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Criado na periferia e sem ter quarto próprio até os 17 anos, menino cresce em meio a dificuldades, passa a vender laranja, alho e hot dog nas ruas ainda jovem, constrói trajetória no empreendedorismo e décadas depois chega ao comando de uma rede de crepes que faturou R$ 10 milhões em um ano

Criado na periferia e sem ter quarto próprio até os 17 anos, menino cresce em meio a dificuldades, passa a vender laranja, alho e hot dog nas ruas ainda jovem, constrói trajetória no empreendedorismo e décadas depois chega ao comando de uma rede de crepes que faturou R$ 10 milhões em um ano

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Criado na periferia e sem ter quarto próprio até os 17 anos, menino cresce em meio a dificuldades, passa a vender laranja, alho e hot dog nas ruas ainda jovem, constrói trajetória no empreendedorismo e décadas depois chega ao comando de uma rede de crepes que faturou R$ 10 milhões em um ano

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 21/08/2026 às 18:17

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Infância marcada por dificuldades financeiras, vendas nas ruas e responsabilidades precoces antecedeu uma trajetória profissional com mudanças de setor, negócios próprios e recomeços. Décadas depois, experiências acumuladas desde a juventude ajudariam a transformar uma ideia ligada à alimentação em uma operação de alcance milionário.

Antes de comandar uma rede especializada em crepes e registrar faturamento milionário, André Augusto passou parte da infância ajudando o pai a vender produtos de porta em porta na periferia de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, em uma rotina marcada por dificuldades financeiras.

Ainda criança, ele participou da comercialização de laranjas e alho e, posteriormente, passou a trabalhar também com cachorro-quente, atividades que ajudavam nas despesas de uma família que dependia do comércio informal para complementar a renda e manter a casa.

Na residência localizada no Jardim São Judas Tadeu, as limitações financeiras apareciam também na falta de espaço, já que André não teve um quarto próprio até os 17 anos e dormia em um colchão colocado entre a sala e a cozinha.

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Enquanto acompanhava o pai, Eduardo Augusto, pelas ruas da região, o menino conheceu de perto uma rotina baseada na busca diária por clientes, pois o chefe da família não tinha emprego fixo e recorria às vendas para conseguir dinheiro.

Vendas nas ruas começaram ainda na infância

Segundo reportagem publicada pelo UOL, André começou a acompanhar o pai nas vendas aos 9 anos, percorrendo ruas de porta em porta para oferecer laranjas e alho e entrando em contato com consumidores muito antes de iniciar formalmente sua carreira profissional.

Algum tempo depois, uma barraca de cachorro-quente doada por um tio ampliou as possibilidades de renda da família e aproximou ainda mais o jovem do setor de alimentação, que voltaria a aparecer de forma decisiva em sua trajetória empresarial décadas mais tarde.

À medida que ganhava experiência, André assumia responsabilidades maiores na pequena operação familiar e, aos 16 anos, já cuidava sozinho da barraca, depois que o pai passou a se dedicar também a outro negócio para reforçar o orçamento doméstico.

Foi justamente nessa fase que a situação dentro de casa começou a mudar, porque a renda acumulada permitiu ampliar o imóvel e construir um novo cômodo, dando ao jovem, aos 17 anos, o primeiro quarto próprio desde o nascimento.

Experiência comercial abriu caminho para a carreira profissional

Encerrada a adolescência, a experiência prática adquirida nas ruas passou a se combinar com formação acadêmica, já que André ingressou em um curso superior de propaganda e marketing e, alguns anos depois, conseguiu uma oportunidade profissional em uma multinacional do setor alimentício.

Na Quala Alimentos, onde iniciou a trajetória como vendedor, ele avançou até ocupar uma posição de gerente de expansão, acumulando experiência em negociação, gestão comercial e desenvolvimento de negócios, competências que posteriormente seriam utilizadas na administração de seus próprios empreendimentos.

Depois de construir carreira trabalhando para outras empresas, André decidiu assumir os riscos de uma operação própria e, em 2012, deixou o emprego para criar uma distribuidora de calçados femininos em São Paulo, iniciando uma nova etapa profissional.

O negócio ganhou escala e, conforme as informações reunidas pelo UOL, chegou a faturar aproximadamente R$ 5 milhões por ano, desempenho que também levou o empresário a alcançar seu primeiro milhão aos 27 anos e ampliar sua experiência em gestão.

Apesar dos resultados obtidos durante a expansão, a distribuidora não permaneceu em atividade indefinidamente e acabou sendo encerrada em 2017, em meio à crise econômica enfrentada pelo país, obrigando André a reorganizar novamente sua trajetória no empreendedorismo.

Sem abandonar a atividade empresarial, ele continuou envolvido com outros projetos, entre eles a agência de marketing Vendastech, iniciativa relacionada à formação em propaganda e à experiência comercial acumulada desde os primeiros trabalhos até os cargos de liderança.

Viagem a Paris inspirou a criação da Crepefy

Uma nova mudança de direção surgiu durante uma viagem feita com a mulher, Tawane, quando o casal esteve em Paris para comemorar 15 anos de casamento e percebeu a presença frequente de creperias e consumidores comendo o produto pelas ruas da capital francesa.

A observação despertou a ideia de adaptar o modelo ao mercado brasileiro e, ao retornar ao país, André convidou Denis Messias, amigo de infância com experiência gastronômica, para participar do desenvolvimento do produto e da estruturação da futura operação.

Antes de receber os primeiros clientes, os sócios trabalharam na definição do formato comercial, do cardápio e da identidade do empreendimento, enquanto o investimento inicial informado para colocar o projeto em funcionamento ficou em aproximadamente R$ 300 mil.

No fim de 2022, a Crepefy iniciou sua primeira operação em São Paulo com uma proposta baseada no crepe francês servido em formato triangular, concebido para que o consumidor pudesse segurar o alimento confortavelmente sem precisar utilizar pratos ou talheres.

Além das diferentes combinações doces e salgadas disponíveis no cardápio, a marca passou a permitir que o próprio cliente escolhesse ingredientes para montar o recheio, oferecendo alternativas como frango com catupiry e creme de avelã acompanhado de morango.

Pensada também para vendas fora do salão, a embalagem recebeu um formato desenvolvido especificamente para a operação, acompanhando a identidade visual da empresa e buscando conservar o produto aquecido durante o transporte em pedidos realizados pelos canais de entrega.

Rede de crepes avançou pelo modelo de franquias

Em vez de permanecer concentrada somente na primeira loja, a Crepefy foi estruturada para crescer por meio de franquias, utilizando diferentes formatos comerciais, entre eles quiosques e estabelecimentos de rua capazes de combinar atendimento presencial, delivery e participação em eventos.

A estratégia permitiu ampliar rapidamente a presença da marca e, na reportagem do UOL que apresentou a trajetória de André, a empresa aparecia com uma unidade própria e cerca de 40 franquias em funcionamento distribuídas pelo modelo de expansão adotado.

Para quem pretendia se tornar franqueado, o investimento divulgado naquele momento variava aproximadamente entre R$ 80 mil e R$ 140 mil, dependendo do formato escolhido para a unidade e das características necessárias para colocar a operação em funcionamento.

Enquanto a massa utilizada pelos estabelecimentos permanecia centralizada na estrutura da franqueadora em São Paulo, parte dos ingredientes destinados aos recheios podia ser adquirida nas próprias regiões onde as lojas funcionavam, combinando padronização do produto com fornecedores locais.

Crepefy chegou a R$ 10 milhões em faturamento

O crescimento das unidades levou o empreendimento a alcançar uma marca financeira expressiva pouco depois de sua criação, já que a Crepefy registrou faturamento de R$ 10 milhões em 2023, segundo os números apresentados na reportagem publicada pelo UOL.

Esse valor correspondia à receita registrada pela operação naquele período e marcou uma distância significativa em relação à infância de André, quando a renda familiar dependia das vendas realizadas nas ruas e ajudava a custear necessidades básicas dentro de casa.

Entre essas duas fases, a trajetória passou pelo trabalho em uma multinacional, pela abertura de uma distribuidora de calçados, pelo encerramento daquele negócio, pela atuação no marketing e pelo retorno ao segmento de alimentação agora na condição de empresário.

De forma indireta, a rede de crepes retomou uma atividade presente desde a juventude do empreendedor, porque o contato inicial com consumidores aconteceu justamente durante a venda de alimentos e outros produtos ao lado do pai nas ruas de Taboão da Serra.

O que começou com uma rotina familiar de comércio informal e uma barraca de cachorro-quente ganhou outra dimensão anos depois, passando para uma operação estruturada em unidades próprias e franquias, com cardápio padronizado, fabricação centralizada de insumos e diferentes canais de venda.

Na infância, o dinheiro obtido nas ruas contribuía para uma casa onde André sequer possuía um quarto próprio; já na vida adulta, o empresário passou a administrar uma rede que alcançou faturamento anual de R$ 10 milhões com a expansão do modelo de crepes.

Quantas trajetórias empresariais que hoje movimentam milhões começaram em atividades simples exercidas nas ruas muito antes da abertura do primeiro negócio?

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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