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Correios perdem R$ 5,55 bilhões em apenas seis meses — e a conta que vem pela frente pode fazer 2026 entrar para a história

Correios perdem R$ 5,55 bilhões em apenas seis meses — e a conta que vem pela frente pode fazer 2026 entrar para a história

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Correios perdem R$ 5,55 bilhões em apenas seis meses — e a conta que vem pela frente pode fazer 2026 entrar para a história

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 31/08/2026 às 08:48

Atualizado em 31/08/2026 às 09:46

Economia

Canal

Imagem: Ilustração

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Mesmo com uma melhora entre abril e junho, o prejuízo dos Correios cresceu 30,4% no semestre; após empréstimo de R$ 12 bilhões, estatal negocia mais R$ 7 bilhões e terá previsão de aporte federal de R$ 6 bilhões em 2027

Os Correios perderam R$ 5,55 bilhões somente nos primeiros seis meses de 2026. O número, por si só, já chama atenção. Porém, existe um dado ainda mais preocupante: mesmo com sinais de melhora no segundo trimestre, o prejuízo dos Correios aumentou 30,4% em relação ao mesmo período de 2025 e mantém a estatal no caminho para terminar o ano com o pior resultado financeiro de sua história.

Os números definitivos foram divulgados pelos Correios no sábado, 29 de agosto de 2026, e atualizam informações preliminares que circulavam anteriormente. O próprio CPG havia mostrado que a estatal acumulava cerca de R$ 5,4 bilhões negativos enquanto as demonstrações ainda estavam sendo consolidadas. Agora, o balanço fechado elevou esse valor para R$ 5,55 bilhões. Veja a matéria anterior do CPG sobre o prejuízo dos Correios

A situação cria um contraste difícil de ignorar. Os Correios estão conseguindo reduzir algumas despesas e diminuíram o prejuízo de um trimestre para outro. Ainda assim, continuam perdendo bilhões de reais, precisam de crédito para sustentar a reestruturação e já contam com uma nova injeção de recursos federais prevista para 2027.

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Prejuízo cai de um trimestre para outro, mas o buraco do semestre ficou maior

À primeira vista, os números mais recentes trazem uma notícia positiva.

No primeiro trimestre de 2026, os Correios haviam registrado R$ 3,16 bilhões de prejuízo líquido. Entre abril e junho, a perda caiu para R$ 2,39 bilhões, uma redução de 24,4% na comparação entre os dois períodos.

Quando comparado ao segundo trimestre de 2025, o resultado também apresentou melhora. Naquela ocasião, a estatal havia perdido aproximadamente R$ 2,53 bilhões.

O problema aparece quando se amplia a fotografia.

Somados, janeiro, fevereiro, março, abril, maio e junho deixaram um rombo de R$ 5,55 bilhões. Um ano antes, no mesmo intervalo, o prejuízo havia sido de aproximadamente R$ 4,26 bilhões.

Ou seja, embora a velocidade das perdas tenha diminuído entre o primeiro e o segundo trimestre, o prejuízo acumulado continua muito acima daquele registrado há apenas um ano.

É exatamente essa combinação que ajuda a explicar por que a direção da estatal fala em melhora, enquanto especialistas continuam enxergando um problema financeiro estrutural.

Correios já tiveram prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões — e 2026 pode ser ainda pior

A comparação fica mais delicada quando se olha para o resultado do ano passado.

Em 2025, os Correios fecharam o exercício com prejuízo de aproximadamente R$ 8,5 bilhões, até então o maior resultado negativo da história da companhia.

O CPG acompanhou aquele balanço e mostrou como a deterioração das contas já obrigava a estatal a acelerar seu plano de reestruturação. Relembre no CPG o prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões registrado pelos Correios em 2025

Agora, a expectativa dentro do próprio governo é que 2026 termine com uma perda ainda superior à registrada em 2025. Isso faria deste ano um novo recorde negativo para a companhia.

A projeção, contudo, não significa que o resultado final já esteja definido. Ainda faltam os balanços do terceiro e do quarto trimestres.

O que existe até agora é uma trajetória financeira suficientemente negativa para colocar esse risco no radar.

Receita encolhe enquanto custos continuam consumindo quase tudo o que entra

O desafio não está somente no tamanho do prejuízo.

A receita líquida dos Correios somou cerca de R$ 7,87 bilhões no primeiro semestre, queda de aproximadamente 3,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Entre o primeiro e o segundo trimestre houve alguma recuperação: a receita líquida passou de R$ 3,86 bilhões para R$ 4,01 bilhões, crescimento de 3,8%.

Ainda assim, a margem disponível depois dos custos diretamente relacionados aos serviços permanece muito estreita.

Esse é um ponto importante para entender a crise.

Não basta aos Correios colocar bilhões de reais dentro do caixa todos os meses por meio das vendas. A companhia precisa gerar dinheiro suficiente depois de pagar os custos das operações para bancar salários, administração, dívidas, despesas financeiras, processos judiciais e investimentos.

Quando essa sobra é pequena, qualquer aumento significativo em juros, despesas judiciais ou queda de receita pode empurrar novamente o balanço para baixo.

Negócio internacional perdeu R$ 460 milhões em receita

Outra peça desse quebra-cabeça aparece nas encomendas internacionais.

O balanço apontou uma redução de aproximadamente R$ 460,4 milhões nas receitas do segmento internacional durante o primeiro semestre.

Essa queda acontece justamente quando o mercado brasileiro de encomendas passa por mudanças profundas.

Durante décadas, os Correios ocuparam uma posição praticamente natural na logística de pequenas encomendas. O avanço do comércio eletrônico, entretanto, trouxe novos competidores, redes próprias de distribuição e transportadoras cada vez mais integradas às grandes plataformas digitais.

Ao mesmo tempo, o serviço postal tradicional perdeu relevância econômica.

Na prática, a estatal precisa sustentar uma enorme infraestrutura nacional enquanto disputa os segmentos mais rentáveis com empresas privadas que nasceram ou cresceram justamente para atender ao comércio eletrônico.

Empréstimo de R$ 12 bilhões deu fôlego, mas não resolveu o problema

Para impedir que a falta de caixa interrompesse obrigações essenciais, os Correios recorreram ao sistema financeiro.

No fim de 2025, a companhia contratou R$ 12 bilhões em crédito com garantia da União.

O tamanho da operação colocou os Correios em uma posição inédita entre as empresas públicas. Conforme o CPG mostrou em abril, a estatal passou a concentrar 77,6% das garantias da União relacionadas às operações de crédito de empresas estatais. Entenda no CPG como o empréstimo de R$ 12 bilhões transformou os Correios na estatal com maior dívida avalizada pelo Tesouro

Segundo a própria companhia, o dinheiro permitiu regularizar compromissos de curto prazo e reorganizar o perfil da dívida.

Parte do crédito também foi usada para quitar antecipadamente R$ 1,8 bilhão de uma dívida bancária mais onerosa. A regularização de passivos vencidos teria proporcionado economia de aproximadamente R$ 322 milhões.

Além disso, houve alongamento de parte relevante da dívida, cujo prazo passou de 18 para 180 meses.

Isso reduz a pressão imediata sobre o caixa.

Mas não elimina o problema principal: a companhia continua apresentando prejuízo operacional e financeiro elevado.

Depois dos R$ 12 bilhões, mais R$ 7 bilhões estão sendo negociados

É justamente aí que aparece outro número importante.

Mesmo após contratar os R$ 12 bilhões, os Correios estão negociando uma segunda operação de crédito na casa dos R$ 7 bilhões.

O Conselho Monetário Nacional já havia autorizado uma nova contratação de até R$ 8 bilhões com garantia do Tesouro, enquanto as negociações passaram a trabalhar com aproximadamente R$ 7 bilhões.

Caso a nova operação seja concluída nesse valor, os dois empréstimos somariam aproximadamente R$ 19 bilhões.

Isso não significa que R$ 19 bilhões tenham sido perdidos. São recursos de financiamento que precisam ser pagos posteriormente, acrescidos das condições financeiras previstas nos contratos.

O ponto central é outro: o tamanho da necessidade de crédito revela quanto caixa a estatal precisa para atravessar sua reestruturação sem interromper pagamentos e operações.

E ainda há R$ 6 bilhões previstos para entrar em 2027

A conta financeira não termina nos empréstimos.

O governo federal decidiu incluir no Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 uma previsão de aporte de R$ 6 bilhões nos Correios.

Esse valor não surgiu agora.

O aporte estava ligado às condições negociadas com os bancos que participaram do empréstimo de R$ 12 bilhões firmado no fim de 2025.

Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander participaram daquela operação. A previsão de uma capitalização federal ajudou a dar segurança financeira ao acordo.

Na prática, portanto, o plano de recuperação dos Correios combina três grandes frentes financeiras: R$ 12 bilhões já contratados, cerca de R$ 7 bilhões em uma nova operação ainda negociada e R$ 6 bilhões previstos como aporte federal em 2027.

São mecanismos diferentes e não devem ser tratados como se representassem uma única transferência de dinheiro público. Ainda assim, juntos dão uma dimensão do esforço financeiro necessário para reorganizar a companhia.

Mais de 6,5 mil trabalhadores já deixaram os Correios

A reestruturação também chegou diretamente aos trabalhadores.

Segundo os dados mais recentes, 6.545 empregados já deixaram os Correios por meio de programas de desligamento voluntário, sendo 2.767 somente durante o primeiro semestre de 2026.

Mesmo após reajuste salarial de 5,1%, a empresa afirma ter conseguido reduzir suas despesas com pessoal em aproximadamente 4%.

Mas o ajuste ainda não acabou.

O CPG mostrou em junho que os Correios preparavam uma nova etapa de seu Programa de Demissão Voluntária capaz de alcançar até 7 mil trabalhadores, concentrando parte dos desligamentos justamente em unidades que seriam afetadas pela reorganização da rede. Veja no CPG os detalhes do novo PDV que pode atingir até 7 mil funcionários dos Correios

A primeira tentativa de reduzir o quadro já havia encontrado dificuldades.

Em outra reportagem, o CPG mostrou que pouco mais de 3 mil trabalhadores aderiram a uma rodada anterior do PDV, quando a meta inicialmente considerada era chegar a 10 mil desligamentos. Entenda por que o primeiro PDV dos Correios ficou muito abaixo da meta de desligamentos

Fechamento de unidades e venda de imóveis entram no plano

Os cortes de pessoal fazem parte de uma transformação mais ampla.

O plano de reestruturação prevê medidas como fechamento de unidades, revisão de contratos, venda de imóveis, redução de despesas e mudanças no modelo operacional.

Uma das frentes envolve cerca de mil pontos entre agências e unidades relacionadas ao tratamento de cargas, segundo informações divulgadas sobre o programa.

A estatal também busca novas formas de utilizar sua estrutura física, incluindo parcerias com o poder público e empresas privadas.

A lógica é relativamente simples: uma rede construída para um mercado postal muito maior precisa ser adaptada para um cenário em que cartas perderam espaço e as encomendas enfrentam concorrência muito mais agressiva.

Mas executar essa mudança sem prejudicar a cobertura nacional é justamente uma das partes mais difíceis da reestruturação.

Entregas atrasadas também custam dinheiro

Existe ainda um problema que aparece menos nas grandes cifras, mas chega diretamente à experiência de quem utiliza os serviços.

Os Correios registraram aumento de despesas relacionadas a indenizações por objetos entregues fora dos prazos, especialmente devido ao desempenho operacional observado no primeiro trimestre.

Isso cria um ciclo delicado.

A empresa precisa cortar despesas para reduzir o prejuízo. Ao mesmo tempo, não pode fazer uma redução tão agressiva de estrutura e pessoal que piore as entregas, afaste clientes e reduza ainda mais a receita.

Em uma empresa de logística, economizar sacrificando a qualidade pode acabar criando novas perdas posteriormente.

Correios dizem que reestruturação começa a aparecer nos números

Apesar do cenário, a direção dos Correios argumenta que os resultados entre abril e junho já mostram os primeiros efeitos das mudanças.

Além da redução do prejuízo trimestral, houve crescimento de 3,8% da receita líquida em relação ao primeiro trimestre e redução de aproximadamente 25% do resultado negativo antes das despesas financeiras.

Em comunicado oficial, a companhia afirmou que o resultado acumulado ainda permanece desafiador e que pretende continuar trabalhando na recuperação das receitas, aumento da eficiência, revisão de contratos e modernização de seu modelo de negócios.

Confira o comunicado oficial dos Correios sobre os resultados do segundo trimestre de 2026

Essa melhora entre os trimestres, portanto, existe.

O problema é a distância que ainda separa uma redução das perdas de uma recuperação financeira verdadeira.

A grande pergunta agora é quanto os Correios ainda vão perder até dezembro

Os próximos dois trimestres serão decisivos.

Para evitar um novo recorde negativo, os Correios precisariam reduzir de maneira bastante significativa o prejuízo registrado na segunda metade do ano.

A referência é 2025: R$ 8,5 bilhões negativos.

Com R$ 5,55 bilhões já acumulados até junho, qualquer deterioração mais forte no segundo semestre aumenta a possibilidade de 2026 ultrapassar essa marca.

É por isso que os números recém-divulgados contam duas histórias ao mesmo tempo.

Uma delas mostra uma empresa que reduziu o prejuízo entre o primeiro e o segundo trimestre, cortou gastos, renegociou dívidas e conseguiu algum fôlego financeiro.

A outra mostra uma estatal que ainda perdeu R$ 5,55 bilhões em apenas seis meses, precisa negociar outros R$ 7 bilhões em crédito e terá R$ 6 bilhões previstos no Orçamento federal de 2027 para sustentar sua recuperação.

Entre essas duas histórias está o verdadeiro teste para os Correios: provar que a melhora registrada entre abril e junho não foi apenas uma pausa no avanço das perdas, mas o início de uma reversão capaz de impedir que 2026 termine registrado como o pior ano financeiro de sua história.

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CorreiosEconomia

Fonte

globo


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

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