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Criado pela avó de 68 anos e vindo de escola pública do interior, um jovem de 18 anos acumulou mais de 30 medalhas em olimpíadas do conhecimento e passou em primeiro lugar em Direito na USP, somando doze aprovações em processos seletivos e ainda uma vaga na FGV

Criado pela avó de 68 anos e vindo de escola pública do interior, um jovem de 18 anos acumulou mais de 30 medalhas em olimpíadas do conhecimento e passou em primeiro lugar em Direito na USP, somando doze aprovações em processos seletivos e ainda uma vaga na FGV

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Criado pela avó de 68 anos e vindo de escola pública do interior, um jovem de 18 anos acumulou mais de 30 medalhas em olimpíadas do conhecimento e passou em primeiro lugar em Direito na USP, somando doze aprovações em processos seletivos e ainda uma vaga na FGV

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 01/08/2026 às 10:09

Atualizado em 01/08/2026 às 10:10

Curiosidades

Jovem de escola pública de Mirassol passou em primeiro lugar em Direito na USP pelo Provão Paulista, com mais de 30 medalhas em olimpíadas do conhecimento.

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Kalel Rodrigues de Souza teve o resultado divulgado em 19 de janeiro de 2026, pelo Provão Paulista Seriado. As notas do exame também o colocariam em segundo lugar em medicina na USP e em terceiro na Unicamp. Ele estudou em escolas estaduais desde o ensino fundamental.

O jovem Kalel Rodrigues de Souza, de 18 anos, morador de Mirassol, no interior paulista, ficou em primeiro lugar na lista de aprovados para o curso de Direito da USP pelo Provão Paulista Seriado, cujo resultado saiu em 19 de janeiro de 2026, conforme reportagem publicada pela CNN Brasil. Ele estudou em unidades estaduais desde o primeiro ano do ensino fundamental e vive com a avó Aparecida, de 68 anos.

O desempenho não parou na primeira colocação. As notas acumuladas ao longo do exame seriado também renderiam a ele o segundo lugar em medicina na USP, o terceiro em medicina na Unicamp e o segundo em Direito na Unesp. A escolha final recaiu sobre a faculdade de Direito do largo São Francisco, que ele chama de Sanfran.

O aluno que se define como filho da olimpíada

Aluno de Mirassol (SP) conquista medalha de prata em olimpíada internacional de matemática na Tailândia — Foto: Kalel Rodrigues de Souza/Arquivo pessoal

A base construída antes do vestibular explica boa parte do resultado. Kalel se autodeclara um filho da olimpíada e usou as competições de conhecimento como degrau acadêmico desde o ensino fundamental, participando de torneios estaduais, nacionais e internacionais.

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A relação com esse tipo de prova começou cedo. Em 2022, ele já figurava entre os medalhistas de ouro do estado de São Paulo na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, a Obmep, disputando o nível destinado a estudantes de 8º e 9º ano.

Aluno de Mirassol (SP) conquista medalha de prata em olimpíada internacional de matemática na Tailândia — Foto: Kalel Rodrigues de Souza/Arquivo pessoal

A lista de competições em que ele acumulou premiações inclui a própria Obmep, a Olimpíada Nacional de Ciências, a Olimpíada Nacional de Geografia e provas estaduais como a Olimpíada de Matemática das Escolas Estaduais, a Omasp, e a Olimpíada Interpreta SP. Em 2024, ele recebeu a medalha de ouro da primeira edição da Omasp, entregue pelo governador Tarcísio de Freitas.

O clube de estudos que levou dez alunos à Tailândia

Alunos de Mirassol (SP) representaram o Brasil em olimpíada internacional de matemática na Tailândia — Foto: Argel do Valle/Educação SP

O que diferencia essa trajetória de outras histórias de estudante premiado é o que ele fez com o conhecimento acumulado. Na Escola Estadual Genaro Domarco, em Mirassol, Kalel fundou um clube juvenil de estudos para preparar outros alunos para as olimpíadas.

A iniciativa produziu resultado coletivo. Em 2024, o grupo integrou a delegação da Secretaria da Educação de São Paulo que viajou a Bangkok, na Tailândia, para a Olimpíada Internacional Matemática sem Fronteiras. Além de Kalel, outros nove colegas da mesma escola participaram da competição.

Ele voltou de lá com a medalha de prata. Uma colega da mesma escola, Luany Antoniele Marques Costa, também integrou a delegação e conquistou o bronze na mesma prova. O clube não formou um caso isolado, formou um grupo, e essa é a parte da história que costuma se perder quando a manchete foca em um nome só.

A rotina do último ano do ensino médio

O ano decisivo teve uma organização bem definida. Kalel cumpria a jornada de ensino integral na escola pública durante a maior parte do dia e concentrava a preparação para o vestibular nas manhãs, com foco em redações e em provas anteriores.

Essa divisão é mais dura do que parece à primeira vista. Ensino médio integral já ocupa a maior parte do dia útil, e encaixar preparação própria antes disso significa começar a estudar antes do horário em que a maioria dos estudantes ainda está acordando.

Segundo o próprio relato, foi a disciplina construída nos anos de olimpíada que sustentou essa maratona. Quem já se preparou para competição de conhecimento chega ao vestibular com método, e não apenas com conteúdo, diferença que aparece justamente na reta final.

A ligação do governador e as doze aprovações

Jovem de escola pública de Mirassol passou em primeiro lugar em Direito na USP pelo Provão Paulista, com mais de 30 medalhas em olimpíadas do conhecimento.

O anúncio da primeira grande conquista chegou de forma inesperada. A classificação em primeiro lugar para Direito na USP pelo Provão Paulista foi comunicada a ele por telefone, em ligação do governador de São Paulo.

O total de aprovações acumuladas pelo estudante em processos seletivos chegou a doze. Entre elas estão a Fundação Getulio Vargas e a Unesp, onde ele também ficou em segundo lugar para Direito.

Vale registrar que as apurações disponíveis não detalham a lista completa dessas doze aprovações, nem informam quais delas foram em instituições públicas e quais em privadas. O número aparece como total de processos seletivos, sem a discriminação por universidade, e essa lacuna precisa ser dita com clareza.

Por que ele escolheu Direito em vez de medicina

Jovem de escola pública de Mirassol passou em primeiro lugar em Direito na USP pelo Provão Paulista, com mais de 30 medalhas em olimpíadas do conhecimento.

A pontuação abria a porta para medicina em duas das universidades mais concorridas do país, e mesmo assim a escolha foi outra. A explicação dada por ele é de afinidade: leitura e escrita sempre foram o terreno em que se sentia mais à vontade.

Um dado sustenta essa autoavaliação. Kalel alcançou 960 pontos na redação do Exame Nacional do Ensino Médio, nota que coloca o candidato em uma faixa bastante restrita entre os milhões de participantes da prova.

Curiosamente, ele não vê separação entre as duas áreas. Segundo o relato, enxerga no raciocínio lógico da matemática um suporte direto para a retórica jurídica. A formação em olimpíada de exatas, nesse caso, não foi abandonada, foi convertida em ferramenta para a carreira escolhida.

A bolsa em escola particular que ele recusou

Existe um episódio nessa trajetória que costuma passar despercebido e que diz muito sobre a escolha dele. No segundo ano do ensino médio, Kalel recebeu propostas de bolsa em escolas particulares, oferta comum para estudantes com histórico forte em olimpíadas.

Ele preferiu concluir a formação em Mirassol, na mesma escola estadual em que havia começado. A justificativa foi o vínculo construído com a comunidade escolar, e não uma avaliação sobre qualidade de ensino.

O percurso contou ainda com o suporte de professores da rede estadual que, desde o ensino fundamental, o orientaram sobre os processos seletivos disponíveis. Informação sobre como e onde se inscrever é uma barreira concreta para quem não tem essa referência em casa, e nesse caso ela veio da própria escola.

O que vem agora, e o que ainda não está resolvido

Com a matrícula feita, a preocupação seguinte deixou de ser acadêmica e passou a ser logística. Kalel não tem conhecidos em São Paulo e planeja pleitear auxílios de permanência estudantil e moradia universitária para viabilizar o curso, cujas aulas começam em fevereiro.

Esse é o ponto em que muitas trajetórias parecidas travam. Passar no vestibular resolve o acesso, mas não resolve aluguel, alimentação, transporte e material em uma das cidades mais caras do país, especialmente para quem vem do interior e não tem rede de apoio na capital.

Os programas de permanência estudantil existem justamente para cobrir essa lacuna, mas dependem de disponibilidade de vagas e de processo seletivo próprio. A aprovação é o começo do problema, não o fim dele, e a reportagem não informa se os auxílios já foram concedidos.

O contraste entre o resultado e a estatística

O resultado foi divulgado às vésperas do Dia Internacional da Educação, celebrado em 24 de janeiro, data instituída pela Organização das Nações Unidas para reforçar o papel do ensino como base da estrutura social.

A coincidência de calendário deu ao caso repercussão nacional, e a leitura predominante foi a do ensino público como motor de mobilidade. O próprio Kalel afirma que a escola pública lhe deu senso de coletividade e o espaço necessário para construir a própria base, e que ela pode dar bons frutos quando há cuidado envolvido.

É importante manter as duas coisas em perspectiva. A trajetória dele demonstra o que a rede pública pode produzir, e ao mesmo tempo o quanto ainda é excepcional que produza, tanto que o caso virou notícia justamente por não ser comum.

Da Obmep em 2022 ao largo São Francisco em 2026

O percurso completo cobre pouco mais de três anos entre a medalha de ouro na Obmep, ainda no ensino fundamental, e a primeira colocação em uma das faculdades de Direito mais tradicionais do Brasil.

O que sustentou esse trajeto não foi um único talento, e sim uma combinação de fatores identificáveis: acesso a competições de conhecimento oferecidas pela rede pública, professores que orientaram sobre processos seletivos, um clube de estudos criado dentro da própria escola e uma rotina de preparação construída ao longo de anos.

Nenhum desses elementos é exclusivo dele. O que foi excepcional é ter reunido todos ao mesmo tempo, e ter transformado a preparação individual em algo que levou mais nove colegas da mesma escola a uma competição internacional.

E você, acha que histórias como essa mostram que a escola pública funciona ou que ela ainda depende demais do esforço individual do aluno? Conhece alguém que passou em universidade concorrida vindo da rede pública? Conta nos comentários o que faria mais diferença para que casos assim deixassem de ser notícia.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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