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Depois de chegar a uma nova escola escondendo a mão direita que não se formou por completo, adolescente de 15 anos viu colegas usarem modelos digitais e uma impressora 3D para construir uma prótese que lhe permitiu pegar uma bola pela primeira vez
Escrito por Geovane Souza
Publicado em 01/08/2026 às 08:48
Curiosidades
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Sergio Peralta havia aprendido a escrever, comer e realizar tarefas com a mão esquerda, mas evitava mostrar o braço direito. Em poucas semanas, colegas da aula de engenharia transformaram arquivos digitais e peças impressas em 3D em uma prótese funcional feita sob medida.
Sergio Peralta chegou à Hendersonville High School, no estado americano do Tennessee, tentando passar despercebido. Aos 15 anos, o novo aluno costumava esconder dentro da manga a mão direita, que não havia se formado completamente durante a gestação.
A situação começou a mudar quando Jeff Wilkins, professor de computação e engenharia, percebeu que Sergio sempre colocava o mouse do computador no lado esquerdo da mesa. A observação levou a uma conversa e, pouco depois, a uma proposta que o adolescente não esperava receber dentro da escola.
Alunos da turma de engenharia utilizaram uma impressora 3D e modelos digitais disponíveis na internet para desenvolver uma mão protética adaptada ao braço de Sergio. O primeiro grande teste aconteceu com uma bola, que ele conseguiu segurar com a mão direita pela primeira vez na vida.
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De acordo com a CBS News, a história ganhou repercussão nacional nos Estados Unidos em janeiro de 2023. Sergio afirmou que os colegas mudaram sua vida ao transformar um projeto escolar em uma solução que ele jamais imaginou receber.
A mão que Sergio tentava esconder havia provocado perguntas desde a infância
Antes de mudar de escola, Sergio morava em Madison, também no Tennessee, e já estava acostumado a fazer quase tudo com a mão esquerda. Ele escrevia, carregava livros, comia e utilizava equipamentos eletrônicos sem depender de uma prótese.
O desconforto estava menos ligado à capacidade de realizar tarefas e mais às reações das pessoas. Desde pequeno, o adolescente ouvia perguntas sobre a formação da mão e, em algumas ocasiões, havia sido alvo de comentários de outros estudantes.
Por isso, ao iniciar o ano letivo em Hendersonville, ele tentou esconder o braço dentro da roupa. Segundo informações publicadas pelo The Washington Post, Sergio nunca havia usado uma prótese e acreditava que continuaria adaptando sua rotina apenas com a mão esquerda.
Um movimento no computador fez o professor enxergar o que ninguém comentava
Jeff Wilkins percebeu a situação durante uma aula de informática. Sergio era o único estudante que deslocava o mouse para o lado esquerdo antes de começar a trabalhar, um detalhe simples que levou o professor a observar com mais atenção.
Wilkins comandava um programa de engenharia criado para tirar projetos do papel e aplicá-los a problemas reais. Ao conversar com Sergio, o professor apresentou a possibilidade de fabricar uma prótese dentro do laboratório da própria escola.
O adolescente aceitou, embora ninguém soubesse se o plano funcionaria. Como informou a revista People, estudantes da turma passaram a pesquisar formatos, medidas e modelos de mãos que poderiam ser produzidos nos equipamentos disponíveis.
Quatro semanas de medidas, testes e peças refeitas produziram a primeira versão
Os alunos não precisaram desenhar toda a prótese do zero. Eles pesquisaram projetos digitais gratuitos, compararam diferentes estruturas e modificaram os arquivos para atender às medidas do braço de Sergio.
Entre os estudantes envolvidos estavam Leslie Jaramillo, Matthew Jackson e Ella Holtermann. O trabalho exigiu ajustes no tamanho, na posição dos dedos e nos pontos de contato com a pele, já que uma peça rígida ou mal dimensionada poderia causar desconforto.
A estrutura foi produzida com plástico próprio para impressoras 3D. Partes mais flexíveis foram utilizadas para permitir o movimento dos dedos, enquanto tiras de velcro e fios ajudaram na montagem e na fixação ao antebraço.
Os primeiros testes mostraram que algumas peças precisavam ser refeitas. A equipe passou cerca de quatro semanas ajustando o protótipo e ouvindo Sergio antes de chegar a uma versão que pudesse ser usada com mais conforto.
A bola escapou nas primeiras tentativas até ficar presa entre os dedos impressos
Com a prótese pronta, os estudantes decidiram realizar um teste simples. Eles lançaram uma bola na direção de Sergio para verificar se a mão conseguiria segurá-la.
Nas primeiras tentativas, o objeto escapou. Depois de novos lançamentos, porém, a bola ficou presa entre os dedos da prótese, provocando uma reação imediata dos alunos e professores que acompanhavam o teste.
Sergio contou que nunca havia conseguido pegar uma bola com a mão direita. O momento resumiu o resultado de semanas de medições, falhas, ajustes e novas impressões.
Depois disso, o adolescente começou a testar a prótese em outras tarefas, como segurar uma garrafa de água, transportar copos e pegar pequenos objetos. Cada atividade ajudava os estudantes a identificar pontos que ainda poderiam ser melhorados.
A chamada mão robótica funcionava sem motores ou baterias
Parte da cobertura internacional descreveu o dispositivo como uma mão robótica. A prótese construída pelos estudantes, porém, funcionava por meio de movimentos mecânicos e não dependia de motores, baterias ou sensores eletrônicos.
Esse tipo de modelo pode aproveitar o movimento do punho ou do braço para tensionar fios e fechar os dedos. A estrutura mais simples reduz custos, facilita reparos e permite que novas peças sejam produzidas pela própria impressora.
Projetos semelhantes são compartilhados por comunidades internacionais de próteses impressas em 3D, como a e-NABLE. Os arquivos digitais podem ser modificados conforme o tamanho do usuário e a tarefa que se pretende realizar.
Mesmo assim, um protótipo escolar não substitui automaticamente uma prótese clínica. Conforto, resistência, encaixe, acompanhamento profissional e necessidades individuais precisam ser avaliados antes do uso prolongado.
O projeto mudou a rotina de Sergio e os planos dos estudantes
O resultado teve efeitos além da sala de aula. Leslie Jaramillo afirmou que acompanhar Sergio usando uma peça construída pelo grupo reforçou seu interesse pela engenharia mecânica.
Sergio também demonstrou vontade de aprender as ferramentas utilizadas pelos colegas. A intenção era compreender os modelos digitais e, no futuro, participar das modificações da própria prótese.
O diretor da Hendersonville High School, Bob Cotter, relacionou o resultado à proposta do curso de engenharia da instituição. O projeto reuniu conhecimentos de desenho digital, impressão 3D, escolha de materiais, montagem e testes práticos.
Para Sergio, porém, o impacto pôde ser percebido em um gesto simples. Uma bola que antes cairia no chão permaneceu presa em sua mão direita, construída por colegas que ele havia conhecido poucas semanas antes.
O que você achou da atitude dos estudantes e do uso da impressão 3D para produzir uma prótese dentro da escola? Deixe seu comentário e conte se projetos como esse também deveriam fazer parte das aulas de engenharia e tecnologia no Brasil.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

