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Concorde de quase 79 toneladas é parcialmente desmontado, tem motores e partes das asas retirados, atravessa rodovias sobre uma carreta inclinável e termina viagem instalado a 30 metros de altura sobre um museu alemão
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 05/08/2026 às 11:36
Atualizado em 05/08/2026 às 11:37
Ciência e Tecnologia
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Concorde F-BVFB da Air France foi parcialmente desmontado, colocado sobre uma carreta especial inclinável e transportado durante uma noite inteira até ser reconstruído e instalado sobre o Technik Museum Sinsheim, na Alemanha.
Um avião de 62 metros de comprimento, criado para transportar passageiros a mais de duas vezes a velocidade do som, precisou avançar em ritmo de caminhada pelas rodovias alemãs. Era o Concorde F-BVFB, uma aeronave da Air France escolhida para integrar o acervo do Technik Museum Sinsheim.
Antes da viagem terrestre, técnicos retiraram os motores, as pontas das asas e o estabilizador vertical. Mesmo parcialmente desmontado, o Concorde continuou com 14,45 metros de largura e só conseguiu passar por pontes e outros obstáculos graças a uma carreta especial capaz de inclinar sua estrutura.
Concorde F-BVFB encerrou sua carreira depois de milhares de voos
O avião preservado na Alemanha foi fabricado em 1976 e realizou seu primeiro voo em 6 de março daquele ano. Em 8 de abril, entrou oficialmente para a frota da Air France com a matrícula F-BVFB.
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Durante sua vida operacional, a aeronave acumulou 14.771 horas de voo e completou 5.473 viagens. Desse total, 4.791 foram operações em velocidade supersônica, segundo os dados divulgados pelo museu.
O F-BVFB também participou de uma volta ao mundo na qual percorreu 47.572 quilômetros em 38 horas e 13 minutos. A marca ajuda a explicar por que a aeronave passou a ser tratada como uma peça importante da história da aviação comercial.
Último voo levou o Concorde de Paris até Baden-Airpark
O último voo do F-BVFB aconteceu em 24 de junho de 2003. A aeronave deixou o Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, e seguiu até o Baden-Airpark, próximo às cidades alemãs de Karlsruhe e Baden-Baden.
Durante essa viagem final, o avião ainda cruzou o Atlântico e rompeu a barreira do som pela última vez. Depois de aproximadamente duas horas, pousou na Alemanha e encerrou definitivamente sua carreira nos céus.
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Dezenas de milhares de pessoas foram até o aeroporto para acompanhar a chegada. Assim que o Concorde alcançou a posição de estacionamento, as equipes começaram os preparativos para a etapa mais difícil: transportá-lo por terra até o museu.
Técnicos precisaram desmontar partes importantes do avião
Um Concorde completo possui 62,13 metros de comprimento, 25,56 metros de envergadura e 12,22 metros de altura. Transportar uma estrutura com essas dimensões pelas estradas seria impossível sem reduzir sua largura e retirar componentes sensíveis.
Especialistas da Air France trabalharam ao lado da equipe técnica do museu. Os motores foram retirados, assim como as pontas das asas e o estabilizador vertical, estrutura instalada na parte superior da cauda.
A desmontagem não poderia danificar elementos que seriam usados novamente. Cada componente precisava ser identificado, protegido e preparado para que o Concorde pudesse ser reconstruído depois de sua chegada a Sinsheim.
Peso de quase 79 toneladas corresponde ao avião vazio
O Technik Museum Sinsheim informa que o peso vazio do Concorde F-BVFB era de 78.900 quilos, o equivalente a 78,9 toneladas. Esse valor não inclui passageiros, bagagens nem os quase 120 mil litros de combustível que o modelo poderia transportar.
O peso usado durante o transporte terrestre foi menor porque os motores e outras partes haviam sido retirados. A página oficial do museu, entretanto, não informa o peso exato do conjunto colocado sobre a carreta.
Mesmo aliviada, a fuselagem continuava sendo uma carga enorme e delicada. O desafio não era apenas suportar seu peso, mas evitar torções, impactos e movimentos que pudessem comprometer uma aeronave construída para resistir a condições muito diferentes das encontradas em uma estrada.
Concorde desmontado ainda tinha 14,45 metros de largura
A retirada das pontas das asas reduziu bastante a envergadura original de 25,56 metros. Ainda assim, a parte central das asas continuou unida à fuselagem, deixando o conjunto com impressionantes 14,45 metros de largura.
Essa dimensão era várias vezes maior que a largura de um veículo rodoviário comum. Pontes, defensas, placas, postes e acessos estreitos passaram a representar obstáculos para o avanço da operação.
Cortar completamente as asas poderia facilitar o deslocamento, mas aumentaria o risco de danos e tornaria a reconstrução mais complexa. A solução foi preservar a parte central e adaptar o transporte ao formato do avião.
Carreta inclinável permitiu que o Concorde passasse pelas pontes
A fuselagem foi colocada sobre um veículo especial de transporte pesado operado pela empresa alemã Kübler. A carreta possuía uma plataforma inclinável, criada para mudar o ângulo da aeronave durante os pontos mais apertados da rota.
Quando o Concorde se aproximava de uma ponte, a plataforma inclinava o avião para um dos lados. Essa manobra diminuía o espaço horizontal ocupado pela carga e permitia que a fuselagem atravessasse locais onde não passaria em posição nivelada.
A operação precisava ser executada lentamente e com controle constante. Uma inclinação inadequada poderia aproximar demais o avião do solo, da ponte ou de algum obstáculo localizado na lateral da estrada.
Antigo avião supersônico avançou em ritmo de caminhada
O trecho rodoviário final começou em 19 de julho de 2003. A aeronave que havia cruzado os céus a aproximadamente Mach 2 passou a percorrer a Alemanha praticamente na velocidade de uma pessoa caminhando.
A baixa velocidade permitia corrigir a posição da carreta e observar a distância entre o avião e os obstáculos. Técnicos acompanhavam cada movimento, enquanto veículos de apoio controlavam o trajeto e mantinham a área livre.
Curvas, inclinações e mudanças na largura da pista precisavam ser enfrentadas uma de cada vez. Não havia espaço para manobras rápidas com uma fuselagem que continuava medindo mais de 60 metros de comprimento.
Operação ocupou a noite inteira e exigiu o fechamento da A6
O transporte começou em 19 de julho e continuou até as primeiras horas do dia seguinte. A maior parte da operação foi realizada durante a noite, quando havia menor movimento nas estradas.
Um trecho da rodovia A6 precisou ser completamente fechado. Sem veículos circulando ao redor, o comboio conseguiu usar mais espaço da pista e executar as manobras necessárias para aproximar o Concorde do museu.
Nas primeiras horas da manhã, guindastes levantaram a aeronave diretamente da rodovia interditada e a transferiram para o terreno do Technik Museum Sinsheim. A chegada terminou uma das etapas mais arriscadas da operação.
Dezenas de milhares de pessoas acompanharam a viagem
A movimentação do Concorde transformou as margens da rota em pontos de observação. Dezenas de milhares de pessoas acompanharam a passagem da fuselagem, segundo o museu.
O interesse era explicado pela combinação incomum entre aviação e transporte rodoviário. Uma aeronave conhecida por atravessar o Atlântico em poucas horas agora aparecia inclinada sobre uma carreta, cercada por caminhões e técnicos.
A operação também representava uma das últimas oportunidades de ver aquele Concorde fora do museu. Depois da montagem definitiva, o F-BVFB não voltaria a tocar uma pista nem seria deslocado novamente por estradas.
Concorde precisou ser reconstruído dentro do museu
A chegada ao terreno não significava que o trabalho estava concluído. Os técnicos ainda precisavam recolocar as partes removidas e preparar a aeronave para permanecer exposta durante décadas.
As pontas das asas e o estabilizador vertical foram reinstalados. O interior também precisou ser preparado para receber visitantes, com acesso pela cabine de passageiros e possibilidade de observar o posto de comando.
O museu decidiu não deixar o avião simplesmente apoiado no chão. A proposta era mostrar o Concorde em uma posição inclinada, como se estivesse iniciando uma decolagem.
Estrutura de aço levou o avião para cima do pavilhão
A instalação definitiva aconteceu em 17 de março de 2004, cerca de oito meses depois da chegada da fuselagem. O Concorde foi colocado sobre uma grande estrutura de aço construída acima do Pavilhão 2.
Os suportes sustentam o avião em posição elevada e inclinada. A montagem exigiu o uso de grandes guindastes para levantar a fuselagem e posicioná-la sobre os pontos preparados para receber seu peso.
A inclinação cria a impressão de que o Concorde está deixando a pista. Ao mesmo tempo, libera a área inferior do museu para outras exposições e permite que o avião seja visto a grande distância.
Altura de 30 metros é alcançada pelos visitantes
O museu informa que o acesso ao Concorde leva os visitantes a aproximadamente 30 metros de altura. Esse número está ligado ao nível alcançado pela escadaria e pela plataforma de visitação ao redor da aeronave.
O público pode subir até o chamado Flight Deck, entrar na cabine de passageiros e observar o cockpit. A experiência permite conhecer o interior estreito de um avião capaz de transportar até 100 pessoas.
A posição elevada também oferece uma visão ampla da área externa do museu. O visitante percorre a estrutura suspensa enquanto o avião permanece inclinado sobre o pavilhão.
Motores retirados passaram a fazer parte da exposição
Os motores originais retirados durante a preparação não desapareceram do acervo. Eles foram preservados e podem ser observados em uma exposição instalada dentro do pavilhão localizado abaixo do Concorde.
O avião utilizava quatro motores Olympus desenvolvidos para impulsionar a aeronave em velocidades supersônicas. O conjunto completo podia fornecer 677,2 quilonewtons de empuxo, segundo os dados técnicos do museu.
A exposição interna também reúne equipamentos técnicos, acessórios e assentos originais. Dessa forma, o público consegue conhecer componentes que seriam difíceis de observar com o avião completamente montado.
Concorde podia ultrapassar duas vezes a velocidade do som
Em serviço, o modelo alcançava aproximadamente Mach 2,02. Isso significa que voava a mais de duas vezes a velocidade do som durante os trechos supersônicos.
Sua altitude máxima ficava próxima de 18.290 metros, muito acima daquela normalmente utilizada por aviões comerciais comuns. A aeronave também consumia até 428 litros de combustível por minuto, conforme a ficha divulgada pelo museu.
A combinação entre velocidade, altitude e desenho aerodinâmico transformou o Concorde em um dos aviões mais reconhecidos do mundo. Sua fuselagem estreita e as asas em formato delta foram preservadas no exemplar levado para Sinsheim.
Museu colocou Concorde ao lado do rival soviético Tu-144
O F-BVFB foi instalado ao lado de um Tupolev Tu-144, avião supersônico desenvolvido pela antiga União Soviética. Os dois modelos disputaram espaço durante a corrida tecnológica da aviação do século XX.
Segundo o Technik Museum Sinsheim, o local oferece uma reunião única dessas duas aeronaves supersônicas. Os visitantes podem entrar nos dois aviões e comparar suas cabines, dimensões e soluções técnicas.
O Tu-144 já estava instalado quando o Concorde chegou. A obtenção do F-BVFB permitiu que o museu reunisse, no mesmo espaço, os dois únicos tipos de aviões supersônicos que transportaram passageiros comercialmente.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

