticas.

Esse grupo funciona como uma força naval integrada. Enquanto o porta-aviões fornece capacidade aérea, outras unidades assumem proteção contra submarinos, aeronaves, mísseis e ameaças de superfície.

Nome recupera tradição naval anterior à Primeira Guerra Mundial

Embora seja uma embarcação do século XXI, o nome HMS Queen Elizabeth possui uma história mais antiga dentro da Marinha Real. O atual navio recebeu a denominação em homenagem a outro HMS Queen Elizabeth, um superdreadnought construído na época da Primeira Guerra Mundial.

Esse navio anterior, por sua vez, havia sido batizado em referência à rainha Elizabeth I. A nova embarcação mantém as honras associadas ao predecessor, além de utilizar a rosa Tudor em seu brasão e preservar elementos da tradição naval vinculada ao nome.

A continuidade não significa repetir o mesmo papel militar. O primeiro Queen Elizabeth pertenceu à era dos grandes couraçados, enquanto o atual foi concebido em torno da aviação e da capacidade de projetar poder a centenas de quilômetros da própria embarcação.

A comparação ajuda a mostrar a transformação da guerra naval ao longo de um século. Canhões gigantes deram lugar a caças furtivos, helicópteros, sensores e sistemas digitais integrados.

Porta-aviões funciona como uma pequena cidade militar

A bordo, operar aeronaves é apenas uma das dezenas de atividades necessárias para manter o navio funcionando. As equipes incluem profissionais de controle de tráfego aéreo, comunicações, manutenção, segurança, operações de voo, hospitalidade e patrulhamento.

Assista o vídeo

A estrutura também pode ser empregada em assistência humanitária e recepções diplomáticas, mostrando que o valor de um navio dessa dimensão não está restrito a cenários de combate. Hospitais, alojamentos e capacidade logística permitem apoiar operações de emergência em diferentes circunstâncias.

O comando está sob responsabilidade da capitã Claire Thompson OBE RN. O efetivo cresce consideravelmente quando o grupo aéreo completo é embarcado, exigindo coordenação permanente entre marinheiros, pilotos, técnicos e equipes de apoio.

Com tantas funções reunidas, o HMS Queen Elizabeth opera mais como uma base militar móvel do que como um navio convencional. Seu funcionamento depende da integração entre aviação, engenharia, logística e comando naval.

Fontes

Wikipedia

Royal Navy


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

Sair da versão mobile