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Construtoras estão trocando a laje maciça escorada por uma chapa de aço que vira laje sem uma única escora e que cinco pessoas montam a até mil metros quadrados por dia
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 04/08/2026 às 12:05
Atualizado em 04/08/2026 às 12:14
Construção
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O sistema se chama steel deck e combina chapa de aço galvanizado com concreto. Antes da cura, a chapa funciona como fôrma autoportante. Depois, ela se incorpora ao concreto e passa a atuar como armadura. A norma brasileira que trata do assunto é a NBR 16421.
A escora sumiu do canteiro. É essa a mudança mais visível quando uma obra adota o sistema de laje mista conhecido como steel deck, em que uma chapa de aço galvanizado conformada por perfilamento substitui a fôrma de madeira e o escoramento tradicional, conforme reportagem publicada pelo portal AECWeb em 3 de abril de 2024 e reproduzida pelo Centro Brasileiro da Construção em Aço.
O ritmo de montagem é o argumento mais forte. Uma equipe de cinco pessoas treinadas monta de 800 a 1.000 metros quadrados em um único dia de trabalho, segundo o engenheiro Luciano Figueiredo, diretor da consultoria LBL Metálica, entrevistado na reportagem.
Como a chapa vira laje
O princípio é de dupla função, e é isso que diferencia o sistema. Antes da cura do concreto, a chapa perfilada trabalha como fôrma autoportante, ou seja, se sustenta sozinha e dispensa qualquer escoramento por baixo.
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Depois que o concreto cura, ela não é retirada. A chapa se incorpora à peça e passa a atuar como armadura positiva da laje, absorvendo os esforços de tração na face inferior. É o mesmo aço fazendo dois trabalhos em momentos diferentes da obra, o que explica ao mesmo tempo a economia de armadura e a eliminação da madeira de fôrma.
O que muda no cronograma
A ausência de escora produz um efeito em cadeia no canteiro. Sem estrutura de apoio ocupando o pavimento de baixo, as equipes podem trabalhar em andares diferentes ao mesmo tempo.
Figueiredo descreve isso de forma direta: é possível concretar uma laje enquanto outros trabalhadores fazem acabamento nos andares inferiores. Na obra convencional, o escoramento precisa permanecer no lugar por semanas até o concreto atingir resistência, o que trava o pavimento inteiro. É justamente essa simultaneidade que encurta o cronograma, mais até do que a velocidade de montagem em si.
Onde o sistema é usado no Brasil
A aplicação é ampla e não se restringe a um tipo de obra. O método é empregado em edifícios comerciais, industriais, shopping centers, hotéis, estacionamentos e também em projetos residenciais.
É mais comum em construções que já usam estrutura metálica, pela compatibilidade natural entre os componentes. Mas o sistema também funciona com estruturas de concreto pré-fabricado ou moldado no local, o que amplia bastante o leque de obras em que pode ser considerado.
As normas que regem o assunto
Existe regulamentação técnica específica, e vale conhecer os números. A NBR 16421, de 2015, trata da telha-fôrma de aço colaborante para laje mista de aço e concreto, definindo requisitos e ensaios. Figueiredo integrou a comissão que a elaborou e informou, à época da reportagem, que o texto estava em revisão.
Há ainda o anexo Q da NBR 8800, de 2008, que trata do projeto de estruturas de aço e de estruturas mistas de aço e concreto em edifícios, e que aborda especificamente o dimensionamento das lajes mistas. Para proteção contra incêndio, a referência é a NBR 14323.
A decisão precisa vir do projeto
Um alerta aparece logo no início da reportagem e costuma ser ignorado na prática. A escolha pelo sistema deve ser tomada ainda na fase de concepção do projeto, e não no meio da obra.
O motivo é estrutural. Adotar steel deck muda o dimensionamento das vigas, a modulação dos vãos e a distribuição de cargas. Quando o projeto foi concebido para laje maciça convencional e a troca é decidida depois, boa parte das vantagens se perde, porque a estrutura já foi calculada para outra lógica. Segundo Figueiredo, definir isso desde o começo é o que permite explorar todo o potencial do sistema.
As vantagens que o setor aponta
A lista apresentada na reportagem é longa e vale enumerar. A montagem é simples e não exige equipamento especial, as fôrmas são leves e servem como plataforma de trabalho, o que melhora a segurança da equipe durante a execução.
Há economia de armadura, redução de desperdício e de resíduos sólidos a praticamente zero, e o aço é reciclável. A fixação na estrutura é feita com pinos aplicados por pistola pneumática, procedimento que independe de condições externas como chuva. A instalação de dutos elétricos e hidráulicos é facilitada, e a chapa pintada dispensa forro de acabamento. Durante a montagem, o conjunto funciona como diafragma horizontal, travando a estrutura.
O ganho que vem das vigas mistas
Existe um detalhe de engenharia que amplia bastante o benefício e passa despercebido por quem olha só a laje. O sistema admite o uso de conector de cisalhamento do tipo stud bolt, peça soldada que amarra a laje à viga metálica.
Com essa ligação, laje e viga passam a trabalhar juntas como uma peça só, o que caracteriza a viga mista. O resultado é uma redução de até 30% no peso das vigas da estrutura, segundo o engenheiro. Menos aço nas vigas significa fundação mais leve e custo total menor, e é aí que a economia deixa de ser apenas do pavimento e passa a ser do edifício inteiro.
Os cuidados que a obra exige
Nenhum sistema construtivo dispensa atenção técnica, e este tem pontos específicos. Por usar aço galvanizado, a manutenção é reduzida, mas em zona marítima o engenheiro recomenda pintura na parte exposta, por causa da corrosão.
Durante a concretagem, é preciso evitar o empoçamento pontual do concreto sobre a chapa. E há um limite importante em segurança contra incêndio: o steel deck resiste a um tempo requerido de resistência ao fogo de até 30 minutos. Acima disso, é obrigatório usar armaduras adicionais, conforme as prescrições da NBR 14323. Essas armaduras também são recomendadas para evitar fissuras causadas pela tendência de continuidade das vigas e pela retração do concreto.
Quem monta o sistema
A mão de obra necessária é um ponto que interessa a quem administra obra. A montagem é descrita como tarefa simples, que não exige formação específica nem curso especializado.
Segundo Figueiredo, montadores de estruturas metálicas executam o serviço sem complicações. A equipe de cinco pessoas citada na reportagem é apresentada como treinada, não como especializada, o que é uma distinção relevante em um setor que enfrenta dificuldade recorrente para encontrar profissionais qualificados em técnicas específicas.
Uma ressalva sobre a origem da avaliação
Convém registrar quem está falando. As avaliações sobre custo competitivo e sobre a superioridade do sistema partem de um engenheiro que dirige consultoria especializada em estruturas metálicas, e a reportagem foi reproduzida por uma entidade do setor siderúrgico.
Isso não invalida os dados técnicos, que estão amparados em normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas. Mas as comparações de custo e as previsões de mercado são opinião de parte interessada, e comparar orçamento com laje convencional em cada obra específica continua sendo tarefa de quem contrata.
E você, já trabalhou em obra com steel deck ou só com laje convencional? Conta aqui nos comentários qual foi a diferença que mais chamou sua atenção no canteiro, e diga se acha que sistemas industrializados vão substituir de vez a laje escorada no Brasil.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

