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Com dois picos que alcançam 186 metros acima do nível do mar, os montes de Loos-en-Gohelle cresceram com milhões de fragmentos retirados das minas de carvão e se tornaram as montanhas de resíduos minerais mais altas da Europa
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 04/08/2026 às 13:43
Atualizado em 04/08/2026 às 13:44
Mineração
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Os montes de Loos-en-Gohelle cresceram com rochas retiradas das minas de carvão, alcançaram 186 metros e viraram símbolos industriais da França.
Duas enormes estruturas em forma de pirâmide dominam a paisagem plana de Loos-en-Gohelle, no norte da França. Vistas de longe, parecem montanhas naturais, mas foram criadas pelo trabalho de milhares de mineiros e pelo acúmulo contínuo de rochas retiradas do subsolo durante a exploração de carvão.
Conhecidas como terrils 74 e 74A, as montanhas artificiais alcançam a cota de 186 metros acima do nível do mar e se elevam cerca de 140 metros sobre o terreno próximo. O conjunto ocupa uma antiga área industrial que deixou de produzir carvão em 1986 e hoje protege parte da memória da mineração europeia.
Montes de Loos-en-Gohelle nasceram da exploração de carvão
Os dois montes surgiram ao lado da mina 11/19, um dos maiores centros de retirada de carvão da região de Nord-Pas-de-Calais. A atividade exigia a abertura de poços profundos e a remoção de grandes quantidades de material para alcançar as camadas de carvão.
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Nem tudo o que saía do subsolo tinha valor comercial. Para cada carga aproveitada, também eram retiradas pedras, fragmentos de xisto, terra e outros materiais que precisavam ser separados e depositados em algum lugar.
Esses resíduos foram acumulados perto da mina durante décadas. O depósito cresceu lentamente até formar dois cones enormes, visíveis tanto das áreas agrícolas de Gohelle quanto das cidades de Lens e Liévin.
Resíduos minerais foram empilhados até formar duas montanhas
Os terrils não são montanhas inteiramente feitas de carvão. Sua composição inclui principalmente xisto, arenito, pedras e outros materiais encontrados ao redor das camadas exploradas pelos mineiros.
Depois de chegar à superfície, o material seguia para estruturas de separação. O carvão era enviado para uso industrial, enquanto as rochas sem valor comercial eram transportadas até as áreas de descarte.
A repetição desse processo por muitos anos criou milhões de fragmentos acumulados. O material foi colocado em pontos concentrados, fazendo os depósitos crescerem para cima e assumirem a forma de grandes pirâmides escuras.
Sistema de transporte ajudou a criar os enormes cones
O formato das montanhas foi resultado da maneira como os resíduos eram despejados. Esteiras, trilhos e equipamentos de transporte levavam as pedras até pontos cada vez mais altos do depósito.
Quando o material era solto no topo, deslizava pelas laterais e se espalhava sobre as camadas anteriores. Esse movimento criou encostas inclinadas e manteve o desenho quase regular dos dois cones.
Com o avanço da mineração, as estruturas de transporte precisavam alcançar níveis maiores. Cada nova carga aumentava o peso, a largura e a altura das montanhas artificiais.
Terrils 74 e 74A alcançaram 186 metros acima do mar
Os pontos mais altos dos dois terrils chegam a 186 metros acima do nível do mar. Essa medida representa a altitude total do cume, e não apenas a altura formada pelo material acumulado.
Em relação ao terreno ao redor, a subida fica próxima de 140 metros. A diferença é suficiente para transformar os montes em alguns dos pontos mais visíveis da paisagem plana do norte francês.
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Documentos da cidade de Loos-en-Gohelle e instituições ligadas ao patrimônio mineiro apresentam os dois cones como os terrils mais altos da Europa. A posição elevada permite observar cidades, campos agrícolas e outros antigos locais de mineração.
Conjunto de resíduos ocupa uma área de 90 hectares
Os dois cones não estão sozinhos. Eles fazem parte de um conjunto formado pelos terrils 74, 74A e 74B, que ocupa aproximadamente 90 hectares ao redor da antiga mina.
Os terrils 74 e 74A possuem o formato de montanhas. O 74B é uma plataforma mais baixa e larga, usada no passado para receber um tanque de separação ligado à lavagem do carvão.
A área total equivale a cerca de 126 campos de futebol com as medidas internacionais recomendadas. O tamanho mostra quanto material precisou ser retirado para manter a exploração subterrânea funcionando.
Mina 11 começou a transformar a paisagem no século XIX
A formação dos depósitos está ligada à atividade do poço número 11. O complexo foi aberto no fim do século XIX, quando a exploração de carvão avançava rapidamente pelo norte da França.
A mina atraiu trabalhadores e ajudou a transformar uma pequena comunidade rural em uma cidade industrial. Casas, escolas, ferrovias, oficinas e serviços foram construídos para atender a população ligada ao carvão.
Loos-en-Gohelle tinha cerca de 900 habitantes em 1820. Em 1966, quando a produção estava próxima de seu período mais forte, a população chegava a quase 8 mil pessoas e cerca de 5 mil mineiros desciam diariamente aos poços da cidade.
Primeira Guerra Mundial destruiu a estrutura da mina
O complexo 11 foi completamente destruído durante a Primeira Guerra Mundial. A região ficou próxima de áreas de combate e sofreu danos que atingiram casas, instalações industriais e sistemas de transporte.
A mina foi reconstruída durante a década de 1920. Os novos prédios foram erguidos de maneira simples e rápida porque a França precisava recuperar sua capacidade de produzir carvão.
Parte dessa arquitetura permanece no local. Os prédios ajudam a mostrar como a indústria foi reconstruída depois da guerra e como as estruturas de mineração mudaram ao longo do século XX.
Poço 19 aumentou a capacidade do complexo industrial
Depois da nacionalização das minas francesas em 1946, o poço 11 passou a receber carvão retirado de diferentes pontos da região. A mudança aumentou sua importância dentro do sistema industrial.
A abertura do poço 19 começou em 1954. Sobre ele foi construída uma grande torre de concreto responsável por concentrar parte das operações de transporte e processamento.
Essa torre permanece de pé e é considerada única entre as estruturas preservadas no antigo campo de mineração. Ao lado dos dois montes, ela forma uma das paisagens industriais mais conhecidas da região.
Carvão sustentou durante décadas milhares de famílias
A mineração fornecia trabalho direto para grande parte dos moradores. Além dos profissionais que entravam nos túneis, havia pessoas responsáveis por máquinas, transporte, separação, manutenção e segurança.
A economia local passou a depender quase totalmente do carvão. A produção gerava renda, movimentava o comércio e mantinha serviços ligados aos trabalhadores e às empresas de mineração.
Essa dependência também criou um problema. Quando a retirada de carvão começou a diminuir, a cidade perdeu sua principal fonte de empregos e precisou buscar uma nova atividade econômica.
Mina 11/19 encerrou definitivamente as atividades em 1986
A mina 11/19 fechou em janeiro de 1986. Ela foi a última unidade de exploração de carvão ainda ativa em Loos-en-Gohelle, encerrando uma história industrial que havia marcado a cidade por mais de um século.
As estruturas ficaram sem função e grandes áreas próximas se transformaram em terrenos abandonados. Segundo o município, as antigas zonas industriais chegaram a ocupar cerca de 20% do território local.
O fechamento também deixou desemprego e perda de renda. Os montes, antes ligados ao funcionamento da mina, passaram a representar uma atividade que não voltaria a existir naquela escala.
Mineração rebaixou partes do solo da cidade em 15 metros
A retirada de materiais do subsolo modificou a altura do terreno. Em algumas partes de Loos-en-Gohelle, o solo sofreu um rebaixamento de até 15 metros depois de décadas de exploração.
O movimento alterou caminhos naturais da água. Alguns cursos desapareceram, enquanto outros mudaram de direção ou formaram áreas alagadas onde o terreno havia cedido.
Os impactos mostraram que a mineração não criou apenas as montanhas visíveis. A atividade também transformou o que estava abaixo das casas, das ruas e dos campos da região.
Montes artificiais foram preservados após o fim da mineração
Muitos depósitos de resíduos industriais podem ser desmontados para reaproveitar seus materiais. Em Loos-en-Gohelle, os dois grandes cones foram mantidos com sua forma original.
As mudanças feitas nas encostas foram limitadas. O objetivo era permitir o acesso das pessoas sem retirar as características que mostram como os montes foram construídos.
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A preservação também manteve uma referência visual da história local. Mesmo de longe, os dois picos indicam onde milhares de trabalhadores retiraram carvão durante várias gerações.
Vegetação começou a cobrir espontaneamente as encostas
Depois do fechamento da mina, plantas começaram a ocupar partes dos terrils. Sementes levadas pelo vento e por animais encontraram espaço entre as pedras e iniciaram uma lenta transformação.
Arbustos e árvores surgiram em áreas onde antes existiam apenas resíduos escuros. Algumas encostas continuam com aparência mineral, enquanto outras já apresentam faixas verdes.
A diferença de temperatura, umidade e posição solar criou vários pequenos ambientes. Isso permitiu que plantas com necessidades distintas ocupassem partes diferentes das montanhas artificiais.
Animais transformaram os antigos resíduos em habitat
A chegada das plantas criou abrigo e alimento para insetos, aves e pequenos animais. O local passou a reunir uma variedade de espécies que não existia quando os resíduos eram despejados continuamente.
As encostas abertas recebem grande quantidade de luz, enquanto as áreas com árvores mantêm sombra e umidade. Essa combinação ajuda a formar ambientes diferentes em uma área relativamente pequena.
O antigo depósito industrial passou, assim, a exercer uma nova função ambiental. As montanhas continuam sendo estruturas artificiais, mas agora também fazem parte dos espaços naturais protegidos da região.
Trilhas permitem chegar ao topo dos montes de Loos-en-Gohelle
Caminhos foram criados para permitir que visitantes subam parte do conjunto sem alterar completamente suas encostas. A subida oferece uma visão ampla da antiga mina e das cidades próximas.
Do ponto mais alto, é possível perceber como a mineração mudou toda a região. Outros montes artificiais aparecem no horizonte, misturados a campos, bairros, estradas e antigas estruturas industriais.
A visita ao conjunto pode ser feita em aproximadamente uma hora entre subida e descida, segundo o guia do patrimônio mineiro. O percurso também é usado para atividades educativas sobre geologia, indústria e meio ambiente.
Terrils se tornaram parte do Patrimônio Mundial da Unesco
O campo de mineração de Nord-Pas-de-Calais foi incluído na Lista do Patrimônio Mundial em 2012. A Unesco reconheceu a região como uma paisagem cultural criada por cerca de três séculos de exploração de carvão.
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A área protegida se estende por aproximadamente 120 quilômetros. Ela reúne poços, montes de resíduos, ferrovias, vilas de trabalhadores, escolas, igrejas e outras estruturas ligadas à vida nas minas.
Os terrils de Loos-en-Gohelle aparecem entre os pontos mais conhecidos desse conjunto. Suas dimensões mostram a enorme quantidade de trabalho e material movimentada durante a industrialização europeia.
Antiga mina virou centro de cultura e desenvolvimento sustentável
Os prédios preservados da base 11/19 passaram a receber organizações culturais, ambientais e econômicas. A proposta foi criar novas funções sem apagar completamente a aparência industrial.
O local abriga projetos ligados à construção sustentável, ao meio ambiente e à recuperação de antigas áreas de mineração. Eventos culturais também passaram a ocupar espaços antes usados por máquinas e trabalhadores.
A transformação ajudou Loos-en-Gohelle a trocar a imagem de cidade abandonada pela mineração por uma referência em recuperação industrial. Os resíduos e prédios antigos se tornaram parte da nova economia local.
Montanhas de resíduos viraram símbolos de uma cidade reconstruída
Durante o funcionamento da mina, os montes eram tratados como uma consequência inevitável da produção. Eles recebiam diariamente materiais sem utilidade e cresciam ao lado das áreas habitadas.
Depois de 1986, passaram a ser vistos como registros físicos da vida dos mineiros. Cada camada guarda fragmentos retirados do subsolo por trabalhadores que sustentaram a indústria francesa durante décadas.
Hoje, os dois picos não escondem sua origem. Eles continuam com a forma escura e inclinada criada pelo despejo de pedras, mas agora representam memória, natureza e recuperação econômica.
Colossos artificiais continuam dominando o norte da França
Os terrils 74 e 74A permanecem entre os maiores marcos visuais da antiga região mineira. Seus cumes alcançam 186 metros acima do nível do mar e se destacam em uma paisagem de relevo baixo.
As estruturas não nasceram de movimentos naturais da Terra. Foram erguidas carga após carga, com os fragmentos que precisavam ser removidos antes que os trabalhadores alcançassem o carvão procurado no subsolo.
O resultado é uma paisagem difícil de confundir com qualquer outra. Duas montanhas construídas com resíduos da mineração sobreviveram ao fechamento dos poços e se transformaram nos maiores monumentos de uma cidade que precisou aprender a viver depois do carvão.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

