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Comprado com 6 meses para atrair clientes, o tigre Tony viveu 17 anos numa jaula ao lado das bombas de um posto de caminhoneiros na Louisiana, resistiu a leis feitas para libertá-lo e morreu no mesmo posto, sem nunca conhecer um santuário
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 27/08/2026 às 10:34
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Tony, um tigre mestiço de Bengala e Siberiano, viveu 17 anos no Tiger Truck Stop, na Louisiana, depois de chegar ainda filhote. Apesar de campanhas e disputas judiciais por sua transferência para um santuário, permaneceu no posto até ser submetido à eutanásia em 2017, após adoecer e parar de comer.
Tony, um tigre mestiço de Bengala e Siberiano, passou a vida no Tiger Truck Stop, em Grosse Tete, na Louisiana, perto de Baton Rouge, onde permaneceu até morrer aos 17 anos. Organizações de defesa dos animais tentaram durante anos transferi-lo para um santuário, mas disputas judiciais e mudanças na legislação permitiram que ele continuasse no posto.
Segundo reportagem da Associated Press publicada pelo The Seattle Times em 17 de outubro de 2017, Tony foi submetido à eutanásia na noite de 16 de outubro de 2017. Michael Sandlin, proprietário do Tiger Truck Stop, afirmou que o animal estava idoso, doente, havia parado de comer e não respondia mais ao tratamento com antibióticos injetáveis.
Tony morreu aos 17 anos depois de adoecer
Michael Sandlin informou que o tigre enfrentava problemas de saúde e havia piorado pouco antes da morte.
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Cerca de seis semanas antes, antibióticos tinham ajudado Tony a se recuperar de problemas renais. Na nova crise, porém, os medicamentos injetáveis não apresentaram o mesmo resultado.
Como o tigre também havia parado de se alimentar, os antibióticos administrados por via oral deixaram de ser uma alternativa viável.
Tigres de Bengala em zoológicos costumam viver de 16 a 20 anos
A reportagem cita a Sociedade Indiana de Bem-Estar do Tigre para contextualizar a idade de Tony.
Segundo a organização, tigres-de-bengala mantidos em zoológicos geralmente vivem entre 16 e 20 anos.
Tony estava, portanto, dentro dessa faixa quando morreu aos 17.
Família e funcionários permaneceram com Tony até o fim
Sandlin afirmou que sua família e trabalhadores do posto acompanharam os momentos finais do animal.
Segundo ele, um pastor da Metropolitan Community Church de Baton Rouge também esteve presente.
“Pudemos agradecer a Tony por 17 anos de bom comportamento e por ser uma bênção para nós e para muitas outras pessoas, além de fazer uma oração e conversar com ele”, declarou Sandlin.
Flores e uma cruz foram colocadas na jaula
Após a morte, Sandlin disse ter colocado uma coroa de flores e uma cruz de flores no recinto de Tony.
O proprietário afirmou ainda que outras pessoas da região levaram novas flores ao local no dia seguinte.
A jaula permaneceu como ponto de homenagem ao animal que havia se tornado conhecido entre os frequentadores do posto.
Corpo seria taxidermizado depois de necropsia
A morte não encerraria a presença física de Tony no Tiger Truck Stop.
Segundo Sandlin, após uma necropsia para fins de bem-estar animal, o corpo seria taxidermizado e colocado em exposição no restaurante do posto.
No mesmo local já estava exposta Sabrina, tigresa que havia vivido antes de Tony e morrido de câncer.
Sabrina já era exibida no restaurante do posto
Sandlin afirmou que os visitantes continuavam demonstrando interesse por Sabrina depois de sua morte.
“Continuamos a desfrutar dela, e as pessoas ainda a apreciam”, disse.
A intenção era repetir com Tony a mesma forma de exposição adotada para sua antecessora.
Grupo pediu investigação sobre os cuidados prestados a Tony
Meses antes da morte, o Animal Legal Defense Fund havia solicitado ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos uma investigação sobre o tratamento dispensado ao tigre.
Em abril de 2017, o grupo alegou que Tony apresentava diarreia, além de problemas observados em fotos e vídeos produzidos por um investigador particular.
Segundo a organização, as imagens mostravam que o animal mancava e apresentava a coluna curvada.
Dono dizia que tigre tinha artrite, mas não estava doente
Sandlin contestou as acusações feitas pelo grupo de defesa animal.
Ele afirmou que Tony era examinado regularmente por um veterinário, mancava em razão de artrite e apresentava fezes moles apenas depois de receber um vermífugo.
“Ele não está doente. Ele é simplesmente um idoso com um pouco de artrite”, declarou em abril daquele ano.
Ativistas tentavam levar Tony para um santuário
O Animal Legal Defense Fund também participou de uma longa campanha para retirar Tony do posto e transferi-lo para um santuário de tigres.
A disputa se estendeu por mais de sete anos, segundo a própria organização.
Mesmo com ações judiciais e pressão pública, a transferência nunca foi realizada.
Juiz mandou revogar licença em 2011
Em 2011, um juiz distrital estadual determinou que o Departamento de Vida Selvagem e Pesca da Louisiana revogasse a licença de Michael Sandlin.
A decisão ameaçava a permanência de Tony no posto.
Pouco depois, porém, a Assembleia Legislativa da Louisiana aprovou uma lei que criou uma exceção para Sandlin dentro das restrições estaduais sobre a posse de grandes felinos exóticos.
Lei permitiu que Tony permanecesse no posto
A mudança legislativa permitiu que Sandlin continuasse mantendo Tony no Tiger Truck Stop.
A disputa judicial ainda estava em andamento quando o animal morreu em 2017.
O caso se tornou um dos principais exemplos citados por grupos que defendiam o fim da posse privada de grandes felinos na Louisiana.
Grupo disse estar devastado após anos tentando libertá-lo
Depois da morte de Tony, o Animal Legal Defense Fund divulgou um comunicado sobre a campanha pela transferência.
“Durante mais de sete anos, lutamos em várias frentes para libertar Tony, e estamos devastados porque, apesar de todos os nossos esforços, ele viveu e morreu enjaulado em um posto de gasolina que nunca pôde lhe proporcionar a vida que ele merecia”, afirmou a organização.
O grupo informou que continuaria atuando para impedir novos casos semelhantes.
Jaula tinha cerca de 300 metros quadrados
Sandlin afirmou que o recinto de Tony possuía cerca de 300 metros quadrados, equivalentes a 3.200 pés quadrados.
A área incluía grama, pedras, um grande tanque de água para nadar, um pneu pendurado e outros brinquedos.
O obituário publicado no site do posto descrevia o espaço como quatro vezes maior do que o tamanho recomendado para animais daquele tipo.
Recinto era maior que mínimo, mas menor que média da AZA
A reportagem comparou a área da jaula com parâmetros usados pela Association of Zoos and Aquariums (AZA).
Os cerca de 300 metros quadrados correspondiam ao dobro do tamanho mínimo recomendado pela organização para um recinto de tigre.
Ao mesmo tempo, representavam aproximadamente 58% da média de 510 metros quadrados encontrada nos recintos dos integrantes da associação.
O manual de cuidados com tigres da AZA, de 2016, recomendava fortemente que novos recintos superassem o tamanho mínimo.
Essa comparação fazia parte do debate em torno das condições em que Tony permaneceu no Tiger Truck Stop.
A discussão não se limitava ao tamanho físico do espaço, mas também à permanência de um grande felino em uma instalação comercial à beira da estrada.
Ativistas prometeram impedir um “Tony II ou Tony III”
Depois da morte, o Animal Legal Defense Fund afirmou que continuaria defendendo a proibição da posse privada de grandes felinos na Louisiana.
O objetivo declarado era garantir que “nunca haja um Tony II ou Tony III”.
Michael Sandlin, por sua vez, afirmou que também continuaria lutando por sua posição na disputa.
Tony morreu no mesmo posto que ativistas tentaram fazê-lo deixar
Tony permaneceu no Tiger Truck Stop de Grosse Tete até a morte, em outubro de 2017, sem que a transferência para um santuário defendida durante anos por organizações de proteção animal fosse concretizada.
Sua trajetória terminou em meio à mesma disputa que marcou boa parte de sua vida: de um lado, o proprietário defendendo as condições oferecidas no posto; de outro, grupos tentando retirá-lo dali e restringir a posse privada de grandes felinos na Louisiana.
Para você, animais como Tony deveriam poder permanecer em estabelecimentos comerciais privados ou deveriam ser encaminhados exclusivamente para zoológicos e santuários especializados? Deixe sua opinião nos comentários.
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tigre Tony
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

