Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Com os pais aposentados e sem conseguir bancar os R$ 5 mil a R$ 6 mil que ainda faltariam numa faculdade particular, jovem de 26 anos passou nove anos no cursinho e, quando já se preparava para o décimo, conquistou uma vaga em Medicina na Universidade Estadual de Londrina

Com os pais aposentados e sem conseguir bancar os R$ 5 mil a R$ 6 mil que ainda faltariam numa faculdade particular, jovem de 26 anos passou nove anos no cursinho e, quando já se preparava para o décimo, conquistou uma vaga em Medicina na Universidade Estadual de Londrina

6 min de leitura

Com os pais aposentados e sem conseguir bancar os R$ 5 mil a R$ 6 mil que ainda faltariam numa faculdade particular, jovem de 26 anos passou nove anos no cursinho e, quando já se preparava para o décimo, conquistou uma vaga em Medicina na Universidade Estadual de Londrina

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 14/08/2026 às 12:20

Atualizado em 14/08/2026 às 12:21

Curiosidades

Canal

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Persistência por quase uma década, dificuldades financeiras e responsabilidades familiares marcaram a trajetória de uma jovem que manteve o objetivo de cursar Medicina mesmo diante de sucessivas tentativas, até que uma mudança inesperada interrompeu o ciclo que parecia destinado a recomeçar mais uma vez.

Durante nove anos, Ana Laura Ramazotti manteve o mesmo objetivo enquanto atravessava sucessivos ciclos de cursinho e vestibulares, sempre concentrada em conquistar uma vaga em Medicina numa universidade pública, mesmo quando o caminho parecia exigir mais um ano inteiro de preparação.

Aos 26 anos, quando já se preparava psicologicamente para iniciar o décimo ciclo de estudos, a moradora de Jaú, no interior paulista, recebeu a aprovação na primeira chamada da Universidade Estadual de Londrina, encerrando uma sequência de tentativas que atravessou boa parte da vida adulta.

Nove anos de cursinho até a aprovação em Medicina

A repercussão cresceu porque, poucos dias antes do resultado, a estudante havia publicado nas redes sociais um vídeo sobre a possibilidade de enfrentar novamente a rotina de cursinho, provas e divulgação de listas, descrevendo o desgaste acumulado depois de quase uma década de preparação.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Na gravação, Ana Laura expunha o impacto emocional de imaginar mais um ano seguindo o mesmo roteiro, enquanto tentava lidar com sucessivas reprovações, limitações financeiras e responsabilidades familiares que restringiam as opções disponíveis para transformar a aprovação em uma matrícula possível.

Quando o nome apareceu entre os aprovados em Medicina na UEL, o décimo ciclo deixou de ser uma perspectiva imediata, e a estudante finalmente encontrou a oportunidade buscada durante nove anos, em uma universidade pública compatível com as condições financeiras da família.

Encerrava-se também uma sequência marcada por alternativas que, embora representassem acesso ao ensino superior, ainda exigiam despesas incompatíveis com o orçamento familiar, impedindo que oportunidades anteriores se transformassem na entrada definitiva no curso de Medicina que ela pretendia frequentar.

ProUni e Fies não eliminaram o obstáculo financeiro

Segundo a CNN Brasil, Ana Laura já havia conseguido oportunidades por meio do Programa Universidade para Todos, o ProUni, e do Fundo de Financiamento Estudantil, o Fies, mas ainda teria de assumir uma parcela elevada dos custos para estudar numa instituição particular.

Mesmo diante dessas possibilidades, a estudante relatou que precisaria desembolsar aproximadamente R$ 5 mil a R$ 6 mil, quantia que não cabia no orçamento familiar, já que seus pais são aposentados e não tinham condições de sustentar uma mensalidade desse porte.

Embora a bolsa de 50% obtida pelo ProUni e a pontuação que lhe permitia recorrer ao Fies reduzissem parte da barreira financeira, o valor restante continuaria sob responsabilidade da família, mantendo a universidade pública como a alternativa compatível com sua realidade.

Saúde dos pais também influenciava a escolha

Além do peso financeiro, havia uma questão familiar que influenciava diretamente a escolha dos vestibulares, porque os pais de Ana Laura são idosos e enfrentam problemas de saúde, circunstância que tornava importante permanecer a uma distância administrável de Jaú.

Por esse motivo, ampliar indiscriminadamente o mapa de inscrições não significava aumentar as chances de forma simples, já que universidades muito distantes poderiam criar dificuldades para o contato e o cuidado com a família, mesmo que oferecessem uma vaga no curso desejado.

Nesse contexto, Londrina apareceu como uma alternativa especialmente adequada, pois a cidade paranaense fica a cerca de 330 quilômetros de Jaú, permitindo deslocamentos terrestres entre o município onde vivem os pais e o local em que Ana Laura passaria a estudar.

Pressão para abandonar Medicina apareceu nas redes sociais

Antes de conseguir a vaga, os nove anos de tentativas também haviam provocado reações nas redes sociais, onde a estudante recebeu mensagens de apoio, mas igualmente encontrou comentários de pessoas que defendiam o abandono do objetivo ou a escolha de outra graduação.

Essa possibilidade já havia surgido de maneira concreta em sua trajetória, porque Ana Laura chegou a ser aprovada em Odontologia na Universidade de São Paulo, a USP, mas decidiu continuar tentando Medicina em vez de seguir definitivamente por outro curso superior.

Ao manter a escolha, ela prolongou uma preparação que ocupou boa parte de sua vida adulta e transformou cada novo período em uma repetição exigente de inscrições, estudos, provas e resultados, sem que a meta principal fosse substituída por uma alternativa acadêmica definitiva.

Vídeo sobre o décimo ano ganhou repercussão

Foi justamente esse acúmulo de tempo que deu força ao vídeo sobre o possível décimo ano de cursinho, porque a publicação mostrava uma candidata disposta a continuar tentando o mesmo curso depois de praticamente uma década de preparação e sucessivas frustrações.

Poucos dias depois daquela manifestação, a notícia da primeira chamada mudou o rumo imediato da história, fazendo Ana Laura sair da perspectiva de reiniciar os estudos preparatórios para a condição de aprovada em Medicina numa universidade pública compatível com suas limitações financeiras e familiares.

A virada também levou um segundo vídeo, registrando a reação ao resultado, a circular pelas redes sociais, ampliando a repercussão de uma trajetória que já havia despertado interesse justamente pelo período incomum dedicado à tentativa de alcançar o mesmo objetivo acadêmico.

Família acompanhou as sucessivas tentativas

Ao falar sobre o percurso, a estudante afirmou que a família sempre acompanhou e apoiou suas tentativas, mesmo quando outras possibilidades de ingresso surgiram sem oferecer condições financeiras suficientes para que ela pudesse iniciar Medicina de maneira viável.

Recebida com entusiasmo pelos parentes, a aprovação marcou uma mudança depois de anos de estudos, resultados negativos e novas tentativas, período em que a família também acompanhou as limitações que tornavam inviável simplesmente aceitar qualquer oportunidade disponível.

Mais do que obter pontuação suficiente para disputar uma vaga, o desafio envolvia transformar uma aprovação em matrícula possível, pois Ana Laura já havia alcançado condições de acesso ao ensino superior privado sem conseguir eliminar o custo restante que pesaria sobre os pais.

Universidade pública reunia custo e proximidade da família

Por essa razão, a busca pela universidade pública permaneceu diretamente associada à possibilidade financeira de cursar Medicina, enquanto a necessidade de ficar relativamente perto de Jaú adicionava outro filtro às escolhas, obrigando a estudante a conciliar desempenho acadêmico, orçamento familiar e responsabilidades pessoais.

Quando publicou que poderia iniciar o décimo ano de cursinho, Ana Laura ainda descrevia o peso psicológico de repetir a mesma rotina, mas a aprovação na primeira chamada alterou um capítulo que parecia previamente definido e substituiu nova preparação pela organização para a graduação.

Já a trajetória de quase uma década passou a despertar identificação entre candidatos que acumulam reprovações em cursos disputados, famílias incapazes de assumir mensalidades elevadas e estudantes que precisam escolher universidades considerando circunstâncias que vão muito além do desempenho obtido numa prova.

Se você estivesse diante de nove anos de tentativas, com o décimo ciclo de preparação prestes a começar e limitações financeiras tornando outras alternativas inviáveis, continuaria perseguindo o mesmo curso ou escolheria outro caminho depois de tanto tempo?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

Sair da versão mobile