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Depois de catar latinhas para alimentar os filhos e cozinhar com gravetos por não ter dinheiro para o gás, mulher bate de porta em porta para pagar a inscrição, estuda das 8h às 2h da madrugada durante recuperação de cirurgia e toma posse no TJDFT apenas três dias após dar à luz

Depois de catar latinhas para alimentar os filhos e cozinhar com gravetos por não ter dinheiro para o gás, mulher bate de porta em porta para pagar a inscrição, estuda das 8h às 2h da madrugada durante recuperação de cirurgia e toma posse no TJDFT apenas três dias após dar à luz

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Depois de catar latinhas para alimentar os filhos e cozinhar com gravetos por não ter dinheiro para o gás, mulher bate de porta em porta para pagar a inscrição, estuda das 8h às 2h da madrugada durante recuperação de cirurgia e toma posse no TJDFT apenas três dias após dar à luz

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 12/08/2026 às 17:42

Atualizado em 12/08/2026 às 17:43

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Ex-catadora de latinhas supera dificuldades, estuda para concurso público e toma posse no TJDFT três dias após dar à luz, após rotina intensa.

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Trajetória marcada por dificuldades financeiras, cuidados com cinco filhos e uma rotina intensa de estudos reúne episódios incomuns antes e depois de um concurso público, incluindo obstáculos para garantir a própria inscrição, recuperação de saúde e uma mudança profissional que alterou o cotidiano da família.

Marilene Lopes sustentava os filhos recolhendo latinhas nas ruas e chegou a preparar comida com gravetos quando não havia dinheiro suficiente para comprar gás, mas, mesmo diante dessas limitações básicas, continuou estudando para concursos públicos enquanto tentava manter a família alimentada.

Quando surgiu uma seleção do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, a dificuldade imediata não estava na prova, e sim na taxa de inscrição, que ela só conseguiu pagar depois de pedir ajuda de porta em porta.

Pouco tempo depois, durante a recuperação de uma cirurgia, Marilene transformou os dias de repouso em uma rotina de preparação que começava às 8h, seguia com outras pessoas até 23h e avançava sozinha até aproximadamente 2h da madrugada.

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A aprovação levou a outro episódio marcante de sua trajetória, pois ela tomou posse como técnica judiciária do TJDFT apenas três dias depois de dar à luz, enquanto o filho recém-nascido ainda permanecia no berçário da maternidade.

A história foi registrada pelo próprio Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, que documentou a trajetória de Marilene depois de sua entrada no quadro de servidores e detalhou as dificuldades enfrentadas antes da conquista profissional.

Mãe de cinco filhos naquele período, ela já havia convivido com falta de renda estável, trabalhos ocasionais e limitações que atingiam despesas essenciais, mas manteve o projeto de ingressar no serviço público enquanto administrava as responsabilidades familiares.

Dificuldades financeiras acompanharam os primeiros anos de estudo

Ainda muito jovem, Marilene assumiu responsabilidades familiares, casou-se aos 16 anos e teve a primeira filha dois anos depois, sem abandonar a educação, pois conseguiu concluir o ensino médio e posteriormente obteve formação técnica nas áreas de Enfermagem e Administração.

Uma oportunidade profissional surgiu no Programa Saúde em Casa, onde ela conseguiu trabalhar apesar das dificuldades de fala relacionadas ao lábio leporino, mas o encerramento do projeto retirou sua principal fonte de renda e tornou a busca por outro emprego mais difícil.

Durante certo período, o trabalho doméstico garantiu algum dinheiro, embora a ampliação das responsabilidades com os filhos tornasse cada vez mais complicado conciliar cuidados familiares e empregos disponíveis, cenário que empurrou Marilene para alternativas informais de sobrevivência.

Sem uma fonte estável de renda, ela passou a recolher latinhas descartadas nas ruas, separá-las e vendê-las para conseguir comprar alimentos, enquanto dentro de casa a falta de dinheiro chegava, em determinados momentos, até a impedir a compra do botijão de gás.

Ex-catadora de latinhas supera dificuldades, estuda para concurso público e toma posse no TJDFT três dias após dar à luz, após rotina intensa.

Quando isso acontecia, Marilene recorria a gravetos para preparar as refeições da família, mas a precariedade material não interrompeu seus planos de tentar concursos públicos, e os livros continuaram presentes na rotina mesmo durante a fase de coleta de recicláveis.

O serviço público também fazia parte de uma referência familiar importante, porque o pai de Marilene, morto aos 29 anos após um infarto, havia trabalhado como bancário, experiência que permaneceu na memória enquanto ela buscava uma ocupação com renda regular.

Taxa de inscrição virou o primeiro obstáculo do concurso

A oportunidade decisiva apareceu com o concurso do TJDFT, porém, antes de pensar nas questões da prova, Marilene precisou resolver um problema mais imediato: não tinha dinheiro disponível para pagar a taxa exigida e garantir sua participação na seleção.

Em vez de desistir, começou a procurar pessoas dispostas a contribuir e bateu de porta em porta até reunir o valor necessário, numa corrida que só terminou no último dia disponível para pagamento e poucos minutos antes do fechamento bancário.

Segundo o registro do TJDFT, ela chegou à agência com a quantia exata apenas dez minutos antes do encerramento do atendimento, assegurando a inscrição no limite do prazo e abrindo caminho para uma preparação que também ocorreria em circunstâncias pouco convencionais.

A etapa seguinte aconteceria justamente durante um período de recuperação física, quando uma cirurgia aguardada por Marilene acabou coincidindo com os dias que antecederam a intensificação dos estudos para a seleção pública.

Recuperação de cirurgia virou período de preparação intensa

Pouco depois da inscrição, Marilene recebeu o chamado de um hospital público para realizar uma cirurgia que buscava havia algum tempo para corrigir o lábio leporino e, durante a recuperação, foi para a casa da mãe, onde encontrou condições melhores para estudar.

Ali havia alimentação, material disponível e outras pessoas que também se preparavam para o mesmo concurso, combinação que fez o período de repouso dividir espaço com uma rotina de estudos intensa, mesmo enquanto ela ainda sentia dores relacionadas ao procedimento cirúrgico.

Pela manhã, os estudos começavam às 8h e seguiam ao longo do dia com o grupo, que mantinha a preparação até aproximadamente 23h, quando os demais encerravam as atividades e iam dormir após várias horas dedicadas ao conteúdo da prova.

Marilene, porém, prolongava a jornada sozinha, permanecendo com cadernos e materiais até cerca de 2h da madrugada, enquanto a mãe acompanhava aquela rotina exigente e demonstrava preocupação com o esforço durante uma fase que ainda era de recuperação física.

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No dia da prova, ela aproveitou praticamente todo o tempo disponível, permaneceu na sala até os minutos finais destinados à resolução das questões e saiu depois dos demais candidatos, comportamento coerente com a preparação prolongada que vinha mantendo desde a cirurgia.

A aprovação transformou o concurso que ela quase não pôde pagar em uma oportunidade concreta de mudança profissional, encerrando a etapa de preparação e abrindo outra fase na vida familiar, que ainda seria marcada por um acontecimento importante antes da posse.

Posse no TJDFT ocorreu três dias depois do parto

Entre a realização da seleção e a convocação, Marilene ficou grávida novamente e, quando chegou o momento de assumir o cargo, seu quinto filho havia acabado de nascer, situação que tornou a formalização da entrada no tribunal outro episódio incomum de sua trajetória.

Marcada para 9 de maio de 2001, a posse ocorreu apenas três dias depois de um parto difícil, quando o bebê ainda permanecia no berçário da maternidade e Marilene precisou deixar temporariamente o hospital para comparecer ao tribunal e assumir o cargo.

A nomeação substituiu uma rotina marcada por trabalhos ocasionais e coleta de latinhas por um vínculo profissional no Judiciário, permitindo que ela passasse a atuar justamente na instituição para a qual havia estudado enquanto enfrentava dificuldades para manter despesas básicas em casa.

Já como técnica judiciária, Marilene construiu uma trajetória profissional dentro do TJDFT e, segundo o registro institucional, trabalhou por mais de uma década na 12ª Vara Cível antes de passar a exercer suas atividades na Contadoria do tribunal.

Estabilidade profissional ampliou o espaço dos estudos na família

A estabilidade conquistada também permitiu que ela ajudasse familiares interessados em concursos públicos, enquanto os estudos permaneceram presentes dentro de casa e passaram a ocupar outro papel na rotina familiar depois do período em que a prioridade era garantir alimentação e renda.

Após ingressar no tribunal, Marilene incentivou os filhos a manter a formação escolar e usou a própria trajetória como referência sobre a importância da educação, sendo que, quando sua história foi documentada pela instituição, a filha mais velha já cursava Direito.

Entre a coleta de latinhas, os gravetos usados para preparar refeições, a busca pelo dinheiro da inscrição e as madrugadas de estudo após uma cirurgia, diferentes etapas da vida de Marilene permaneceram ligadas ao concurso que garantiu sua entrada no serviço público.

Diante de uma rotina que reuniu dificuldades financeiras, responsabilidades familiares, recuperação de cirurgia e horas prolongadas de preparação, você conseguiria manter o mesmo compromisso com os estudos até chegar ao dia de uma prova decisiva?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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