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Criado pelos tios que trabalhavam em pizzaria, call center e supermercado, aluno de escola pública estuda cerca de quatro horas por dia, consegue bolsa integral no cursinho apenas nos últimos meses e passa direto em Medicina na Unicamp aos 16 anos

Criado pelos tios que trabalhavam em pizzaria, call center e supermercado, aluno de escola pública estuda cerca de quatro horas por dia, consegue bolsa integral no cursinho apenas nos últimos meses e passa direto em Medicina na Unicamp aos 16 anos

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Criado pelos tios que trabalhavam em pizzaria, call center e supermercado, aluno de escola pública estuda cerca de quatro horas por dia, consegue bolsa integral no cursinho apenas nos últimos meses e passa direto em Medicina na Unicamp aos 16 anos

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 11/08/2026 às 15:51

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Aos 16 anos, saiu diretamente da escola para Medicina na Unicamp, curso que teve 220 candidatos por vaga naquele vestibular.

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Vitor Santana Costa cursou todo o ensino médio em escola pública, estudou cerca de quatro horas por dia e só conseguiu bolsa integral em cursinho depois das férias de julho. Aos 16 anos, saiu diretamente da escola para Medicina na Unicamp, curso que teve 220 candidatos por vaga naquele vestibular.

Vitor Santana Costa tinha apenas 16 anos quando saiu diretamente do ensino médio público para começar Medicina na Universidade Estadual de Campinas. Nascido em Ribeira do Pombal, no interior da Bahia, ele havia se mudado com os tios e três primos para Campinas em 2013 e cursou integralmente o ensino médio na Escola Estadual Professor Adalberto Prado e Silva.

A aprovação ocorreu justamente no curso mais disputado do Vestibular Unicamp 2016. Medicina registrou 220 candidatos por vaga, enquanto Vitor estudava aproximadamente quatro horas por dia por conta própria e só conseguiu uma bolsa integral em cursinho depois das férias de julho. Foram três meses de aulas regulares e outros dois meses de revisão antes da prova que o colocou na Faculdade de Ciências Médicas da universidade.

Vitor saiu do interior da Bahia e chegou a Campinas aos 13 anos

Vitor nasceu em Ribeira do Pombal, município localizado no interior da Bahia, e também viveu em Camaçari antes de mudar de estado. Desde pequeno, sua criação ficou principalmente sob responsabilidade da tia e do tio.

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Em 2013, quando tinha cerca de 13 anos, Vitor, os tios e três primos deixaram a Bahia e se mudaram para Campinas em busca de novas oportunidades. A própria Unicamp confirmou posteriormente que ele estava havia três anos na cidade quando iniciou Medicina, em 2016.

Foto: Unicamp

Foi na casa dos tios que sua ligação com os estudos começou cedo. A tia tinha formação como professora e o alfabetizou ainda criança.

Aos seis anos, Vitor fez uma avaliação que permitiu que avançasse uma série, razão pela qual chegou ao final do ensino médio com apenas 16 anos.

Tia trabalhava em pizzaria e tio acumulava empregos em call center e supermercado

Quando Vitor foi aprovado, os tios sustentavam a família com trabalhos distantes do ambiente universitário. Segundo o próprio estudante contou ao UOL, sua tia trabalhava em uma pizzaria.

O tio mantinha uma jornada ainda mais dividida: trabalhava durante a noite em um call center e durante o dia em um grande supermercado. Vitor associou diretamente o resultado no vestibular ao esforço feito pelos dois para criá-lo e manter a família depois da mudança para Campinas.

A trajetória familiar também ajuda a explicar por que a gratuidade da Unicamp tinha peso concreto na escolha.

Quando decidiu tentar Medicina, Vitor via na universidade uma combinação difícil de ignorar: curso público, proximidade de casa e uma formação na área da saúde que havia passado a desejar durante o ensino médio.

Todo o ensino médio foi feito em uma escola pública de Campinas

Vitor cursou os três anos do ensino médio na Escola Estadual Professor Adalberto Prado e Silva, localizada na Vila Costa e Silva, em Campinas. A unidade ficava a pouco mais de seis quilômetros da Unicamp.

Aos 16 anos, saiu diretamente da escola para Medicina na Unicamp, curso que teve 220 candidatos por vaga naquele vestibular.

A estrutura física descrita na reportagem do UOL era simples, com carteiras antigas e sinais de desgaste. Vitor, porém, atribuiu parte importante de seu desempenho aos professores, que incentivavam os alunos a enxergar a universidade pública como uma possibilidade concreta.

Um desses docentes foi Edison Cardoso Lins, professor de Português e também funcionário da Unicamp. Segundo a própria universidade, Edison e a professora de Matemática Letícia Batagello Vieira estavam entre os professores que acompanharam Vitor na escola estadual.

Curso de férias na Unicamp ajudou a mudar Engenharia por Medicina

Entre o segundo e o terceiro ano do ensino médio, Vitor participou de uma atividade de férias na Unicamp. Inicialmente, a aproximação ocorreu pela Engenharia Civil, área que parecia compatível com sua facilidade em Matemática.

O contato com a universidade acabou alterando seus planos. Enquanto conhecia o campus e participava das atividades, concluiu que preferia seguir uma formação relacionada à saúde. A própria Unicamp registrou posteriormente que o programa Ciência & Arte nas Férias teve influência nessa mudança de direção.

A partir de então, o Vestibular Unicamp virou seu objetivo principal para 2015. Além de oferecer Medicina gratuitamente, a instituição ficava a poucos minutos de ônibus de sua casa, o que tornava possível permanecer com a família durante a graduação.

Rotina tinha cerca de quatro horas de estudo por dia

Sem frequentar cursinho durante a maior parte do ano, Vitor estruturou uma preparação própria. Criou um cronograma em que organizava os tópicos de cada disciplina que precisava revisar para o vestibular.

Ele relatou estudar aproximadamente quatro horas por dia, mas sem transformar a quantidade de horas em uma regra rígida. Ajustava o ritmo de acordo com o próprio rendimento e preservava o sono, considerando que estudar exausto não produziria o resultado desejado.

Essa preparação ocorreu paralelamente ao terceiro ano do ensino médio. Portanto, Vitor não passou um ano inteiro dedicado exclusivamente ao vestibular: precisava acompanhar as disciplinas e atividades da escola estadual enquanto revisava conteúdos para uma das seleções mais concorridas do país.

Bolsa integral no cursinho chegou apenas depois das férias de julho

A entrada em um cursinho particular só aconteceu na segunda metade daquele último ano escolar. Depois das férias de julho, Vitor conseguiu bolsa integral no Objetivo, em Campinas.

O período foi relativamente curto: ele frequentou três meses de aulas regulares e dois meses de revisão. Isso significa que boa parte da preparação que sustentou sua candidatura havia ocorrido anteriormente na própria escola pública e nos estudos que organizava sozinho.

Depois de entrar no cursinho, Vitor afirmou ter percebido que seu conhecimento não estava tão distante do apresentado naquele ambiente. A experiência reforçou, em sua avaliação, o papel que professores da escola estadual haviam desempenhado em sua preparação.

Medicina chegou a 220 candidatos por vaga no Vestibular Unicamp 2016

A seleção enfrentada por Vitor teve números expressivos. A Comissão Permanente para os Vestibulares registrou 77.760 inscrições no Vestibular Unicamp 2016, então um recorde para a instituição. Ao todo, eram 3.320 vagas distribuídas entre 70 cursos.

Medicina aparecia isoladamente como a carreira mais disputada, com 220 candidatos por vaga. Para comparação, Arquitetura e Urbanismo, segunda colocada em concorrência naquele processo, registrava 111 candidatos por vaga.

Na primeira fase daquele vestibular, candidatos que haviam cursado integralmente o ensino médio na rede pública recebiam 60 pontos adicionais pelo Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social, o PAAIS. Na segunda fase, também havia bonificação específica. Vitor ingressou utilizando esse programa.

Aos 16 anos, estudante saiu direto da escola pública para Medicina

O resultado colocou Vitor entre os aprovados em Medicina sem um intervalo de anos entre escola e universidade. Aos 16 anos, recém-formado no ensino médio, ele iniciou diretamente as aulas na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp em 2016.

A universidade destacou oficialmente o caso em março daquele ano. A Pró-Reitoria de Graduação recebeu o estudante e registrou que ele havia sido o único aluno de sua turma escolar a conquistar uma vaga na universidade naquele processo.

Vitor também recebeu apoio depois da aprovação. O cirurgião-dentista Roberto Douglas Barouche conheceu sua história pela imprensa, ofereceu assistência material durante a graduação e entregou ao estudante um computador portátil para auxiliá-lo no início do curso.

Aprovação ocorreu em ano de avanço da presença de alunos de escolas públicas

O caso aconteceu durante uma mudança importante no perfil dos ingressantes da Unicamp. No Vestibular 2016, 51,9% dos aprovados haviam cursado o ensino médio em escolas públicas, de acordo com balanço posterior da própria universidade.

O percentual representou um salto em relação aos resultados anteriores e foi associado pela instituição às mudanças no PAAIS. A política passou naquele processo a conceder pontuação adicional já na primeira fase para estudantes que haviam cursado integralmente o ensino médio público.

No meio dessa mudança estava Vitor: um estudante de 16 anos criado pelos tios, vindo do interior da Bahia, formado integralmente em uma escola estadual de Campinas, com cerca de quatro horas diárias de preparação e apenas alguns meses de cursinho.

A combinação terminou com uma vaga direta em Medicina no processo que registrava 220 candidatos para cada lugar disponível.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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