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Com 335 metros, mais de 100 mil toneladas e até 5 mil militares a bordo, o USS George Washington segue para o Oriente Médio para substituir o porta-aviões Abraham Lincoln, que já ultrapassou 250 dias de missão
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 17/08/2026 às 12:33
Atualizado em 17/08/2026 às 12:35
Forças Armadas
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USS George Washington será enviado ao Oriente Médio para substituir o porta-aviões Abraham Lincoln, em missão há mais de 250 dias.
A Marinha dos Estados Unidos prepara uma troca de seus principais meios navais no Oriente Médio. O USS George Washington deverá assumir a posição ocupada pelo USS Abraham Lincoln, permitindo a retirada de um grupo que já ultrapassou 250 dias de missão. A movimentação, noticiada pelo The Wall Street Journal e pela CNN, acontece enquanto Washington mantém forças militares na região em meio às tensões com o Irã.
O deslocamento também ganha importância pelas condições enfrentadas pelo pessoal embarcado no Lincoln. Após meses longe de casa, relatos de familiares e tripulantes passaram a levantar questionamentos sobre desgaste físico, jornadas prolongadas e dificuldades logísticas. A substituição pelo porta-aviões George Washington abre caminho para uma rotação de pessoal e meios sem deixar a presença naval norte-americana descoberta.
USS George Washington já deixou o Vietnã e avançou pelo Sudeste Asiático
Antes da mudança de destino ganhar repercussão, o USS George Washington havia passado por Da Nang, no Vietnã. Segundo informações da própria Marinha norte-americana, a embarcação deixou o porto na última semana e posteriormente foi vista cruzando o Estreito de Singapura.
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O navio não navegava sozinho. Um cruzador e um destróier acompanhavam o deslocamento, formando parte da estrutura de proteção que normalmente cerca um grupo de ataque de porta-aviões. A movimentação indica uma mudança importante de área operacional para uma embarcação que pertence à classe Nimitz.
Comissionado em 1992, o George Washington é a sexta unidade entre os dez navios construídos dessa classe. Seu nome homenageia o primeiro presidente dos Estados Unidos, e sua função central é permitir que forças aéreas operem a partir do mar sem depender exclusivamente de bases terrestres.
Porta-aviões funciona como aeroporto móvel para diferentes missões
O tamanho do porta-aviões ajuda a explicar sua capacidade militar. A embarcação se aproxima de 335 metros de comprimento, supera 100 mil toneladas e pode reunir mais de 5 mil militares entre tripulação do navio e pessoal ligado às operações aéreas.
Seu convés é preparado para manter dezenas de aeronaves em uma mesma missão. Em vez de cumprir apenas uma função, cada grupo aéreo pode reunir plataformas destinadas a tarefas distintas durante uma operação.
Entre os tipos de aeronaves que podem operar a partir do USS George Washington estão:
- caças voltados a missões de combate, incluindo F/A-18 e F-35;
- EA-18G preparados para guerra eletrônica;
- E-2D responsáveis por vigilância aérea, alerta antecipado e coordenação;
- helicópteros empregados em diferentes funções a bordo;
- aeronaves usadas para transporte e sustentação logística da força naval.
Essa combinação transforma o navio em uma base capaz de executar vigilância, defesa aérea, ataque, apoio e coordenação sem permanecer preso a um único aeroporto.
Quatro catapultas colocam aeronaves no ar em poucos segundos
As dimensões do convés não eliminam um desafio físico: um caça precisa atingir velocidade suficiente para decolar em uma distância muito menor que a pista de um aeroporto convencional. O USS George Washington resolve essa etapa por meio de quatro catapultas a vapor.
O sistema consegue levar uma aeronave da imobilidade a aproximadamente 290 km/h em cerca de três segundos. Depois do lançamento, o convés pode ser reorganizado para preparar novas saídas, permitindo sucessivas operações aéreas enquanto o navio permanece em movimento.
A sustentação de missões prolongadas também depende da capacidade de manter milhares de pessoas abastecidas. Quatro unidades instaladas no navio retiram sal da água do mar e podem produzir, juntas, aproximadamente 1,5 milhão de litros de água potável diariamente.
Dois reatores nucleares dão ao navio longa permanência no mar
A propulsão do USS George Washington utiliza dois reatores nucleares. A energia movimenta quatro turbinas a vapor ligadas a quatro eixos, permitindo que a embarcação alcance velocidade próxima de 56 km/h.
A principal vantagem operacional não está apenas na velocidade. O uso de energia nuclear reduz a dependência de combustível convencional para movimentar o navio, favorecendo missões prolongadas e deslocamentos de grande distância.
Essa característica ganha peso na atual rotação. Enviar outro porta-aviões para substituir o Lincoln permite manter uma plataforma de grande porte na região enquanto a tripulação do navio que está há meses mobilizada pode iniciar o processo de retorno.
Missão prolongada do Abraham Lincoln elevou preocupação com tripulantes
A troca ocorre após reportagens do Navy Times e do Stars and Stripes relatarem problemas associados à permanência prolongada do USS Abraham Lincoln no mar. Familiares e marinheiros mencionaram carga de trabalho intensa, poucos períodos de descanso e problemas no recebimento de suprimentos e correspondências.
Também surgiram preocupações relacionadas à saúde dos militares depois de relatos envolvendo tentativas de suicídio. A Marinha norte-americana declarou, porém, que não identificou crescimento de pensamentos ou tentativas de suicídio a bordo e afirmou que não divulgaria números específicos por razões de privacidade e segurança operacional.
No mês passado, segundo a CNN, um marinheiro caiu no mar e foi recuperado com vida. Ele passou por avaliação médica, mas as circunstâncias que levaram à queda não foram esclarecidas.
Logística foi afetada pelas operações no Oriente Médio
A Marinha atribuiu parte das dificuldades de abastecimento às mudanças provocadas pelo conflito envolvendo o Irã. Rotas normalmente utilizadas para levar material aos navios teriam sido afetadas, criando interrupções que chegaram até a entrega de correspondências.
Diante das limitações, a corporação informou que estabeleceu uma ordem de prioridade: primeiro garantir alimentos, depois repor produtos de higiene e somente então transportar cartas e encomendas destinadas aos militares.
O vice-almirante Joseph Cahill reconheceu, em manifestação citada pelo MS NOW, que missões excessivamente longas produzem efeitos tanto sobre os marinheiros quanto sobre suas famílias e podem comprometer a manutenção de uma força saudável no longo prazo.
Governo norte-americano quer acelerar a rotação
As condições a bordo também chegaram ao debate político. Parlamentares democratas cobraram esclarecimentos do Pentágono, enquanto o secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, contestou parte das denúncias durante passagem pelo Panamá na quinta-feira, 13.
Segundo a CNN, Hegseth classificou algumas descrições sobre a situação do Abraham Lincoln como deturpadas. Ao mesmo tempo, afirmou que o objetivo é trazer seus tripulantes de volta para casa e realizar a substituição tão rapidamente quanto possível.
É nesse ponto que o USS George Washington passa a ocupar papel central. Sua entrada no Oriente Médio permitirá que a presença de um grupo de ataque norte-americano continue enquanto o Lincoln encerra uma das etapas mais longas de sua atual missão.
USS George Washington chega a uma região ainda marcada pela tensão com o Irã
A rotação não significa redução automática da atividade militar dos Estados Unidos na região. O Abraham Lincoln havia sido deslocado para apoiar operações norte-americanas relacionadas ao conflito com o Irã, e Washington continua adotando medidas de pressão sobre Teerã.
Não há, nas informações divulgadas, uma data definida para o encerramento desse cenário. Assim, a substituição representa principalmente uma mudança de navio e de tripulação, e não o fim da presença naval.
Para o USS George Washington, a nova missão coloca um dos maiores meios da Marinha dos Estados Unidos em uma área de elevada importância estratégica. Para os militares do Abraham Lincoln, por outro lado, a chegada do outro porta-aviões pode representar finalmente o início do retorno após mais de 250 dias de operação.
Fonte
R7
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

