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Começou aos 13 anos como ‘MrBeast6000’ fazendo vídeos medianos de games, hoje Jimmy Donaldson é o maior youtuber do planeta, com mais de 500 milhões de inscritos e dono de marcas de chocolate e alimentos
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 12/08/2026 às 11:45
Atualizado em 12/08/2026 às 11:46
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Ele passou os primeiros cinco anos com números modestos, testando formatos que não decolavam. A virada veio com um vídeo em que ele contava de zero a 100 mil em voz alta, gravado ao longo de mais de 40 horas. Dali em diante, nada foi igual.
Jimmy Donaldson, o norte-americano por trás do pseudônimo MrBeast, é hoje o maior youtuber do planeta, com um canal principal que ultrapassou a marca de 500 milhões de inscritos em junho de 2026, conforme levantamento publicado pelo portal NSC Total. Nascido em maio de 1998, na Carolina do Norte, ele começou a publicar vídeos aos 13 anos e transformou o estudo obsessivo do algoritmo da plataforma em um império de mídia e negócios.
A audiência que ele acumula não tem paralelo entre criadores individuais. É um público comparável ao dos maiores conglomerados globais de televisão e cinema, construído sem estúdio, sem distribuidora e sem rede de emissoras, apenas com vídeos publicados na internet ao longo de catorze anos.
O nome que ninguém sabia e o usuário que virou marca
O verdadeiro nome do criador é Jimmy Donaldson, informação que por muito tempo circulou apenas entre quem acompanhava o canal de perto, já que o pseudônimo se tornou muito mais conhecido que a pessoa por trás dele.
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O apelido nasceu do primeiro nome de usuário que ele adotou na internet, MrBeast6000, escolhido em fevereiro de 2012, quando tinha 13 anos de idade. O sufixo numérico é típico de conta criada por adolescente naquela época, quando o nome desejado já estava ocupado e a saída era acrescentar dígitos. A conta de garoto de 13 anos virou uma das marcas mais valiosas da internet, com o número descartado no caminho e o resto mantido exatamente como estava.
Cinco anos publicando sem retorno
Os primeiros vídeos não davam nenhum sinal do que viria. A qualidade técnica era modesta, o conteúdo se dividia entre transmissões de jogos eletrônicos e estimativas sobre a fortuna de outros influenciadores, e os números permaneceram tímidos por anos seguidos.
Nesse período, ele experimentou formatos variados sem encontrar o que funcionava, incluindo compilações das piores aberturas de vídeo da plataforma. Foi uma fase longa de tentativa e erro, com o adolescente publicando com regularidade enquanto a audiência não crescia de forma significativa.
O que ele fez nesse intervalo, porém, é o que explica todo o resto. Em vez de apenas produzir mais conteúdo, Donaldson passou a se dedicar a decifrar os mecanismos de recomendação da plataforma, estudando como o sistema decidia o que mostrar a quem. Em entrevistas posteriores, ele descreveria esse trabalho como tratar o YouTube como ciência, testando miniaturas, curvas de retenção e ritmo de edição do mesmo jeito que uma empresa de tecnologia testa funcionalidades de produto.
As 40 horas contando até 100 mil
A virada tem data e formato definidos. Em janeiro de 2017, Donaldson publicou um vídeo em que aparecia contando em voz alta de zero até 100 mil, sem corte de assunto e sem nenhum outro recurso além dele próprio e da própria voz.
O processo consumiu mais de 40 horas de gravação e exigiu edição intensa para caber nos limites da plataforma. O resultado foi desproporcional a tudo o que ele havia feito até então: o vídeo viralizou, acumulou milhões de visualizações e estabeleceu de uma vez o formato que definiria a marca dali em diante.
O modelo que nasceu naquele vídeo é o mesmo que ele repete até hoje, em escala muito maior. Desafios de resistência levados ao absurdo, testes de limite físico e psicológico e produções de grande porte, com premissas simples o bastante para serem entendidas pela miniatura e pelo título, sem que o espectador precise de contexto nenhum para clicar.
A decisão financeira que separou ele dos outros
Existe uma escolha de gestão que é apontada como a raiz do crescimento, e ela vai na direção contrária do que a maioria dos criadores fazia. Enquanto outros priorizavam a monetização pessoal imediata, tirando do canal o dinheiro que ele gerava, Donaldson adotou reinvestimento integral.
Na prática, todo o lucro obtido com visualizações e patrocínios era direcionado para aumentar o orçamento dos vídeos seguintes. Isso significa produção mais cara, prêmios maiores, cenário mais elaborado e, por consequência, mais audiência, que gerava mais receita, que voltava a ser reinvestida no vídeo seguinte. É um ciclo que se retroalimenta e que se torna cada vez mais difícil de acompanhar para quem entrou depois.
Foi essa dinâmica que permitiu chegar aos cenários de padrão cinematográfico, à distribuição de prêmios milionários em dinheiro e às ações filantrópicas de grande alcance que passaram a marcar o canal, como a perfuração de poços de água no continente africano e o custeio de cirurgias de catarata para pessoas sem condição de pagar pelo procedimento.
De 271 milhões a meio bilhão em pouco mais de dois anos
A escalada dos números dá a dimensão da velocidade. Em novembro de 2022, ele entrou para o Guinness World Records como o homem com maior número de inscritos individuais na plataforma, marca alcançada com 112 milhões.
O primeiro lugar absoluto veio depois, quando o canal ultrapassou a gravadora indiana T-Series, que liderava desde 2019, com 271 milhões de inscritos contra 266 milhões da concorrente. Era a primeira vez em anos que um criador individual voltava ao topo, posição que a indústria imaginava perdida para canais corporativos.
O ritmo seguinte foi ainda mais acelerado. Em junho de 2025, tornou-se o primeiro criador a ultrapassar 400 milhões de inscritos, e em 12 de junho de 2026 chegou a 500 milhões, marca celebrada com transmissão ao vivo, Segundo o portal do NSC Total. Foram cerca de 230 milhões de novos inscritos em pouco mais de dois anos, volume que nenhum canal na história da plataforma acumulou em intervalo semelhante.
Um público maior que a população de quase todos os países
O número de meio bilhão de inscritos é difícil de processar sem comparação, e a mais direta é demográfica. A quantidade de pessoas inscritas no canal supera a população de praticamente todos os países do mundo, com exceção de Índia e China.
A comparação tem limites que convém registrar. Inscrito não é o mesmo que espectador ativo, e uma parcela dessas contas não assiste aos vídeos com regularidade, além de existirem contas duplicadas e inativas em qualquer plataforma dessa escala. Ainda assim, a ordem de grandeza é a que coloca o canal na mesma conversa que redes globais de televisão.
Vale registrar também que ele não opera com um canal só. O portfólio inclui outros canais como Beast Reacts, MrBeast Gaming e Beast Philanthropy, este último voltado às ações de doação, o que amplia o alcance total além dos números do canal principal.
Chocolate, comida e dados: o que ele vende hoje
O império deixou de ser apenas audiência há algum tempo. O portfólio de negócios sob gestão de Donaldson inclui a marca de chocolates e doces Feastables, a linha de produtos alimentícios Lunchly e a plataforma de desenvolvimento de tecnologia e análise de dados Viewstats.
A lógica por trás dessa diversificação é a mesma que sustentou o crescimento do canal. Audiência gigante, sozinha, depende inteiramente das regras de monetização de uma plataforma que ele não controla, e qualquer mudança no algoritmo ou na política de publicidade afeta a receita diretamente. Produtos próprios criam uma fonte de renda que não passa por esse filtro.
O caso da Viewstats é o mais revelador do método. Trata-se de uma ferramenta de análise de dados voltada a criadores de conteúdo, ou seja, ele transformou em produto exatamente o conhecimento que usou para crescer, vendendo a outros a capacidade de entender métricas de desempenho na plataforma.
O casamento nas Ilhas Virgens Britânicas
Na vida pessoal, Donaldson é casado com a sul-africana Thea Booysen, que atua como streamer, autora e pesquisadora. Os dois se conheceram em 2022, durante uma viagem dele à África do Sul.
A união foi oficializada em cerimônia privada nas Ilhas Virgens Britânicas, mantida fora do padrão de exposição que costuma marcar a carreira dele. É um contraste notável para alguém cujo trabalho consiste em transformar praticamente tudo em conteúdo público, segundo a revista People.
O que a trajetória dele mostra sobre a plataforma
O percurso de Donaldson é frequentemente resumido como sorte ou como talento para viralizar, e nenhuma das duas leituras explica o que aconteceu. Foram cinco anos publicando sem retorno relevante, um período dedicado a estudar como o sistema de recomendação funcionava, e um formato encontrado por tentativa que ele repetiu e ampliou por quase uma década.
O que separa a trajetória dele da de milhares de criadores que começaram na mesma época é a combinação entre método e reinvestimento. Testar miniatura e retenção com rigor de laboratório é acessível a qualquer pessoa com paciência. Devolver toda a receita para dentro do próximo vídeo, por anos seguidos, sem tirar dinheiro para si, exige um tipo de decisão que a maioria não toma.
O resultado é um canal com meio bilhão de inscritos, três empresas em operação e uma audiência que rivaliza com a de conglomerados de mídia construídos ao longo de décadas. Tudo isso a partir de uma conta criada por um garoto de 13 anos que precisou acrescentar quatro números ao nome de usuário porque o nome que ele queria já estava ocupado.
E você, acha que o modelo de reinvestir tudo no próximo vídeo é o que faz a diferença, ou hoje seria impossível repetir esse caminho na plataforma? Conta nos comentários o que você acha que explica o tamanho desse canal.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

