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Cupins com menos de 1 cm constroem no Cerrado um “ar-condicionado” natural que mantém o cupinzeiro a cerca de 23 °C enquanto a temperatura externa passa dos 30 °C de dia e cai a 11 °C à noite, usando uma rede de túneis que pode inspirar prédios mais frescos sem eletricidade

Cupins com menos de 1 cm constroem no Cerrado um “ar-condicionado” natural que mantém o cupinzeiro a cerca de 23 °C enquanto a temperatura externa passa dos 30 °C de dia e cai a 11 °C à noite, usando uma rede de túneis que pode inspirar prédios mais frescos sem eletricidade

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Cupins com menos de 1 cm constroem no Cerrado um “ar-condicionado” natural que mantém o cupinzeiro a cerca de 23 °C enquanto a temperatura externa passa dos 30 °C de dia e cai a 11 °C à noite, usando uma rede de túneis que pode inspirar prédios mais frescos sem eletricidade

Escrito por Carla Teles

Publicado em 21/08/2026 às 18:18

Atualizado em 21/08/2026 às 18:19

Ciência e Tecnologia

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Cupins do Cerrado mantêm cupinzeiro a 23 °C e inspiram arquitetura com túneis capazes de reduzir a dependência de eletricidade. Imagem: Criada com IA

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Pesquisadores acompanharam cupins na Chapada dos Veadeiros, em Cavalcante, Goiás, e registraram cerca de 23 °C dentro dos cupinzeiros enquanto o ambiente superava 30 °C durante o dia e chegava a 11 °C à noite, resultado ligado a um sistema de tubulações que pode orientar projetos de engenharia e arquitetura.

Cupins com menos de um centímetro são responsáveis por estruturas capazes de manter condições térmicas surpreendentemente estáveis no Cerrado. Durante um trabalho de campo na região da Chapada dos Veadeiros, em Cavalcante, Goiás, pesquisadores encontraram temperatura interna média de aproximadamente 23 °C nos cupinzeiros, mesmo diante de fortes oscilações no ambiente externo.

As informações foram publicadas pela CNN Brasil em 20 de agosto de 2026, a partir de uma iniciativa liderada pelo Instituto Serrapilheira. O projeto reuniu 16 estudantes brasileiros para investigações de campo e utilizou sensores para acompanhar a temperatura das estruturas construídas pelos insetos.

Cupinzeiro permanece perto de 23 °C mesmo com forte mudança externa

Imagem: Instituto Serrapilheira

Enquanto os pesquisadores realizavam as medições, a temperatura do lado de fora dos cupinzeiros ultrapassava 30 °C durante o dia. À noite, porém, o registro externo chegava a aproximadamente 11 °C, representando uma variação superior a 19 graus.

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Dentro da construção dos cupins, o comportamento foi muito diferente. A média permaneceu em torno de 23 °C durante o período analisado, indicando uma estabilidade muito maior que aquela observada no ambiente do Cerrado.

Rede de túneis funciona como sistema natural de climatização

A explicação apresentada pelos pesquisadores está na própria arquitetura do cupinzeiro. A estrutura possui uma rede de tubulações e passagens internas que participa do controle das condições térmicas ao longo do dia.

A bióloga e pesquisadora Sofia Coradini Schirmer comparou esse funcionamento a um sistema de ar-condicionado. A diferença fundamental é que os cupins conseguem produzir esse efeito por meio da própria estrutura física do ninho, sem depender de aparelhos elétricos de climatização.

Cupins com menos de um centímetro constroem estruturas complexas

A escala dos animais torna o fenômeno ainda mais significativo. Segundo a reportagem, cada indivíduo possui menos de um centímetro, embora a colônia seja capaz de erguer uma construção com organização interna suficiente para reduzir as oscilações de temperatura.

O cupinzeiro, portanto, não funciona apenas como uma barreira entre os insetos e o ambiente. Sua configuração interna participa diretamente da criação de condições mais estáveis para a colônia, mesmo quando o Cerrado enfrenta calor intenso durante o dia e temperaturas muito menores à noite.

Outros animais também procuram temperaturas mais amenas

Imagem: IA

O efeito térmico não beneficia exclusivamente os cupins. A reportagem registra que outros animais podem recorrer aos cupinzeiros em busca de ambientes mais frescos, incluindo cobras e tatus.

Esse comportamento mostra que a estrutura construída pelos insetos interfere nas condições disponíveis para outros organismos do ecossistema. O cupinzeiro passa a funcionar como um microambiente com características diferentes daquelas encontradas imediatamente do lado de fora.

Sensor de cerca de R$ 150 mediu a temperatura

Para acompanhar as variações, os próprios pesquisadores construíram um sensor de temperatura de baixo custo. O equipamento recebeu o nome de Tamanduíno, referência ao tamanduá, animal que se alimenta de cupins e formigas.

Segundo a CNN Brasil, o dispositivo custou aproximadamente R$ 150, valor apresentado como muito inferior ao de equipamentos tradicionais utilizados para esse tipo de medição. A construção dos sensores também integrou a experiência científica desenvolvida pelos participantes do programa.

Sistema dos cupins pode inspirar engenharia e arquitetura

A estrutura dos cupinzeiros despertou interesse que vai além da biologia. Sofia Coradini Schirmer apontou que o sistema pode fornecer referências para projetos de engenharia e arquitetura interessados em manter ambientes agradáveis com menor dependência de eletricidade.

A fonte, contudo, não apresenta um edifício específico já desenvolvido a partir dos cupinzeiros nem quantifica uma eventual economia energética. Portanto, o dado sustentado pela pesquisa é o potencial de inspiração do mecanismo natural, e não a comprovação de que uma construção humana conseguiria reproduzir exatamente o mesmo desempenho térmico.

Pesquisa reuniu 16 estudantes no Cerrado

A observação dos cupins fez parte do Programa de Formação em Ecologia Quantitativa, iniciativa liderada pelo Instituto Serrapilheira e que chegou à sexta edição. O projeto reúne participantes de diferentes campos, incluindo biologia, geografia, física e ciência da computação.

Antes do trabalho em Cavalcante, a programação também incluiu um hackathon em Brasília dedicado à construção de sensores, utilizando componentes eletrônicos, soldagem e impressão 3D. Os dados coletados em campo são posteriormente cruzados com informações produzidas pelas diferentes ferramentas utilizadas pelos pesquisadores.

Projeto também observa lagartas, fogo e espécie invasora

Os cupinzeiros representam apenas uma das frentes investigadas. Os pesquisadores também utilizaram modelos biodegradáveis de lagartas para identificar marcas deixadas por predadores e compreender melhor as relações ecológicas existentes na região.

Outro eixo envolve a capacidade de sobrevivência e adaptação do Cerrado ao fogo e a presença do capim-gordura, gramínea de origem africana tratada pelos pesquisadores como espécie invasora. Segundo o projeto, sua expansão pode dificultar a sobrevivência de espécies vegetais nativas e afetar a diversidade do ecossistema.

Cupins mostram como uma estrutura pode controlar o calor sem eletricidade

Os resultados observados na Chapada dos Veadeiros mostram como uma construção produzida por animais minúsculos consegue enfrentar uma diferença externa que vai de mais de 30 °C durante o dia a cerca de 11 °C à noite. Enquanto isso, o interior do cupinzeiro permaneceu próximo dos 23 °C durante as medições.

A possibilidade de estudar essa rede de túneis para pensar novas soluções de engenharia transforma o comportamento dos cupins em uma referência que pode ultrapassar os limites da ecologia. Você acredita que edifícios do futuro deveriam copiar mais soluções térmicas encontradas na natureza para reduzir o uso de ar-condicionado e eletricidade? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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