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Com apenas a 6ª série no currículo, migrante conclui os estudos, vira primeiro instalador de energia solar em favelas do Rio, reduz em 30% a conta de 35 famílias e forma novos profissionais
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 28/08/2026 às 17:30
Atualizado em 28/08/2026 às 17:31
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Adalberto Almeida saiu da Paraíba para tentar a vida no Rio de Janeiro, retomou a escola, estudou elétrica no Senai, instalou 60 módulos solares no Morro da Babilônia e ajudou 35 famílias a diminuir em média 30% dos gastos com a conta de luz
Com apenas a 6ª série no currículo, Adalberto Almeida chegou ao Rio de Janeiro aos 19 anos e construiu uma trajetória que o levou a se tornar o primeiro eletricista instalador de placas solares em favelas do Rio. O migrante paraibano ajudou a colocar a energia solar em favelas no centro de uma solução prática para reduzir a conta de luz.
A informação foi publicada em 8 de maio de 2023 pelo UOL Ecoa, canal de jornalismo sobre sustentabilidade e impacto social. Na data da publicação, Adalberto tinha 45 anos e já era uma figura conhecida no Morro da Babilônia, no Leme, zona sul da cidade.
No telhado da Associação de Moradores, ele participou da instalação de 60 módulos fotovoltaicos, placas que transformam a luz do sol em eletricidade. A produção passou a beneficiar 35 famílias, cerca de 140 pessoas, com redução média de 30% nos gastos com a conta de luz.
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Da Paraíba ao Rio com a intenção de ficar apenas um ano
Adalberto deixou Guarabira, cidade localizada a cerca de 100 quilômetros de João Pessoa, quando tinha 19 anos. A viagem até o Rio de Janeiro deveria ser uma experiência curta, de apenas um ano, para que ele conhecesse as oportunidades disponíveis na capital fluminense.
O período provisório virou uma mudança permanente. Ele permaneceu na cidade, conseguiu trabalho em serviços gerais num condomínio do Leme e também exercia a função de zelador, o que permitia que morasse no próprio prédio.
Naquele momento, seu histórico escolar registrava estudos somente até a 6ª série do Ensino Fundamental. A rotina de trabalho não interrompeu o plano de avançar, e Adalberto conseguiu concluir o Ensino Médio no Rio de Janeiro.
O retorno à escola abriu caminho para uma profissão
Concluir os estudos mudou a maneira como Adalberto enxergava o próprio futuro. Ele já não queria permanecer restrito aos serviços gerais e passou a procurar uma profissão que pudesse oferecer novas possibilidades de trabalho.
“Neste momento, eu senti que precisava ir além. Eu já tinha conseguido me formar na escola e sabia que poderia ter uma profissão”, afirmou Adalberto. A fala resume a passagem entre a retomada da educação e a busca por qualificação profissional.
O passo seguinte foi um curso de elétrica residencial e predial no Senai. A formação ensinou o trabalho com instalações elétricas de casas e edifícios e permitiu que ele deixasse o emprego anterior para atuar numa loja de assistência elétrica no mesmo bairro.
Ao entrar nas residências para executar os serviços, Adalberto passou a ser conhecido pelos moradores do Leme. O trabalho bem realizado e a confiança construída nessa fase seriam decisivos quando uma tecnologia ainda distante de sua rotina chegou à comunidade.
A mudança para o Morro da Babilônia aproximou Adalberto da energia solar
Os preços elevados dos aluguéis levaram Adalberto ao Morro da Babilônia, onde ele formou sua família. Foi dentro da comunidade que a experiência acumulada como eletricista encontrou um novo caminho profissional.
Em 2015, os engenheiros Augustin Butruille e Pol Dhuyvetter começaram a idealizar a Revolusolar na Babilônia. Eles convidaram Adalberto para ajudar na instalação de painéis capazes de aproveitar os numerosos dias de sol do Rio de Janeiro.
Com o apoio dos engenheiros e da Solarize, o eletricista fez um curso de instalação de painéis solares. A formação deu a ele a preparação necessária para participar das instalações realizadas na comunidade.
“Eu sabia que era possível captar energia solar, mas achei que ainda fosse algo muito distante da nossa realidade”, afirmou Adalberto. A capacitação fez dele o primeiro eletricista instalador de placas solares em favelas do Rio de Janeiro.
Sessenta módulos solares começaram a aliviar a conta de 35 famílias
Depois do curso, Adalberto virou voluntário da Revolusolar, organização instalada no mesmo morro. Ele ficou responsável pela montagem de 60 módulos fotovoltaicos no telhado da Associação de Moradores da comunidade.
O UOL Ecoa, canal de jornalismo sobre sustentabilidade e impacto social, registrou que o sistema atendia 35 famílias, cerca de 140 pessoas, na data da publicação. A economia média chegava a 30% dos gastos com a conta de luz.
Os módulos ficam concentrados num telhado coletivo, mas a eletricidade gerada beneficia várias residências. Na prática, a produção solar cria créditos de energia que ajudam a abater parte do consumo registrado nas contas das famílias participantes.
Esse formato permitiu levar energia solar à favela sem a instalação de um sistema completo em cada casa. A usina de geração solar do Morro da Babilônia recebeu o nome de Adalberto Almeida, uma homenagem ao eletricista que ajudou a montar o sistema.
Cooperativa divide os créditos e mantém um fundo comunitário
As famílias atendidas integram a Cooperativa Percília e Lúcio de Energias Renováveis. O nome homenageia duas lideranças históricas da comunidade, Tia Percília e Lúcio Bispo.
O modelo coletivo vai além da divisão dos créditos de energia. Cada família paga cerca de R$ 50 por mês, e o dinheiro forma um fundo comunitário usado para viabilizar novas instalações solares.
Assim, a redução da conta de luz não depende apenas dos equipamentos colocados no telhado. A cooperativa também organiza a participação dos moradores e mantém recursos dentro do próprio projeto, com gestão feita pela comunidade.
Eletricista passou de aluno a formador de novos instaladores solares
Adalberto decidiu compartilhar o conhecimento que recebeu. Durante quase cinco anos, ele participou da formação de mais de 30 alunos para trabalhar com instalação de painéis solares.
Os participantes recebiam um diploma reconhecido em todo o território nacional. As turmas reuniam cerca de 12 alunos e eram compostas principalmente por homens, enquanto algumas atividades precisaram ser canceladas durante o período de isolamento da pandemia.
“É muito gratificante levar o conhecimento adiante”, afirmou o eletricista. Sua trajetória passou a unir escolaridade retomada, formação técnica, trabalho comunitário e preparação de novos profissionais para atuar com energia solar.
O homem que saiu de Guarabira pretendendo ficar apenas um ano no Rio terminou o Ensino Médio, aprendeu uma profissão e ajudou a criar uma alternativa coletiva para reduzir despesas dentro do Morro da Babilônia. Os 60 módulos e a economia média de 30% mostram um resultado que chegou diretamente ao orçamento das famílias.
A história de Adalberto também revela como o acesso ao estudo e à capacitação pode multiplicar oportunidades dentro de uma comunidade.
Você acredita que projetos comunitários de energia solar poderiam aliviar a conta de luz em outras favelas brasileiras? Deixe sua opinião e compartilhe esta história.
Fonte
UOL Ecoa
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

