Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Conheça o Shockwave, o caminhão a jato mais insano já criado: 3 motores colossais entregam 36 mil cv e levaram a máquina a 605 km/h

Conheça o Shockwave, o caminhão a jato mais insano já criado: 3 motores colossais entregam 36 mil cv e levaram a máquina a 605 km/h

8 min de leitura

Conheça o Shockwave, o caminhão a jato mais insano já criado: 3 motores colossais entregam 36 mil cv e levaram a máquina a 605 km/h

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 19/08/2026 às 16:16

Automotivo

Canal

Assista o vídeo
Foto: Reprodução/Youtube –
spencerhughes2255

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Shockwave transformou um enorme Peterbilt em uma máquina de 36 mil cv com três motores a jato, recorde de 605 km/h e potência suficiente para disputar corridas contra aviões.

Um caminhão com cerca de 3,2 toneladas, três motores a jato retirados de um avião militar e potência combinada anunciada de 36 mil cv conseguiu atingir 376 mph, aproximadamente 605 km/h, e entrou para a história das competições de velocidade. O nome dessa máquina era Shockwave, um Peterbilt transformado pelo piloto e construtor Les Shockley em um veículo tão extremo que suas apresentações colocavam o caminhão para disputar arrancadas contra aviões em pistas de shows aéreos.

Segundo a Força Aérea dos Estados Unidos, o Shockwave chegou a ser apresentado como detentor do recorde do Guinness para o caminhão mais rápido do mundo, com velocidade de 376 mph. A mesma fonte registra três motores J34-48 e potência combinada de 36 mil hp.

Shockwave nasceu da ideia de colocar três motores a jato em um caminhão

A história do Shockwave começou em 1984, quando Les Shockley levou ao extremo uma carreira que já estava profundamente ligada às provas de arrancada. Em vez de simplesmente aumentar a potência de um motor convencional, ele instalou três motores a jato J34 em um caminhão Peterbilt.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

O International Council of Air Shows, entidade ligada à indústria de shows aéreos, registra que o caminhão pesava cerca de 7 mil libras, pouco mais de 3 toneladas.

Mesmo com toda essa massa, os três propulsores davam ao veículo potência divulgada de 36 mil hp e capacidade para ultrapassar 375 mph.

Assista o vídeo

A combinação parecia contradizer tudo o que se espera de um caminhão. O formato era enorme, a cabine lembrava um cavalo mecânico de estrada e o peso estava muito distante do de um dragster tradicional. Mas atrás da cabine havia potência normalmente associada à aviação.

Três motores J34 transformaram o Peterbilt em uma máquina terrestre de aviação

A peça central do projeto eram os três motores J34-48 instalados no caminhão. Informações divulgadas pela Robins Air Force Base afirmam que os propulsores eram provenientes de aeronaves T-2 Buckeye da Marinha dos Estados Unidos.

Com os três motores funcionando juntos, a potência divulgada chegava a 36 mil hp, enquanto o empuxo combinado alcançava 21 mil libras-força. Em vez de depender da transmissão tradicional de um caminhão para enviar potência às rodas, a força de propulsão vinha diretamente dos jatos instalados na traseira.

Foto: Reprodução/Youtube –
spencerhughes2255

Isso explica por que comparar o Shockwave diretamente com um caminhão diesel convencional é quase impossível. A cabine e a aparência remetiam a um caminhão, mas o princípio responsável pelo desempenho era muito mais próximo do encontrado em uma aeronave a jato.

Os 605 km/h transformaram o caminhão em recordista

O número que consolidou a fama do Shockwave foi 376 milhas por hora, velocidade equivalente a aproximadamente 605 km/h.

Uma publicação oficial da Barksdale Air Force Base descreveu o veículo como detentor do recorde do Guinness para o caminhão mais rápido do mundo.

Outra publicação da Força Aérea dos Estados Unidos, da Robins Air Force Base, registra que, segundo a própria equipe, o Shockwave detinha o recorde de velocidade para semirreboques com as mesmas 376 mph.

Era potência suficiente para fazer um caminhão disputar corrida com avião

O Shockwave não foi construído para transportar carga nem percorrer rodovias. Sua função era oferecer um espetáculo de aceleração, fogo, ruído e velocidade em pistas preparadas.

Nas apresentações, uma das atrações mais conhecidas era justamente colocar o enorme caminhão em uma disputa contra aeronaves. A Força Aérea dos Estados Unidos divulgou eventos nos quais o Shockwave participava de corridas com aviões durante shows aéreos.

Foto: Reprodução/Youtube –
spencerhughes2255

O contraste era parte essencial do espetáculo. De um lado, uma aeronave projetada para voar. Do outro, algo visualmente reconhecível como um enorme caminhão Peterbilt, mas carregando três motores aeronáuticos na traseira.

Quando os pós-combustores eram acionados, enormes labaredas saíam da parte traseira e o nível de ruído era uma característica destacada até mesmo nas descrições oficiais das apresentações.

Shockwave conseguia ultrapassar 350 mph com 21 mil libras de empuxo

Os 36 mil hp chamam atenção, mas o número de empuxo ajuda a entender melhor o tipo de máquina construída por Shockley.

De acordo com a Robins Air Force Base, os três motores produziam juntos 21 mil libras de empuxo, força suficiente para levar o veículo a velocidades superiores a 350 mph durante as apresentações.

Caminhão de 1984 virou atração de shows aéreos a partir de 1988

Embora o Shockwave tenha sido criado em 1984, sua entrada definitiva no circuito de shows aéreos aconteceu alguns anos depois.

Segundo o International Council of Air Shows, Les Shockley levou o veículo para esse tipo de apresentação em 1988.

O formato rapidamente ganhou público, justamente por combinar elementos familiares, como a cabine de caminhão, com algo completamente fora do cotidiano, como três jatos em funcionamento simultâneo.

Shockley já possuía uma carreira de aproximadamente um quarto de século nas provas de arrancada quando construiu a máquina. Sua criação acabou se tornando um dos veículos de exibição mais reconhecíveis do circuito norte-americano.

Décadas depois de sua estreia, o Shockwave continuava aparecendo em grandes eventos ligados à aviação e ao automobilismo.

A máquina exigia pneus, freios e paraquedas preparados para velocidades extremas

Chegar a velocidades superiores a 300 mph era apenas metade do problema. Depois da aceleração, o caminhão precisava parar dentro dos limites de uma pista.

Em uma reportagem de 2019 sobre os preparativos da equipe, a Robins Air Force Base destacou trabalhos de manutenção em freios, pneus e paraquedas, além dos próprios motores a jato.

Esses componentes eram críticos porque as forças envolvidas estavam muito além das experimentadas por um caminhão de estrada. Em uma máquina concebida para acelerar a centenas de quilômetros por hora, a desaceleração precisava fazer parte do projeto desde o início.

Foto: Reprodução/Youtube –
spencerhughes2255

A estrutura também precisava lidar com vibração, calor intenso e as cargas produzidas durante a aceleração e a frenagem. O espetáculo de poucos segundos exigia uma preparação mecânica muito maior do que a imagem das labaredas deixava perceber.

Neal e Chris Darnell assumiram o Shockwave décadas depois

A história da máquina não terminou com Les Shockley. Segundo o International Council of Air Shows, Neal e Chris Darnell passaram a operar o Shockwave em 2012. A Darnell Racing Enterprises, sediada em Springfield, no Missouri, tornou-se responsável pelo veículo e por suas apresentações.

Chris Darnell passou a ocupar o cockpit do caminhão em apresentações nas quais velocidade e efeitos visuais eram combinados diante de grandes públicos.

Em fotografias e materiais oficiais da Força Aérea norte-americana, o Shockwave aparece lançando enormes chamas durante eventos realizados em bases militares, reforçando uma identidade visual que se tornou praticamente tão famosa quanto sua velocidade.

O espetáculo fazia fogo sair dos motores e até das chaminés

Para quem assistia ao Shockwave parado, a carroceria de Peterbilt ainda mantinha elementos reconhecíveis de um caminhão pesado norte-americano. Quando a apresentação começava, porém, a semelhança terminava rapidamente.

A Robins Air Force Base descreveu enormes chamas produzidas pelos três motores com pós-combustão, além de fogo saindo das chaminés, calor intenso, ruído elevado e velocidades extremas.

Não era simplesmente uma tentativa de estabelecer recordes. O Shockwave havia sido transformado em uma atração.

Foto: Reprodução/Youtube –
spencerhughes2255

O veículo precisava parecer extremo antes mesmo de começar a acelerar. Fogo, fumaça e ruído faziam parte da encenação, enquanto a corrida pela pista demonstrava que a potência instalada atrás da cabine não era apenas efeito visual.

O recorde colocou o Shockwave muito além de um caminhão convencional

O que torna o Shockwave tecnicamente curioso é justamente a dificuldade de encaixá-lo em uma categoria automotiva comum.

Visualmente, ele partia de um caminhão Peterbilt. Em termos de propulsão, porém, três motores aeronáuticos substituíam completamente a lógica de um conjunto motriz rodoviário.

A Força Aérea dos Estados Unidos chegou a descrevê-lo como o caminhão mais potente do mundo em materiais de divulgação dos shows e registrou tanto os 36 mil hp quanto a marca de 376 mph.

A combinação permitiu que o veículo construído nos anos 1980 permanecesse uma atração por décadas, atravessando várias gerações de carros esportivos e supercarros sem perder o impacto visual de ver um caminhão disparando por uma pista de aeroporto.

A história do Shockwave terminou tragicamente em 2022

A trajetória extraordinária da máquina teve um encerramento trágico. Em 2 de julho de 2022, Chris Darnell, então com 40 anos, morreu durante uma apresentação no Battle Creek Field of Flight Air Show, no Michigan. Ele dirigia o Shockwave em alta velocidade quando o veículo perdeu o controle e sofreu um acidente.

A Aircraft Owners and Pilots Association informou posteriormente que Neal Darnell, pai de Chris, atribuiu o acidente a uma falha mecânica.

A reportagem também registrou que familiares disseram que um pneu havia estourado, fazendo o veículo derrapar e os tanques se romperem.

Assista o vídeo

A própria cidade de Battle Creek divulgou que a polícia considerava um pneu estourado a causa provável do acidente. O episódio destruiu o Shockwave original e encerrou décadas de apresentações daquela máquina.

Três motores e 36 mil cv fizeram do Shockwave uma das máquinas mais extremas já colocadas sobre rodas

Quase quatro décadas separaram a construção do Shockwave, em 1984, de seu acidente final, em 2022. Durante esse intervalo, o enorme Peterbilt passou de experimento radical de Les Shockley a atração conhecida em eventos automobilísticos e shows aéreos nos Estados Unidos.

Os números explicam boa parte dessa longevidade: três motores J34-48, 36 mil hp anunciados, 21 mil libras de empuxo e uma marca de 376 mph, aproximadamente 605 km/h.

Mas o que tornou o Shockwave memorável foi a combinação desses dados com uma imagem quase absurda: uma enorme cabine de caminhão avançando por uma pista de aeroporto com três jatos rugindo atrás dela, labaredas saindo da traseira e potência suficiente para colocá-la lado a lado com aviões.

O Shockwave deixou de existir fisicamente em 2022, mas o recorde e as imagens produzidas durante décadas explicam por que essa máquina continua sendo lembrada como um dos projetos terrestres mais extremos já construídos.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

Sair da versão mobile