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Depois de ouvir de uma escola que não havia onde seu filho com paralisia cerebral pudesse sentar, mãe se recusou a aceitar a exclusão, passou nove meses criando uma cadeira especial para mantê-lo na sala de aula, patenteou a invenção e transformou a rejeição em uma solução para centenas de crianças na Índia
Escrito por Ana Alice
Publicado em 14/08/2026 às 05:39
Atualizado em 14/08/2026 às 05:40
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Uma recusa escolar levou uma mãe indiana a buscar uma solução prática para o filho com paralisia cerebral e abriu caminho para uma invenção que, anos depois, ganhou reconhecimento nacional e alcançou outras famílias.
Uma pergunta feita durante a tentativa de matricular uma criança em uma escola acabou dando origem a uma invenção que, anos depois, chegaria a um dos principais espaços institucionais da Índia.
Em 2023, Neha Solanki procurava uma escola para o filho, Duranjay, que tem paralisia cerebral e não conseguia permanecer sentado sozinho.
Em uma das tentativas, ouviu da direção uma questão simples na forma, mas decisiva para o que aconteceria depois: onde a criança iria se sentar durante as aulas?
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A família também recebeu a orientação de que primeiro deveria ensinar o menino a sentar e só depois pensar na escola.
Neha seguiu por outro caminho.
Em vez de tentar adaptar o filho a uma sala que não possuía equipamento adequado, passou cerca de nove meses desenvolvendo uma cadeira capaz de oferecer sustentação corporal a crianças com paralisia cerebral e outras condições neuromotoras.
O resultado recebeu o nome de Buddy Chair, teve o desenho patenteado e passou a ser utilizado além da própria família.
Em 31 de julho de 2026, a história ganhou uma atualização nacional: Neha esteve entre 26 inovadores selecionados para um reconhecimento promovido no âmbito da Atal Innovation Mission.
A cerimônia ocorreu no Rashtrapati Bhavan, residência oficial da Presidência da Índia, onde a presidente Droupadi Murmu visitou a exposição dos projetos e conversou com os participantes.
Recusa escolar levou Neha Solanki a buscar uma solução
Neha vive no estado indiano do Rajastão e é mãe de Duranjay.
O menino nasceu prematuramente, com apenas 27 semanas de gestação e cerca de 900 gramas, segundo os relatos publicados pelo Times Índia.
Mais tarde, foi diagnosticado com paralisia cerebral.
Quando chegou o momento de procurar uma escola, a dificuldade deixou de estar apenas nos cuidados cotidianos.
Instituições consultadas pela família afirmavam não possuir estrutura adequada para receber uma criança que não conseguia manter a posição sentada sem apoio.
Uma delas colocou a questão de maneira direta.
“Where will the child sit?”, ou “Onde a criança vai se sentar?”, perguntou a direção, segundo o relato reproduzido posteriormente pela imprensa indiana.
A escola chegou a sugerir que a mãe ensinasse o filho a sentar antes de levá-lo novamente.
Foi a partir dessa situação que Neha começou a olhar para o problema de outra forma.
O objetivo deixou de ser apenas encontrar uma instituição disposta a matricular Duranjay e passou a incluir uma questão prática: como permitir que uma criança que precisa de suporte postural permaneça na sala de aula com segurança?
Buddy Chair levou nove meses para ser desenvolvida
Neha decidiu aprofundar a formação na área e cursou mestrado em Psicologia da Reabilitação.
Ao estudar as necessidades de crianças com deficiência, aproximou-se de fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, educadores especializados e outros pais.
A partir dessa combinação de experiências, começou o desenvolvimento de um sistema de assento adaptado.
O trabalho consumiu aproximadamente nove meses.
A cadeira precisava fazer algo que uma carteira escolar comum não faz: sustentar diferentes partes do corpo para que a criança permaneça em posição estável sem depender o tempo inteiro de outra pessoa para segurá-la.
Dessa experiência surgiu a Buddy Chair.
O equipamento foi pensado principalmente para crianças com paralisia cerebral e outros desafios neuromotores.
Em vez de funcionar apenas como um lugar para sentar, ele fornece apoio postural e estabilidade durante atividades do cotidiano.
Isso permite que a criança permaneça diante de uma mesa para estudar, escrever ou comer com maior suporte.
Também reduz a necessidade de um adulto permanecer constantemente mantendo seu corpo na posição adequada, de acordo com a descrição divulgada sobre o projeto.
Cadeira adaptada atende necessidades que o mobiliário comum não resolve
O ponto que levou à criação da Buddy Chair parece pequeno quando visto de fora.
Em uma sala de aula convencional, sentar-se costuma ser uma ação automática.
Para determinadas crianças com comprometimento motor, entretanto, permanecer naquela posição pode exigir apoio específico para tronco, quadril e outras partes do corpo.
Sem isso, tarefas básicas da rotina escolar podem se tornar mais difíceis.
Não basta, portanto, existir uma carteira vazia disponível na sala.
O mobiliário precisa atender às necessidades físicas da criança para que ela consiga permanecer naquele ambiente e participar das atividades.
Foi essa diferença que Neha encontrou quando tentou matricular Duranjay.
O problema não era apenas conseguir uma vaga.
Mesmo dentro da escola, ainda seria necessário descobrir como ele permaneceria sentado durante as aulas.
Experiência com o filho deu origem à Unnati Adaptive Devices
A cadeira não permaneceu como uma solução doméstica construída apenas para Duranjay.
Neha criou a Unnati Adaptive Devices, empresa voltada ao desenvolvimento de equipamentos adaptados para crianças com necessidades especiais.
A organização apresenta como objetivo produzir dispositivos personalizados e de custo acessível que aumentem a independência nas atividades cotidianas.
Entre as soluções previstas estão assentos, estruturas para permanecer em pé, equipamentos para banho, carrinhos adaptados e outros dispositivos de mobilidade.
A Buddy Chair tornou-se um dos principais produtos ligados à história da empresa.
Segundo a JK Lakshmipat University, cuja incubadora acompanhou a startup, o equipamento já chegou a centenas de crianças e famílias.
A empresa também trabalha no desenvolvimento de um carrinho adaptado voltado a crianças maiores, chamado Freedom Ride.
Com isso, uma dificuldade encontrada durante a matrícula escolar passou a orientar uma iniciativa dedicada a diferentes situações da vida cotidiana.
Buddy Chair recebeu patente e reconhecimento nacional na Índia
A Buddy Chair deixou também de ser apenas um protótipo experimental.
O projeto recebeu patente, segundo registros publicados pelo Rajasthan Patrika e por outros veículos que acompanharam a trajetória de Neha.
Em 2026, a inventora foi selecionada entre 26 inovadores de diferentes regiões da Índia para o Grassroots Innovator Recognition, iniciativa ligada à Atal Innovation Mission.
O projeto foi associado à área de tecnologia assistiva aplicada à saúde.
A cerimônia ocorreu em 31 de julho no Rashtrapati Bhavan Cultural Centre, em Nova Délhi.
A Presidência da Índia confirmou que Droupadi Murmu encontrou o grupo, visitou a exposição montada pelos inovadores e conheceu as soluções apresentadas.
Na ocasião, a presidente afirmou que inovações criadas a partir de problemas locais podem ter importância nacional, especialmente quando combinam experiência cotidiana, conhecimento técnico e responsabilidade social.
A Buddy Chair se encaixava justamente nessa lógica: nasceu de uma necessidade observada dentro de uma família e passou a ser apresentada como equipamento para outras crianças.
Reconhecimento de 2026 atualizou uma história iniciada em 2023
A participação na cerimônia trouxe outra dimensão para um projeto que havia começado três anos antes com uma matrícula escolar recusada.
A JK Lakshmipat University informou que Neha e outro empreendedor apoiado por sua incubadora estiveram entre os inovadores reconhecidos no evento.
A instituição também destaca que a startup está sediada em Jodhpur e trabalha com equipamentos assistivos de menor custo para crianças com deficiência.
Neha tornou-se ainda a primeira mulher do Rajastão a receber esse reconhecimento na categoria associada à tecnologia assistiva, de acordo com o Rajasthan Patrika.
O prêmio não mudou a origem da invenção.
Antes da incubadora, da patente e da exposição em Nova Délhi, havia apenas uma mãe tentando responder a uma dificuldade concreta colocada por uma escola.
Assista o vídeo
Duranjay foi o primeiro usuário da cadeira criada pela mãe
Para o filho de Neha, o equipamento passou a fazer parte de atividades cotidianas.
As informações divulgadas sobre o projeto indicam que Duranjay ganhou maior autonomia para estudar, realizar tarefas e permanecer sentado com apoio adequado.
Foi justamente a experiência dele que serviu como ponto de partida para os testes e ajustes feitos ao longo do desenvolvimento.
A cadeira precisou considerar não apenas estabilidade, mas também conforto suficiente para permanecer em uso durante atividades prolongadas.
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Ana Alice
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Esse tipo de adaptação explica por que o trabalho envolveu profissionais de diferentes áreas.
Não se tratava simplesmente de fabricar uma cadeira menor ou adicionar cintos a um assento convencional.
Era necessário pensar na forma como crianças com dificuldades motoras sustentam o próprio corpo e em como o mobiliário poderia reduzir parte dessa limitação durante atividades escolares e domésticas.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

