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Cooperativa ergue indústria de soja de R$ 1,013 bilhão em uma área de 115 hectares às margens da BR-163, instala capacidade para processar 3 mil toneladas por dia e prepara a maior obra de sua história, que deverá gerar empregos, produzir farelo e óleo e transformar Naviraí em um novo polo agroindustrial até 2027
Escrito por Carla Teles
Publicado em 06/08/2026 às 16:15
Atualizado em 06/08/2026 às 16:16
Construção
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A indústria de soja da Copasul ocupará uma área de 115 hectares no km 142,5 da BR-163, terá investimento de R$ 1,013 bilhão e capacidade para processar 3 mil toneladas por dia, produzir farelo e óleo vegetal e ampliar a agregação de valor à safra sul-mato-grossense quando entrar em operação.
A indústria de soja que a Cooperativa Agrícola Sul-Mato-Grossense, a Copasul, começou a construir entre Naviraí e Juti representa o maior investimento realizado pela organização em sua história. Com orçamento anunciado de R$ 1,013 bilhão, o empreendimento será implantado em uma área de 115 hectares e terá estrutura para transformar diariamente 3 mil toneladas do grão em produtos de maior valor comercial.
As informações foram divulgadas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul, a Semadesc. Segundo o órgão estadual, a terraplanagem começou em abril de 2025, às margens da BR-163, no km 142,5, ao lado da fecularia que a cooperativa já mantém na região.
Complexo será instalado entre Naviraí e Juti
A localização da nova unidade foi escolhida em um trecho da BR-163 situado entre os municípios de Naviraí e Juti, no sul de Mato Grosso do Sul. A rodovia passa por uma importante região produtora e funciona como um dos principais corredores usados para o deslocamento de grãos, insumos e outros produtos ligados ao agronegócio estadual.
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A área reservada para a indústria de soja possui 115 hectares, dimensão necessária para receber as edificações industriais, os acessos internos, as estruturas de armazenamento e a subestação de energia elétrica. O projeto não se limita a uma fábrica isolada, mas envolve um complexo preparado para receber, armazenar e transformar grandes volumes da produção agrícola regional.
Terraplanagem mobilizou 210 trabalhadores
Na primeira semana de maio de 2025, aproximadamente 210 trabalhadores atuavam no canteiro de obras. As equipes estavam concentradas na preparação do terreno e das áreas destinadas à subestação geral de energia, ao graneleiro, aos acessos internos e às demais estruturas previstas no planejamento da unidade.
A expectativa apresentada naquele momento era concluir a etapa de terraplanagem até o final de maio, desde que as condições climáticas permitissem a continuidade dos serviços. Depois disso, o cronograma previa o início das fundações dos prédios industriais. A fonte, entretanto, não informa uma data definitiva para a conclusão de todo o complexo ou para o começo das operações comerciais.
Investimento supera R$ 1 bilhão
Com R$ 1,013 bilhão previstos, a indústria de soja tornou-se a maior obra já conduzida pela Copasul. O valor será aplicado em uma unidade dedicada exclusivamente ao processamento do grão, ampliando a presença da cooperativa em uma etapa da cadeia produtiva que vai além do recebimento, da armazenagem e da comercialização da matéria-prima.
O empreendimento ocorre depois de outro ciclo relevante de investimentos. A Copasul concluiu um projeto de R$ 400 milhões para ampliar a capacidade de armazenagem de grãos, incluindo o complexo de silos Serra de Maracaju, que já estava em funcionamento quando a Semadesc publicou as informações. Somados, os projetos mostram uma estratégia voltada ao aumento da infraestrutura disponível para receber e industrializar a produção estadual.
Unidade poderá processar 3 mil toneladas por dia
Quando entrar em funcionamento, a nova planta terá capacidade para processar 3 mil toneladas de soja diariamente. Esse volume representa a transformação industrial de uma quantidade expressiva do grão, que deixará de ser comercializado apenas como matéria-prima e poderá originar produtos destinados tanto ao mercado interno quanto à exportação.
O processamento resultará principalmente na fabricação de farelo e óleo vegetal. O farelo possui aplicação importante na nutrição animal, enquanto o óleo pode ser direcionado ao consumo e a outras utilizações industriais. A capacidade anunciada coloca a unidade entre os grandes investimentos voltados à verticalização da cadeia da soja em Mato Grosso do Sul.
Farelo poderá fortalecer outras cadeias produtivas
De acordo com Jaime Verruck, secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação na data da publicação, a industrialização do grão pode ampliar a conexão entre diferentes atividades econômicas. O farelo produzido pela planta poderá abastecer cadeias que dependem de alimentação animal, mantendo uma parcela maior da transformação econômica dentro do estado.
O secretário afirmou que empreendimentos desse tipo são estratégicos porque agregam valor à principal cultura agrícola de Mato Grosso do Sul. Na safra mencionada pela Semadesc, a soja ocupava mais de 4,5 milhões de hectares no estado. Em vez de apenas escoar o grão, a proposta é processá-lo regionalmente e criar novos fluxos de produção, fornecimento e comercialização.
Produção de óleo amplia destino da safra
O óleo vegetal será outro produto obtido pela indústria de soja. A fabricação permitirá que parte da produção regional percorra etapas adicionais antes de chegar aos compradores, aumentando a diversidade de mercadorias originadas do mesmo volume colhido nas propriedades rurais atendidas pela cooperativa.
A fonte não apresenta estimativas de faturamento, volume anual de óleo ou participação esperada no mercado. Também não detalha quanto da produção será destinado ao consumo interno ou às exportações. Dessa forma, é possível afirmar que haverá fabricação de óleo e farelo, mas não projetar resultados comerciais que ainda não foram divulgados oficialmente.
Projeto reforça posição agroindustrial de Naviraí
Naviraí já reúne atividades relacionadas à produção agrícola e à transformação de matérias-primas, incluindo a fecularia da própria Copasul instalada ao lado da área escolhida para o novo empreendimento. A construção amplia esse perfil ao acrescentar uma estrutura de grande escala voltada especificamente à cadeia da soja.
Para a Semadesc, a unidade reforça o papel do município como polo agroindustrial no sul do estado. A proximidade com Juti e com a BR-163 também amplia o alcance regional do investimento. A expectativa é que fornecedores, transportadores, produtores e prestadores de serviços sejam mobilizados em torno de uma operação que dependerá de fluxo contínuo de matéria-prima e logística.
Cooperativismo lidera maior obra da Copasul
A Copasul atua há mais de 45 anos no apoio à agricultura familiar e empresarial do sul de Mato Grosso do Sul. Ao entrar de maneira mais ampla no processamento industrial, a cooperativa busca aumentar o valor obtido a partir da produção de seus associados e ampliar sua participação nas etapas posteriores à colheita.
O projeto também recebe apoio da política estadual de industrialização e do Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial pelo Cooperativismo, o Procoop. Segundo Jaime Verruck, a participação de uma cooperativa de grande porte dá ao empreendimento relevância adicional, porque conecta o investimento industrial à base de produtores que fornece os grãos.
Construção representa mudança de escala
A indústria de soja marca uma mudança de dimensão para a Copasul. A organização passa de investimentos predominantemente ligados à armazenagem para uma planta capaz de receber milhares de toneladas por dia e convertê-las em insumos usados por outros segmentos da economia.
Ainda não é possível medir todos os efeitos do empreendimento, pois a fonte não informa a data final da obra, o início da operação nem o número definitivo de empregos que serão mantidos depois da inauguração. O dado confirmado para a fase inicial é a presença de aproximadamente 210 trabalhadores no canteiro durante a primeira semana de maio de 2025.
Maior investimento poderá mudar a economia regional
Ao destinar mais de R$ 1 bilhão à industrialização, a Copasul aposta que o crescimento da produção agrícola pode sustentar uma nova etapa de desenvolvimento regional. O impacto esperado não depende apenas do tamanho da estrutura, mas da capacidade de transformar a soja produzida no estado em farelo e óleo antes que ela deixe a região.
Em nova atualização divulgada pela Copasul em março de 2026, a cooperativa informou que a subestação principal da Unidade de Processamento de Soja foi energizada, marcando uma etapa decisiva no avanço do complexo industrial construído às margens da BR-163, em Naviraí. A estrutura será responsável por fornecer energia aos equipamentos, sistemas de transporte de grãos e instalações da futura fábrica, indicando que o empreendimento avançou além da terraplanagem e entrou em uma fase mais robusta de montagem da infraestrutura necessária para o início das operações.
A maior obra da história da cooperativa poderá alterar a posição de Naviraí na cadeia agroindustrial de Mato Grosso do Sul, mas seus resultados dependerão da conclusão do cronograma e do desempenho da futura operação. Para você, investimentos em processamento local são o melhor caminho para regiões produtoras deixarem de depender apenas da venda de matéria-prima? Compartilhe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

