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Criança pede apenas um caderno e um lápis no interior do Pará, mobilização cresce por três anos e campanha passa a buscar material escolar para 200 estudantes de comunidade vulnerável

Criança pede apenas um caderno e um lápis no interior do Pará, mobilização cresce por três anos e campanha passa a buscar material escolar para 200 estudantes de comunidade vulnerável

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Criança pede apenas um caderno e um lápis no interior do Pará, mobilização cresce por três anos e campanha passa a buscar material escolar para 200 estudantes de comunidade vulnerável

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 22/08/2026 às 16:33

Atualizado em 22/08/2026 às 16:34

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Pedido feito por uma criança durante viagem a Viseu deu origem à Mochila Solidária; primeira edição atendeu 100 estudantes, segunda chegou a cerca de 180 e campanha de 2026 estabeleceu meta de alcançar 200 crianças da comunidade do Sumaúma.

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Pedido feito por uma criança durante viagem a Viseu deu origem à Mochila Solidária; primeira edição atendeu 100 estudantes, segunda chegou a cerca de 180 e campanha de 2026 estabeleceu meta de alcançar 200 crianças da comunidade do Sumaúma.

Um caderno e um lápis. Foi esse o pedido feito por uma criança a Áureo Santos durante uma viagem pelo interior do Pará. O encontro acabou se transformando em uma mobilização que, três anos depois, estabeleceu a meta de reunir material escolar suficiente para atender 200 crianças de uma comunidade de Viseu, no nordeste paraense.

A campanha, chamada Mochila Solidária, é organizada por Áureo e Ana Paula Costa a partir de Belém. Mochilas, cadernos, lápis, canetas, lápis de cor e cola estão entre os itens reunidos para formar kits destinados a estudantes de famílias em situação de vulnerabilidade.

O crescimento aparece nos números divulgados pelos próprios organizadores. A primeira edição alcançou 100 crianças e, no ano seguinte, aproximadamente 180. Para 2026, a comunidade escolhida foi Sumaúma e a meta avançou para 200 estudantes.

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Criança pediu um caderno e um lápis e acabou dando origem à campanha

A história começou durante uma viagem de Áureo a Santa Rosa, em Viseu. Ele contou ao jornal O Liberal que uma criança se aproximou e perguntou se poderia receber um caderno e um lápis.

Ao conhecer a situação da família e perceber a dificuldade para adquirir até materiais escolares básicos, Áureo decidiu transformar aquele pedido individual em uma iniciativa de arrecadação.

Foi assim que nasceu a primeira edição da Mochila Solidária. O projeto passou a escolher uma comunidade a cada ano e permaneceu concentrado em localidades de Viseu durante suas três primeiras edições.

A mobilização ganhou espaço principalmente pelas redes sociais. As publicações atraem pessoas dispostas a doar materiais novos ou itens usados que ainda estejam em boas condições, enquanto Áureo e Ana Paula também fazem a retirada das doações oferecidas por moradores.

Primeira edição ajudou 100 crianças e segunda chegou a cerca de 180

Em 2026, o projeto Mochila Solidária completa três anos de existência e estabeleceu a meta de arrecadar materiais escolares para atender 200 crianças da comunidade do Sumaúma, em Viseu, no Pará (Foto: Divulgação)

O projeto cresceu gradualmente. Segundo as informações divulgadas pelos organizadores, 100 crianças foram atendidas no primeiro ano, enquanto a segunda edição chegou a aproximadamente 180 estudantes.

Em janeiro de 2026, quando a terceira campanha estava em andamento, o objetivo era alcançar 200 crianças da comunidade do Sumaúma. Caso houvesse material excedente, a intenção era direcioná-lo também a outras comunidades da região.

A arrecadação começou por volta de 5 de janeiro. A entrega havia sido programada para 1º de fevereiro, próxima ao início do período escolar. Não há, porém, uma atualização pública localizada que permita afirmar quantos kits foram efetivamente distribuídos naquela data.

O funcionamento da campanha também exige mais do que simplesmente receber as doações. Depois de separar os itens, os responsáveis verificam o que falta para completar cada mochila e utilizam recursos próprios ou ajuda de pessoas próximas para adquirir os materiais restantes.

Material escolar ficou até mais de 30% mais caro no Pará

A campanha ocorreu em um momento de pressão adicional sobre o orçamento das famílias paraenses. Levantamento do Dieese-PA, realizado antes da volta às aulas de 2026, mostrou que diversos materiais escolares ficaram mais caros e que alguns reajustes ultrapassaram 30% em relação ao ano anterior.

Uma caixa grande de lápis de cor com 12 unidades, por exemplo, apresentou preço médio de R$ 24,40, depois de uma alta de 31,89%. O apontador com depósito teve reajuste de 21,27%, enquanto outros produtos básicos, como cola, papel e giz de cera, também registraram aumentos.

Mochilas apresentaram uma diferença ainda maior de valores conforme modelo, marca e estabelecimento. A pesquisa encontrou opções partindo de cerca de R$ 45,90, mas produtos mais sofisticados ultrapassavam R$ 500.

Para uma família que precisa comprar vários itens simultaneamente, especialmente quando há mais de uma criança em idade escolar, a soma desses valores transforma materiais aparentemente simples em uma despesa significativa no início do ano.

Projeto criado em 2019 passou a desenvolver diferentes ações sociais

A Mochila Solidária não foi a primeira iniciativa organizada por Áureo. Ele fundou em 2019 o projeto Leve Solidariedade, dedicado a apoiar famílias em situação de vulnerabilidade no interior do Pará e também na Região Metropolitana de Belém.

Segundo o relato publicado por O Liberal, as ações passaram a incluir apoio com alimentos, roupas, medicamentos e até auxílio para famílias que precisam se deslocar do interior em busca de atendimento médico.

Ana Paula já desenvolvia iniciativas comunitárias próprias, especialmente ligadas a crianças, adolescentes e jovens. Depois que os dois começaram a trabalhar juntos, as ações foram reunidas também no projeto Amigos do Bem.

O grupo atua em Belém e Ananindeua e participa principalmente de situações emergenciais, além de receber pedidos relacionados à falta de alimentos, roupas e medicamentos.

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Viseu tem mais de 58 mil moradores e território de quase 5 mil km²

A escolha de Viseu também coloca a campanha diante de um município territorialmente extenso. Dados do IBGE mostram que a cidade possui 4.972,9 km² e registrou 58.692 moradores no Censo de 2022. Para 2025, a estimativa oficial chegou a 62.189 habitantes.

A densidade demográfica é de apenas 11,8 habitantes por quilômetro quadrado, característica que ajuda a dimensionar a dispersão populacional existente no município e a distância que pode separar diferentes comunidades.

Foi dentro desse cenário que os organizadores decidiram direcionar a terceira edição da Mochila Solidária à comunidade do Sumaúma.

Em vez de concentrar a arrecadação em materiais sofisticados, a lista mantém justamente os objetos mais comuns da rotina escolar: mochila, caderno, lápis, caneta, lápis de cor e cola.

Uma campanha que quase não chegou ao terceiro ano

Apesar do crescimento entre a primeira e a terceira edição, Áureo chegou a considerar a interrupção das ações em 2026. Ele relatou que o ano anterior havia sido difícil e que pensou em deixar de realizar a campanha.

Ana Paula o incentivou a manter o projeto, e os dois organizaram uma nova rodada de arrecadação.

Com isso, uma mobilização iniciada depois do pedido de apenas um caderno e um lápis avançou de 100 crianças na primeira edição para uma meta duas vezes maior três anos depois.

O resultado final da campanha de 2026 não foi divulgado nas fontes localizadas, mas a trajetória já mostra a expansão do esforço: de um pedido individual feito no interior do Pará para uma rede de arrecadação destinada a montar material escolar para até 200 estudantes.

Você imaginava que itens simples como mochila, lápis e caderno poderiam pesar tanto no orçamento de uma família durante a volta às aulas?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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