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Dalton Tupari e as famílias das terras indígenas Rio Branco, em Rondônia, venderam sete toneladas de castanha-da-amazônia na safra 2025/2026 e passaram a receber 20% a mais sobre o preço só por manter de pé 236 mil hectares de floresta, num arranjo inédito costurado pela Embrapa

Dalton Tupari e as famílias das terras indígenas Rio Branco, em Rondônia, venderam sete toneladas de castanha-da-amazônia na safra 2025/2026 e passaram a receber 20% a mais sobre o preço só por manter de pé 236 mil hectares de floresta, num arranjo inédito costurado pela Embrapa

Dalton Tupari e as famílias das terras indígenas Rio Branco, em Rondônia, venderam sete toneladas de castanha-da-amazônia na safra 2025/2026 e passaram a receber 20% a mais sobre o preço só por manter de pé 236 mil hectares de floresta, num arranjo inédito costurado pela Embrapa

Escrito por Felipe Alves da Silva

Publicado em 19/08/2026 às 13:19

Atualizado em 19/08/2026 às 13:20

Agronegócio

Canal

Coleta de castanha-da-amazônia em área de floresta preservada ilustra atividade que passou a receber pagamento adicional por serviços ambientais na Terra Indígena Rio Branco, em Rondônia.

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Pela primeira vez, a produção da Terra Indígena Rio Branco foi comercializada com pagamento adicional por serviços ambientais; acordo entre cooperativa e empresa transforma conservação da floresta em renda para as comunidades

Na Terra Indígena Rio Branco, em Rondônia, conservar a floresta passou a ter um valor que aparece diretamente na comercialização da castanha-da-amazônia. Na safra 2025/2026, aproximadamente sete toneladas produzidas pelas comunidades foram vendidas por meio de um acordo que acrescentou 20% ao valor comercial, como pagamento pelos serviços ambientais associados à conservação.

Segundo o Portal Amazônia, a experiência marcou a primeira comercialização da castanha produzida pelos povos indígenas da Terra Indígena Rio Branco com pagamento por serviços ambientais (PSA). O adicional de 20% reconhece o papel das comunidades na conservação da floresta, proteção da biodiversidade e manutenção dos ecossistemas. A publicação, de 14 de agosto de 2026, informa que o conteúdo foi originalmente produzido pela Embrapa.

O resultado cria uma situação incomum na cadeia extrativista: a castanha continua sendo vendida como produto, mas parte da remuneração passa a reconhecer também aquilo que permanece no território — a floresta em pé.

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Sete toneladas de castanha ganharam uma segunda camada de valor

O acordo foi firmado entre a Castanhas Ouro Verde Importação e Exportação Ltda. e a Cooperativa dos Povos Indígenas do Rio Branco (Coopirb). A articulação ocorreu dentro do NewCast, projeto voltado ao desenvolvimento de soluções e ferramentas capazes de agregar valor à cadeia produtiva da castanha-da-amazônia.

Na safra 2025/2026, cerca de sete toneladas de castanha foram comercializadas pela Coopirb com o pagamento adicional ligado aos serviços ambientais. A remuneração extra corresponde a 20% sobre o valor comercial e é destinada à organização indígena.

O dinheiro não representa simplesmente um preço maior pela castanha. O adicional reconhece economicamente atividades associadas à conservação da floresta, à biodiversidade e aos ecossistemas mantidos pelas comunidades.

Esse detalhe muda a lógica econômica do negócio. A renda deixa de estar ligada exclusivamente à quantidade de castanha retirada da floresta e passa a incorporar, ainda que parcialmente, o valor de preservar o ambiente que torna a própria produção possível.

Dalton Tupari resume a mudança: coletar, conservar e receber por isso

Entre os personagens dessa transformação está Dalton Tupari, que associa diretamente o retorno financeiro ao trabalho realizado pelas comunidades indígenas.

A Embrapa relata que o apoio aos povos Tupari e Aruá da Terra Indígena Rio Branco começou ainda em 2015, principalmente com a disseminação de boas práticas para a produção da castanha-da-amazônia, inicialmente em iniciativas ligadas ao Pacto das Águas e, mais recentemente, ao NewCast.

As recomendações acompanham diferentes etapas, da coleta à entrega do produto, buscando melhorar a qualidade da castanha comercializada.

Para Dalton, o novo modelo acrescenta uma dimensão econômica a um trabalho que as comunidades já realizavam. Ao explicar o resultado à Embrapa, ele definiu o pagamento como um reconhecimento pelo fato de as famílias coletarem e preservarem a natureza ao mesmo tempo.

Não se trata, portanto, de substituir o extrativismo pela conservação. O arranjo tenta remunerar as duas coisas simultaneamente.

Os 236 mil hectares são parte central da equação

O contrato envolve comunidades indígenas de diferentes etnias distribuídas em uma área de aproximadamente 236 mil hectares.

É justamente essa escala territorial que ajuda a explicar por que o pagamento por serviços ambientais entra no negócio. A floresta não funciona apenas como o lugar de onde sai a castanha: sua conservação está associada à proteção da biodiversidade e à manutenção dos ecossistemas reconhecidos no acordo.

Segundo a pesquisadora Patrícia da Costa, da Embrapa Meio Ambiente e coordenadora do NewCast, a safra 2025/2026 representa o resultado de um trabalho iniciado anos antes, combinando melhoria da qualidade do produto e valorização do serviço ambiental prestado pelas comunidades.

A pesquisadora Lúcia Wadt, da Embrapa Rondônia, também relaciona o resultado à combinação entre pesquisa, conhecimento tradicional, organização social e mercado.

É um ponto importante: os 20% não surgiram isoladamente como um bônus comercial. Eles aparecem no fim de uma cadeia que reúne tecnologia de produção, organização cooperativa, comprador privado e reconhecimento dos serviços ambientais.

O adicional fica sob gestão coletiva das comunidades

Outro aspecto do modelo está no destino do dinheiro.

Segundo a Embrapa, os recursos adicionais são geridos coletivamente e podem financiar iniciativas de interesse das próprias comunidades, incluindo infraestrutura, saúde, educação, fortalecimento cultural e melhorias nas condições de produção.

Na prática, isso cria uma segunda circulação econômica a partir da mesma safra.

Primeiro, as famílias participam da cadeia produtiva por meio da castanha. Depois, a organização indígena recebe uma parcela adicional relacionada à conservação, que pode retornar ao território na forma de investimentos coletivos.

A experiência da Terra Indígena Rio Branco não significa que qualquer produtor de castanha da Amazônia passe automaticamente a receber 20% adicionais. O percentual faz parte desse acordo específico entre a Coopirb e a Castanhas Ouro Verde, articulado no contexto do NewCast.

Essa distinção é fundamental para não transformar uma experiência concreta em uma regra que ainda não existe para toda a cadeia.

Um teste de mercado para saber quanto vale manter a floresta produzindo

A safra de sete toneladas é pequena diante da escala territorial envolvida, mas o ponto central da experiência está justamente em outro lugar: o produto vendido conseguiu carregar também um valor relacionado à conservação ambiental.

Se o modelo puder ser repetido e ampliado dependerá da existência de compradores, organizações locais, qualidade do produto e mecanismos capazes de reconhecer economicamente os serviços ambientais.

Por enquanto, o caso de Rondônia oferece uma resposta concreta a uma pergunta recorrente na Amazônia: como fazer com que manter uma área preservada gere renda sem exigir que a floresta seja substituída por outra atividade?

Para as comunidades envolvidas no acordo, a resposta começou com aproximadamente sete toneladas de castanha e um adicional de 20%. O próximo passo será mostrar se essa combinação entre extrativismo, conservação e pagamento por serviços ambientais consegue ganhar escala sem perder o benefício econômico destinado a quem vive e produz no território.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

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