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Com apenas 16 anos, ele começou a trabalhar em uma padaria para ajudar sua mãe, seus irmãos e para comprar o seu primeiro computador; aos 18 anos, Jhonatas tornou-se professor de programação de uma multinacional
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 06/08/2026 às 17:00
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Estudante trabalhou em uma padaria para comprar um computador e hoje ensina Python a adolescentes enquanto conclui o ensino médio.
Ainda concluindo o ensino médio, o estudante Jhonatas Lima Silva, de 18 anos, já conseguiu o primeiro emprego no setor de tecnologia, ajuda nas despesas de casa e ensina Python e lógica de programação para adolescentes. Natural de Pedro II, no Norte do Piauí, e atualmente morando em Teresina, ele foi contratado pela multinacional Kodland, depois de encontrar sozinho uma seleção na internet e superar as etapas de testes, segundo o Portal O Dia.
Desde janeiro de 2026, Jhonatas atua remotamente como tutor de quatro turmas formadas por alunos de 12 a 17 anos. A conquista ocorreu dois anos depois de o jovem trabalhar em uma padaria para comprar o primeiro computador da vida — o mesmo equipamento que continua usando para estudar, desenvolver projetos e dar aulas.
Estudante transforma primeiro emprego em apoio para a família
A chegada ao emprego significou mais do que apenas o começo de uma carreira. Jhonatas vive com a mãe, Dona Maria, e os irmãos Charles, de 22 anos, Herbert, de 13, e Elis, de 5. Nesse contexto, ajudar nas despesas da família passou a ser um dos principais objetivos do jovem com a nova renda.
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O jovem reconhece a mãe como a principal responsável pela sustentação e organização da família. Segundo ele, Dona Maria sempre se esforçou pelos quatro filhos, embora não tivesse condições de comprar o computador que ele desejava para avançar nos estudos.
Em vez de abandonar o interesse pela tecnologia, o estudante decidiu conquistar o equipamento com o próprio trabalho. Aos 16 anos, conseguiu uma ocupação em uma padaria de Teresina, guardou o dinheiro recebido e comprou a máquina que abriria caminho para as oportunidades seguintes.
“Minha mãe sempre lutou por mim e pelos meus irmãos, mas não podia me dar um computador. Trabalhei e consegui comprar o meu”, contou Jhonatas ao g1.
Computador comprado com salário virou instrumento de trabalho
O interesse por informática havia começado anos antes. Aos 11 anos, Jhonatas participou de um curso básico e teve o primeiro contato mais direto com computadores. Sem um equipamento em casa, porém, precisou esperar até a adolescência para praticar com maior frequência.
A programação entrou efetivamente em sua rotina durante o ensino médio, por meio de um curso disponibilizado pela escola. A experiência apresentou ao jovem uma possibilidade profissional que ia além do uso cotidiano da tecnologia.
Com o computador comprado após o período na padaria, ele passou a aprofundar os conteúdos, praticar programação e acompanhar oportunidades relacionadas ao setor. O investimento feito aos 16 anos deixou de representar apenas uma conquista pessoal e se transformou em ferramenta para obter renda.
Hoje, é diante dessa mesma máquina que o estudante orienta adolescentes, explica conceitos de lógica e apresenta os fundamentos da linguagem Python.
Vaga em multinacional foi encontrada pela internet
Jhonatas não recebeu a oportunidade por indicação. Ao procurar vagas online por conta própria, encontrou um processo seletivo aberto, enviou a candidatura e participou das avaliações exigidas pela empresa.
A aprovação permitiu que ele assumisse as turmas mesmo antes de ingressar no ensino superior. Nas aulas remotas, o jovem precisa transformar o conhecimento acumulado em explicações acessíveis para alunos que também estão dando os primeiros passos na área.
Para Jhonatas, ensinar tornou-se uma forma de continuar aprendendo. A preparação das aulas, as dúvidas apresentadas pelos adolescentes e a necessidade de explicar cada etapa ajudam o tutor a revisar e aprofundar os próprios conhecimentos.
“Na minha visão, a melhor forma de aprender é ensinando. Ainda tenho muito a aprender e pretendo entrar na faculdade para me aprofundar ainda mais”, afirmou.
Estudante também criou jogo educativo com inteligência artificial
Além das atividades como tutor, Jhonatas participou de projetos e competições tecnológicas. Em uma das experiências, desenvolveu com um colega um jogo educativo que utiliza inteligência artificial para auxiliar no aprendizado de idiomas.
A ferramenta foi criada para ensinar novas línguas e corrigir a pronúncia dos usuários. O projeto avançou além do ambiente escolar e chegou a ser apresentado em um evento realizado em Brasília.
A participação mostrou ao estudante outras possibilidades dentro do setor, reunindo programação, educação e inteligência artificial em uma mesma solução. Também reforçou seu interesse em continuar a formação acadêmica após concluir o ensino médio.
Entre as opções consideradas para a graduação estão Engenharia de Software e Ciência de Dados. As duas áreas permitiriam ampliar conhecimentos que ele já utiliza no trabalho e nos projetos desenvolvidos até agora.
Trajetória começou antes da contratação
O primeiro emprego de Jhonatas em tecnologia não surgiu apenas no momento em que ele preencheu uma inscrição online. A aprovação foi construída desde o curso básico realizado aos 11 anos, passou pela falta de um computador, pelo trabalho na padaria e pelo acesso à programação na escola.
Cada etapa resolveu uma dificuldade diferente. O emprego aos 16 anos forneceu o equipamento; o ensino médio apresentou a programação; os estudos independentes permitiram disputar a vaga; e a contratação criou condições para colaborar com a renda familiar.
Aos 18 anos, o estudante ocupa simultaneamente os papéis de aluno, trabalhador e professor. Enquanto se prepara para entrar na faculdade, ele já ajuda adolescentes a compreender conteúdos que também mudaram sua própria trajetória.
O computador comprado com o salário da padaria continua sobre a mesa, mas sua função mudou completamente. Antes, representava o acesso que Jhonatas não teve na infância. Agora, tornou-se o instrumento pelo qual ele trabalha, auxilia a família e aproxima outros jovens das oportunidades oferecidas pela tecnologia.
Fontes
G1
portal o dia
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

