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Com a segunda maior reserva de terras raras do mundo, Brasil vê mineradoras estrangeiras concentrarem 4 a cada 10 pedidos de exploração no país
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 20/08/2026 às 11:30
Atualizado em 20/08/2026 às 11:43
Economia
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Austrália e Estados Unidos lideram avanço estrangeiro sobre terras raras no Brasil, enquanto investimentos bilionários chegam a projetos estratégicos e 25% dos requerimentos ficam sobre ou próximos de áreas protegidas e comunidades tradicionais do país
Com a segunda maior reserva de terras raras do mundo, o Brasil virou alvo de uma corrida internacional por novas jazidas. Empresas ligadas ao capital estrangeiro já concentram 42% dos 2.727 requerimentos registrados até junho, enquanto investimentos dos Estados Unidos avançam sobre projetos estratégicos e a única produtora comercial do país.
Corrida por terras raras acelera e 86% dos pedidos são recentes
Os dados mostram que a disputa pelas terras raras ganhou força rapidamente. Dos 2.727 requerimentos apresentados à Agência Nacional de Mineração, 86% foram registrados de 2023 para cá.
Embora empresas ligadas ao capital estrangeiro representem somente 12% dos titulares dos requerimentos, elas acumulam 42% de todos os pedidos analisados.
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Também controlam 31 dos 45 processos considerados mais avançados, já em operação ou em pré-operação comercial.
Entre as 20 empresas com mais requerimentos, 11 possuem ligação com investidores estrangeiros. A Austrália aparece na liderança, com mineradoras responsáveis por 695 pedidos. Empresas dos Estados Unidos vêm depois, com 347.
A Borborema Recursos Minerais, subsidiária da australiana Brazilian Rare Earths Pty, lidera individualmente a lista, com 217 requerimentos.
Logo atrás está a Alpha Minerals Brazil, incorporada recentemente pela Rare Earth Americas, dos Estados Unidos, com 181 pedidos.
A empresa anunciou US$ 15 milhões em investimentos privados neste ano e iniciou seu processo de abertura de capital nos EUA.
Também aparecem entre os destaques a Mineração Apollo, parcialmente controlada pela norte-americana Atlas Lithium, e a canadense Aclara Resources.
Segundo Julio Nery, diretor do Instituto Brasileiro de Mineração, encontrar projetos realmente viáveis é difícil.
A cada mil projetos potenciais, apenas cem justificariam sondagens e pesquisas e, desse grupo, somente dois acabariam se tornando bons projetos.
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EUA investem US$ 565 milhões e entram na única produtora comercial do Brasil
A presença norte-americana ganhou força especialmente após a China restringir as exportações de terras raras aos Estados Unidos em abril de 2025. A China domina atualmente diferentes etapas dessa cadeia produtiva, da extração ao processamento.
O maior exemplo desse movimento está em Goiás. A Serra Verde, única produtora comercial de terras raras do Brasil, recebeu desde o começo do ano US$ 565 milhões em financiamento público dos Estados Unidos.
A mineradora também foi comprada pela norte-americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões, aproximadamente R$ 14 bilhões.
O governo dos Estados Unidos é acionista minoritário da companhia após realizar um aporte de US$ 1,6 bilhão no início do ano.
A Serra Verde possui outra característica estratégica. É a única produtora fora da Ásia capaz de fornecer quatro elementos de terras raras magnéticas: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.
Esses materiais são usados pelas indústrias automotiva, médica, eletrônica, de energia renovável, robótica, defesa e aeroespacial.
Em julho, a USA Rare Earth anunciou ainda a compra de uma participação na francesa Carester, especializada na separação e processamento desses elementos.
Pelo arranjo, a Serra Verde fornecerá matéria-prima e a companhia norte-americana terá acesso às tecnologias francesas.
Até junho, empresas chinesas ainda não detinham requerimentos de terras raras no Brasil, embora companhias do país tenham demonstrado interesse em possíveis jazidas.
25% dos requerimentos ficam próximos ou sobre áreas protegidas
A expansão da mineração também levanta uma questão ambiental. Do total de requerimentos analisados, 25% apresentam sobreposição com unidades de conservação ou comunidades tradicionais, ou ficam a até 10 quilômetros desses territórios.
Dados do Observatório da Transição Energética indicam que os requerimentos podem atingir até 283 áreas protegidas, incluindo terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação.
Um dos casos envolve o Projeto Carina, da Aclara Resources, no norte de Goiás. Requerimentos relacionados ao empreendimento apresentavam sobreposição parcial ao território do quilombo Família Magalhães.
A comunidade reúne 30 famílias, foi reconhecida como quilombola em 2004 e aguarda há 20 anos pela titulação de suas terras.
Enquanto isso, o projeto avançou. O licenciamento ambiental começou no ano passado, mesmo período em que a Aclara recebeu US$ 5 milhões do governo norte-americano.
O estudo de viabilidade divulgado neste ano prevê construção da unidade industrial em 2027 e investimento inicial de US$ 780 milhões.
Comunidade cobra respostas sobre rios, nascentes e animais
O primeiro encontro oficial entre a empresa e a comunidade ocorreu somente no fim de julho. Segundo Gilvan Magalhães, presidente da associação de moradores, os moradores não são contra o empreendimento, mas querem respostas sobre os problemas que ele poderá provocar.
Entre as preocupações citadas estão possíveis efeitos sobre rios, nascentes e animais.
A Aclara afirmou que seis direitos minerários originalmente abrangiam áreas do quilombo, mas informou ter optado por excluir esses locais do empreendimento e declarou que não realizará atividades de mineração nessas áreas.
O avanço ocorre enquanto a disputa internacional pelas terras raras coloca o Brasil no centro de uma cadeia considerada essencial para tecnologias, energia renovável, veículos, eletrônicos, defesa e indústria aeroespacial.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da Repórter Brasil e da Associated Press, com dados públicos da Agência Nacional de Mineração e do Observatório da Transição Energética, com números e declarações preservados conforme o material consultado.
Fonte
https://noticias.uol.com.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

